sexta-feira, 31 de agosto de 2012

JARTURICE OU... JARTURADA - 62 (ÚLTIMA)


A H P P P
ARQUIVO HISTÓRICO DA PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA PORTUGUESA 


  Publicado na secção POLICIÁRIO em: 31.Agosto.1992

Chegada a derradeira página do Suplemento “FÉRIAS”, o Luís Pessoa emitiu os últimos despachos do expediente, para encerrar os seus trabalhos, quanto à matéria da série de lançamento do POLICIÁRIO no PÚBLICO, dando relevo a uma…



Carta aberta do inspector Fidalgo
ao seu amigo inspector Lima Júnior

Caro colega:
É com evidente prazer que hoje lhe dirijo a palavra, não só para lhe agradecer o prémio que quis instituir, composto por esse magnífico fim-de-semana de três dias nos Apartamentos Via Don’Ana, aí mesmo, em Lagos, para duas pessoas, mas também para o felicitar pela sua bela postura perante o Policiário, que é uma coisa que nós, os inspectores, temos muito a mania de amesquinhar.
E já agora confessar-lhe que tenho uma inveja danada do felizardo que vai poder usufruir de tão valioso prémio… Ah! Sempre o Algarve, por mais que se procure…
Como deve compreender, a escolha não foi nada fácil e, a título de exemplo do que afirmo, vou-lhe transcrever algumas magníficas frases, todas merecedoras do nosso aplauso e, no fim, indicarei as duas que mais me dividiram. Ora veja só:
- “Policiário é fixe”: de Tommy & Toppence (Coimbra).
- “Policiário no PÚBLICO: É o seu ginásio mental, para o paulatino e sadio desenvolvimento do raciocínio, da memória, da inteligência, da observação, da imaginação, da perspicácia e do rigor literário.” : de Jartur (Porto).
- “Entendo que o Policiário é uma actividade interessante, cultural e relaxante” : de Miguel Reis (Abrantes).
- “Só mesmo o inspector Fidalgo - e o PÚBLICO! – para lhe fazer trabalhar os neurónios em féria – pena que não se estenda para os outros dias todos”: de Sem-Lôh (Coimbra).
- “Êxito absoluto, graças à feliz combinação das suas principais vertentes: a lúcida e a pedagógica” : de Dic Roland (São João do Estoril).
- “O curso de detectives por correspondência em que, se o crime não vem ter connosco, o inspector Fidalgo vai ter com ele! ” : de Dr. Acéfalo (Vila Nova de Gaia).
- “Policiário: Um crime sem vingança que o calor tornou perfeito” : de Alberto Teixeira (S. Frutuoso – Folgosa - Ermesinde).
- “Não tenho palavras… Vou sentir muitas saudades…” : de Seven (Guimarães).
- “O Policiário do PÚBLICO é uma excelente companhia deste Verão, que veio desenvolver a criatividade e a perspicácia dos seus leitores” : de Ann Metal Rose (Lisboa).
- “O melhor jornal diário merece a melhor secção policiária” : de Russo (Secorio - Santarém).
- “O Policiário é uma aposta ganha!” : de Dr. N & N’s (Porto).
É, como pode ver, um bom friso de excelentes definições e pensamentos do que o Policiário no PÚBLICO representou para alguns dos nossos mil setecentos e tal concorrentes. Mas veja agora, caro colega, o que nos reserva a final.

Finalistas
- Luís Miguel Pereira M. T. Lopes (Main Frame), da Senhora da Hora – Matosinhos, com a seguinte frase: - “As boas ideias são ilhas rodeadas por todos os lados, por um mar de falta de imaginação, cabendo a todos nós conquistar um pouco mais de terra. O PÚBLICO conquistou um continente com o seu Policiário”.
- Clara Maria Laranjeira Sarmento e Santos (Miss Marvel) do Porto, com esta frase: - “O Policiário do PÚBLICO é cúmplice no crime perfeito destas férias: matar o tempo de maneira inteligente”.

O vencedor
- Clara Maria Laranjeira Sarmento e Santos (Miss Marvel) 4000 – Porto.

É seu o fim-de-semana no Algarve!
Para tal, peço-lhe que entre em contacto com o inspector Lima Júnior (Pedro Moreira) – [e forneciam-se as indispensáveis “coordenadas” que aqui vamos omitir] -  para combinar os pormenores, datas que lhe interessam, etc.
Para todos os concorrentes que não foram premiados, o Policiário do PÚBLICO reserva-lhes outras importantes e renovadas iniciativas, a partir de agora, na secção semanal que irá para o ar todos os domingos, com sensacionais novidades, torneios e tudo o que mais tarde poderá ver.
Para a contemplada de hoje, os nossos parabéns e que consiga gozar junto ao mar do nosso Algarve um belo fim-de-semana, na certeza que tem aqui um invejoso que também gostaria de por lá andar.
Finalmente para você, caro colega Lima Júnior, um abraço e os agradecimentos pela ideia que teve e que tanto veio valorizar a secção.
Um abraço do
Inspector Fidalgo

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

JARTURICE OU... JARTURADA - 61 (PENÚLTIMA)


 Publicado na secção POLICIÁRIO em: 30.Agosto.1992

Mais uma secção que, por se estar a aproximar o final desta série quotidiana, o Inspector Fidalgo aproveitou para expressar algumas ideias e esclarecimentos, principalmente para os leitores ainda pouco embrenhados nos meandros da actividade POLICIÁRIA.
Ora, vamos lá “ouvi-lo!”


O inspector Fidalgo “descobre” o domingo!

O inspector Fidalgo raramente tem um domingo de folga e quando isso acontece fica como que bloqueado: o que é que há para fazer num dia em que nada há para fazer?
No PÚBLICO já não ia encontrar os tais problemas que contavam histórias suas, porque o Suplemento Férias estava no fim. Teria que se contentar com a secção policiária que iria “para o ar“ apenas uma vez por semana, ao domingo, segundo constava…
Era altura para traçar um pouco da história destes dois meses de permanência e lançar o desafio para que todos os que acompanharam o inspector Fidalgo durante esse tempo o não abandonassem agora… Novos desafios, torneios, convívios, uma imensidão de coisas que estavam e estão na ideia e que apenas aguardam o momento certo para saltar cá para fora!...
Ainda faltam os números de uma semana, a que terminou na passada quinta-feira (falamos de semana Policiária, claro!) e já registamos um número aproximado de 1500 concorrentes inscritos, numa progressão constante, o que indicia um belo resultado na semana que falta.
Naturalmente que a preferência de todos os concorrentes incidiu nos problemas curtos, acessíveis, com as soluções possíveis ali mesmo à mão de semear… A, B, C, D, uma delas é a correcta… Só que esse esquema, inédito no país, constituiu um êxito total, tendo sido recebidas centenas de cartas a elogiar o esquema utilizado e a pedir mais, muito mais!...
Mas tudo o que começa tem de acabar e, com o fim do Suplemento de Férias, deixou de haver o tal espaço diário disponível para a nossa secção… Talvez mais tarde, se os pedidos o justificarem, porque o leitor é rei e senhor!

Ficamos, digamos assim, à espera de ordens vossas no sentido de proceder ao melhor trabalho possível, em duas vertentes:
1 – Satisfazer os leitores que seguiram e seguem a nossa secção e que transmitem, semana a semana, o seu apoio e incentivo;
2 – Servir o Policiário como forma de pensamento e instrumento de cultura intelectual capaz de colocar as “cinzentas” a trabalhar.
Não é, pois, um adeus definitivo! Todos os domingos teremos o nosso ponto de encontro nestas páginas para falarmos, discutirmos (no bom sentido, claro!), concorrermos aos torneios que levaremos a cabo, com óptimos prémios, brincarmos um tanto e, porque não, comparecermos nos convívios que realizaremos num futuro próximo (assim o esperamos, se for esse o vosso desejo!)!? 
E quando a oportunidade surgir, cá estará o inspector Fidalgo com os seus problemas directos, fáceis e acessíveis…
E, já agora, um apelo a todos os nossos concorrentes no sentido de se reunirem e criarem, onde tal for possível, clubes policiários ou tertúlias policiarias, à semelhança das que já existem, nomeadamente em Almada (Tertúlia Policiária de Almada); ou em Lisboa (Tertúlia Alfacinha), etc… Há locais onde temos centenas de concorrentes, nomeadamente no Porto, onde não há locais de reuniões, nem uma tertúlia! Assim, eu apelo a todos os que se quiserem dedicar ao policiário na sua terra, que entrem em contacto comigo, no sentido de lhes fornecer nomes e moradas de policiaristas dessas zonas para formarem uma tertúlia ou um clube policiário. Depois, é só arranjar um café onde se possam reunir e um dia (normalmente a um sábado à tarde) para se encontrarem, falarem, trocarem experiências…

E atenção porque amanhã teremos nestas páginas o nome do feliz contemplado com o Prémio Inspector Lima Júnior, um fim-de-semana de três dias para duas pessoas em Lagos, Algarve! Atenção, pois!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

JARTURICE OU... JARTURADA - 60


 A H P P P
ARQUIVO HISTÓRICO DA PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA PORTUGUESA 

             
Publicado na secção POLICIÁRIO em: 29.Agosto.1992

O inspector Fidalgo desfaz equívocos

Tal como ontem, também hoje não veio a lume qualquer problema policial.
Divulgou-se a solução do problema O CRIME DA JANELA ENVENENADA, publicado no passado dia 8, e ao qual juntámos, na oportunidade, essa decifração comentada.
Publicou-se igualmente a chave das soluções da semana, que também fomos anexando aos respectivos problemas, e ainda os textos a que a seguir damos publicidade.
 Também se inseriu um esclarecimento sobre A TÉCNICA POLICIÁRIA, a que nos referimos e demos publicidade no passado dia 22, porque se reportava a uma lamentável gralha nesse dia ocorrida.



O inspector Fidalgo desfaz equívocos

Pois é! Foi uma enormidade de cartas recebidas, quer em minha casa quer no PÚBLICO, “protestando” contra o encerramento da rubrica policiária no jornal. Não há hipóteses de responder pessoalmente a todas, motivo pelo qual se utiliza este espaço para o fazer.

1.º - A secção policiária não vai terminar e, por conseguinte, todos vão ter possibilidades de exercitar as “cinzentas”.
2.º - O que vai terminar é a nossa participação diária, com o género de problemas que vínhamos publicando e que tanto êxito vieram alcançar.
3.º - Assim, a partir do dia 31 deste mês, quando terminar a publicação do suplemento Férias, haverá um espaço semanal (pelo menos será essa a ideia), provavelmente ao domingo, onde tentaremos dinamizar todos os concorrentes que em nós confiaram, lançar verdadeiros torneios policiários, com bons e valiosos prémios, talvez realizar reuniões (convívios policiários) em várias partes do país, etc, etc.
4.º - Todas as sugestões, pedidos ou reclamações poderão ser dirigidos à morada habitual, no sentido de serem analisadas e, sempre que haja motivos, divulgadas.
Desfeito o equívoco e agradecendo desde já o grande apoio que foi dado a esta secção, vamos a outro capítulo.
                                  Inspector Fidalgo
       


Relembramos o cabeçalho!

NOTA:
Como o conteúdo da secção deste dia, quase se esgotava, na distribuição conveniente pelas páginas das secções que lhe deram motivo, vamos divagar mais um pouco…“enchendo chouriços”… para preencher espaço.
Esse outro capítulo, a que o inspector Fidalgo se refere, era
a parte inferior e maior da página, sombreada com fundo cinzento (a cor das células utilizadas), onde se davam os esclarecimentos acima mencionados, ou seja:
Solução de: O CRIME DA JANELA ENVENENADA;
CLASSIFICAÇÕES; PREMIADOS;
A CHAVE DA SEMANA; e
A TÉCNICA POLICIÁRIA (Dissecação da gralha capturada).
                                               Jartur

terça-feira, 28 de agosto de 2012

ZÉ AUGUSTO NO POLICIÁRIO



O "Mundo" do Policiário junta-se à homenagem de um artista que fica associado à nossa querida actividade, ao aceitar dar vida a duas peças que foram atribuídas pelo confrade Jartur como prémios de um torneio em sua homenagem.





A morte de um artista é sempre uma perda para toda a Humanidade.





AS DUAS ESCULTURAS COM "SABOR" POLICIÁRIO

Que se possa sentir orgulhoso de toda a sua vida e carreira artistica, lá onde estiver e que possa dar um sentido abraço a todos os nossos confrades que já partiram...





FALECEU O ARTISTA ZÉ AUGUSTO

Escreveu o confrade JARTUR, hoje de madrugada


Bom dia Amigos:

Bem cedinho hoje, pois volto a caminho de Aveiro, para acompanhar um Amigo à sua última morada!


O "ZÉ AUGUSTO", faz parte da "HISTÓRIA DAPROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA PORTUGUESA", porque modelou em barro, com sublime arte e muito carinho, as duas interessantíssimas esculturas que foram os troféus instituidos para um  torneio pelo Jartur, e que, se a memória me não falha, foram atribuidos ao "ZÉ-VISEU" e ao "DANIEL FALCÃO".






DESCANSA EM PAZ, ZÉ AUGUSTO!



Abraços do Jartur



O "Mundo" do Policiário junta-se à homenagem de um artista que fica associado à nossa querida actividade, ao aceitar dar vida a duas peças que foram atribuídas pelo confrade Jartur como prémios de um torneio em sua homenagem.
A morte de um artista é sempre uma perda para toda a Humanidade.
Que se possa sentir orgulhoso de toda a sua vida e carreira artistica, lá onde estiver e que possa dar um sentido abraço a todos os nossos confrades que já partiram...



JARTURICE OU... JARTURADA - 59


 A H P P P
ARQUIVO HISTÓRICO DA PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA PORTUGUESA 

O INSPECTOR FIDALGO REJUBILA E… CHORA!                                                                 
  Publicado na secção POLICIÁRIO em: 28.Agosto.1992

Como estava já prevista a suspensão da página de FÉRIAS, que entrará em “férias”, o inspector Fidalgo vai, certamente, ter que ajustar as agulhas, e hoje – há vinte anos atrás – não houve espaço para problema policial.
Vamos, então, ver como foi preenchido o espaço, para continuar a merecer a atenção dos inúmeros “sherlocks”.

Texto de: Luís Pessoa



O inspector Fidalgo
rejubila e… chora!

É isso. Apesar de toda a coragem que o inspector Fidalgo vem demonstrando na resolução dos seus inúmeros casos, hoje é dia de dar um salto de contente e depois, na hora da despedida dos seus leitores amigos (pelo menos até agora, que o suplemento de férias voa, ele mesmo, para férias), chorar!

O salto de contente tem a sua justificação por termos batido um novo recorde! Um recorde que não seria de todo em todo, até porque todos sabemos que em férias não há muita pachorra para grandes escritas…
Mas a fórmula encontrada, como foi reconhecida por toda a gente (quer da velha guarda, quer aqueles que só agora tomaram contacto com o Policiário), além de totalmente inédita, foi a ideal para não provocar “perdas” de tempo e ao mesmo tempo exercitar a massa cinzenta. Uma forma a repetir, logo que tal se tornar possível…
            Quanto ao recorde: registámos hoje a soma magnífica de MIL QUATROCENTOS E NOVENTA E SETE CONCORRENTES inscritos nos nossos ficheiros, o que corresponde a um aumento de DUZENTOS E SESSENTA E SEIS PARTICIPANTES de uma semana para a outra! E claro que também excedemos o número de respostas a um só lote de problemas – SETECENTOS E TRINTA E SEIS CONCORRENTES!
            Números impressionantes que traduzem a total aceitação do nosso trabalho. As centenas de missivas que nos exortam a continuar a publicar um problema diário são a principal recompensa de todo um trabalho que culminou nos números desta semana e que, se mais suplementos houvessem, maiores seriam certamente.
E já sabem, noutros moldes, cá continuaremos com a secção Policiária, com novidades e outra orientação… Como iremos informando, à medida que tivermos novidades.

       PRÉMIOS E PREMIADOS
        DA SEMANA
  É tal e qual o que estão a pensar… Entre a “bagatela” de 736 respostas, ser-se premiado é uma imensa sorte! Mas a sorte existe e aqui vão os contemplados com livros:

- Raul Celso Cleto Maria da  Costa (Luar)
4500 - Espinho
- Ana Mafalda T. Figueiredo (Bó)
4420 – Gondomar
- António José de Almeida Moreira (Clouseau)
4200 - Porto
- Orlando Santos Soares (Inspector X)
8000 - Faro
- Juan Miguel Martin Iglésias (The “Public” Detective)
1500 – Lisboa
- Jaime M. M. Carvalho e Silva (Vasco da Gama II)
3000 – Coimbra

PRÉMIOS DA ASSOCIAÇÃO POLICIÁRIA PORTUGUESA
- José Manuel Martins (Insp. Topa Tudo)
4200 - Porto
- João Soares Monge Pinho Santos (Qui Qui Dos Olhos Esbugalhados)
3800 – Aveiro

Todos irão receber em suas casas os livros a que tem direito.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

JARTURICE OU... JARTURADA - 58


A H P P P
ARQUIVO HISTÓRICO DA PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA PORTUGUESA 


Problema # 49
O INSPECTOR FIDALGO E O HOMEM DO FATO BRANCO
Original de: Luís Pessoa                                                                           
Publicado na secção POLICIÁRIO em: 27.Agosto.1992

Chovia. Forte e feia, a água tombava com ruído nos telhados do casario daquele bairro de Alfama. Como sempre, pessoas apressadas percorriam as vielas, umas munidas de guarda-chuva providencial, outras, como era o caso do inspector Fidalgo e daquele homem de fato branco, apanhando com a dureza da água que caía.
O inspector Fidalgo não tinha grande pressa, caminhava apenas porque é habitual as pessoas caminharem assim para fugir da chuva. Uma rotina. No fundo, o inspector até gostava de caminhar debaixo de chuva. Era refrescante, calmo, um pouco solitário, até, sendo um bom conselheiro nos momentos de tomar decisões.
Foi na tarde desse dia todo igual que o inspector se deslocou novamente a Alfama, desta vez por motivos profissionais.
Uma moça de pouco mais de 20 anos de idade e prostituta, presumivelmente – que neste país não há número nem cadastro da existência de tal profissão, a não ser que tenha havido prisão pela prática de prostituição, o que não era o caso – tinha sido assassinada com um tiro, num terceiro andar de um prédio um tanto degradado, mesmo no centro do bairro.
Suspeitos não havia muitos. Apenas um tipo mesquinho e chato que repetia sempre as mesmas coisas com uma voz pastosa e monocórdica, lembrando um disco partido, e um moço com um aspecto típico de chulo, graciosamente vestido com um fato branco, imaculado, com cada vinco no seu lugar e onde nem uma ruga poderia espreitar sem ser de imediato corrigida e “apagada”.
Claro está que ninguém sabia de nada, tinham chegado naquele momento, eram muito amigos da moça, o tipo chato era quase como um pai para ela, no seu dizer, tinha montes de pena e era capaz de tudo pela moça, inclusivamente dar a sua vida por ela… O tipo chuleco, era como um irmão para a moça, como seria de prever, só estava ali porque queria vê-la, porque gostava dela.
Tinha vindo a pé desde a Rua da Alfândega e quando ali chegou viu a moça assassinada. Estava muito impressionado, mas não podia fazer nada.
-É falso, é falso! – gritou o tipo chato. – Esse gajo ficou cá durante toda a noite na “minha menina” e foi ele que a matou, sei lá porquê!
- Esse tipo é doente. Não lhe respondo. Não fiquei cá de ontem para hoje, como ele diz. Cheguei agora, é tudo.
O inspector Fidalgo virou-se para o tipo chulo e perguntou-lhe se tinha guarda-chuva. A resposta foi negativa. Virou-se então para o tipo chato e fez a mesma pergunta. A resposta foi idêntica, com o acrescento de que não precisava dele porque morava no andar de abixo.
O inspector pensou um pouco… Não havia dúvidas…

A – O assassino foi o tipo chato porque morava ali mesmo e tinha todas as oportunidades para cometer o assassínio.
B – O assassino foi o tipo chulo porque não podia apresentar-se daquela maneira com aquele tempo e a história dele.
C – O assassino foi o tipo chato porque apenas tentou um álibi perfeito dizendo que dava a vida por ela, o que soava a falso, dadas as circunstâncias.
D – O assassino foi o tipo chulo que entrou calmamente na casa e matou a moça, sabendo que o tipo chato morava por baixo e que por isso seria inculpado porque ia descobrir o cadáver.

E é o fim da semana policiária. Se aproveitou o cupão do passado domingo, está em condições de responder já hoje.
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Solução do autor:                                              
Publicada na secção POLICIÁRIO em: 29.Agosto.1992

D O assassino foi o tipo chulo que entrou calmamente na casa e matou a moça, sabendo que o tipo chato morava por baixo e que por isso seria inculpado porque ia descobrir o cadáver.
O dia era de chuva, todo igual, como se diz, e portanto o tipo chulo nunca poderia deslocar-se a pé, como afirmou, e manter-se impecavelmente “encadernado” no seu fato branco.

domingo, 26 de agosto de 2012

POLICIÁRIO 1099



Tempo de verão, de sol, de praia, de mar ou de campo… Talvez só para alguns, que este país em recessão assim obriga. Mas o Policiário é mesmo para todos e desta feita traz consigo a folia de uma passagem de ano!

“FESTA NOCTURNA”, de Inspector Fidalgo

– Responda, sr. A, tem de me dar respostas…
– A festa tinha sido de arromba e não sabíamos muito bem onde estávamos ou o que tínhamos andado a fazer… Compreende, era um dia especial em que todos entrávamos num ano especial. Toda a gente dizia e parece que era verdade, que o século e o milénio só iriam virar no ano seguinte, mas, que diabo, viravam-se todos os algarismos naquele dia, naquele segundo exacto!
– Eu até posso compreender isso, acho normal que se festejasse, mas nada justifica a vossa atitude perante o que se passou. O que eu quero saber é quem estava presente no momento em que aconteceu o incidente.
– Não estou certo.
– Mas você estava no local, ou não?
– Estava… Isto é, penso que sim… Sabe, os copos…
O agente Maduro saiu da sala, já um tanto irritado com o que se passava. Isto de andar a perguntar coisas com anos de atraso, nem parecia coisa de gente. Um incidente tão distante…
– Senhor B, isto parece um pouco estranho, mas tenho de lhe perguntar de novo o que se passou nessa noite, o que viu, quem estava presente, quem foi o autor material, enfim, tudo!
– Senhor agente, não tenho a mínima ideia! Não me lembro de nada dessa noite, olhe, foi uma noite de folia, uma noite única, que nenhum de nós voltará a passar, não é verdade? Todos bebemos e comemos em força e já nem me lembro de sair do bar, quanto mais o que se passou cá fora… E depois estive dois dias a dormir…
– Menina C, quer fazer o favor de esclarecer o que se passou nessa noite?
– Ora, senhor agente, o que é que se podia ter passado? Estávamos todos a festejar em grande, quando aquilo aconteceu. Lembro-me perfeitamente que nenhum de nós teve nada que ver com isso, absolutamente nada. Estávamos a festejar, mais nada, mas um grupo provocou-nos e, para evitar males maiores, eu mesma empurrei os meus amigos para dentro do bar, para não haver chatices. O que aconteceu depois, não sei, nem os meus amigos, porque estávamos lá dentro e isso parece que aconteceu cá fora, não foi?
– A menina parece que se lembra de tudo muito bem…
– Pudera, nessa altura eu andava um bocado mal, com uma infecção e andava a tomar antibióticos e por isso não podia beber álcool. Acabei por ser eu que controlei tudo e levei os meus amigos a casa.
– E dentro do bar, o que aconteceu?
– Dentro do bar, nada. Bebemos um copo, estacionámos algum tempo para deixar passar a tempestade que se levantou na rua…
– Tempestade?
– Em sentido figurado, senhor agente, queria dizer, a complicação…
– Sim, sim, continue…
– Não houve mais nada. Paguei a conta, o que foi uma complicação porque o bar não tinha multibanco e tive de andar a vasculhar as carteiras dos meus amigos à procura dos euros para pagar aquilo…
– Senhor D, não me vai dizer que não se lembra de nada dessa noite, pois não?
– Não, senhor agente, lembro-me perfeitamente que não se passou nada de especial. Entrámos e saímos de bares e bares, bebemos e comemos, foi tudo excelente. Só há uma noite assim, numa vida.
– E depois?
– Depois, nada! Acordei em casa, muito mais tarde, com uma dor de cabeça terrível e sem sequer saber como lá cheguei. Depois contaram-me que foi a C que nos andou a entregar em casa, porque ela não podia beber por causa de uns medicamentos.
– Não houve incidentes?
– Nada.
O agente Maduro percebeu que havia ali uma grande mentira, mas não se queria maçar demais com um caso corriqueiro e ridículo que um chefe queria que se esclarecesse passado tanto tempo.
Ele sabia que o chefe tinha a pedra no sapato por ter apanhado uma “galheta” naquela noite, mas a verdade é que, conhecendo-o tão bem como ele o conhecia, apostava que tinha sido merecida. Ora abóbora!
O agente percebeu onde estava o erro e os nossos “detectives” também…
Ora digam lá então quem o cometeu:

1 – O senhor A porque ninguém podia estar num estado em que não se lembrasse de nada – estava a mentir;
2 – O senhor B porque revela que não se lembra sequer de sair do bar, mas sabe que se passou alguma coisa cá fora, pelo que estava a mentir também;
3 – A Menina C porque se lembra de tudo tão bem, mas mente naquilo que diz;
4 – O senhor D porque se lembra de tudo, de entrar e sair de bares, de comer e beber, e portanto tinha de saber o que se passou, pelo que é um grande mentiroso.



SOLUÇÃO DE “NAMORO ATRIBULADO”
Autor: Inspector Fidalgo
Problema publicado na secção 1095, em 29 de Julho

Este problema tem a intenção declarada de mostrar aos novos “detectives” que nem sempre o que parece óbvio, o é realmente!
Um dos conceitos a seguir é o de que um mentiroso não é, obrigatoriamente, um culpado.
Neste caso, temos alguém que nos diz que passou um dia inteiro na praia e depois revela uma palidez doentia. Conclusão óbvia e natural: o rapaz mentiu e pode ter estado em todo o lado, excepto ao sol um dia inteiro, para mais pela primeira vez nesse ano, o que o transformaria, certamente, num sósia de lagosta, em coloração.
Mas esse facto não o torna mais suspeito de ter denunciado a situação à moça. Só o torna mais mentiroso.
Quem se denuncia é Carlos, ao referir que nem sequer fora nesse domingo ao café, sem que o amigo ou alguém mais lhe tivesse dito que fora aí que a inconfidência foi cometida.
Portanto, resposta certa: Carlos!

JARTURICE OU... JARTURADA - 57


A H P P P
ARQUIVO HISTÓRICO DA PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA PORTUGUESA 


Problema # 48
O INSPECTOR FIDALGO E A MORTE DA DONA-DE-CASA
Original de: Luís Pessoa                                                                                
 Publicado na secção POLICIÁRIO em: 26.Agosto.1992

Tarde de Maio, abafada, de autêntica trovoada adiada. Uma forte chuvada viria mesmo a calhar, quanto mais não fosse para refrescar o tempo.
O inspector Fidalgo detestava esta atmosfera de calor sem sol, de céu enevoado sem chuva, enfim, uma confusão diabólica. E, quando foi chamado à Rua das Flores para verificar a morte de uma dona-de-casa, foi contrariado que se atirou para a rua, abandonando o seu ar condicionado… Enfim, vida de inspector.

A senhora morrera quando passava a ferro. O marido, inconsolável, gritava a todo o mundo a sua desgraça, no que era acalmado por vizinhos e amigos que iam surgindo de todos os lados. O costume, em vida todos se comem como cães, na morte todos se armam em santinhos e amiguinhos! À portuguesa!
- Quem descobriu a senhora? – interrogou o inspector.
- Eu… - disse entre choros o marido. – Entrei na cozinha e vi-a mesmo a ter o ataque de coração, ou lá o que foi… Só a vi a… desculpe a emoção, mal consigo falar… cair desamparada agarrada ao coração, assim, no peito… Está a ver…
O ambiente estava irrespirável. A janela estava fechada, o que tornava o ar ainda mais carregado e quente. Em cima da tábua de passar a ferro, um velho lençol esperava a sua vez para ser alisado e dobrado… Uma operação que talvez não viesse a ver tão brevemente…
- O que fez o senhor quando aqui chegou?
- Eu… Nada… Não havia nada a fazer… Cheguei à porta e vi a mulher de costas para mim, oscilando um pouco… Perguntei o que se passava… Mas como resposta apenas a vi voltar-se para mim, agarrada ao peito, do lado do coração, largou o ferro e… Caiu no chão, ali mesmo onde está agora. Tentei reanimá-la, mas não consegui… Não, não mexi em nada… Corri para o corredor, chamei por socorro, e… vieram estes meus amigos… Não toquei em nada de nada. Nem me lembrei de tal coisa… Compreende…

O inspector Fidalgo compreendia…
Perguntou aos presentes se alguém mexera em algum objecto da cozinha, sendo a resposta negativa. Todos chegaram em resposta ao pedido de socorro e chamaram as autoridades.
O lençol continuava à espera, o que acontecia também com o pobre e triste ferro, antigo, que esperava que alguém o viesse de novo activar para poder dar o seu calor a outras peças de roupa.
O inspector Fidalgo já sabia o que se tinha passado.

A – A pobre mulher desmaiara com o calor e dera-lhe um ataque de coração.
B – A mulher foi envenenada por um qualquer estranho e o marido apenas assistiu à parte final.
C - A mulher foi envenenada pelo marido, que ainda por cima lhe atirou com o ferro à cabeça para a matar.
D – O marido está implicado na morte da mulher, não sendo verdade as declarações que proferiu.

Mais um problema, o penúltimo desta semana. Como já foi dito, escolha a sua resposta.

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Solução do autor:                                             
 Publicada na secção POLICIÁRIO em: 29.Agosto.1992

D – O marido está implicado na morte da mulher, não sendo verdade as declarações que proferiu.
Pelo texto e pelas declarações do marido da vítima, verifica-se que a mulher morrera de ataque do coração ao passar a ferro, o marido não mexeu em nada, nem ninguém mexeu fosse no que fosse, mas a verdade é que o ferro estava à espera que alguém o activasse de novo, o que queria dizer que fora desligado depois da morte, ou… a morte não ocorreu ao passar a ferro e a cena foi mal encenada! 

sábado, 25 de agosto de 2012

JARTURICE OU... JARTURADA - 56


A H P P P
ARQUIVO HISTÓRICO DA PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA PORTUGUESA 



É verdade, Amigos!
Que bom se fosse verdade, o Inspector Fidalgo ir hoje a um "CONVÍVIO POLICIÁRIO".
Lá estaríamos todos a trocar abraços!
Que saudades do "Johnny Hazard", do "Detective Misterioso", da "Pal", do "Sete", do "Dic Roland", do "Repórter Mistério", do "Inspector Varatojo", que não era habitual como os OUTROS, mas que abracei em alguns.
Só quis relembrar alguns (dos que me lembrei) dos que já nos deixaram, mas deixo espaço para que vocês se juntem à Homenagem, relembrando-me os que não me ocorreram. Eles estão ainda conosco,
e estarão juntos, em convívio eterno... esperando por nós. Que seja longa a Vossa espera, saudosos AMIGOS. 
Abraços do Jartur 



Problema # 47
O INSPECTOR FIDALGO VAI A UM CONVÍVIO POLICIÁRIO
Original de: Luís Pessoa
 Publicado na secção POLICIÁRIO em: 25.Agosto.1992

Como acontecia todos os meses num passado mais ou menos recente, os convívios policiários faziam parte da vida de qualquer policiarista. E o inspector Fidalgo, sempre que podia, lá ia, estrada fora, para o Porto, Famalicão, Aveiro, Figueira da Foz, Coimbra, Viseu, Torres Vedras, Santarém, Lisboa, Almada, Évora, Portimão, etc… E em todos revia amigos e conhecidos novos.
O inspector Fidalgo interrogava-se como tinha sido possível perder o rumo de todos esses convívios, tendo muitos desaparecido e outros… lá iam subsistindo à custa de muita carolice.
- Não será verdade que o PÚBLICO Policiário pode dar uma boa ajuda, promovendo esses mesmos convívios?
O inspector Fidalgo imaginava-se no centro de um convívio, algures neste país, promovido e publicitado pelo PÚBLICO Policiário, onde compareciam dezenas de confrades, da velha e nova guarda, em são convívio, antes, durante e depois de um bom almoço. Falava-se de policiário, de projectos, de torneios, desta ou daquela questão que levantou dúvidas, todos falavam com todos…
E chegava o momento dos digestivos, testes e problemas policiários para todos em conjunto, mas cada um por si, claro está, resolverem. E o problema policiário rezava assim:
“Um qualquer tipo estava sentado a uma secretária, com as costas voltadas para a porta, quando ouviu um ruído atrás de si. A princípio não ligou, tal a atenção com que estava no seu trabalho, mas, perante a insistência, voltou a cabeça, dando de caras com um índio, impecavelmente vestido, a que não faltava sequer uma fita na cabeça onde se prendiam duas penas…
Foi um choque terrível… Seria possível que aquela personagem tivesse saído da história que estava a escrever? Foi então que se ouviu um grito… a que se seguiu um imenso silêncio…
Só no dia seguinte se descobriu o corpo do pobre escritor, com uma faca espetada em pleno peito… Havia pegadas no chão, (porque lá fora chovia) até à porta… Sim, eram sapatos índios, vulgo “mocassins”. A certeza da sua pontaria não determinou que tivesse de se ir certificar da morte da sua vítima… Não havia dúvidas, atirara a faca com pontaria certeira…”
O “Sete de Espadas”, o “Jartur”, “O Gráfico”, o “Detective Invisível” e o “Detective Misterioso” (infelizmente já falecido, quando se preparava para se deslocar para um convívio – a nossa homenagem!) riram-se de imediato, perante a perplexidade de alguns, sendo acompanhados por muitos outros, “Mycroft Holmes”, “Mota Curto”, “Henry”, “Ric Hochet”, “Donald Lam”, “Livau”, “Becas”, “Ubro Homet”, “Delgas”, “Pal”, “M. Lima”, “Xek-Brit” e tantos outros que a memória atraiçoa… É que havia um erro terrível no problema.

A – Um índio nunca podia aparecer assim, nem que se tratasse de um sonho.
B – Nenhum índio atira a sua faca, antes a iria espetar directamente no corpo da vítima.
C – Os sapatos de um índio nunca deixariam marcas no chão, porque os índios têm truques para nunca deixar pegadas, mesmo que passem por cima de lama ou chuva.
D – Uma faca atirada daquela maneira nunca poderia provocar a morte da forma que o fez.

Este problema constitui uma singela homenagem a uma instituição que teremos de reconstruir e pôr em marcha, desta vez sob os auspícios do PÚBLICO: os convívios policiários! Vamos estudar o assunto. 

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Solução do autor:                                           
Publicada na secção POLICIÁRIO em: 29.Agosto.1992

D Uma faca atirada daquela maneira nunca poderia provocar a morte da forma que o fez.
A vítima apenas voltou a cabeça, como se diz claramente no texto, portanto não podia ser atingido em pleno peito por uma faca atirada pelo índio. Repare-se que nos é dito que não houve aproximação ao corpo…