O problema dos confrades A. Raposo & Lena levantou uma onda de reclamações quanto às conclusões retiradas pelos seus autores.
Por dificuldades inerentes ao armazenamento das mensagens, só agora nos é possível publicar algumas, pedindo desde já desculpa a vários confrades que nos referiram não conseguir aceder a este blogue. Também a outros que, tendo acedido, não viram as suas mensagens publicadas, por problemas técnicos (ou azelhice do orientador).
Por serem comentários muito semelhantes, aqui ficam os possíveis, com uma chamada à discussão – civilizada, pois claro! – para que todos possamos melhorar, quer na feitura, quer na decifração dos problemas.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
domingo, 15 de fevereiro de 2009
ESTAMOS EM OBRAS!
É uma forma de dizer, claro! Caso contrário pareciamos uma daquelas obras públicas que logo que são inauguradas fecham para obras!
Depois de uma entrada sem grandes preocupações, o CRIME PÚBLICO está à procura do seu espaço e da sua articulação com a página do Policiário do PÚBLICO.
Por isso dizemos que estamos em obras!
Dentro em breve vamos estar por aqui com outras ideias e objectivos, depois de tirarmos as devidas conclusões do (des)interesse reinante.
Não estamos decepcionados, nem entendemos que não temos espaço, mas devemos procurá-lo, talvez, de outras formas.
Num momento em que a secção do PÚBLICO atinge mais um máximo histórico, como vamos ver aquando da publicação dos primeiros resultados da época, qual é o espaço deste blogue?
Cá estaremos sempre, como nos propusemos!
Depois de uma entrada sem grandes preocupações, o CRIME PÚBLICO está à procura do seu espaço e da sua articulação com a página do Policiário do PÚBLICO.
Por isso dizemos que estamos em obras!
Dentro em breve vamos estar por aqui com outras ideias e objectivos, depois de tirarmos as devidas conclusões do (des)interesse reinante.
Não estamos decepcionados, nem entendemos que não temos espaço, mas devemos procurá-lo, talvez, de outras formas.
Num momento em que a secção do PÚBLICO atinge mais um máximo histórico, como vamos ver aquando da publicação dos primeiros resultados da época, qual é o espaço deste blogue?
Cá estaremos sempre, como nos propusemos!
domingo, 1 de fevereiro de 2009
CAMPEONATO NACIONAL
SOLUÇÃO DA PROVA N.º 3
O BAÚ DE TEMPICOS - de A. RAPOSO & LENA
As páginas do caderno de Tempicos, transcritas na prova referem-se a três acções no tempo, tendo como fio condutor a história da mesma família.
Na primeira citação surge a Dona Gertrudes, com a sua gravidez e com a intenção de chamar à sua filha Carlota ou Joaquina.
A acção passa-se em 1960, e o nome dado à sua filha acabou por ser Joaquina.
Para se saber a época em que a acção se passa, teremos que descobrir quem era o treinador que tinha por nome um piropo a mulher. Só poderia ser o Bèlla Guttmann!
Este treinador entrou no Benfica em 1959, depois do mês de Junho e ganhou o campeonato nacional na época 59/60.Os factos narrados passam-se em 1960, Abril, 24.Um domingo.
Gertrudes iria na 2ª feira 25 ao médico ginecologista e teria a confirmação do sonho. A sua filha Joaquina vinha a caminho. Naquele 25 de Abril ainda não era feriado, só o foi 15 anos depois.
O domingo 24 de Abril de 1960 foi o último desse mês e daí a dois meses festeja-se o S. João no Porto, com abundância de alhos-porros e vinho tinto.
Na segunda citação conta-se um facto ocorrido em 1980, Dezembro, 4.
A queda do pequeno avião que caiu mal levantou voo e onde Sá Carneiro e Amaro da Costa pereceram.
No terceiro excerto Joaquina é enganada por Carlos que é apanhado agarrado à criada Sofia.
Joaquina telefonou à mãe e contou-lhe o seu drama.
Conta-se a morte do Dr. Veloso com uma facada nas costas, o que desde logo elimina a hipótese de suicídio. A acção passa-se mais recentemente, na década de 90, Veloso trouxera Carlos, garoto ainda, em 73 pelo que terá cerca de 30 anos, bem como Joaquina, a eterna namorada.
Alguém mata Veloso e deixa o lenço que previamente teria surripiado a Sofia.
E a quem deveria pertencer o lenço?
Não nos esqueçamos que no alfabeto cirílico, usado na Ucrânia, à letra S corresponde o nosso C.
O lenço foi lá deixado pelo assassino que com ele limpa as impressões digitais.
Qualquer dos seguintes suspeitos da casa poderá ser incriminado.
Sofia teria trazido o lenço da sua terra pois estava em Portugal há pouco tempo.
Chú – o criado vietnamita poderia engrossar o rol dos suspeitos (apesar de não ser tão corrente os homens usarem lenços com monograma) pois os vietnamitas passaram a usar o alfabeto latino, há muito tempo.
Carlos o “escurinho de olhos verdes”.
A quem o lenço não deveria pertencer:
Quem não fará parte do grupo será a cozinheira Cheng cujo alfabeto nada tem de semelhante ao latino.
A Joaquina por não ser essa a inicial do nome.
Pensamos que o crime teria sido praticado por quem tinha motivos fortes para o fazer: a sobrinha. Joaquina jogava em vários tabuleiros e, preenchia os quesitos. Tampouco o lenço a poderia indiciar, pois o seu nome não começava por C.
- Não havendo mais gente na família, a futura herdeira acabaria por ser ela, através da sua mãe, que estaria doente, internada.
- Tendo Gertrudes fraca saúde depressa Joaquina estaria de posse da herança.
- Ao usar o lenço, estaria a levar as suspeitas para a dona dele – Sofia que a atraiçoara com o seu homem.
- Carlos ficaria sem dote, pois não haveria testamento, por não ter chegado a ser perfilhado.
Quem realmente teria vantagem seria Joaquina e não se mata sem um móbil do crime definido e claro.
Estamos certos que a polícia, utilizando toda a sua técnica e experiência chegará à culpada e acabará por obter a confissão.
O BAÚ DE TEMPICOS - de A. RAPOSO & LENA
As páginas do caderno de Tempicos, transcritas na prova referem-se a três acções no tempo, tendo como fio condutor a história da mesma família.
Na primeira citação surge a Dona Gertrudes, com a sua gravidez e com a intenção de chamar à sua filha Carlota ou Joaquina.
A acção passa-se em 1960, e o nome dado à sua filha acabou por ser Joaquina.
Para se saber a época em que a acção se passa, teremos que descobrir quem era o treinador que tinha por nome um piropo a mulher. Só poderia ser o Bèlla Guttmann!
Este treinador entrou no Benfica em 1959, depois do mês de Junho e ganhou o campeonato nacional na época 59/60.Os factos narrados passam-se em 1960, Abril, 24.Um domingo.
Gertrudes iria na 2ª feira 25 ao médico ginecologista e teria a confirmação do sonho. A sua filha Joaquina vinha a caminho. Naquele 25 de Abril ainda não era feriado, só o foi 15 anos depois.
O domingo 24 de Abril de 1960 foi o último desse mês e daí a dois meses festeja-se o S. João no Porto, com abundância de alhos-porros e vinho tinto.
Na segunda citação conta-se um facto ocorrido em 1980, Dezembro, 4.
A queda do pequeno avião que caiu mal levantou voo e onde Sá Carneiro e Amaro da Costa pereceram.
No terceiro excerto Joaquina é enganada por Carlos que é apanhado agarrado à criada Sofia.
Joaquina telefonou à mãe e contou-lhe o seu drama.
Conta-se a morte do Dr. Veloso com uma facada nas costas, o que desde logo elimina a hipótese de suicídio. A acção passa-se mais recentemente, na década de 90, Veloso trouxera Carlos, garoto ainda, em 73 pelo que terá cerca de 30 anos, bem como Joaquina, a eterna namorada.
Alguém mata Veloso e deixa o lenço que previamente teria surripiado a Sofia.
E a quem deveria pertencer o lenço?
Não nos esqueçamos que no alfabeto cirílico, usado na Ucrânia, à letra S corresponde o nosso C.
O lenço foi lá deixado pelo assassino que com ele limpa as impressões digitais.
Qualquer dos seguintes suspeitos da casa poderá ser incriminado.
Sofia teria trazido o lenço da sua terra pois estava em Portugal há pouco tempo.
Chú – o criado vietnamita poderia engrossar o rol dos suspeitos (apesar de não ser tão corrente os homens usarem lenços com monograma) pois os vietnamitas passaram a usar o alfabeto latino, há muito tempo.
Carlos o “escurinho de olhos verdes”.
A quem o lenço não deveria pertencer:
Quem não fará parte do grupo será a cozinheira Cheng cujo alfabeto nada tem de semelhante ao latino.
A Joaquina por não ser essa a inicial do nome.
Pensamos que o crime teria sido praticado por quem tinha motivos fortes para o fazer: a sobrinha. Joaquina jogava em vários tabuleiros e, preenchia os quesitos. Tampouco o lenço a poderia indiciar, pois o seu nome não começava por C.
- Não havendo mais gente na família, a futura herdeira acabaria por ser ela, através da sua mãe, que estaria doente, internada.
- Tendo Gertrudes fraca saúde depressa Joaquina estaria de posse da herança.
- Ao usar o lenço, estaria a levar as suspeitas para a dona dele – Sofia que a atraiçoara com o seu homem.
- Carlos ficaria sem dote, pois não haveria testamento, por não ter chegado a ser perfilhado.
Quem realmente teria vantagem seria Joaquina e não se mata sem um móbil do crime definido e claro.
Estamos certos que a polícia, utilizando toda a sua técnica e experiência chegará à culpada e acabará por obter a confissão.
88.º ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DO SETE DE ESPADAS

Foi, este homem, um visionário, que fechou sempre os olhos à realidade para avançar, com apoios ou sem eles, arrostando todas as dificuldades? Foi, este homem, que se empenhou financeiramente para tentar dar luz às suas ideias, apenas mais um "louco" que não foi reconhecido? Foi, enfim, este homem, apenas e só mais um, que com o sua simplicidade e poder de sedução trouxe multidões de miúdos para o mundo do Policiário?
Este homem, está bom de ver, é o SETE DE ESPADAS!
Completava hoje a bonita idade de 88 anos e certamente ouviria os "parabéns" de uma enorme quantidade de amigos e companheiros de viagem por estes espinhosos caminhos do Policiário, não fosse ter sido traído por uma doença matreira!
Viu a luz do dia no dia 1 de Fevereiro de 1921, na vila ribatejana da Chamusca e, pelos anos 40 do século passado já respirava Policiário por todos os poros, já divulgava o romance e a problemística, já organizava e praticava o saudável convívio que se prolongou até aos nossos dias.
Mas, que me desculpem os mais antigos confrades, foi nos anos 70 que o SETE atingiu o seu ponto mais alto, com uma secção de "êxito impossível", numa revista de histórias aos quadradinhos chamada Mundo de Aventuras.
Depois de boas e ricas experiências em outras publicações de grande cartel no mundo dos quadradinhos, como o Camarada ou o Cavaleiro Andante, foi na publicação da Agência Portuguesa de Revistas (APR) que o SETE conseguiu fazer um trabalho de base e conquistar toda uma geração de jovens, mesmo muito jovens, completamente abertos para o Policiário nos meses seguintes ao 25 de Abril de 1974.
Primeiro eram dezenas, logo depois centenas, milhares de miúdos espalhados por todo o país, que adoptaram nomes interessantes, pelos quais passaram a ser chamados para sempre, que deram a cara, que apareceram nos convívios policiários do SETE DE ESPADAS, que aprenderam a ler, a compreender os textos e a dar-lhes resposta!
Foram, como toda a gente ligada ao meio hoje reconhece, "anos de ouro", com grande dose de "loucura" pelo meio!
No centro de tudo, uma figura curiosa, de barba branca e pouco cabelo, sorriso franco, quase gaiato: o SETE DE ESPADAS.
Com o desmoronar da APR, vítima de más gestões e pouca responsabilidade, este "velho" confrade arrosta as tempestades, arrisca tudo e lança grandes projectos, sem apoios monetários, de que o XYZ MAGAZINE é o exemplo maior.
A ideia é criar um grande clube de "Amigos do XYZ" que confira à revista um suporte capaz. Não é completamente bem sucedido. O Clube é uma realidade, a revista vai sobrevivendo, mas o seu espírito aberto acaba por o conduzir ao abismo. Muitos dos "Amigos do XYZ" recebem todos os números, mas não os pagam! O SETE, resignado, comenta: "Ó pá, o que é que queres, não lhes vou cortar a revista, se calhar não pagam porque não podem..."!
Completamente afogado em dívidas, mas sem cedências, levou a sua resistência até ao extremo, só sendo travado pelo encerramento da tipografia onde estava a ser ultimado mais um número do XYZ, que nunca mais conseguiu ver a luz do dia!
No dia 9 de Dezembro de 2008, o "nosso" SETE DE ESPADAS encerrou a sua participação activa neste nosso mundo. Levou consigo um dos seus grandes sonhos nunca concretizados: Uma colecção de romances policiais, os melhores entre os melhores, devidamente apresentados, estudados sob os mais diversos ângulos, analisados exaustivamente...
Ninguém o levou a sério nos meios editoriais deste nosso país!
Completam-se hoje 88 anos sobre o nascimento deste português ilustre, que merece, indubitavelmente, uma homenagem pública.
Certos de que há vultos que pela sua qualidade e importância jamais desaparecem, aqui queremos deixar os nossos votos:
Parabéns SETE DE ESPADAS, onde quer que te encontres!
domingo, 25 de janeiro de 2009
CAMPEONATO NACIONAL
CAMPEONATO NACIONAL
PROVA N.º 4
A CATÁSTROFE - Original de CARLA COLCHETE
- Ora boa tarde.
- Boa tarde.
- Se aqui vendem selos, também devem comprar, não é?
- Compramos sim senhor.
- Tenho aqui uns, do tempo dos reis… Que é que acha? Valem alguma coisa?
- Valem, valem sempre. Se é muito ou pouco, mostro-lhe já no Catálogo, mas não se fie muito nos preços, nós estamos a vender por metade do que aí está… Ora bem, o que é que tem aí? D. Luís carmim, lilás, verde… Só tem D. Luís, não é?… Cá está: estes valem, teoricamente, 36 euros cada… quando aparecem assim aos pares valem 108 euros…
- Cada?
- Não, o par. Está a ver este símbolo? O meu miúdo diz que é da batalha naval… Quer dizer que dois selos ligados valem cerca de três vezes mais do que um sozinho.
- E esse sinal aí?
- É quando são quatro: valem cerca de oito vezes mais do que só um… mas, vendo bem, é só o dobro, porque são quatro selos, não é? Com o envelope ou o postal original é que o valor do selo aumenta para o quádruplo…
- Para o quádruplo? Boooh! E estive eu toda a manhã a cortar selos dos envelopes… Menos neste…
- Dois D. Luís carmim? São dos que valem menos. Olhe: perdeu o senhor e perdi eu. Mas é a ordem natural das coisas: o mais importante é sempre o que não sabemos.
- E a seguir vai dizer-me que as cartas também valem dinheiro, não é?
- Quando diz cartas refere-se a…
- …a correspondência, ao que estava dentro dos envelopes…
- Depende…
- Depende de quê?
- Olhe, de quem escreve, de quem recebe, do que nelas se diz… já tenho comprado algumas mais caras do que os selos… não me diga que…
- Nem me fale. Até já estou a ficar mal disposto. Queimei-as todas… menos a do que lhe mostrei, em que trouxe os selos… escolhi-o porque era o maior e tinha um timbre… ´tá a ver? Consulado português de Newcastle…
- Dá-me licença que a leia?
- Faça favor…eu não percebi nada dos gatafunhos.
- «Newcastle, 10 de Dezembro de 1878»… É dirigida a um «Meu caro Vaz»… tem ideia de quem seja?
- Não sei, um antepassado qualquer da minha mulher… ela é que é Vaz, pelo lado da mãe, e as cartas e os papéis estavam no cofre da avó dela… E nesse envelope só consegui perceber isso: "Vaz".
«Como estipulado, aqui lhe mando a versão… i… irredutível que tanto o exasperou. Confio que, não tendo eu seguido o seu conselho de me aquecer com essas folhas, não as faça chegar à sua lareira em meu lugar – pelo menos, não antes de o Senhor Ministro lho determinar.»
«Se, como julga, não puder obter o … Nibil… não, o Nihil Obstat, à sua publicação, conto que o Ministério tenha a grandeza de, proibindo-me a mim como Carlos X proibiu Victor Hugo, me pagar esta Batalha perdida, como o rei pagou «Marion Delorme». Enfim, não como se paga em França, mas em trocos, como se paga em Portugal.»
«Um abraço do seu agora devedor José Maria».
- Acha que vale alguma coisa?
- Nem imagina… e o livro a que a carta se refere?
- Livro? Não havia livro nenhum. Havia um maço de folhas manuscritas, já borratadas, atadas com um cordel. Mas estavam coladas umas às outras, bolorentas, com os cantos negros… foram as primeiras a ir para a lareira – e olhe que custaram a arder… Era uma coisa de guerra, uma batalha qualquer…
- A Batalha do Caia.
- Isso mesmo… Espere aí: como é que sabe?
A pergunta é exactamente essa: como é que ele sabia? E sabendo ele isso, como é que sabemos nós que a Autora quis que a história se revelasse como uma efabulação e não como um relato presenciado de uma realidade irónica (como a realidade sempre é)? O que é que falha?
E pronto!
Agora, o desafio está lançado.
Para alguns dos nossos “detectives” vai ser um desafio algo diferente daquilo a que estão habituados, mas depois de algumas leituras atentas, por cá ficamos à espera das propostas de solução para este problema, impreterivelmente até ao próximo dia 10 de Fevereiro, para o que poderão usar um dos seguintes meios:
- Pelos Correios para PÚBLICO-Policiário, Rua Viriato, 13, 1069-315 LISBOA;
- Por e-mail, para policiario@publico.pt;
- Por entrega em mão na redacção do PÚBLICO de Lisboa;
- Por entrega em mão ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.
Boas deduções!
Quando há algum tempo recebemos uma chamada telefónica de alguém que se identificou como sendo o Mycroft Holmes, um turbilhão de recordações assaltou-nos a mente!
Recordações que passaram pelas excelentes soluções que elaborava, muito circunstanciadas e completas, com dezenas de páginas de dedução pura; pelos encontros policiários da Figueira da Foz, algures em finais dos anos 70 do século passado, no "Jacques"; uma casa na encosta da Serra da Boa Viagem com um cão muito mal disposto; "expedições punitivas" na noite de Lisboa, nos tempos em que era possível calcorrear toda a cidade; convívios prolongados com Shakespeare recitado às couves do quintal e discussões intermináveis sobre tudo e sobre nada...
E também o Sete de Espadas entrava em todas estas histórias, como grande responsável por todos andarmos no Policiário! Tal como nós, também o Mycroft entrou pela porta do Mundo de Aventuras e das Histórias aos Quadradinhos, sendo atraído para as páginas finais da revista onde aparecia a secção “Mistério… Policiário” dirigida por um “velhote” de barbas brancas, que arrastava multidões de jovens para convívios em todos os pontos do país!
Aquele mesmo que o Mycroft já não via há décadas - depois de andar em serviço por Macau e muitos outros locais, até "estacionar" agora em Coimbra, para tratar do doutoramento - mas que logo planeámos ir visitar, assim que ele pudesse demandar a capital! Não houve tempo. O Sete, o "nosso" Sete partiu antes que fosse possível fazer-lhe essa surpresa...
Também por isso o Mycroft propôs este desafio que hoje aqui aparece com uma dedicatória especial:
"Esta prova, dedicada à memória do SETE de ESPADAS, é extraída de KISMET (Contos de fados) – um livro a publicar em breve pela Guimarães. Com as restantes histórias aí reunidas partilha pontos em comum, o menor dos quais talvez seja a sua candidatura ao Grande Prémio Almeida Garrett do Conto Português – em que se vota com o postal incluído em cada exemplar do livro. Esta pré-publicação conta, portanto, como pré-campanha – mas nas eleições há sempre quem parta com vantagem...Mycroft Holmes".
PROVA N.º 4
A CATÁSTROFE - Original de CARLA COLCHETE
- Ora boa tarde.
- Boa tarde.
- Se aqui vendem selos, também devem comprar, não é?
- Compramos sim senhor.
- Tenho aqui uns, do tempo dos reis… Que é que acha? Valem alguma coisa?
- Valem, valem sempre. Se é muito ou pouco, mostro-lhe já no Catálogo, mas não se fie muito nos preços, nós estamos a vender por metade do que aí está… Ora bem, o que é que tem aí? D. Luís carmim, lilás, verde… Só tem D. Luís, não é?… Cá está: estes valem, teoricamente, 36 euros cada… quando aparecem assim aos pares valem 108 euros…
- Cada?
- Não, o par. Está a ver este símbolo? O meu miúdo diz que é da batalha naval… Quer dizer que dois selos ligados valem cerca de três vezes mais do que um sozinho.
- E esse sinal aí?
- É quando são quatro: valem cerca de oito vezes mais do que só um… mas, vendo bem, é só o dobro, porque são quatro selos, não é? Com o envelope ou o postal original é que o valor do selo aumenta para o quádruplo…
- Para o quádruplo? Boooh! E estive eu toda a manhã a cortar selos dos envelopes… Menos neste…
- Dois D. Luís carmim? São dos que valem menos. Olhe: perdeu o senhor e perdi eu. Mas é a ordem natural das coisas: o mais importante é sempre o que não sabemos.
- E a seguir vai dizer-me que as cartas também valem dinheiro, não é?
- Quando diz cartas refere-se a…
- …a correspondência, ao que estava dentro dos envelopes…
- Depende…
- Depende de quê?
- Olhe, de quem escreve, de quem recebe, do que nelas se diz… já tenho comprado algumas mais caras do que os selos… não me diga que…
- Nem me fale. Até já estou a ficar mal disposto. Queimei-as todas… menos a do que lhe mostrei, em que trouxe os selos… escolhi-o porque era o maior e tinha um timbre… ´tá a ver? Consulado português de Newcastle…
- Dá-me licença que a leia?
- Faça favor…eu não percebi nada dos gatafunhos.
- «Newcastle, 10 de Dezembro de 1878»… É dirigida a um «Meu caro Vaz»… tem ideia de quem seja?
- Não sei, um antepassado qualquer da minha mulher… ela é que é Vaz, pelo lado da mãe, e as cartas e os papéis estavam no cofre da avó dela… E nesse envelope só consegui perceber isso: "Vaz".
«Como estipulado, aqui lhe mando a versão… i… irredutível que tanto o exasperou. Confio que, não tendo eu seguido o seu conselho de me aquecer com essas folhas, não as faça chegar à sua lareira em meu lugar – pelo menos, não antes de o Senhor Ministro lho determinar.»
«Se, como julga, não puder obter o … Nibil… não, o Nihil Obstat, à sua publicação, conto que o Ministério tenha a grandeza de, proibindo-me a mim como Carlos X proibiu Victor Hugo, me pagar esta Batalha perdida, como o rei pagou «Marion Delorme». Enfim, não como se paga em França, mas em trocos, como se paga em Portugal.»
«Um abraço do seu agora devedor José Maria».
- Acha que vale alguma coisa?
- Nem imagina… e o livro a que a carta se refere?
- Livro? Não havia livro nenhum. Havia um maço de folhas manuscritas, já borratadas, atadas com um cordel. Mas estavam coladas umas às outras, bolorentas, com os cantos negros… foram as primeiras a ir para a lareira – e olhe que custaram a arder… Era uma coisa de guerra, uma batalha qualquer…
- A Batalha do Caia.
- Isso mesmo… Espere aí: como é que sabe?
A pergunta é exactamente essa: como é que ele sabia? E sabendo ele isso, como é que sabemos nós que a Autora quis que a história se revelasse como uma efabulação e não como um relato presenciado de uma realidade irónica (como a realidade sempre é)? O que é que falha?
E pronto!
Agora, o desafio está lançado.
Para alguns dos nossos “detectives” vai ser um desafio algo diferente daquilo a que estão habituados, mas depois de algumas leituras atentas, por cá ficamos à espera das propostas de solução para este problema, impreterivelmente até ao próximo dia 10 de Fevereiro, para o que poderão usar um dos seguintes meios:
- Pelos Correios para PÚBLICO-Policiário, Rua Viriato, 13, 1069-315 LISBOA;
- Por e-mail, para policiario@publico.pt;
- Por entrega em mão na redacção do PÚBLICO de Lisboa;
- Por entrega em mão ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.
Boas deduções!
Quando há algum tempo recebemos uma chamada telefónica de alguém que se identificou como sendo o Mycroft Holmes, um turbilhão de recordações assaltou-nos a mente!
Recordações que passaram pelas excelentes soluções que elaborava, muito circunstanciadas e completas, com dezenas de páginas de dedução pura; pelos encontros policiários da Figueira da Foz, algures em finais dos anos 70 do século passado, no "Jacques"; uma casa na encosta da Serra da Boa Viagem com um cão muito mal disposto; "expedições punitivas" na noite de Lisboa, nos tempos em que era possível calcorrear toda a cidade; convívios prolongados com Shakespeare recitado às couves do quintal e discussões intermináveis sobre tudo e sobre nada...
E também o Sete de Espadas entrava em todas estas histórias, como grande responsável por todos andarmos no Policiário! Tal como nós, também o Mycroft entrou pela porta do Mundo de Aventuras e das Histórias aos Quadradinhos, sendo atraído para as páginas finais da revista onde aparecia a secção “Mistério… Policiário” dirigida por um “velhote” de barbas brancas, que arrastava multidões de jovens para convívios em todos os pontos do país!
Aquele mesmo que o Mycroft já não via há décadas - depois de andar em serviço por Macau e muitos outros locais, até "estacionar" agora em Coimbra, para tratar do doutoramento - mas que logo planeámos ir visitar, assim que ele pudesse demandar a capital! Não houve tempo. O Sete, o "nosso" Sete partiu antes que fosse possível fazer-lhe essa surpresa...
Também por isso o Mycroft propôs este desafio que hoje aqui aparece com uma dedicatória especial:
"Esta prova, dedicada à memória do SETE de ESPADAS, é extraída de KISMET (Contos de fados) – um livro a publicar em breve pela Guimarães. Com as restantes histórias aí reunidas partilha pontos em comum, o menor dos quais talvez seja a sua candidatura ao Grande Prémio Almeida Garrett do Conto Português – em que se vota com o postal incluído em cada exemplar do livro. Esta pré-publicação conta, portanto, como pré-campanha – mas nas eleições há sempre quem parta com vantagem...Mycroft Holmes".
sábado, 17 de janeiro de 2009
VAMOS CONTAR UM CONTO?
“Mathilde era, na altura, uma criança com cerca de 10 anos. A França sofria a ocupação pelas tropas de Hitler que, vindas do norte, haviam já ultrapassado Paris. Em Bordéus, à porta do consulado português, centenas de refugiados procuravam desesperados a obtenção de um visto no passaporte que lhes a possibilitasse atravessar a Espanha e entrar em Portugal, de onde poderiam por via marítima atingir outras paragens, escapando assim à crueldade nazi. Aristides de Sousa Mendes era o nome do cônsul que, desobedecendo às ordens de Lisboa, vinha salvando milhares de vítimas inocentes.
O pai de Mathilde adormecera abraçado à filha, na soleira da porta do consulado, vencido pelo cansaço. Na sua cabeça tumultuavam sonhos terríveis que se misturavam com imagens de esperança: a morte violenta da sua mulher Helga três semanas antes e os relatos sobre Portugal escutados a Margarida, uma empregada da pequena ourivesaria de Berlim, nascida em Cabanas de Viriato, algures perto da cidade portuguesa de Viseu”.
Este é o mote para o conto que pode valer prémios e uma consagração na terra do Homenageado ARISTIDES DE SOUSA MENDES.
Quem se apresenta?
O Regulamento está disponível neste blogue.
Mãos à obra!
O pai de Mathilde adormecera abraçado à filha, na soleira da porta do consulado, vencido pelo cansaço. Na sua cabeça tumultuavam sonhos terríveis que se misturavam com imagens de esperança: a morte violenta da sua mulher Helga três semanas antes e os relatos sobre Portugal escutados a Margarida, uma empregada da pequena ourivesaria de Berlim, nascida em Cabanas de Viriato, algures perto da cidade portuguesa de Viseu”.
Este é o mote para o conto que pode valer prémios e uma consagração na terra do Homenageado ARISTIDES DE SOUSA MENDES.
Quem se apresenta?
O Regulamento está disponível neste blogue.
Mãos à obra!
domingo, 11 de janeiro de 2009
ERRO NAS ELIMINATÓRIAS
Por motivos que não conseguimos explicar, o confrade NOVE continua a aparecer nos confrontos para a Taça de Portugal, quando tinha tomado a decisão de não competir na presente época.
Naturalmente que não é o "detective" NOVE que deve aparecer, mas sim o confrade NÓMADA, que contrariando o seu nome, reside em Castelo Branco.
Assim, na primeira eliminatória o confronto foi NÓMADA - A ZERTH.
Na segunda o cofronto vai ser NÓMADA - BIG BOSS.
Para todos os envolvidos, sobretudo para o confrade NOVE que nos reportou a situação, as nossas desculpas.
LP
Naturalmente que não é o "detective" NOVE que deve aparecer, mas sim o confrade NÓMADA, que contrariando o seu nome, reside em Castelo Branco.
Assim, na primeira eliminatória o confronto foi NÓMADA - A ZERTH.
Na segunda o cofronto vai ser NÓMADA - BIG BOSS.
Para todos os envolvidos, sobretudo para o confrade NOVE que nos reportou a situação, as nossas desculpas.
LP
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