ENIGMA POLICIÁRIO:
TORNEIO A. RAPOSO E TROFÉU CLUBE DE DETECTIVES – PROBLEMA Nº5 (ÚLTMO):
UM, DOIS, TRÊS … E ERA UMA VEZ DE M. CONSTANTINO:
Ao longo da existência humana, milhares de milhares de palavras têm sido usadas sobre o crime. Estudos, relatos, ficção. Criaram-se ciências e aperfeiçoaram-se técnicas, condicionou-se o indivíduo e agravaram-se penas. Não obstante, o crime pulula. Ignora prevenções e repressões, desafia os próprios medos, se é que os tem. Nada o detém.
Esta é a história dos ASA, sigla que encerra três nomes próprios, três criminosos. Conheceram-se na prisão – Sérgio, a força bruta, 1,80 m. de altura, ombros largos, sólidos, músculos a revelarem força, cicatriz no rosto, estigmas de cortes nos braços, olhar de aço. Ninguém ousava enfrentá-lo. Doís anos de prisão por homicídio involuntário da namorada; o juiz teve em conta os antecedentes. Aleixo, o contraste de Sérgio, mais alto 10 cm., delgado, pálido, olhos furtivos por detrás dos óculos graduados não parecia perigoso. Todavia, amador precoce da química, salvara-se por milagre da explosão que destruíra o laboratório escolar e que ele próprio provocara. Dezoito meses, por posse, elaboração e venda de drogas psicotrópicas. Escolhera Sérgio como companhia. O terceiro membro do trio, Alcino, não mais de 1,70 de altura, cara de menino, alegre, condenado por aliciar e recrutar sexo de menores. Rapaz bonito, recebia assobios dos garanhões como se dirigidos a uma mulher. Um dia, desfez todos os equívocos: revelara-se um exímio perito em artes marciais e outros tipos de luta pouco inocentes. Seis ou sete valentões jaziam por terra e, quando Sérgio ia intervir, a seu lado, a matilha afastou-se, de cabeça baixa. O moço seguiu Aleixo e Sérgio sem prévia consulta. Num universo em que é vulgar a traição, a revolta e a exteriorização dos instintos mais malévolos, o ambiente começou a mudar. Algumas, poucas, reacções foram prontamente eliminadas. Tudo e todos dependiam da ASA, com evidente complacência dos guardas. Um prisioneiro queria uma testemunha, dinheiro e arranjava-se. Queria telefonar, o único telefone fora do alcance dos guardas estava invisível nas mãos dos ASA. Planos de fuga concretizados, frustrados quando era suposto serem do desconhecimento total do trio, ajustes dentro e fora das grades, eram obra dos odiados e temidos ASA ou de alguém por eles.
O tempo passa. Um ano depois de plena liberdade, o trio não existe, na aparência. A cirurgia plástica, a arte do disfarce, as influências e cumplicidades operam milagres, quando há dinheiro. Dois eram proprietários de clubes insuspeitos, de alta categoria, bem frequentados, que disfarçavam uma rede de prostituição, dos 15 aos 18 anos, nenhuma de raça latina, geridos por especialistas asiáticos que desconheciam os proprietários. Outro, uma casa de jogos de fortuna, jamais licenciada mas funcionando. Um laboratório de cariz inócuo distribuía droga. Frutuosos filões. Estabeleceram entre si a regra de que o último a sobreviver recebia todas as existências. Uma espécie de desafio ao destino, convenhamos. Mais, concordaram na aquisição de uma grande propriedade para a construção de um edifício de três andares, um novo clube com piscinas, campo de golfe, ténis e outros fins; algo de selecto, por isso. Sérgio, disfarçado de "investidor estrangeiro", tomou conta da obra que só foi mostrada aos outros quando o edifício de duzentos e cinquenta quartos estava pronto, faltando apenas mobílias e obras exteriores em fase de finalização. No fim de semana, as obras foram suspensas e os operários dispensados por dois dias, para visita dos "sócios estrangeiros".
Em veículos próprios, seguiram Sérgio até ao largo do futuro clube, atravessaram o cimento húmido e estacionaram no gigantesco parque de estacionamento. Atravessaram por um passeio empedrado, que impedia o trânsito para as traseiras. Sérgio puxou das chaves e abriu a porta, com uma vénia. A sala de recepção era ampla, com portas para o restaurante à direita, bar e sala de leitura à esquerda.
A visita ao interior levou cerca de três horas. Faltava o exterior. Alguém lembrou que precisavam de almoçar. Não seria arriscado saírem e voltar depois? Sérgio lembrou um restaurante na estrada das traseiras. Convidou Alcino e atirou com as chaves da porta principal para Aleixo, recomendando: - Não abras a desconhecidos!
Seguiram pela traseira do prédio, entre as piscinas, entraram na floresta por um carreiro, até aos campos de ténis, delimitado por uma estreita orla de cimento. Alcino, que se adiantara, ouviu um estampido surdo, voltou-se e viu Sérgio caído, a apertar o tornozelo com o lenço ensanguentado, exclamando: Deita-te, rápido, fui atingido!
Alcino deixou-se cair. Depois, procurou chegar junto do ferido, que o deteve: - Telefona ao Dr. Amaro; ele sabe o caminho! Pasmosamente, não traziam telemóveis! Sérgio, gemendo, disse-lhe para voltar ao prédio. Assim fez. Hesitou ao deparar com a bifurcação de carreiros com que não reparara antes. - É o da direita, gritou o outro. Correndo doidamente na floresta cerrada, perdeu-se. Quase uma hora depois de vãs tentativas, deparou com um terreno irregular, assinalado como campo de golpe. Parou à escuta, ouvia veículos. Seguiu. Encontrou o desvio entre a estrada principal e a do futuro clube. Um casal facultou-lhe o telemóvel. Pouco menos de uma hora, surgiu o médico e chegaram junto de Sérgio. Demasiado tarde: as mãos e a perna ferida estavam repletas de sangue, estando esta amarrada pela gravata, em jeito de torniquete. A hemorragia matara-o.
A preocupação era evidente. O médico, conhecendo bem aquele local, levou Alcino até ao edifício. Bateram à porta, chamaram; ninguém respondeu. Nenhuma porta ou janela estava aberta. Voltaram a bater. Teria Aleixo adoecido, já que o carro estava no lugar? De comum acordo, impeliram uma trave e arrombaram a porta. Esperava-os o inesperado: os sapatos 45, de Aleixo, salpicados de cimento, formavam um V; não um V de vitória, mas um V de vencido... um tiro mortal no peito! O médico não via alternativa – tinha de chamar a polícia.
Alcino concordou mas, enquanto o Dr. Amaro dava explicações, agarrado ao telemóvel, dissimuladamente, meteu-se no carro, torceu, rodou a ignição e... uma explosão brutal pulverizou veículo e condutor...
Um, dois, três... e era uma vez!
Carros da polícia, ambulâncias, um magote de investigadores não se fizeram esperar. Começaram por identificar as vítimas, que não traziam documentos. Nos carros intactos, acharam documentos falsos e disfarces. Só pelas impressões digitais os Serviços Centrais, com demora, descobriram que eram os três cadastrados. Nas minuciosas buscas ao prédio, não encontraram forma do assassino entrar ou sair; a porta arrombada estava fechada à chave e as três chaves que lhe pertenciam jaziam em cima da bancada, com os telemóveis. Nunca esteve em causa o suicídio, dada a ausência de vestígios que o justificassem. Autópsias: a bala que feriu Sérgio entrou pela parte interior externa da coxa, cortou a artéria femoral, saindo um pouco abaixo, sem tocar o osso, caindo perto do corpo; hemorragia, supressão de circulação sanguínea, síncope. O projéctil que matou Aleixo destroçou a veia posterior do ventrículo esquerdo, penetrando profundamente no coração; saiu pelas costas e cravou-se num escadote. A balística apurou que os dois projécteis, de calibre 7,65 foram disparados pela mesma arma: um revólver curto de seis tiros, dois detonados, encontrado numa vala, a seis metros do corpo de Sérgio, enrolado num cheiroso lenço, saturado, segundo o laboratório, de fucsina e álcool. Num monte de ferramentas e luvas dos operários, encontrava-se uma chave da porta arrombada, com uma etiqueta de papelão, sem impressões digitais. O laboratório científico concluiu que a bomba que matou Alcino era potente bastante para não deixar indícios do seu fabrico.
Utilizando os vários dados como se fossem cacos dispersos de um valioso prato de porcelana, os quais o artista, pacientemente, vai colando, caco a caco, no lugar próprio, até o reconstruir, os investigadores vasculharam todo o trama e desvendaram o denso mistério.
É a vez do leitor … e boa sorte nas conclusões. Não esqueçam que este é O problema que tudo vai decidir!!!
NOTA IMPORTANTE: OS PRAZOS DE RESPOSTA SÃO IMPRETERÍVEIS!
As respostas por escrito (para Apartado 593 – 2000 Santarém) têm de ser recebidas até ao dia 31 de Dezembro (final de aluguer do Apartado).
As respostas por correio electrónico (para d.cabral@sapo.pt e gustavobarosa@hotmail.com ) têm de ser recebidas até ao dia 5 de Janeiro, para serem publicadas as classificações finais das competições na nossa última secção (15 de Janeiro). Obrigado pela compreensão.
E MUITA ATENÇÃO:
Isto era para ser só revelado na distribuição de prémios, mas era injusto:
Para além do prémio da Secção, o autor da melhor solução deste último problema será premiado com uma medalha de colecção de 10 €, comemorativa de Ceorges Simenon, oferta do confrade ALCE BRANCO!
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
QUEM É, QUEM É?
POLICIÁRIO 960
Secção de domingo, dia 13 de Dezembro de 2009
HOMENAGEM A BIG BEN
Quando em 1975 nos iniciámos nestas coisas do Policiário, nas páginas do “Mundo de Aventuras” e pela mão do saudoso Sete de Espadas, havia um grupo de magníficos e experientes “detectives” que nos provocavam uma admiração imensa. Nomes como Big Ben, Detective Misterioso, Detective Invisível, M. Constantino, Leiria Dias, Inspector Aranha, Jartur, Inspector Moisés, Doutor Aranha, M. Lima e tantos outros, muitos deles infelizmente já desaparecidos, mereciam-nos um respeito total.
O nosso homenageado de hoje, que no nosso espaço se identificou como Figaleira, um pseudónimo que surgiu pela utilização das iniciais dos seus netos, era um desses “monstros sagrados”, precisamente como Big Ben e, mais tarde como Mêbêdê, usando as iniciais do seu próprio nome, Manuel Barata Dinis.
Natural de Alvares, a terra dos seus amores, radicado na Amadora há muitas décadas, a simples citação do seu pseudónimo era suficiente para causar algum frémito entre os “detectives”, pela certeza de estarmos perante um decifrador de tal qualidade que não deixava ninguém indiferente.
Também como produtor de enigmas policiários brilhou a grande altura, com problemas de bom nível, com destaque para um que publicou no “Mistério…Policiário” do Mundo de Aventuras, com um pormenor de excelente recorte e que provocou uma hecatombe nas classificações, utilizando os seus conhecimentos profissionais de uma especificidade de um tipo de tecido, pormenor até aquele momento completamente ignorado por todos.
Homem de boa cultura e grande amante da Língua Portuguesa, conseguia “brincar” com as palavras e transformá-las em jogos de Palavras Cruzadas e Charadas, tornando-se um dos expoentes maiores do nosso país, sob o pseudónimo de Mr. King.
Infelizmente para nós, este confrade está retirado da actividade policiária, por alguns problemas de visão, que fizeram com que fosse “proibido” pelos médicos de a esforçar em leituras prolongadas.
De qualquer forma, não queríamos deixar de lhe prestar esta singela homenagem, de sincero respeito e admiração por um “detective” de eleição. Não nos foi possível encontrar, em tempo útil, o tal problema especial, que tanto nos marcou, mas deixamos aqui um outro, bem mais recente, publicado pelos três “Zés”, o dos Anzóis, o da Vila e o de Viseu, na secção “Mundo dos Passatempos”, do jornal “O Almeirinense”, em 15 de Outubro de 2006.
O LEITOR RESOLVE
Autor: Figaleira / Big Ben
O leitor tem um amigo que é grande estudioso de História e colecciona peças, artigos e relíquias históricas, o qual teimou consigo para o acompanhar a uma exposição em que se vendem "troféus históricos a um preço inigualável", organizada por um antiquário de renome, que diz vender parte da sua colecção para custear outra viagem arqueológica.
O leitor e o seu amigo entram na sala e são apresentados ao expositor, que se mostra muito agradável e se dirige convosco para as mesas e vitrinas onde se encontram os exemplares e troféus. Ele pretende convencer-vos, fazendo comentários sobre os objectos e o seu preço. Pega num e diz: "Eis uma pulseira de ouro puro, encontrada no túmulo de um dos mais antigos faraós egípcios. Reparem nos característicos hieróglifos que contém. E aqui (acrescenta ele, apontando para uma figura de um oriental, rechonchudo e de cócoras) está um Buda autêntico, vindo do Tibete."
Depois, conduz-vos para outra mesa, pegando noutro objecto: "Eis um verdadeiro tesouro (exclama) – uma inscrição recolhida num túmulo persa." Passa os dedos sobre os caracteres, já amarelecidos e ressequidos, apontando para um canto da folha. "Olhem para isto – 60 a.C. É o que, realmente, lhe dá um valor incalculável! Ah, como lamento ser obrigado a vender todos estes tesouros!"
Ambos continuam a apreciar as demais peças expostas – antigos toucados indígenas, armas, roupas, utensílios de cozinha e coisas do género. Entretanto, o expositor pede desculpa e afasta-se, para atender uma chamada telefónica.
O seu amigo vira-se para si, entusiasmado: "Não é maravilhoso? Esta é uma oportunidade como há poucas, de enriquecer a minha colecção. Estou desejoso de começar a falar com ele sobre os preços.
O leitor detém o seu amigo pelo braço e diz-lhe: "Se estivesse no seu lugar, começaria por investigar, seriamente, a origem de certos objectos. Alguns podem ser autênticos, mas um, pelo menos, tenho a certeza de que é uma falsificação…”
Pergunta-se: Qual a razão desta afirmação do leitor?
Na próxima semana teremos aqui a solução que o autor dá ao seu próprio desafio.
Boas deduções!
SOLUÇÃO DO PROBLEMA “MENTIRAS”
Autor: Procurador Incógnito
O problema que publicámos na passada semana teve a seguinte solução, dada pelo próprio autor:
Foram muitas as mentiras que o nosso pai desnaturado disse para se desculpar por não ligar nada ao filho:
Refere que andou dias e dias sozinho pelas montanhas dos Andes, como se isso fosse tão fácil como passear-se no Rossio, em Lisboa. As temperaturas baixíssimas, sobretudo de noite, os temporais e as próprias dificuldades de acesso jamais lhe permitiriam andar como diz e muito menos sem um guia especializado e competente.
Os Andes ficam na América do Sul, ou seja, abaixo da linha do Equador. Por isso, nunca ele poderia orientar-se pela Estrela Polar que indica o norte e apenas é visível no hemisfério norte.
Na passagem do ano, refere que a Lua era uma grande bola, pelo que estava em fase de lua cheia e fazia-lhe recordar a cara bolachuda do filho. Isso quer dizer que por alturas do Natal a Lua estaria a crescer e portanto em fase de quarto crescente, o que ele associa ao nome do filho. Tudo estaria bem se ele não falasse da Estrela de David, a estrela de seis pontas, revelando que o miúdo se chamava David; a Lua não lhe podia recordar o nome do filho, porque no hemisfério sul a Lua não é “mentirosa”: em quarto crescente aparece como um “C” e em quarto minguante como um “D”. É precisamente ao contrário do que nós aqui vemos.
Andou por florestas nunca visitadas por brancos na Amazónia, onde conheceu tribos que nunca viram ninguém exterior a eles. Mas a verdade é que o pai da história lhes contou e ouviu histórias. Em que língua e por que forma, ninguém sabe e ele não diz. Nunca poderia ter essa familiaridade e entender-se assim tão fácil e amigavelmente com tribos desconhecidas.
Diz que bem tentou telefonar ao filho no dia dos anos, mas o azar bateu-lhe à porta porque não havia telefone numa estação dos correios – como se isso fosse possível, e ainda por cima por ser dia 5 de Outubro, feriado em Portugal por se comemorar a implantação da República. Só que a história passava-se na Bolívia e não em Portugal e lá não se comemora nada nessa data.
.
Coluna do “2”
FALTAM 40 SEMANAS PARA A EDIÇÃO N.º 1000
O ano de 1997 trouxe aos nossos “detectives” uma competição que se revelou espectacular: A Volta a Portugal.
Decorria como se fosse uma prova ciclista. Os participantes tinham à sua disposição várias classificações: camisola amarela (classificação geral pelo somatório de pontos); camisola verde (melhores soluções); camisola azul (originais e criativas); camisola branca (combinado de todas as restantes).
Cada etapa, à semalhança da prova ciclista, unia duas cidades onde havia núcleos importantes de policiaristas.
À entrada para a última prova, Dic Roland/Aldeia, o saudoso confrade que foi do Retaxo (Castelo Branco), de Nisa, do Estoril e Santo André, comandava a camisola amarela, a verde e a branca e era terceiro na azul, que por sua vez tinha como líder K.O., outra imensa saudade.
Pelos primeiros lugares havia nomes como Hortonólito, Xispêtêó, Paris, Aseret, Toubrouk, Nove, Bé, Inspector Moka, entre muitos outros, que hoje se encontram afastados das nossas competições.
HOMENAGEM A BIG BEN
Quando em 1975 nos iniciámos nestas coisas do Policiário, nas páginas do “Mundo de Aventuras” e pela mão do saudoso Sete de Espadas, havia um grupo de magníficos e experientes “detectives” que nos provocavam uma admiração imensa. Nomes como Big Ben, Detective Misterioso, Detective Invisível, M. Constantino, Leiria Dias, Inspector Aranha, Jartur, Inspector Moisés, Doutor Aranha, M. Lima e tantos outros, muitos deles infelizmente já desaparecidos, mereciam-nos um respeito total.
O nosso homenageado de hoje, que no nosso espaço se identificou como Figaleira, um pseudónimo que surgiu pela utilização das iniciais dos seus netos, era um desses “monstros sagrados”, precisamente como Big Ben e, mais tarde como Mêbêdê, usando as iniciais do seu próprio nome, Manuel Barata Dinis.
Natural de Alvares, a terra dos seus amores, radicado na Amadora há muitas décadas, a simples citação do seu pseudónimo era suficiente para causar algum frémito entre os “detectives”, pela certeza de estarmos perante um decifrador de tal qualidade que não deixava ninguém indiferente.
Também como produtor de enigmas policiários brilhou a grande altura, com problemas de bom nível, com destaque para um que publicou no “Mistério…Policiário” do Mundo de Aventuras, com um pormenor de excelente recorte e que provocou uma hecatombe nas classificações, utilizando os seus conhecimentos profissionais de uma especificidade de um tipo de tecido, pormenor até aquele momento completamente ignorado por todos.
Homem de boa cultura e grande amante da Língua Portuguesa, conseguia “brincar” com as palavras e transformá-las em jogos de Palavras Cruzadas e Charadas, tornando-se um dos expoentes maiores do nosso país, sob o pseudónimo de Mr. King.
Infelizmente para nós, este confrade está retirado da actividade policiária, por alguns problemas de visão, que fizeram com que fosse “proibido” pelos médicos de a esforçar em leituras prolongadas.
De qualquer forma, não queríamos deixar de lhe prestar esta singela homenagem, de sincero respeito e admiração por um “detective” de eleição. Não nos foi possível encontrar, em tempo útil, o tal problema especial, que tanto nos marcou, mas deixamos aqui um outro, bem mais recente, publicado pelos três “Zés”, o dos Anzóis, o da Vila e o de Viseu, na secção “Mundo dos Passatempos”, do jornal “O Almeirinense”, em 15 de Outubro de 2006.
O LEITOR RESOLVE
Autor: Figaleira / Big Ben
O leitor tem um amigo que é grande estudioso de História e colecciona peças, artigos e relíquias históricas, o qual teimou consigo para o acompanhar a uma exposição em que se vendem "troféus históricos a um preço inigualável", organizada por um antiquário de renome, que diz vender parte da sua colecção para custear outra viagem arqueológica.
O leitor e o seu amigo entram na sala e são apresentados ao expositor, que se mostra muito agradável e se dirige convosco para as mesas e vitrinas onde se encontram os exemplares e troféus. Ele pretende convencer-vos, fazendo comentários sobre os objectos e o seu preço. Pega num e diz: "Eis uma pulseira de ouro puro, encontrada no túmulo de um dos mais antigos faraós egípcios. Reparem nos característicos hieróglifos que contém. E aqui (acrescenta ele, apontando para uma figura de um oriental, rechonchudo e de cócoras) está um Buda autêntico, vindo do Tibete."
Depois, conduz-vos para outra mesa, pegando noutro objecto: "Eis um verdadeiro tesouro (exclama) – uma inscrição recolhida num túmulo persa." Passa os dedos sobre os caracteres, já amarelecidos e ressequidos, apontando para um canto da folha. "Olhem para isto – 60 a.C. É o que, realmente, lhe dá um valor incalculável! Ah, como lamento ser obrigado a vender todos estes tesouros!"
Ambos continuam a apreciar as demais peças expostas – antigos toucados indígenas, armas, roupas, utensílios de cozinha e coisas do género. Entretanto, o expositor pede desculpa e afasta-se, para atender uma chamada telefónica.
O seu amigo vira-se para si, entusiasmado: "Não é maravilhoso? Esta é uma oportunidade como há poucas, de enriquecer a minha colecção. Estou desejoso de começar a falar com ele sobre os preços.
O leitor detém o seu amigo pelo braço e diz-lhe: "Se estivesse no seu lugar, começaria por investigar, seriamente, a origem de certos objectos. Alguns podem ser autênticos, mas um, pelo menos, tenho a certeza de que é uma falsificação…”
Pergunta-se: Qual a razão desta afirmação do leitor?
Na próxima semana teremos aqui a solução que o autor dá ao seu próprio desafio.
Boas deduções!
SOLUÇÃO DO PROBLEMA “MENTIRAS”
Autor: Procurador Incógnito
O problema que publicámos na passada semana teve a seguinte solução, dada pelo próprio autor:
Foram muitas as mentiras que o nosso pai desnaturado disse para se desculpar por não ligar nada ao filho:
Refere que andou dias e dias sozinho pelas montanhas dos Andes, como se isso fosse tão fácil como passear-se no Rossio, em Lisboa. As temperaturas baixíssimas, sobretudo de noite, os temporais e as próprias dificuldades de acesso jamais lhe permitiriam andar como diz e muito menos sem um guia especializado e competente.
Os Andes ficam na América do Sul, ou seja, abaixo da linha do Equador. Por isso, nunca ele poderia orientar-se pela Estrela Polar que indica o norte e apenas é visível no hemisfério norte.
Na passagem do ano, refere que a Lua era uma grande bola, pelo que estava em fase de lua cheia e fazia-lhe recordar a cara bolachuda do filho. Isso quer dizer que por alturas do Natal a Lua estaria a crescer e portanto em fase de quarto crescente, o que ele associa ao nome do filho. Tudo estaria bem se ele não falasse da Estrela de David, a estrela de seis pontas, revelando que o miúdo se chamava David; a Lua não lhe podia recordar o nome do filho, porque no hemisfério sul a Lua não é “mentirosa”: em quarto crescente aparece como um “C” e em quarto minguante como um “D”. É precisamente ao contrário do que nós aqui vemos.
Andou por florestas nunca visitadas por brancos na Amazónia, onde conheceu tribos que nunca viram ninguém exterior a eles. Mas a verdade é que o pai da história lhes contou e ouviu histórias. Em que língua e por que forma, ninguém sabe e ele não diz. Nunca poderia ter essa familiaridade e entender-se assim tão fácil e amigavelmente com tribos desconhecidas.
Diz que bem tentou telefonar ao filho no dia dos anos, mas o azar bateu-lhe à porta porque não havia telefone numa estação dos correios – como se isso fosse possível, e ainda por cima por ser dia 5 de Outubro, feriado em Portugal por se comemorar a implantação da República. Só que a história passava-se na Bolívia e não em Portugal e lá não se comemora nada nessa data.
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Coluna do “2”
FALTAM 40 SEMANAS PARA A EDIÇÃO N.º 1000
O ano de 1997 trouxe aos nossos “detectives” uma competição que se revelou espectacular: A Volta a Portugal.
Decorria como se fosse uma prova ciclista. Os participantes tinham à sua disposição várias classificações: camisola amarela (classificação geral pelo somatório de pontos); camisola verde (melhores soluções); camisola azul (originais e criativas); camisola branca (combinado de todas as restantes).
Cada etapa, à semalhança da prova ciclista, unia duas cidades onde havia núcleos importantes de policiaristas.
À entrada para a última prova, Dic Roland/Aldeia, o saudoso confrade que foi do Retaxo (Castelo Branco), de Nisa, do Estoril e Santo André, comandava a camisola amarela, a verde e a branca e era terceiro na azul, que por sua vez tinha como líder K.O., outra imensa saudade.
Pelos primeiros lugares havia nomes como Hortonólito, Xispêtêó, Paris, Aseret, Toubrouk, Nove, Bé, Inspector Moka, entre muitos outros, que hoje se encontram afastados das nossas competições.
sábado, 12 de dezembro de 2009
HOMENAGEM
Prosseguimos esta semana a série de homenagens que temos vindo a promover.
Dentro de algumas horas, todos vão poder encontrar o nosso homenageado desta semana, de quem publicamos um desafio.
Até daqui a algumas horas, no PÚBLICO!
Dentro de algumas horas, todos vão poder encontrar o nosso homenageado desta semana, de quem publicamos um desafio.
Até daqui a algumas horas, no PÚBLICO!
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
POLICIÁRIO 959
(Publicado em 2009.12.06)
HOMENAGEM AO “PROCURADOR INCÓGNITO”
Soubemos esta semana que o confrade Procurador Incógnito está a atravessar um período particularmente complicado da sua vida, devido a problemas de saúde.
Conhecemo-nos em 2005, no verão, em plena Praia do Pedrógão, local em que também costumava ir buscar as energias para mais um ano de trabalho.
Curiosamente, confessou-nos então, já por diversas vezes nos vira por lá, em anos anteriores, mas não suspeitava sequer que fossemos o Inspector Fidalgo, até ao momento em que, relendo as secções mais antigas, ficou a saber que o Inspector Fidalgo e família, nela incluindo a referência que eram os seus gémeos, ali passavam as férias.
Assim foi feita a sua abordagem e longas foram as conversas naquele mês de Agosto, quase sempre com o Policiário em pano de fundo, como é óbvio.
Prometeu um problema, que já andava a ser arquitectado e o desafio apareceu mesmo, pouco tempo depois, sendo publicado em 13 de Novembro desse mesmo ano, como primeira prova do Campeonato Nacional.
As voltas que o mundo dá levaram-no até Faro, onde passou os últimos anos e agora espera as curas para as graves maleitas que o apoquentam.
Para este nosso confrade, que continua a seguir fielmente a nossa secção, vão os votos de rápida e franca recuperação e aqui deixamos esse seu desafio, para exercitar as células cinzentas dos nossos “detectives”, tendo como objectivo a próxima época, que se aproxima.
MENTIRAS
Autor: Procurador Incógnito
Já não via o pai há muitos anos e este nunca demonstrara grande interesse no que se passava por aqueles lados. Invariavelmente, vinha a argumentação do pai: “Não me importava muito porque sabia que estavas em boas mãos com a tua mãe…” Não acreditava, mas o que é que podia fazer? Crescera sem pai e sem o desejo muito evidente de o vir a ter por perto. Podia dizer, mesmo, que lhe era indiferente. Só que, depois de tantos anos, eis que ele aparecia na sua vida e, sinceramente, não sabia como lidar com a situação. Ignorá-lo? Hostilizá-lo?
A mãe lançara o aviso para que não acreditasse em tudo o que ele dissesse, porque mentia com uma facilidade impressionante e com a convicção própria de quem estava seguro do que dizia…
“Não chega olhá-lo nos olhos porque até assim é capaz de mentir e jurar…”
“Sabes, filho, a vida nem sempre é como a queremos viver… Há momentos em que temos de tomar decisões e abrir mão de muitas convicções… Também eu gostava de ter estado contigo e acompanhar o teu crescimento, mas tive de ir para a América do Sul, por onde andei anos a fio, em expedições, mas sempre contigo nos meus pensamentos…
“Lembro-me de estar numa véspera de Natal, algures pelo Chile a contemplar a Lua e, ao ver nela a tua inicial, recordar os momentos que passei contigo, eras tu ainda um bebé… Dias depois, em plena passagem de ano, naquela bola enorme, luminosa, revia a tua cara bolachuda, redonda e sorridente… É mesmo isso, nunca te esqueci, só não tinha muito tempo nem oportunidade para te escrever, entendes? Andei por sítios nunca visitados por brancos, bem no centro da Amazónia, visitei tribos desconhecidas até então e recordo em particular uma aldeia praticamente inacessível, em que comi com o chefe da tribo, falei-lhe de muitas das coisas que eles nunca viram e ouvi da sua boca muitas histórias sobre a sua vida, família e tribo… Experiência única, ser o primeiro ser exterior a falar com eles, já imaginaste? E outra vez em que me despedi da vida porque me perdi e andei dias e dias sozinho por montes e vales nos Andes, sem encontrar vivalma, caminhando de noite para me poder proteger do sol e me orientar pela estrela polar, uma estrela que me parecia ter seis pontas e que logo me recordava o teu nome, que era a minha única referência e me serviu para encontrar uma aldeia mais a norte e ali encontrar assistência e apoio… Também nessa altura me lembrei de ti e foste a razão da força que me tirou de lá… Ainda estive à porta de uma estação de correios, na Bolívia, no dia de um dos teus aniversários, decidido a enviar-te uma mensagem, um telegrama, que telefone era coisa que por lá não havia, mas não pude mandar-te nada porque estava fechada por ser feriado… É o que dá nascer no dia da implantação da República. Eu bem tinha dito à tua mãe que era melhor registar-te a 4 ou a 6, mas ela disse que se nasceste a 5 de Outubro, era a 5 de Outubro que eras registado… Ainda havemos de partir à aventura para aquele mundo espectacular, vais ver…”
Francamente, ficara com a certeza de que a mãe o alertara para o perigo das suas mentiras apenas por despeito, mas agora mudara de opinião e achava que o pai era, de facto, um grande mentiroso, ainda que trapalhão…
Na próxima semana teremos a solução.
Boas deduções!
A ESTRANHA MORTE DE FERNANDO FARIA
Solução do enigma publicado na semana passada, pela autora Natércia Leite:
1º – As declarações do criado foram falsas. Se o patrão tivesse estado tanto tempo no banho, a água estaria fria e não emanaria ainda vapores. Também não podia a chave tê-lo impedido de espreitar, pois que não se encontrava lá chave alguma, dada a facilidade com que o detective Santos abriu a porta. Além disso, se o criado queria fazer supor que o patrão se suicidara, caía num erro porque a cabeça batendo contra a banheira, ao ponto de abrir uma profunda brecha na nuca, não viria tombar depois sobre o peito.
2º – Nada nos pode levar à conclusão que Fernando Faria não tenha falado verdade. Há apenas a contradição da hora de saída. Mas, dadas as outras mentiras do criado, é fácil supor que ele tivesse insinuado uma falsa hora de saída de Francisco Faria, com intenção mais do que duvidosa...
3º – Fernando Faria não se suicidou. A ferida profunda que apresentava na nuca, não poderia ser feita por ele próprio. Além disso, se se tivesse suicidado, o instrumento de que se servira devia estar bem à vista.
4º – Se Fernando Faria não se suicidou, havia um criminoso. E o criado devia ter sido o criado, porque prestara propositadamente falsas declarações. E de facto, preso, ele confessou o crime. Roubara os documentos e com medo que o patrão descobrisse, porque já desconfiava dele, aproveitou a zanga havida de manhã, e matou, para fazer cair as culpas sobre Fernando Faria. Mas, ao mesmo tempo, receoso de possíveis consequências, quis também fazer acreditar num suicídio. Porém, o vapor de água e a chave hipotética traíram-no irremediavelmente...
NOVAS DE A. RAPOSO
Foi com natural satisfação que recebemos a notícia de que o confrade A. Raposo está em franca recuperação.
Os problemas de saúde não estão completamente debelados, mas A. Raposo fez questão de estar presente no mais recente almoço da Tertúlia da Liberdade, ocorrido na passada quarta-feira e de demonstrar, ao que nos confidenciaram fontes geralmente muito seguras, a boa disposição costumeira!
PRODUÇÕES
A menos de um mês do início das nossas competições, fica mais um apelo a todos os “detectives” que se julguem com capacidade para produzirem desafios policiários, para que nos enviem as suas propostas.
Esta época , como já referimos, vamos ter dois tipos de problemas: O primeiro é do género daqueles que temos vindo a publicar e que baptizámos de tradicionais. Na prática será um conto policial que o autor interrompe logo que tenha fornecido todos os dados necessários à sua resolução, pedindo aos “detectives” que decifrem o enigma nele contido; O segundo foi baptizado como de “rápidas” em que a finalidade é a mesma, mas o próprio autor revela, no final, quatro (e apenas serão admitidas quatro) hipóteses de solução, sendo que apenas uma poderá decifrar o enigma.
Os trabalhos deverão ser enviados para o endereço electrónico pessoa_luis@hotmail.com, cumprindo com os limites de caracteres impostos pelo Regulamento e pelo espaço disponível, ou seja, 6500, para os desafios tradicionais e 5000 para os “rápidos”, em qualquer dos casos com espaços incluidos.
Chamamos ainda a atenção para o facto de cada produção dever ser acompanhada da respectiva proposta de solução.
Coluna do “2”
FALTAM 41 SEMANAS PARA A EDIÇÃO N.º 1000
O ano de 1996 marcou o Policiário, pela positiva.
O grande triunfador foi um “detective” que se iniciou nesse mesmo ano, inserido na Tertúlia Policiária de Coimbra: Basófias, que conquistou o Torneio Sete de Espadas, à frente de Jomaro (Castelo Branco) e Aldeia (o outro pseudónimo do saudoso Dic Roland) e foi, igualmente, Policiarista do Ano. O N.º 1 do Ranking foi Jomaro.
Os prémios foram entregues no Convívio da Amadora e só lá, ao vivo e em directo, o saudoso confrade de Mem Martins, K.O., após a contagem das medalhas de ouro, prata e bronze, ficou a saber que era o Campeão Olímpico, depois de bater toda a concorrência, liderada pelo confrade coimbrão Flo.
Novos máximos de participação iam sendo alcançados, sucessivamente e nesse ano foram 895 os “detectives” em competição.
Estavamos cada vez mais próximos da meta dos 1000 participantes numa mesma época!
HOMENAGEM AO “PROCURADOR INCÓGNITO”
Soubemos esta semana que o confrade Procurador Incógnito está a atravessar um período particularmente complicado da sua vida, devido a problemas de saúde.
Conhecemo-nos em 2005, no verão, em plena Praia do Pedrógão, local em que também costumava ir buscar as energias para mais um ano de trabalho.
Curiosamente, confessou-nos então, já por diversas vezes nos vira por lá, em anos anteriores, mas não suspeitava sequer que fossemos o Inspector Fidalgo, até ao momento em que, relendo as secções mais antigas, ficou a saber que o Inspector Fidalgo e família, nela incluindo a referência que eram os seus gémeos, ali passavam as férias.
Assim foi feita a sua abordagem e longas foram as conversas naquele mês de Agosto, quase sempre com o Policiário em pano de fundo, como é óbvio.
Prometeu um problema, que já andava a ser arquitectado e o desafio apareceu mesmo, pouco tempo depois, sendo publicado em 13 de Novembro desse mesmo ano, como primeira prova do Campeonato Nacional.
As voltas que o mundo dá levaram-no até Faro, onde passou os últimos anos e agora espera as curas para as graves maleitas que o apoquentam.
Para este nosso confrade, que continua a seguir fielmente a nossa secção, vão os votos de rápida e franca recuperação e aqui deixamos esse seu desafio, para exercitar as células cinzentas dos nossos “detectives”, tendo como objectivo a próxima época, que se aproxima.
MENTIRAS
Autor: Procurador Incógnito
Já não via o pai há muitos anos e este nunca demonstrara grande interesse no que se passava por aqueles lados. Invariavelmente, vinha a argumentação do pai: “Não me importava muito porque sabia que estavas em boas mãos com a tua mãe…” Não acreditava, mas o que é que podia fazer? Crescera sem pai e sem o desejo muito evidente de o vir a ter por perto. Podia dizer, mesmo, que lhe era indiferente. Só que, depois de tantos anos, eis que ele aparecia na sua vida e, sinceramente, não sabia como lidar com a situação. Ignorá-lo? Hostilizá-lo?
A mãe lançara o aviso para que não acreditasse em tudo o que ele dissesse, porque mentia com uma facilidade impressionante e com a convicção própria de quem estava seguro do que dizia…
“Não chega olhá-lo nos olhos porque até assim é capaz de mentir e jurar…”
“Sabes, filho, a vida nem sempre é como a queremos viver… Há momentos em que temos de tomar decisões e abrir mão de muitas convicções… Também eu gostava de ter estado contigo e acompanhar o teu crescimento, mas tive de ir para a América do Sul, por onde andei anos a fio, em expedições, mas sempre contigo nos meus pensamentos…
“Lembro-me de estar numa véspera de Natal, algures pelo Chile a contemplar a Lua e, ao ver nela a tua inicial, recordar os momentos que passei contigo, eras tu ainda um bebé… Dias depois, em plena passagem de ano, naquela bola enorme, luminosa, revia a tua cara bolachuda, redonda e sorridente… É mesmo isso, nunca te esqueci, só não tinha muito tempo nem oportunidade para te escrever, entendes? Andei por sítios nunca visitados por brancos, bem no centro da Amazónia, visitei tribos desconhecidas até então e recordo em particular uma aldeia praticamente inacessível, em que comi com o chefe da tribo, falei-lhe de muitas das coisas que eles nunca viram e ouvi da sua boca muitas histórias sobre a sua vida, família e tribo… Experiência única, ser o primeiro ser exterior a falar com eles, já imaginaste? E outra vez em que me despedi da vida porque me perdi e andei dias e dias sozinho por montes e vales nos Andes, sem encontrar vivalma, caminhando de noite para me poder proteger do sol e me orientar pela estrela polar, uma estrela que me parecia ter seis pontas e que logo me recordava o teu nome, que era a minha única referência e me serviu para encontrar uma aldeia mais a norte e ali encontrar assistência e apoio… Também nessa altura me lembrei de ti e foste a razão da força que me tirou de lá… Ainda estive à porta de uma estação de correios, na Bolívia, no dia de um dos teus aniversários, decidido a enviar-te uma mensagem, um telegrama, que telefone era coisa que por lá não havia, mas não pude mandar-te nada porque estava fechada por ser feriado… É o que dá nascer no dia da implantação da República. Eu bem tinha dito à tua mãe que era melhor registar-te a 4 ou a 6, mas ela disse que se nasceste a 5 de Outubro, era a 5 de Outubro que eras registado… Ainda havemos de partir à aventura para aquele mundo espectacular, vais ver…”
Francamente, ficara com a certeza de que a mãe o alertara para o perigo das suas mentiras apenas por despeito, mas agora mudara de opinião e achava que o pai era, de facto, um grande mentiroso, ainda que trapalhão…
Na próxima semana teremos a solução.
Boas deduções!
A ESTRANHA MORTE DE FERNANDO FARIA
Solução do enigma publicado na semana passada, pela autora Natércia Leite:
1º – As declarações do criado foram falsas. Se o patrão tivesse estado tanto tempo no banho, a água estaria fria e não emanaria ainda vapores. Também não podia a chave tê-lo impedido de espreitar, pois que não se encontrava lá chave alguma, dada a facilidade com que o detective Santos abriu a porta. Além disso, se o criado queria fazer supor que o patrão se suicidara, caía num erro porque a cabeça batendo contra a banheira, ao ponto de abrir uma profunda brecha na nuca, não viria tombar depois sobre o peito.
2º – Nada nos pode levar à conclusão que Fernando Faria não tenha falado verdade. Há apenas a contradição da hora de saída. Mas, dadas as outras mentiras do criado, é fácil supor que ele tivesse insinuado uma falsa hora de saída de Francisco Faria, com intenção mais do que duvidosa...
3º – Fernando Faria não se suicidou. A ferida profunda que apresentava na nuca, não poderia ser feita por ele próprio. Além disso, se se tivesse suicidado, o instrumento de que se servira devia estar bem à vista.
4º – Se Fernando Faria não se suicidou, havia um criminoso. E o criado devia ter sido o criado, porque prestara propositadamente falsas declarações. E de facto, preso, ele confessou o crime. Roubara os documentos e com medo que o patrão descobrisse, porque já desconfiava dele, aproveitou a zanga havida de manhã, e matou, para fazer cair as culpas sobre Fernando Faria. Mas, ao mesmo tempo, receoso de possíveis consequências, quis também fazer acreditar num suicídio. Porém, o vapor de água e a chave hipotética traíram-no irremediavelmente...
NOVAS DE A. RAPOSO
Foi com natural satisfação que recebemos a notícia de que o confrade A. Raposo está em franca recuperação.
Os problemas de saúde não estão completamente debelados, mas A. Raposo fez questão de estar presente no mais recente almoço da Tertúlia da Liberdade, ocorrido na passada quarta-feira e de demonstrar, ao que nos confidenciaram fontes geralmente muito seguras, a boa disposição costumeira!
PRODUÇÕES
A menos de um mês do início das nossas competições, fica mais um apelo a todos os “detectives” que se julguem com capacidade para produzirem desafios policiários, para que nos enviem as suas propostas.
Esta época , como já referimos, vamos ter dois tipos de problemas: O primeiro é do género daqueles que temos vindo a publicar e que baptizámos de tradicionais. Na prática será um conto policial que o autor interrompe logo que tenha fornecido todos os dados necessários à sua resolução, pedindo aos “detectives” que decifrem o enigma nele contido; O segundo foi baptizado como de “rápidas” em que a finalidade é a mesma, mas o próprio autor revela, no final, quatro (e apenas serão admitidas quatro) hipóteses de solução, sendo que apenas uma poderá decifrar o enigma.
Os trabalhos deverão ser enviados para o endereço electrónico pessoa_luis@hotmail.com, cumprindo com os limites de caracteres impostos pelo Regulamento e pelo espaço disponível, ou seja, 6500, para os desafios tradicionais e 5000 para os “rápidos”, em qualquer dos casos com espaços incluidos.
Chamamos ainda a atenção para o facto de cada produção dever ser acompanhada da respectiva proposta de solução.
Coluna do “2”
FALTAM 41 SEMANAS PARA A EDIÇÃO N.º 1000
O ano de 1996 marcou o Policiário, pela positiva.
O grande triunfador foi um “detective” que se iniciou nesse mesmo ano, inserido na Tertúlia Policiária de Coimbra: Basófias, que conquistou o Torneio Sete de Espadas, à frente de Jomaro (Castelo Branco) e Aldeia (o outro pseudónimo do saudoso Dic Roland) e foi, igualmente, Policiarista do Ano. O N.º 1 do Ranking foi Jomaro.
Os prémios foram entregues no Convívio da Amadora e só lá, ao vivo e em directo, o saudoso confrade de Mem Martins, K.O., após a contagem das medalhas de ouro, prata e bronze, ficou a saber que era o Campeão Olímpico, depois de bater toda a concorrência, liderada pelo confrade coimbrão Flo.
Novos máximos de participação iam sendo alcançados, sucessivamente e nesse ano foram 895 os “detectives” em competição.
Estavamos cada vez mais próximos da meta dos 1000 participantes numa mesma época!
REGRESSO
Depois de alguns (breves) dias no clima belíssimo da Ilha da Madeira (uma ilha que tem tudo de bom, deitando fora o Jardim e mais uns quantos), cá estamos para mais uma dose.
Confesso que ainda estou um bocado baralhado com tantos túneis que eles por lá têm e, sobretudo, com a qualidade PÉSSIMA dos condutores (?) que por lá se agarram ao volante! Eles não fazem ideia nenhuma do que é um STOP, do que é um semáforo vermelho e muito menos do que é um limite de velocidade! Que bom que é voltar ao trânsito de Lisboa e estradas deste lado de cá!
Vamos, a partir de agora, fazendo as actualizações.
Até breve!
Confesso que ainda estou um bocado baralhado com tantos túneis que eles por lá têm e, sobretudo, com a qualidade PÉSSIMA dos condutores (?) que por lá se agarram ao volante! Eles não fazem ideia nenhuma do que é um STOP, do que é um semáforo vermelho e muito menos do que é um limite de velocidade! Que bom que é voltar ao trânsito de Lisboa e estradas deste lado de cá!
Vamos, a partir de agora, fazendo as actualizações.
Até breve!
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Ú L T I M A H O R A !
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