CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL
PROVA N.º 2 - PARTE I
“ALI JAZ O ALI KATE” – Original de H. RÁI
O Eng.º Ali Kate era director de fabrico e sócio da empresa SUGGYSOPRA, sediada entre a Rua dos Têxteis e a da Cortiça, no parque industrial e tecnológico de Évora. Tinha nacionalidade líbia e estava refugiado em Portugal desde a 1ª invasão do Iraque. Vivia na Praça do Giraldo. Lia muito, particularmente, Sayyid Qutb. Gostava de gatos e da música de Oumeima El Khalil e de Wagner. Amante do BTT, ia de bicicleta para a fábrica, mas ontem trocou a prova de Machede por um dia de trabalho. Na véspera, por volta da uma da noite, foi visto a descer do telhado da vizinha. Na manhã do dia aziago, comprou o “Público” na tabacaria da esquina e tomou o pequeno-almoço na pastelaria ao lado, como habitualmente. Foi visto no táxi que o levou à fábrica. Hoje, fora encontrado morto no seu gabinete, no escritório da fábrica em que trabalhava.
O Eng.º Meca Trão, egípcio, cristão copta, há muito radicado no Alentejo, accionista principal e administrador da empresa, regressou ontem no avião da noite, depois de contactar o lobby do ar condicionado na União Europeia e a empresa SINOCC, para análise das perspectivas de lançamento dos seus produtos na China. Na manhã desse dia, tinha conferenciado pela Net com o Eng.º Ali, mas a imagem e o som eram de muito má qualidade. Pareceu-lhe ter visto o Eng.º Ali olhar para a direita e ouvido um estranho som, que parecia de foguete, trovão ou tiro. A ligação caiu imediatamente e nunca mais foi retomada. Ainda tentou o telemóvel, mas, se o homem estava morto, como lhe poderia responder? Hoje, de manhã, ao chegar ao escritório empurrou a porta do gabinete do Eng.º Ali e deparou-se com aquele espectáculo. Não sabia o que pensar nem o que dizer.
O Dr. Cifrões, director financeiro da empresa, que ajeitou as suas contas para esta fugir ao fisco, tinha recebido na 6ª feira o aviso de despedimento, por a administração o ter usado como bode expiatório. Morava na Quinta da Canhota e esteve na fábrica toda a manhã de ontem, para arrumar os seus papéis, pois não estava disposto a voltar a encontrar-se com qualquer dos patrões. Era mesmo bom que nem lhe aparecessem pela frente.
A Dr.ª Presumida, mulher do Dr. Cifrões, algarvia de Alcoutim, era intragável para qualquer gosto, mas também tinha os seus encantos e sabia tirar deles o seu proveito. Tinham uma filha e um filho que estudavam em Harvard. Já haviam sido íntimos do casal dono da fábrica, mas deixaram-se disso, pois era gente esquisita, de baixo nível e traiçoeira, que se dava melhor com a "moirama", em particular a "madame". Enfim, gente muito reles e pouco recomendável, como dizia. Ontem, de manhã, estivera no Pavilhão dos Salesianos com uma amiga a assistir ao convívio das miúdas do basquete.
Dª Bertolinda, mulher do Eng.º Meca Trão, natural da Asseiceira, tinha um filho e duas filhas adultas deste casamento que estudavam na cidade. Devota a S. Domingos, frequentava o meio religioso da cidade. Era uma mulher inteligente, ainda muito bela, apesar da idade, mas tão frívola como em nova. No dia do crime, estaria nas Caldas da Rainha, onde teria ido para tratar de um assunto de família, segundo disse. Estava muito confusa e não compreendia o sucedido.
O Sr. Com Praki, sículo, director comercial da empresa há 5 meses, encontrou-se com a vítima na noite de 21, num monte alentejano. Esteve na fábrica no dia seguinte até à hora do almoço. Pareceu-lhe estranho ver a esposa do Eng.º Meca Trão passar rente à parede, a coberto do telheiro, em direcção aos escritórios, mas não sabia o que se teria passado, pois esteve muito ocupado com o seu staff a organizar a saída de uma encomenda.
O Cerrótrinco, um português de Arrouquelas, guarda-portão da fábrica, de serviço no dia do acontecimento, garantiu que, para além dos operários a trabalharem numa encomenda para entrega urgente, naquela manhã, só entraram na fábrica o director de fabrico, o Sr. Com Praki e o Dr. Cifrões, mas não sabia o que foram fazer nem quando saíram, pois como tinha que se ausentar para fazer a ronda e a porta estava no trinco, para a abrir por dentro, não era precisa a sua chave.
O Zé Popó, eborense, condutor de táxi, transportou a vítima à fábrica no dia da sua morte e, ainda nessa manhã, uma mulher, que deixou à porta da fábrica. Não sabia mais nada, mas desse dia, 22 de Março de 2009, não se iria esquecer tão cedo.
Segundo a investigação, havia muita humidade e um cheiro desagradável no gabinete. Uma bota suja de lama deixou uma leve marca de terra seca no chão da sala. Na secretária, via-se um bloco de notas, utensílios de escritório e o livro de Haruki Murakami: Kafka à beira-mar, aberto e apoiado sobre o tampo da secretária do lado esquerdo do corpo, tendo sublinhado a lápis o parágrafo seguinte: Okay, farei isso. Não se preocupe e vá com calma, está bem? - disse o polícia, não resistindo a acrescentar uma nota pessoal - Sabe, para quem acabou de matar alguém e ficou todo ensanguentado, as suas roupas estão com muito bom aspecto. Não se vê nem uma gota de sangue."
Junto à parede oposta à porta de entrada, estava caída uma bala de pistola Undercover Southpaw, da Charter Arms. Havia diversas impressões digitais em vários locais, mas o puxador da porta estava limpo. Pendente da secretária e ligado ao notebook, via-se um par de auscultadores de mp3 em mau estado. O computador perdeu-se às 10h, mas a sua análise ajudou a concluir que, no momento da morte, a vítima estava ligada por Skype a um I.P. na Bélgica. A grossa camisola e a camisa que vestia apresentavam orifícios, atrás e à frente, na zona do ombro, com uma pequena mancha de sangue já seca. Nos bolsos, havia o porta-moedas, carteira e telemóvel, com registo de telefonemas e mensagens não relevantes para o caso.
O cadáver tinha a surpresa no rosto e um tom azulado de padrão único. O rigor mortis era mais intenso na zona envolvente da entrada dos canais auditivos, vendo-se 2 pequenas ampolas na pele do trago direito e 3 junto ao do lado oposto. Aqui, apresentava uma pequena ferida mais antiga e três pequenos arranhões paralelos na região temporal adjacente, não sarados. O músculo trapézio esquerdo estava perfurado, sem sinais de hemorragia, mas com um ligeiro anel mais escuro nos bordos da ferida de entrada, distorcido na direcção do pescoço. De um e outro lado do maxilar inferior, viam-se dois ténues riscos negros, como se tivessem sido feitos a carvão. No estômago, encontraram-se restos de comida e, no sangue, cafeína e níveis não usuais de glucose.
O que se terá passado, então, aqui?
E pronto!
Agora é tempo dos nossos “detectives” se debruçarem sobre este problema, que vai ficar disponível no blogue CRIME PÚBLICO e no sítio CLUBE DE DETECTIVES e depois enviarem as propostas de solução, impreterivelmente até ao próximo dia 28 de Fevereiro, para o que poderão usar um dos seguintes meios:
- Pelos Correios para PÚBLICO-Policiário, Rua Viriato, 13, 1069-315 LISBOA;
- Por e-mail para policiario@publico.pt;
- Por entrega em mão na redacção do PÚBLICO de Lisboa;
- Por entrega em mão ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.
Boas deduções!
domingo, 7 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
PPP - POLICIÁRIO PELO PATRIMÓNIO

O confrade Zé mandou o grito de revolta!
Nós, por cá, sempre assumimos como nossas as causas em que acreditamos!
O Policiário, no seu todo, é um espelho daquilo que foi e é o sonho de muita gente, com o velho e saudoso SETE na primeira linha, ele que queria um grande clube de Amigos...
O POLICIÁRIO esteve em Cabanas de Viriato, no convívio que a TPL levou a efeito e viu! VIU mesmo! O estado de degradação da casa de família de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul que desafiou o ditador Salazar e impôs os seu princípios morais em defesa da VIDA.
Esse ser, polémico como todos, pagou a factura que o ditador lhe impôs por salvar vidas, uma factura que só podia ser emitida por um ser hediondo e criminoso que muitos ainda hoje elegem como "maior português do século XX"!
Esse criminoso morreu há muito, sem pagar pelos seus crimes, mas ainda hoje deixa restos da sua pestilência, ainda hoje parece animar algumas mentalidades definhadas, que são capazes, a caminho de quatro décadas de democracia, de abandonar um símbolo da resistência, um símbolo de quem sacrificou uma vida que tinha tudo para ser paradisíaca, para fazer uma coisita menor, como salvar vidas: a sua casa em Cabanas de Viriato.
A casa vai ruir, certamente! Quem a viu ao perto não tem dúvidas.
O grito de revolta do Zé é o nosso, também!
Que cada um de nós levante a sua voz, com os meios de que cada qual disponha, em blogues, em jornais, em conversas, em mails enviados a todos os nossos contactos. Passemos esta situação que nos indigna, façamos todos corar de vergonha como estamos nós mesmos, neste momento.
Ouçam bem o grito:
LUÍS - Faz deste post o que entenderes, põem-no onde entenderes! Acho que não me posso (não podemos) calar.
"A Casa do Passal, em Cabanas de Viriato,onde o cônsul português habitualmente passava as suas férias em família encontra-se em risco de ruir. A Fundação Aristides de Sousa Mendes vai desafiar arquitetos a fazerem um projeto de recuperação do edifício".
Em relação a este notícia do sapo.pt, nós estivemos lá, dissemos isso mesmo, aqui e no Público. Como de costume, deixou-se chegar a Casa a esse ponto e só agora se tentam novas soluções e se voltam a pedir apoios:
"Está muito degradada, quase que é até um milagre ela manter-se em pé, porque o telhado está em completa ruína. Pensávamos que já este inverno cairia".
"Contactado pela Lusa, o diretor regional de Cultura, António Pedro Pita, remeteu para mais tarde esclarecimentos sobre a situação".
Que raiva, viver num paízinho destes, onde se ligou, SEMPRE!, tão pouco a coisas destas. Que nojo de dirigentes temos tido desde que eu me lembro de ver o mundo...
Um abraço
Zé
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
O REGRESSO DO INSPECTOR ARANHA
Informação ao Policiário
Quando, em 1957, me iniciei no Policiário, adoptei o pseudónimo de "Inspector Aranha" - por razões que são já bem conhecidas.
Não imaginava, nessa ocasião, que o mesmo viesse a ter a longevidade que efectivamente conheceu.
Há uns anos decidi interromper a minha participação na modalidade, "matando", então, o "Inspector Aranha", "óbito" participado em comunicado enviado às Secções existentes.
Quando, anos depois, resolvi regressar, respondendo aos apelos do "micróbio" que havia ficado entranhado, escolhi o pseudónimo de "Zé dos Anzóis", por entender não dever proceder à ressurreição do anterior, embora, ao longo destes últimos anos, para vários foram colegas eu tenha continuado sempre a ser o "Aranha"
Entretanto, o Zé (Viseu) endereçou-me recentemente no blogue da Secção do Público uma mensagem na qual, começando por me tratar por "Meu Caro Inspector Aranha", escreve que, estando a chegar ao nº 1.000 do Público Policiário, eu (como ele) tinha obrigação de lá chegar como havia começado. E, portanto, democraticamente, (re) baptizava-me "em nome do teu passado e do orgulho que os teus colegas e amigos têm em continuar a ter-te no topo do nosso desporto, estando, a partir desse momento PROIBIDO de enviar posts ou soluções com outro nome.
Alguns confrades, uns no Blogue e outros por E-mail, manifestaram-se no mesmo sentido
Tive dúvidas. Andei a equacionar o assunto durante algum tempo porquanto, se é verdade que o currículo do "Inspector "Aranha" me orgulha (passe a imodéstia), com o "Zé dos Anzóis" conquistei também muita notoriedade e algumas das minhas melhores vitórias...
Mas o acto de mudar de pseudónimo (e neste caso é para retornar ao primeiro) não é assim tão raro: entre muitos outros mudaram o Big-Ben , o Insp. Boavida, o L.P., o Daniel Falcão, o Hal Foster, o Insp. Moka, etc., etc.
Assim, acabei por decidir: a partir de hoje, e cumprindo a "determinação" do "Zé?(Viseu) - agora também só "Zé" -- volta o "Inspector Aranha", saí de cena o "Zé dos Anzóis" !
Um grande abraço para o "Zé", que despoletou esta situação, ora padrinho do (re) baptismo e grande Amigo de sempre.
Cordiais saudações para todos os confrades.
Domingos Cabral
Quando, em 1957, me iniciei no Policiário, adoptei o pseudónimo de "Inspector Aranha" - por razões que são já bem conhecidas.
Não imaginava, nessa ocasião, que o mesmo viesse a ter a longevidade que efectivamente conheceu.
Há uns anos decidi interromper a minha participação na modalidade, "matando", então, o "Inspector Aranha", "óbito" participado em comunicado enviado às Secções existentes.
Quando, anos depois, resolvi regressar, respondendo aos apelos do "micróbio" que havia ficado entranhado, escolhi o pseudónimo de "Zé dos Anzóis", por entender não dever proceder à ressurreição do anterior, embora, ao longo destes últimos anos, para vários foram colegas eu tenha continuado sempre a ser o "Aranha"
Entretanto, o Zé (Viseu) endereçou-me recentemente no blogue da Secção do Público uma mensagem na qual, começando por me tratar por "Meu Caro Inspector Aranha", escreve que, estando a chegar ao nº 1.000 do Público Policiário, eu (como ele) tinha obrigação de lá chegar como havia começado. E, portanto, democraticamente, (re) baptizava-me "em nome do teu passado e do orgulho que os teus colegas e amigos têm em continuar a ter-te no topo do nosso desporto, estando, a partir desse momento PROIBIDO de enviar posts ou soluções com outro nome.
Alguns confrades, uns no Blogue e outros por E-mail, manifestaram-se no mesmo sentido
Tive dúvidas. Andei a equacionar o assunto durante algum tempo porquanto, se é verdade que o currículo do "Inspector "Aranha" me orgulha (passe a imodéstia), com o "Zé dos Anzóis" conquistei também muita notoriedade e algumas das minhas melhores vitórias...
Mas o acto de mudar de pseudónimo (e neste caso é para retornar ao primeiro) não é assim tão raro: entre muitos outros mudaram o Big-Ben , o Insp. Boavida, o L.P., o Daniel Falcão, o Hal Foster, o Insp. Moka, etc., etc.
Assim, acabei por decidir: a partir de hoje, e cumprindo a "determinação" do "Zé?(Viseu) - agora também só "Zé" -- volta o "Inspector Aranha", saí de cena o "Zé dos Anzóis" !
Um grande abraço para o "Zé", que despoletou esta situação, ora padrinho do (re) baptismo e grande Amigo de sempre.
Cordiais saudações para todos os confrades.
Domingos Cabral
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
POLICIÁRIO 967
PRAZO TERMINA HOJE!
Termina hoje, à meia-noite, o prazo para envio das propostas de solução à prova n.º 1 do Campeonato Nacional e, simultaneamente, da Taça de Portugal.
Como já temos referido, cada prova é composta de duas partes: uma com um problema de “rápidas”, ou seja, de resposta múltipla, em que cada “detective” apenas terá de indicar qual a alínea, de entre as propostas, que escolhe para solucionar o caso; a outra, do tipo “tradicional” em que é obrigatória a justificação de todas as conclusões a que chegue.
Como hoje é o último dia do prazo, ainda dispõe da possibilidade de participar nos torneios, mediante o envio das propostas de solução até à meia-noite, para o endereço policiario@publico.pt ou entrega em mão na redacção do PÚBLICO de Lisboa.
Na próxima semana teremos a publicação da 1.ª parte da Prova n.º 2, dando assim seguimento a uma competição que promete todas as emoções!

O GATO PRETO
No remoto ano de 1952, precisamente no mês de Janeiro, uma publicação de pequenas dimensões, mas que se veio a revelar de grande conteúdo, viu pela primeira vez a luz do dia. Era uma “antologia de mistério e fantasia” e logo cativou a grande legião de amantes destas coisas do Policial e do Mistério.
Organizada e dirigida por Francisco A. Branco e Manuel do Carmo, este primeiro número contava com uma capa planeada por Victor Palla e reunia um conjunto de excelentes contos, com destaque para o intitulado “Branca de Neve Assassinada”, de autoria do próprio Francisco Branco. Na apresentação, era referido que o ano de 1951 tinha sido o Ano do Gato Preto e foi nessa sequência que a antologia aparecia. Para reforçar o espírito eclético da publicação, era dito: “Mistério e Fantasia inclui muita coisa. Gosta de literatura policial? Leia O Gato Preto. Não gosta de literatura policial? Leia O Gato Preto…”
A “pedrada no charco”, ou a “lufada de ar fresco”, como foi dito na altura, teve uma curta duração, apenas 6 números, findos os quais ficou a sensação de alguma frustração pela perda de uma publicação que estava vocacionada para ser o ponto de encontro dos contistas nacionais.

EDGAR ALLAN POE
Em 19 de Janeiro de 1809, em Boston, Estados Unidos da América, nasceu aquele que é, hoje em dia, considerado o pai do Policial dedutivo, aquele que pela primeira vez articulou uma história de mistério e aventura com um raciocínio lógico e dedução pura.
Numa época em que a informação era transmitida sobretudo pela palavra escrita, em jornais e revistas, um pouco por todo o mundo, com muito sensacionalismo à mistura, fruto da impossibilidade de confirmação dos factos relatados, Poe inicia muito cedo uma vida de escrita, como romancista, poeta, crítico literário e editor, vindo a revelar-se um dos grandes “escritores malditos” da Literatura Americana.
Muito mais conhecido na Europa, uma sociedade mais aberta a novas correntes e novas ideias, ao contrário do que seria de esperar, Poe acaba por criar um novo género, um tipo de escrito que tornava o leitor mais activo, que punha à prova as suas capacidades de dedução, apresentando soluções para os mistérios que não passavam por artifícios metafísicos ou iluminações do além, mas coisas simples, muito lógicas, tão lógicas que ninguém se dava ao trabalho de imaginar!
A publicação de “Os Crimes da Rua da Morgue”, em 1841 no “Graham’s Magazine” marca o nascimento desse género literário, mas é sobretudo no conto, “A Carta Roubada”- que mereceu ao próprio autor um comentário “é a melhor das minhas histórias baseadas no raciocínio” - que se revela o seu génio criador.
Mais de dois séculos após o seu nascimento, este escritor que teve vida breve, apenas 40 anos, tendo falecido em 7 de Outubro de 1849, em Baltimore, resiste ao esquecimento, mercê de uma genialidade universalmente reconhecida.

ELLERY QUEEN
Em 11 de Janeiro de 1905 nasceu em New York, Manfred Lee um dos primos (o outro era Frederic Dannay que também nasceu nesse ano) criadores, em 1928, de Ellery Queen, um dos ícones da moderna literatura policial americana, autor de inúmeros romances e contos.
Tudo começou mais ou menos por acaso, quando ambos trabalhavam em publicidade e viram um anúncio de um concurso de romances policiais que dava um prémio de 7500 dólares. Assim nasceu “O Mistério do Chapéu Alto”, que conquistou o primeiro lugar, mas sem o prémio, porque o promotor faliu entretanto.
A sua publicação foi a chave do êxito, a par com o exemplar “marketing” que se seguiu, ao ponto de cada primo ir aparecendo aos diversos compromissos publicitários, devidamente mascarados para evitar reconhecimentos. Primeiro Lee, como Rllery e depois Dannay como Barnaby Ross.
O contraste entre o policial britânico, mais cerebral e “honesto” e o americano, mais desafiante e especulativo, alimentou um imenso negócio, mas também nos deu uma série de obras notáveis, onde teremos de incluir algumas desta dupla, que levou o policial a milhões de leitores em todo o mundo.

A RAINHA DO CRIME
Ainda em Janeiro, dia 12, ano de 1976, o “Reino do Policial” perde a sua “Rainha do Crime”, no sentido positivo, como é óbvio, Agatha Christie.
Escritora de excelentes recursos, com uma capacidade fora do vulgar, conquista o primeiro lugar na galeria dos grande autores policiais, sobretudo graças ao inevitável Hercule Poirot e à extraordinária sexagenária Miss Jane Marple.
Possuidora de um estilo clássico no desenvolvimento dos seus romances, pouco dada a rasgos ou improvisos, urdia a trama de modo muito intricado, revelando nas páginas finais um apurado sentido lógico, ainda que por vezes algo previsível, demonstrando a simplicidade de situações muito complexas.
Nos primeiros tempos da Colecção Vampiro, editada pelos Livros do Brasil, foi enorme a “luta” pela popularidade entre Agatha Christie e Ellery Queen, que dividiam as preferências dos leitores portugueses e esgotavam sucessivas edições. Viviam-se os tempos áureos da literatura policial!
Agatha Christie é, ainda hoje, uma autora de leitura obrigatória para quem queira entender o Policial moderno e uma das suas figuras mais respeitadas em todo o mundo.
Termina hoje, à meia-noite, o prazo para envio das propostas de solução à prova n.º 1 do Campeonato Nacional e, simultaneamente, da Taça de Portugal.
Como já temos referido, cada prova é composta de duas partes: uma com um problema de “rápidas”, ou seja, de resposta múltipla, em que cada “detective” apenas terá de indicar qual a alínea, de entre as propostas, que escolhe para solucionar o caso; a outra, do tipo “tradicional” em que é obrigatória a justificação de todas as conclusões a que chegue.
Como hoje é o último dia do prazo, ainda dispõe da possibilidade de participar nos torneios, mediante o envio das propostas de solução até à meia-noite, para o endereço policiario@publico.pt ou entrega em mão na redacção do PÚBLICO de Lisboa.
Na próxima semana teremos a publicação da 1.ª parte da Prova n.º 2, dando assim seguimento a uma competição que promete todas as emoções!

O GATO PRETO
No remoto ano de 1952, precisamente no mês de Janeiro, uma publicação de pequenas dimensões, mas que se veio a revelar de grande conteúdo, viu pela primeira vez a luz do dia. Era uma “antologia de mistério e fantasia” e logo cativou a grande legião de amantes destas coisas do Policial e do Mistério.
Organizada e dirigida por Francisco A. Branco e Manuel do Carmo, este primeiro número contava com uma capa planeada por Victor Palla e reunia um conjunto de excelentes contos, com destaque para o intitulado “Branca de Neve Assassinada”, de autoria do próprio Francisco Branco. Na apresentação, era referido que o ano de 1951 tinha sido o Ano do Gato Preto e foi nessa sequência que a antologia aparecia. Para reforçar o espírito eclético da publicação, era dito: “Mistério e Fantasia inclui muita coisa. Gosta de literatura policial? Leia O Gato Preto. Não gosta de literatura policial? Leia O Gato Preto…”
A “pedrada no charco”, ou a “lufada de ar fresco”, como foi dito na altura, teve uma curta duração, apenas 6 números, findos os quais ficou a sensação de alguma frustração pela perda de uma publicação que estava vocacionada para ser o ponto de encontro dos contistas nacionais.

EDGAR ALLAN POE
Em 19 de Janeiro de 1809, em Boston, Estados Unidos da América, nasceu aquele que é, hoje em dia, considerado o pai do Policial dedutivo, aquele que pela primeira vez articulou uma história de mistério e aventura com um raciocínio lógico e dedução pura.
Numa época em que a informação era transmitida sobretudo pela palavra escrita, em jornais e revistas, um pouco por todo o mundo, com muito sensacionalismo à mistura, fruto da impossibilidade de confirmação dos factos relatados, Poe inicia muito cedo uma vida de escrita, como romancista, poeta, crítico literário e editor, vindo a revelar-se um dos grandes “escritores malditos” da Literatura Americana.
Muito mais conhecido na Europa, uma sociedade mais aberta a novas correntes e novas ideias, ao contrário do que seria de esperar, Poe acaba por criar um novo género, um tipo de escrito que tornava o leitor mais activo, que punha à prova as suas capacidades de dedução, apresentando soluções para os mistérios que não passavam por artifícios metafísicos ou iluminações do além, mas coisas simples, muito lógicas, tão lógicas que ninguém se dava ao trabalho de imaginar!
A publicação de “Os Crimes da Rua da Morgue”, em 1841 no “Graham’s Magazine” marca o nascimento desse género literário, mas é sobretudo no conto, “A Carta Roubada”- que mereceu ao próprio autor um comentário “é a melhor das minhas histórias baseadas no raciocínio” - que se revela o seu génio criador.
Mais de dois séculos após o seu nascimento, este escritor que teve vida breve, apenas 40 anos, tendo falecido em 7 de Outubro de 1849, em Baltimore, resiste ao esquecimento, mercê de uma genialidade universalmente reconhecida.

ELLERY QUEEN
Em 11 de Janeiro de 1905 nasceu em New York, Manfred Lee um dos primos (o outro era Frederic Dannay que também nasceu nesse ano) criadores, em 1928, de Ellery Queen, um dos ícones da moderna literatura policial americana, autor de inúmeros romances e contos.
Tudo começou mais ou menos por acaso, quando ambos trabalhavam em publicidade e viram um anúncio de um concurso de romances policiais que dava um prémio de 7500 dólares. Assim nasceu “O Mistério do Chapéu Alto”, que conquistou o primeiro lugar, mas sem o prémio, porque o promotor faliu entretanto.
A sua publicação foi a chave do êxito, a par com o exemplar “marketing” que se seguiu, ao ponto de cada primo ir aparecendo aos diversos compromissos publicitários, devidamente mascarados para evitar reconhecimentos. Primeiro Lee, como Rllery e depois Dannay como Barnaby Ross.
O contraste entre o policial britânico, mais cerebral e “honesto” e o americano, mais desafiante e especulativo, alimentou um imenso negócio, mas também nos deu uma série de obras notáveis, onde teremos de incluir algumas desta dupla, que levou o policial a milhões de leitores em todo o mundo.

A RAINHA DO CRIME
Ainda em Janeiro, dia 12, ano de 1976, o “Reino do Policial” perde a sua “Rainha do Crime”, no sentido positivo, como é óbvio, Agatha Christie.
Escritora de excelentes recursos, com uma capacidade fora do vulgar, conquista o primeiro lugar na galeria dos grande autores policiais, sobretudo graças ao inevitável Hercule Poirot e à extraordinária sexagenária Miss Jane Marple.
Possuidora de um estilo clássico no desenvolvimento dos seus romances, pouco dada a rasgos ou improvisos, urdia a trama de modo muito intricado, revelando nas páginas finais um apurado sentido lógico, ainda que por vezes algo previsível, demonstrando a simplicidade de situações muito complexas.
Nos primeiros tempos da Colecção Vampiro, editada pelos Livros do Brasil, foi enorme a “luta” pela popularidade entre Agatha Christie e Ellery Queen, que dividiam as preferências dos leitores portugueses e esgotavam sucessivas edições. Viviam-se os tempos áureos da literatura policial!
Agatha Christie é, ainda hoje, uma autora de leitura obrigatória para quem queira entender o Policial moderno e uma das suas figuras mais respeitadas em todo o mundo.
NÚMEROS
Faltando todas as soluções que ainda percorrerão os caminhos da distribuição de correspondência dos Correios até chegarem ao PÚBLICO, a contagem dos confrades que optaram por entregar em mão no jornal desde a passada sexta-feira e os e-mails enviados para o endereço do PÚBLICO, desde a semana passada, podemos referir que já estão contabilizadas 2354 envios!
Sendo certo que algumas se encontram em duplicado, porque há confrades que optam por enviar as soluções para dois endereços, para maior garantia de chegada, temos a certeza absoluta de que vamos atingir um número histórico, talvez acima de 2500!!
Terminada a "tarefa" dos confrades, começa a maratona do orientador, que já começava a ficar "enferrujado"!!
Sendo certo que algumas se encontram em duplicado, porque há confrades que optam por enviar as soluções para dois endereços, para maior garantia de chegada, temos a certeza absoluta de que vamos atingir um número histórico, talvez acima de 2500!!
Terminada a "tarefa" dos confrades, começa a maratona do orientador, que já começava a ficar "enferrujado"!!
ACABOU O PRAZO!
Terminou o prazo para envio das propostas de solução.
Logo que tenhamos os elementos necessários, confirmaremos a recepção das soluções dos confrades que usaram outras formas de envio, para além dos endereços do orientador.
Em breve haverá notícias.
Queremos, finalmente, saudar os confrades por, mais uma vez, darem uma resposta cabal, participando nos nossos torneios. A todos, obrigado!
A competição está definitivamente lançada!
Logo que tenhamos os elementos necessários, confirmaremos a recepção das soluções dos confrades que usaram outras formas de envio, para além dos endereços do orientador.
Em breve haverá notícias.
Queremos, finalmente, saudar os confrades por, mais uma vez, darem uma resposta cabal, participando nos nossos torneios. A todos, obrigado!
A competição está definitivamente lançada!
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