domingo, 30 de outubro de 2016

POLICIÁRIO 1317



PROBLEMAS POLICIÁRIOS

No momento em que aguardamos o desafio proposto pelo confrade M. Constantino e que verá a luz do dia na próxima semana, como primeira parte da última prova desta época, mantemos a tónica num tema que é particularmente importante e recorrente no Policiário: As produções.
Sendo ponto assente e reconhecido por todos que no nosso país sempre houve e continua a haver excelentes produtores, capazes de elaborarem problemas de elevada craveira e complexidade, a realidade é que não são em número suficiente para garantirem competições de grande folego, sem sobressaltos. Por isso, debaixo de grande pressão, os orientadores acabam por criar uma quase obrigação a todos os produtores, sob pena de não terem material para publicar.
Posto isto, caros “detectives”, esta secção é especialmente dedicada a essa “espécie em vias de extinção” - como referiu, com alguma graça mas também com alguma verdade - um confrade que nos acompanha há muitos anos, o Inspector Alegria.
Apesar de tudo, temos de entender que a sua extinção, ou não, depende inteiramente de todos nós. Se cada um dos nossos leitores se abalançar na criação de um enigma, por mais simples e ingénuo que possa parecer, está a dar um contributo essencial ao Policiário, na luta por possuir muitos e bons desafios.

O “DRAMA” DA FALTA DE PRODUÇÕES!

Meus caros confrades e “detectives”, o drama é permanente e não mostra forma de abrandar! De ano para ano, nota-se uma dificuldade crescente em produzir problemas em quantidade e em qualidade, susceptíveis de assegurar um normal desenvolvimento da actividade policiária.
Repetem-se os apelos aos potenciais produtores; respondem os mesmos confrades, aqueles que são já e sempre “clientes habituais”, que já se habituaram a arrostar ambientes quase hostis, em que são questionados e inquiridos sobre as suas produções, muitas vezes de forma desabrida.
Pois bem, ninguém está acima da discussão, ninguém pode arvorar-se num paladino das sãs virtudes de um produtor inatacável e olhar com desprezo para as críticas, mas todos temos o direito de ver o nosso trabalho reconhecido, estudado, criticado com decoro e respeito. Assim acontecerá, sempre, nesta nossa casa, porque o respeito pelo trabalho de todos e de cada um, estará sempre salvaguardado.
Alguns confrades menos familiarizados com estas andanças, por estarem há pouco tempo connosco, vão-nos questionando no sentido de prestarmos alguns esclarecimentos, darmos algumas “dicas” que possam ser úteis para poderem iniciar-se como produtores, em resposta ao desafio que periodicamente vamos lançando aos nossos leitores para que possam criar, com entusiasmo, novos problemas, novas formas de dar vida a este nosso passatempo, em constante renovação.
Isso significa que o interesse em produzir continua vivo e nunca poderá ser uma má crítica ou um deslize em algum dos aspectos dos problemas, que poderá inibir-nos de continuarmos a produzir.
Correndo o risco de nos repetirmos, aqui deixamos algumas palavras que, assim desejamos, podem ser um indicador:

PRODUÇÕES

Assegurada, como sempre, a disponibilidade dos produtores mais activos da nossa secção, uma disponibilidade que não nos cansamos de agradecer, a verdade é que necessitamos de “sangue novo”, novos métodos e processos de escrita, novidades, em suma, que evitem uma certa estagnação. É que, após alguns anos de Policiário, com o conhecimento dos autores e dos seus processos, começamos a perceber e antecipar as suas conclusões, quase resolvemos os problemas pelo conhecimento que temos dos seus autores. Claro que é um exagero, mas quer dizer algo.
A nossa actividade baseia-se, em primeira instância, na qualidade dos desafios que temos para propor aos “detectives”. É frustrante chegarmos à conclusão de que um determinado problema não tem a resposta adequada, depois de imenso tempo perdido na sua análise, ou que é anulado após tanto esforço.
Por isso vamos lançando o nosso apelo para que os nossos “detectives” elaborem um desafio, de qualquer dos tipos e o façam com o espírito de propor aos restantes confrades aquilo com que gostariam de ser confrontados. Aquilo que lhes daria prazer resolver.
Um problema passa sempre pelo contar de uma história, por retratar uma cena verosímil, capaz de ter ocorrido em qualquer lugar, que envolva um enigma e a sua resolução. Terminada a exposição dos factos, no exacto momento em que o investigador vai passar à fase de apresentação das conclusões e exibir as provas em que se baseia para apontar o responsável, o produtor interrompe o seu conto e lança os seus desafios. Alguns produtores escolhem o método de fazer algumas perguntas, que querem ver respondidas, outros optam por simplesmente interromperem o texto e aguardarem pelos relatórios. No caso dos de escolha múltipla, o texto termina com as quatro hipóteses de solução, de entre as quais o decifrador terá que escolher uma.
Caríssimos “detectives”, não é aceitável que tenhamos hoje um universo de participantes nos nossos desafios de mais de dois milhares de confrades, que os lêem e estudam, se dão ao trabalho de escreverem as soluções, mas não tenham a curiosidade de testarem os seus dotes de escrita, em desafios postos à consideração e decifração dos restantes confrades!
Fazendo o paralelismo com o que foi a nossa actividade nos anos 70 e 80 do século passado, a produção fica a perder, já que nesses tempos o universo de decifradores rondaria as cinco ou seis centenas, para um número de produtores que rondaria a centena. Temos de corar de vergonha com o que se passa hoje, não sendo aceitável tal disparidade. As pessoas não deixaram de utilizar a Língua Portuguesa, desde logo porque o nosso passatempo, como já referimos, exige que se escrevam as soluções, no mínimo.
Portanto, será por preguiça? Procuramos essa resposta!


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

PONTUAÇÕES DA PROVA N.º 8


ESTÃO EM ANDAMENTO!

BREVEMENTE, SE FOR POSSÍVEL AINDA ESTE FIM DE SEMANA, ESTARÃO 
AQUI!


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

TAÇA DE PORTUGAL - MEIAS FINAIS

CONFRONTOS PARA AS MEIAS FINAIS
TAÇA DE PORTUGAL - 2016

INSP. MOSCARDO - INSP. ARANHA

ZÉ - DANIEL FALCÃO
 
 

domingo, 23 de outubro de 2016

POLICIÁRIO 1316



RESOLVIDO ASSALTO… NA ROTA DO VINHO!

O tempo de todas as decisões aproxima-se a passos largos.
Com os desafios da prova n.º 9 já com prazo a decorrer até ao final deste mês e com os da derradeira prova a verem a luz do dia nos primeiros dois domingos de Novembro, vamos hoje tomar contacto com as soluções oficiais dos desafios que compuseram a prova n.º 8.
Chamamos a atenção dos nossos leitores para o facto das classificações já se encontrarem completamente em ordem, resolvidos que foram os problemas que nos levaram a atrasos consideráveis.
As pontuações obtidas são integralmente publicadas em primeira mão no nosso blogue CRIME PÚBLICO, em http://blogs.publico.pt/policiario. Quase em simultâneo, de acordo com as disponibilidades temporais do confrade Daniel Falcão, ficam disponíveis no seu sítio CLUBE DE DETECTIVES, em http://clubededetectives.pt, todas as classificações, de modo mais desenvolvido, onde cada “detective” pode verificar onde se situa em cada uma das classificações.

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2016

SOLUÇÕES OFICIAIS DA PROVA N.º 8
PARTE I – “O ASSALTO” – de VIVIANNE LUNA

Há, pelo menos, uma diligência a fazer pelo investigador, que poderá esclarecer toda a situação. Sabemos pelo próprio investigador que as comunicações pelo telemóvel de Alborico foram feitas e ficaram registadas.
Muito embora haja divergência entre os depoimentos do operador e de Alborico, quando o primeiro diz que foi ele que lhe ligou durante 24 minutos e Alborico diz que foi ele que efectuou a comunicação durante esse tempo, o investigador confirmou no próprio telemóvel de Alborico que foi este que fez a chamada. Por isso, esse erro que parece ser do operador, não tem nenhum significado para a investigação, nem acrescenta qualquer dado novo para o que está a ser investigado. O que conta é que houve, realmente, uma comunicação de 24 minutos, tendo como interlocutores Alborico e um operador.
Como esta comunicação veio a conduzir a um contrato, como ambos referem e confirmam, era obrigatoriamente gravada, na totalidade ou pelo menos na fase em que eram lidas em voz alta, pelo operador, todas as condições contratuais, para esclarecimento de dúvidas e questões futuras, ou incumprimento de cada uma das partes.
Se o contacto do investigador com o operador era importante para saber se este se apercebera de qualquer situação anómala, a audição da gravação e a sua análise com meios de detecção de ruídos ambientais, era fundamental.
Outra situação a ter em conta é testar a insonorização da casa de banho em que Alborico afirma ter estado, para confirmar se o som de armas a disparar poderia não ser ouvido, mesmo com a concentração máxima no telemóvel e se com essa insonorização tão eficaz é possível receber e fazer chamadas de telemóvel com qualidade.

 PARTE II - “NA ROTA DO VINHO” – de VERBATIM

A pessoa de quem o empregado desconfiava era António Serralves, sendo C a alínea a escolher.
No presente caso, “galego branco e via pela pata” só conjuga com a sub-região de Cima-Corgo (Douro), onde encontramos a marca de vinho “Olho no Pé” que inclui um branco feito com a casta de uva Moscatel Galego. E como António Serralves estava encantado com os vinhos brancos de Cima-Corgo, seria ele, pelo que o empregado de mesa observou e JJ averiguou, quem muito provavelmente teria surripiado a boquilha de Simão Mata.
O conhecimento ou a descoberta da marca de vinho “Olho no Pé”, que se liga à expressão “via pela pata”, sob a qual existe um vinho branco feito com uva da casta Moscatel Galego, que nos remete para um “vinho de galego branco”, o qual podemos verificar ser produzido na sub-região de Cima-Corgo (Douro), era, portanto, o ponto crítico deste desafio.
Quem desconhecesse a marca “Olho no Pé” acabaria por “tropeçar” nela ao pesquisar na net e só por distracção não a ligaria à insólita expressão “via pela pata”. Assim, uma vez que se falava de vinhos, castas de uvas utilizadas e regiões onde eles são produzidos, deveria procurar conjuntos de palavras, para busca na net, que englobassem alguns dessas características genéricas. Verificaria que, digitando “galego branco”, “galego cima corgo” ou “branco cima corgo”, entre outras possibilidades, lhe apareceria a marca “Olho no Pé”, com um vinho branco produzido a partir da casta Moscatel Galego na sub-região de Cima-Corgo.
Há trinta anos, um problema como este criaria sérias dificuldades aos concorrentes. Hoje, com o recurso à internet, chega-se à solução com relativa facilidade.

M. CONSTANTINO – ECOS DE DOMINGO PASSADO

O texto que publicámos na passada semana, causou uma reacção interessante e de certa forma inesperada, dos nossos leitores.
Após quase 25 anos ininterruptos nesta página, que se completam no dia 1 de Julho do próximo ano, tínhamos a ideia de que tudo o que nos podia acontecer, já tinha acontecido, algures neste quase quarto de século!
Mas não! A surpresa ainda nos esperava, no próprio domingo da publicação, quando as nossas caixas de correio electrónico foram literalmente “invadidas” por manifestações de apoio pela decisão de publicarmos um problema do confrade M. Constantino /Mário Campino, no encerramento da nossa competição deste ano.
Conhecedores do carinho e respeito que o nosso Mundo Policiário nutre pelo confrade de Almeirim, reconhecendo-lhe a inegável mestria com que constrói os seus desafios e a qualidade dos seus estudos e ensaios sobre a problemática do policial, tínhamos a certeza que a nossa decisão teria o assentimento da generalidade dos nossos confrades. O que não suspeitávamos era que em poucas horas, mais de cinco centenas de missivas a validassem, numa prova inequívoca da vitalidade do Policiário e do que M. Constantino representa.
No próximo dia 6 de Novembro, o Avô Palaló subirá a este palco, pela mão do mestre Constantino, para gáudio de milhares de policiaristas.
Humildemente, estaremos na primeira fila…


domingo, 16 de outubro de 2016

POLICIÁRIO 1315




M. CONSTANTINO / MÁRIO CAMPINO
VAI ENCERRAR COMPETIÇÃO

Como o prazo para as respostas da prova n.º 8 apenas terminou ontem, dia 15, devido à necessidade de o adequarmos aos atrasos sofridos, as soluções oficiais dos dois desafios apenas serão publicadas na próxima semana.
Esse facto dá-nos a possibilidade de anunciarmos que dentro de algumas semanas, mais concretamente no dia 6 de Novembro, vamos publicar os últimos desafios de uma época que chegou a estar em risco, pelas causas já sobejamente divulgadas, mas que, felizmente, conseguiu prosseguir naturalmente, até ao seu final, no tempo devido, indo ter o seu epílogo, como nos anos mais recentes tem acontecido, na noite de passagem de ano, em que vão sendo anunciados, ao longo de toda a noite, os diversos vencedores, culminando com o anúncio do campeão nacional, do vencedor da taça e restantes campeões.

Para terminarmos com chave de ouro uma época de competição extremamente exigente, pensamos que dificilmente poderíamos encontrar melhor do que darmos voz àquele que é unanimemente considerado o melhor produtor português de enigmas policiários, seja como Mário Campino, seja com o seu nome M. Constantino.

Cabe aqui uma nota muito especial para o trabalho excelente que M. Constantino vem desenvolvendo ao longo de muitas décadas, em prol do Policiário, principalmente, se nos é permitido o destaque, como seu estudioso, sendo autor de muitos ensaios sobre a Literatura Policial e a nossa actividade e um divulgador importante de uma das nossas facetas menos utilizadas, mais concretamente a técnica de investigação, que usa amiúde nos seus problemas.
Possuidor de vastos conhecimentos na área da técnica de investigação criminal e Polícia Científica, M. Constantino vai passando alguns conhecimentos, sobre armas, sobre venenos, etc., tornando os problemas bem mais verosímeis e próximos da realidade criminal que pretende transmitir.
O que dizer de M. Constantino, que possa ainda não ter sido dito? Na verdade, falamos “só” do melhor produtor nacional de problemas policiários, com uma carreira longa e recheada de êxitos, com enigmas que são hoje verdadeiros hinos à arte de bem desenvolver uma investigação, com muita dedução e muito apelo à capacidade de interpretação e análise.
De uma das suas muitas obras, precisamente o “Manual da Enigmística Policiária”, numa edição da Associação Policiária Portuguesa, de 1995, deixamos um dos seus textos mais significativos, sobre aquilo que ele entende ser a relação entre o homem e o apelo pela resolução do enigma:
«O homem encontra no enigmático algo que lhe excita o espírito e lhe motiva a curiosidade.
Posto perante um mistério, todas as faculdades se lhe alertam e, atentas, se debruçam em torno do problema.
Sente prazer íntimo em seguir passo a passo todas as pistas até alcançar o objectivo.
Satisfaz-se ao conseguir rodear as dificuldades, tanto como vencer obstáculos que se apresentam intransponíveis.
E quanto mais a precisão dos factos não se permite que se vislumbre sombra de uma estrada, maior é o apego e o desenvolvimento do cérebro, maior é a satisfação da vitória.
Segundo Bergson, um problema que inspira atenção é uma representação duplicada de uma emoção, sendo ao mesmo tempo a curiosidade, o desejo e a alegria antecipada de o resolver. É o desafio posto que impele a inteligência diante das interrogações, vivifica, ou antes vitaliza os elementos intelectuais com os quais fará corpo até à solução.
A própria vida cifra-se em constante mistério, um enigma constante que a humanidade procura solucionar o melhor e mais rapidamente possível. O obscuro nunca nos desampara, desafia-nos.
De prazer espiritual que se sente em desvendar incógnitas, desvanecimento de sobressair, simples divertimento, tudo conduz a que os homens do povo na sua singeleza através de simples adivinhas que andam de boca em boca, os letrados com bem urdidos trabalhos, os sábios na esfera da humanidade, acorram ao seu cultivo e decifração.»

M. Constantino continua o mesmo, criador de enigmas policiários, trabalhador da mente, desafiador dos leitores, apesar de estar já para além das nove décadas de existência e mais de sete de policiário, prova absoluta de que não há idade limite para imaginar, pensar, desenvolver ideias e colocar os outros a pensar.

Na mente de quem esteve presente na justíssima homenagem que foi prestada ao “mestre” em 17 de Maio de 2015, na sua terra natal, Almeirim, ainda ecoam as suas palavras emocionadas, de agradecimento:
“Obrigado por terem vindo. Sois uma Família que junto à do meu sangue, aqui representada pela minha filha Marília e neta Teresa. Já afirmei em tempos, que uma homenagem não se pede, nem se recusa: agradece-se…
Não serei mal-agradecido, no entanto sempre vos digo, sou tão digno desta homenagem como a maioria dos presentes. Todos lutamos por ficar entre os melhores, por vezes conseguimo-lo. Essas pequenas vitórias não nos tornam o melhor, certamente. Fazer parte do grupo dos melhores, é bastante!
De resto, o troféu maior, o apetecido, está nas amizades conquistadas: Essas sim, engrandecem-nos, sois o exemplo.”
O problema que vamos publicar encerra algumas dificuldades de caracter logístico por ser mais extenso do que é habitual – M. Constantino sempre teve um prazer especial em escrever e nunca procurou limitar o que tem a dizer, ao espaço. No entanto, tentaremos que saia de forma natural, capaz de despertar em todos os “detectives” o mesmo prazer que nós sentimos ao lê-lo pela primeira vez.

Para o confrade M. Constantino, fica a renovação do nosso agradecimento pela atenção que dedica a este nosso espaço e pelos bons momentos que sempre proporciona com os seus desafios, que esperamos avidamente.





domingo, 9 de outubro de 2016

POLICIÁRIO 1314

QUEM ASSASSINOU JOAQUIM BARROCA?

Aproxima-se a recta final das competições desta época, com indefinições em todas as classificações, como convém e muita luta pelos lugares cimeiros, no seguimento do que tem sido habitual desde há quase 25 anos, neste nosso espaço.
Atenção ao penúltimo desafio de escolha múltipla, de autoria do nosso confrade Quaresma, Decifrador, que deve merecer o máximo cuidado na sua abordagem, para evitar dissabores classificativos, sempre difíceis de digerir…


CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2016
PROVA N.º 9 – PARTE II
“ACONTECEU NUM DIA À TARDE” – Original de QUARESMA, DECIFRADOR


Não imaginam durante quanto tempo tive de me preparar para aquele momento único em que teria a oportunidade da minha vida. Tratava-se de um grupo de acesso muito restrito, no qual se entrava caso conseguíssemos resolver o enigma que nos era proposto. Só era concedida uma oportunidade: ou se acertava ou as portas encerravam-se para todo o sempre.

Depois de muita preparação com recurso a muitas leituras e muitos desafios ultrapassados, decidi ser chegado o momento de me apresentar para a prova definitiva.
Seriam umas quatro horas da tarde quando bati à porta. Passados poucos segundo, a porta abriu-se e ouvi uma voz que provinha algures da penumbra ao fundo do corredor: “Entra e segue em frente!”
Obedeci sem questionar. Repentinamente, alguém segurou no meu braço esquerdo e senti que me conduziam. Durante alguns minutos, a pessoa que me conduzia forçava-me a virar quer para a esquerda quer para direita. Assim que me apercebi que largaram o meu braço, as luzes acenderam-se. Depois de ultrapassar esta rápida passagem da escuridão para a luz, reparei no indivíduo encapuzado defronte de mim, com a mão esquerda estendida da qual pendia uma folha.
Enquanto pegava na folha que me era dirigida, o encapuzado perguntou: “Acha-se capaz de resolver o enigma que lhe apresentamos?”

Assim que segurei a folha nas minhas mãos, comecei a ler

«Os investigadores identificaram quatro mulheres com fortes motivos para assassinar o Joaquim da Barroca. Duas delas, Roberta Dias e Rute Semanas, apresentaram alibis demasiado duvidosos para o período em que ocorrera o homicídio. No entanto, havia testemunhos que afirmavam ter escutado, poucos dias antes, Ana Portugal e Maria França a ameaçarem a vítima. Eis alguns extratos dos depoimentos recolhidos:

Ana Portugal: “Eu seria incapaz de matar quem quer que fosse. Já há vários dias que não falava com o Joaquim.”

Maria França: “Tive vontade de o matar mais de uma vez. Mas acho que alguém se antecipou.”

Roberta Dias: “Como o meu marido pode comprovar, há muito tempo que não falo com o Joaquim.”

Rute Semanas: “Houve vários momentos em que se tivesse uma pistola à mão, ter-lhe-ia dado um tiro mesmo no meio da testa.”

No local do crime foi encontrado um pedaço de papel que comprovadamente fora redigido pela vítima, possivelmente nos curtos minutos que antecederam a morte, com a seguinte sequência:

3,3 – 6,3 – 4,3 – 2,1 – 7,3 – 6,3 – 2,2 – 3,2 – 7,3 – 8,1 – 2,1

Será que a vítima deixara uma mensagem que apontava o autor do crime?»
Assim que afastei os olhos da folha, observei o encapuzado que se mantinha à minha frente e ouvi: “Sabe a resposta a essa pergunta?”

Voltei a concentrar-me no que estava escrito na folha e, após levantar a cabeça, respondi: “Sim!”

Minutos depois, voltei a atravessar a porta de entrada, satisfeito com a minha prestação.
E os leitores, será que também sabem quem assassinou Joaquim Barroca?

A – Ana Portugal
B – Maria França
C – Roberta Dias
D – Rute Semanas

E pronto.
Agora, quando se percorrem as últimas etapas das nossas competições deste ano e cada palavra parece encerrar armadilhas capazes de arruinarem toda uma época, é chegada a altura dos nossos “detectives”, impreterivelmente até ao próximo dia 31 de Outubro, enviarem a respectiva proposta de solução, não esquecendo que é obrigatória a indicação explícita da alínea de opção. Os meios são os habituais:

- Pelo Correio para: Luís Pessoa, Estrada Militar, n.º 23, 2125-109 MARINHAIS;
- Por entrega em mão ao orientador, onde quer que o encontrem.
Boas deduções!

TAÇA DE PORTUGAL


Depois de muitas complicações, derivadas ao transvio de uma “pen” onde estava imensa informação, incluindo classificações, tudo acabou por ficar resolvido e, neste momento, podemos dizer aos nossos leitores que todas as classificações estão em ordem.
No que se refere à Taça de Portugal, depois da difícil tarefa de encontrar os apurados na eliminatória anterior, tal foi o equilíbrio entre as propostas de solução, em que quase todos os confrontos foram decididos pelo recurso ao desempate face à melhor solução apresentada, na óptica do orientador, uma espécie de solução por “penalties”, o sorteio relativo aos quartos-de-final revelou os seguintes confrontos:

Ritalina – Inspector Moscardo; Detective Jeremias – Inspector Aranha; Daniel Falcão – Verbatim e Inspector Sonntag – Zé.

Grandes confrontos, que vão exigir uma aplicação suplementar a cada um dos candidatos, já que todos estão em absoluta igualdade, como é natural numa competição a eliminar.
Destaque principal, no entanto, para o confronto que vai opor os dois expoentes maiores da cidade de Santarém, a Detective Jeremias e o Inspector Aranha, numa espécie de disputa regional.
Referencia, também, para o confronto entre Daniel Falcão e Verbatim, com dois “detectives” com muitos anos de Policiário e que se conhecem muito bem.
Ritalina, uma boa surpresa, vai ter pela frente o Inspector Moscardo, mais experiente, num confronto aberto e com resultado imprevisível.
Finalmente, Inspector Sonntag e Zé disputam um lugar, sendo que à maior experiência e currículo do confrade Zé, se oporá a enorme regularidade e certeza do seu antagonista.


Em suma, quatro excelentes confrontos em que não é possível fazer previsões sobre quem estará presente no sorteio das meias-finais.

domingo, 2 de outubro de 2016

POLICIÁRIO 1313



A ESTRANHA MORTE DE MARIA VIGÁRIO

Iniciamos a publicação dos desafios da prova n.º 9, num momento em que as classificações já se encontram mais clarificadas e qualquer ponto perdido significará uma descida acentuada na tabela, razão mais do que suficiente para reforçarmos o alerta para a maior atenção.

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2016
PROVA N.º 9 – PARTE I
“NUM BAIRRO POPULAR” - Original de VERBATIM

            Era um bairro modesto, de gente de trabalho. Mas, por ali, também havia intriga, traição, roubo e até crime de morte. Naquele rés-do-chão direito, onde a mãe habitava, Ernesto Vigário disse tê-la encontrado morta, por estrangulamento, perto das nove horas. As equipas da polícia chegaram ao local rapidamente.
            A vítima, Maria Antónia Vigário, viúva de 77 anos de idade, vivia sozinha há seis anos. Não tinha bens susceptíveis de cobiça. O rés-do-chão, onde morava, era propriedade dos seus dois filhos: Maria do Carmo, a viver em França, e Ernesto que residia a cerca de quinhentos metros de distância. Este último confessou, ao Inspector Flávio Alves, que andava há muitos meses de candeias às avessas com a mãe, embora lhe telefonasse quase todos os dias e a visitasse pelo menos uma vez por semana.
“Nunca deixei de ter a chave desta casa – acrescentou Ernesto Vigário – e foi o que me valeu esta manhã. Resolvi vir, embora seja quinta-feira, porque ontem a minha mãe não atendeu o telemóvel nem o telefone fixo, o que me deixou apreensivo. É verdade que já eram onze da noite… Quando hoje voltei a ligar e não me respondeu, vim logo para aqui. Fiquei em estado de choque. Julgo que apesar disso tive o bom senso de não mexer em nada e de vos chamar pelo meu telefone. Olhando em volta pareceu-me tudo no seu lugar. Quando entrei, a minha preocupação logo dobrou, ao dar com a porta só no trinco. A televisão estava acesa no canal que verificaram. Até parece que a minha mãe estaria a vê-la quando foi atacada.”
Flávio Alves reteve Ernesto Vigário até à remoção do corpo da mãe e proibiu-o de anunciar o falecimento, pelo menos até ao dia seguinte.
A equipa médica concluiu que a morte ocorrera entre 21:30 e as 23:30 do dia anterior e que se devera, quase de certeza, a estrangulamento realizado com o auxílio de uma gravata escondida sob o sofá onde a vítima se encontrava. A senhora estava com um roupão ligeiro, vestido sobre uma camisa de dormir. Não se vislumbrou o menor sinal de assalto. Encontrava-se tudo muito bem arrumado.
Ainda nesse dia, foram ouvidos os vizinhos dos outros três apartamentos do prédio.
No rés-do-chão esquerdo morava um casal sexagenário com uma neta de 11 anos. A pequena deitara-se perto das dez horas do dia anterior e saíra às 7:30 para a escola, afirmaram os três em separado. Disse a moça que vira a D. Antónia falar com a avó e o avô antes e depois do jantar, no patamar de entrada. Os avós confirmaram essas conversas. Teriam falado, primeiro, sobre a zaragata havida num edifício vizinho. E, a seguir ao jantar, terão atendido a D. Antónia, que ali viera oferecer um pedaço de bolo de chocolate que confeccionara. Os dois perguntaram se era possível ir visitá-la ao hospital.
Os vizinhos do primeiro esquerdo, um casal jovem, declararam ter ouvido dizer, quando passaram pela barbearia, no regresso a casa, que a D. Antónia fora agredida por assaltantes, na noite anterior. Manifestaram o seu espanto e asseveraram que, se alguém tivesse entrado no rés-do-chão direito e feito mal à D. Antónia, eles haviam de ter dado por isso. Entendiam que só uma pessoa bem conhecida da D. Antónia a podia ter assaltado e agredido sem que houvesse barulho. Era verdade, acrescentaram, que não se davam lá muito bem com a senhora por causa dos muitos protestos dela, devidos a umas festinhas de fim-de-semana.
No primeiro direito vivia uma senhora, conhecida por D. Patrocínio da Praça, dos seus cinquenta anos, vistosa e forte, divorciada de Ernesto Vigário, mãe dos dois filhos comuns, uma moça de 22 e um rapaz de 19 anos que viviam com o pai. Apresentou-se com ar choroso por ter sabido que D. Antónia fora hospitalizada. “Saí pelas seis e meia da manhã. Vi que não havia sinais de qualquer perturbação e fui à minha vida descansada. Trabalho muito. Só voltei às cinco, como viram. Dava-me muito bem com a minha sogra que, na verdade, já não o era. Ainda ontem, depois do jantar, lá fui dar-lhe um beijinho. Ela estava tão feliz! Estranho, não é? Mal sabia que a iam matar. Não me conformo. Só me arrependo de não lhe ter feito companhia a ver a televisão, mas tenho de me levantar muito cedo… O meu ex-marido é que tinha a chave da casa. E, se eu tenho umas mãos fortes, as dele são capazes de estrangular um cavalo sem qualquer ajuda. Deus me perdoe, que não quero acusar ninguém, mas o Ernesto era muito ruim para a mãe. Ela só queria poder ficar completamente independente dele. Eu tinha um plano…”
Os vizinhos confirmaram as boas relações de D. Antónia com a D. Patrocínio e, ao contrário desta última, mostraram apreço por Ernesto Vigário, que diziam ser muito atencioso, apesar do ar agigantado e reservado.
A vítima tinha no bolso do roupão uma carteira com diversos cartões pessoais, um recibo da cabeleireira, um talão de caixa de jogos da Santa Casa, um rascunho de compras a fazer e fotografias de uma rapariga e de um rapaz. O seu telemóvel, pousado numa mesinha ao lado do sofá, registava, desde as 18:00 de quarta-feira até às 8:30 de quinta-feira, uma chamada para D. Patrocínio, às 19:10, e três chamadas tentadas pelo filho, às 22:54, 23:01 e 8:20. O relógio do telemóvel estava certo.
Ainda na tarde de quinta-feira, foi procurado na casa da vítima o recibo do Euromilhões a que respeitaria o talão de caixa, mas nada se encontrou. Confirmou-se que as fotografias eram dos netos da D. Antónia e que a gravata encontrada debaixo do sofá pertencia a Ernesto Vigário. Ele deixara-a lá na semana anterior, num dia muito quente.
Flávio Alves já mandara uma cópia do talão de caixa para o Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Na terça-feira anterior, data do talão de caixa de D. Antónia, os prémios mais altos em Portugal foram três terceiros, um pouco acima dos cinquenta mil euros cada um. Mas, ainda antes dos vários resultados e confirmações, cujo apuramento estava em curso e demoraria alguns dias, urgia, talvez, proceder a uma busca.
Quais as conclusões preliminares a que terá chegado Flávio Alves para poder requerer um mandato de busca e que busca seria essa?

E pronto.
O desafio do confrade Verbatim espera pelos relatórios dos “detectives”, que poderão ser enviados impreterivelmente até ao próximo dia 31 de Outubro, podendo ser usado um dos meios seguintes:
- Pelo Correio para: Luís Pessoa, Estrada Militar, n.º 23, 2125-109 MARINHAIS;
- Por entrega em mão ao orientador, onde quer que o encontrem.
Boas deduções!