domingo, 30 de novembro de 2008

PROVA N.º 2

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL
PROVA N.º 2
SEGREDO NEBULOSO - Original de DET. LUPA DE PEDRA (Malveira)

Marcial Afonso era alfarrabista, dono de uma pequena loja em frente à ria de Aveiro. Muito mais do uma profissão, essa actividade era para si uma enorme paixão. O que muitos consideravam ser livros ou folhas antigas sem qualquer utilidade, eram para ele prodigiosos tesouros da literatura e do pensamento caídos num injusto esquecimento e portas para um fascinante passado cheio de lições e revelações. Quando - com a sua lupa - se debruçava sobre um secular documento manuscrito, o tempo parecia que parava, esquecendo-se com frequência das horas das refeições, que o aguardavam no andar de cima, preparadas por Maria, sua abnegada companheira de sempre.
A enorme experiência de Marcial dotara-o com o dom de, com um simples relance, "topar" a importância (ou falta dela) de um livro ou documento. A sua fama era grande e eram muitos os que lhe pediam para dar um parecer quando algo de mais fora de normal se lhes deparava. Nesse "bendito vício", como lhe chamava, tinham-se passado quase todas as décadas da sua quase octogenária existência, considerando o saldo como francamente positivo. Apenas a sua visão já não era a de outrora e estava a pagar um elevado preço por actividade tão minuciosa.
Não o surpreendeu, pois, quando, naquela tarde de Outubro de 2003, João Nicolau, antiquário do Porto e seu amigo de longa data, lhe telefonou a pedir ajuda. Combinaram um encontro para o dia seguinte, tendo Marcial feito questão de se deslocar, pois até precisava de desentorpecer e já há alguns anos que não ia ao Porto.
Marcial adorava viajar de comboio. Tal como de costume, comprou um bilhete para um lugar ao pé da janela direita, virado para a frente do percurso. Dessa forma observando as paisagens, conseguia abstrair-se totalmente de tudo o que o rodeava no interior da carruagem, perdendo-se e deleitando-se nas suas reflexões. Ironizava por vezes, dizendo que as viagens eram os únicos momentos em que olhava para o futuro.
As viagens ao Porto eram momentos especiais para Marcial. Era a cidade natal do seu pai e dos antepassados que o precederam, pelo que algo de emocional o acompanhava nestas deslocações. Naquele dia, porém, o nevoeiro era intenso, e apenas a custo conseguiria discernir mais do que cem metros à sua volta. Tal como era habitual, também desta vez, quando o intercomunicador alertou que era chegada a estação de Gaia, o seu coração agitou-se de emoção. Tentava perscrutar na paisagem. Do seu lado direito começava a vislumbrar-se, imponente, o centro histórico do Porto. Aquela cascata de casas granítica que descia pela encosta até ao Douro não parecia deste tempo nem deste mundo. Depois de alguns fugazes e rápidos momentos de contemplação, já o rio Douro era ultrapassado e o Alfa Pendular terminou a viagem chegando à estação de São Bento.
Combinaram que o encontro seria à porta de um centro comercial da cidade por volta do meio-dia. O táxi que o levou ao destino deslocou-se rapidamente para o local estabelecido. Durante a viagem eram várias as tabuletas e indicações que confirmavam o aproximar do destino pretendido: "Rotunda da Boavista". Outros cartazes anunciavam um importante concerto de música clássica que nessa noite iria ocorrer na Casa da Música.
Foram ambos pontuais. Quando se encontraram, um longo abraço deixou bem claro a estima que tinham um pelo outro.
- "Caro amigo, que saudades! Há quanto tempo!" – disse Marcial.
- "É verdade Nicolau. Como o tempo passa! Que bom que é bom rever-te. Então? Que novidades me trazes? Parecias agitado ao telefone".
- "Marcial, vamos sentar-nos ali num café que eu conheço neste centro comercial. Entraram e sentaram-se num local acolhedor e sossegado, onde poderiam falar tranquilamente.
João não perdeu mais tempo:
- "Na passada semana pediram-me para ir a uma quinta senhorial, que está quase em ruína total. Os herdeiros são muitos e, apesar dos pergaminhos de que muito se orgulham, não têm dinheiro suficiente e querem vendê-la a uma imobiliária. Antes disso querem vender o pouco espólio que resistiu às desgraças da família, à impiedade do tempo e às investidas dos gatunos. Fui lá ver se havia peças que me interessassem. Móveis ou peças de arte havia poucas e de pouco valor mas encontrei uma pequena biblioteca de finais do século XIX que me despertou alguma curiosidade, que também comprei.
Apercebi-me que um dos livros era oco e que se tratava de um esconderijo, com uma discreta fechadura incrustada. Abri-a cuidadosamente para nada estragar e dentro encontrei um pequeno livro que conclui ser o diário de um dos antigos proprietários da referida quinta.
Esse diário é bastante interessante e narra acontecimentos da época, percebendo-se o impacto que tiveram na sua vida, na história local e até nacional.
Mas mais do que um documento de valor histórico, este diário é uma verdadeira confissão. No fim do diário - escrito talvez quando sentia o aproximar do fim dos seus dias – o autor, angustiado e com manifesto receio do além, revelou aspectos de que menos se orgulhava da sua vida. Admite ter ordenado a um empregado que de noite se introduzisse na conservatória do registo civil local e que roubasse um livro de registos de baptismo. E isto porquê? Porque era pai de várias crianças, uma das quais ilegítima, fruto de um relacionamento extra conjugal com uma das criadas de servir de sua casa. O amor que nutria por essa criança deixou-o inconformado e decidiu obter o livro em causa a todo o custo, de forma a forjar um parentesco, apagando o nome da mãe verdadeira para legitimar o filho dentro do casal. Dessa forma, o menino seria também herdeiro dos bens da família, que se encontrava bem colocada socialmente.
Relata ainda que poucos dias depois, o livro voltou ao seu lugar, através de uma nova incursão nocturna do meliante, sem que nunca ninguém se tivesse apercebido da falta ou da falsificação do mesmo.
Já viste Marcial? Nunca mais se saberá qual o livro forjado, nem qual o filho ilegítimo.
Este diário termina de uma forma estranha, pois na última linha, tem os seguintes caracteres:

ltcdh qdfhrsn tL cd LCBBBVB

Inicialmente pensei que tivesse sido um teste com a tinta ou até um indício de senilidade do autor, mas depois apercebi-me que talvez seja uma mensagem codificada.
Tu que também és um entendido em criptografia, podes ajudar-me a decifrar este enigma?
E o leitor?
Poderá ajudar Marcial a decifrar esta última linha do diário?
E que outras imprecisões nos pode dizer sobre esta história?

E pronto.
Agora, resta a habitual recomendação para que os nossos "detectives" tenham a máxima atenção na análise do texto que é proposto, no sentido de poderem dar resposta cabal às questões que o autor coloca, elaborando os respectivos relatórios. Depois, apenas terão que enviar as propostas, impreterivelmente até ao próximo dia 15 de Dezembro, para o que poderão usar um dos seguintes meios:
- Pelos Correios para PÚBLICO-Policiário, Rua Viriato, 13, 1069-315 Lisboa;
- Por e-mail para policiario@publico.pt;
- Por entrega em mão na redacção do PÚBLICO de Lisboa;
- Por entrega em mão ao orientador, onde quer que o encontrem.
Boas deduções!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

BOA NOTÍCIA


O Sete de Espadas já está em casa!

A boa notícia chegou, uma vez mais, pela mão do confrade ONAÍRDA, a quem agradecemos o imenso cuidado com que tratou toda esta questão, com visitas sistemáticas ao nosso Amigo e Mestre Sete de Espadas.

Sabemos que está ainda debilitado e que agora está incapaz de comparecer aos encontros da Tertúlia Policiária da Liberdade por limitações da própria doença.

Daí a sugestão que apresentamos:

VAMOS LEVAR A TERTÚLIA AO SETE?

Vamos combinar uma reunião e um almoço para os lados de A-dos-Cunhados. Se o SETE puder saír de casa, vamos a um restaurante, se não puder, levamos tudo e fazemos a reunião na garagem dele ou onde for possível!

VAMOS A ISSO? QUEM SE APRESENTA?

domingo, 23 de novembro de 2008

PARAGEM POR LUTO

Por motivo de falecimento do Pai do orientador, ocorrido hoje, durante alguns dias poderão ocorrer atrasos na publicação dos comentários.
Regressaremos logo e sempre que possível.
LP

sábado, 22 de novembro de 2008

DESCONSOLO!

Depois de mais de uma década e meia a receber textos em carta e em mail sobre miríades de assuntos que diziam respeito ao nosso passatempo e de sempre nos termos esforçado por dar uma resposta, um sinal, um apontamento de que, mesmo não sendo as propostas exequíveis naquele momento, não caíam em saco roto, temos que manifestar aqui o nosso desconsolo!
Quando avançámos para este blogue, com ainda maior prejuízo da nossa vida pessoal e profissional, como parece óbvio, foi na inteira convicção de que finalmente poderíamos dar a resposta e estabelecer o diálogo cabal que a modalidade e os nossos cofrades mereciam por inteiro.
Continuamos a pensar que o merecem, mas a resposta está muito longe daquilo que eram as expectativas, face ao imenso volume de correspondência anterior, sobre os diversos temas.
Exceptuando as participações de um núcleo tradicionalmente mais participativo, a maioria silenciosa continua em absoluta maioria!
Será conclusão óbvia que essa maioria está com tudo o que lhe pusermos na frente? Que aceitará o que aparecer? Que concorda com tudo o que tem sido a nossa actuação?
Gostariamos de acreditar que sim, mas parece-nos que o que há é muita preguiça! Que os escritos que nos foram chegando nessa década e meia tinham causas recentes, azias por um ou outro ponto perdido... E nessas alturas as pessoas abrem a mente e abalançam-se na crítica e na proposta de soluções, que de outra forma não lançariam.
O Pessoa, o outro, o Poeta, dizia que "tudo vale a pena...", mas será que é mesmo assim?

Não está nos nossos planos lançar a toalha ao tapete!
Já este domingo, daqui por algumas horas vai estar nas bancas o PÚBLICO com o Policiário e lá estarão as nossas ideias para a época 2009/2010, ideias obtidas aqui e ali, nas participações dos nossos queridos Amigos que sempre nos deitam a mão, nos auxiliam!
Os outros, a imensa maioria silenciosa vai certamente aceitar passivamente. E sem que isso seja um defeito, ou um feitio, desejariamos que não nos fosse passado um cheque em branco, quando o que está em jogo é o Policiário.
Porque o Policiário, acreditem, está mesmo em jogo!
LP/INSP. FIDALGO

terça-feira, 18 de novembro de 2008

MELHORAS DO SETE DE ESPADAS

O inevitável confrade ONAÍRDA trouxe-nos boas notícias!
São já do dia 15, mas dizem tudo. Ora leiam só:
Amigos

Visitei hoje o Sete de Espadas. Directamente apresentei-lhe os cumprimentos e os desejos de melhoras do Sete da Mimi, do Nove, do Raposo e do Jartur. É verdade que englobei nestes desejos todos os amigos e confrades que gostam do policiarismo.

Quanto ao estado dele vai muito melhor, mas está triste porque contava ir para casa já durante o principio da próxima semana, mas os médicos ainda querem vê-lo por lá mais alguns dias.

Vou-lhes fazer uma confidencia, mas não digam a ninguém: ele estava um pouco cansado hoje e perguntei-lhe porquê?

-Oh pá. eu esta manhã, sem ninguem ao pé de mim, levantei-me da cama, percorri a pé , sem me agarrar a nada, até ao fundo do corredor da enfermaria e voltei para a cama. E depois quando o médico veio, viu-me cansado , mas eu não lhe disse que tinha andado a pé aquele corredor tôdo.

Sorriu para mim, levantou o polegar da mão e mostrou-se todo contente.

Confidenciou-me depois que já não poderá assistir a qualquer almoço no futuro da Tertulia da Liberdade, porque o aparelho que tem para respirar vai usá-lo em permanencia 24 sobre 24 horas. O Sete de Espadas tem o pulmão esquerdo todo destruido, isto é, os alvéolos pulmonares estão rotos entre si, e só o pulmão direito tem capacidade para respirar, o que é insuficiente.

Dei-lhe para ler o livro do IV Convivio da Tertulia da Liberdade, dedicado ao M. Constantino e que conta com a participação dele. Eu calculei que ele ainda não o tinha e levei-lho. Foi uma alegria para ele muito grande ver as caras dos seus amigos.

Depois amanhã no Bancada Directa desenvolverei este mail, porque agora vou para Lisboa jantar com a familia.

Recebam um abraço Onaírda

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A SAÚDE DO SETE DE ESPADAS


Uma vez mais é o confrade ONAÍRDA que nos dá as boas notícias:

O SETE está francamente melhor e continua a devorar os seus livros e revistas!

Estamos todos a fazer força para que o SETE regresse em pleno, que o Policiário precisa dele!

Ao Onaírda os nossos agradecimentos por tudo o que tem feito para nos trazer as notícias do nosso SETE.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

SUGESTÕES

Precisamos de muitas!
Precisamos de ter escolha e opções.
Tudo está bem? Óptimo!
Não está tudo bem? Vamos sugerir alterações ou mesmo uma mudança global!
Estamos cá para discutir TUDO!