Grandes convulsões acompanharam o BLOGGER nos últimos dias!
Afinal, a incompatibilidade que assinalámos, era capaz de não ser nossa, mas sim do proprietário BLOGGER, que depois deixou mesmo de nos dar acesso ao blogue.
A mensagem que publicámos sobre esse mesmo assunto, acabou por desaparecer e o BLOGGER não sabe bem por onde andará, se vai ou não reaparecer!!
Em resumo, parece estar tudo completamente restabelecido (embora com alguns "desaparecimentos")!
Vamos em frente!
sexta-feira, 13 de maio de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
domingo, 8 de maio de 2011
POLICIÁRIO 1033
ZÉ RECEBE “LUPA DE HONRA” E PRODUZ DESAFIO
Foi uma semana deveras importante para um dos nossos mais carismáticos confrades, que se assina como Zé, simplesmente, mas que nestas páginas já foi o Zé – Viseu, por dois motivos:
O primeiro, foi o de ter sido distinguido com o prémio Lupa de Honra, instituído pela Tertúlia Policiária do Norte, que premeia os confrades que mais se distinguem no meio Policiário, quer pela sua postura perante a competição, o convívio, a camaradagem, etc., quer pela sua importância no desenvolvimento deste nosso passatempo.
O segundo é o de assinar hoje, pela primeira vez nesta nossa secção, um problema policiário, tornando-se, assim, também produtor, uma experiência que esperamos se venha a repetir.
Sendo o Zé uma das figuras mais destacadas do Policiário, desde há quase quatro décadas, possuidor de uma capacidade extraordinária para a decifração dos enigmas propostos, o que faz dele um dos mais temidos adversários, sempre nos lugares cimeiros de todas as classificações, alia essa sua vertente de procura de perfeição naquilo que faz, com uma extraordinária faceta de conviva alegre, divertido, cúmplice em todos os eventos em que marca presença, tornando-se uma figura incontornável em todos os nossos convívios.
Não é de estranhar, portanto, que a Tertúlia Policiária do Norte tivesse escolhido este nosso confrade para receber tão importante troféu, precisamente no decorrer do encontro de policiaristas que ocorreu na passada semana na cidade do Porto e onde foi lançado, igualmente, o segundo volume da iniciativa editorial do Clube de Detectives e do seu grande mentor, Daniel Falcão, com os problemas publicados na nossa secção, entre as épocas de 2005/2006 e o ano transacto, 2010.
Juntando a nossa voz àquelas que desde logo saudaram a atribuição da distinção ao confrade Zé, deixamos aos nossos “detectives” a sua primeira participação nas nossas páginas, como produtor, desejando que a saboreiem, como puderem e souberem e lhe dêem a adequada resposta.
CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL
PROVA N.º 5 – PARTE II
QUEM TIROU O DINHEIRO? – Original de ZÉ
(No 86º aniversário de M. Constantino e em sua homenagem)
Corria muito bem a vida na Empresa Lopes e Costa. Apesar da crise, a belíssima carteira de clientes da firma de representações e vendas a retalho dava para ir escapando às aflições globais.
José Lopes era o homem do capital (muito, por sinal) e Joaquim Costa o gerente. Tinha, apenas, dois funcionários – João Marcelino e Jorge Soares. O primeiro abria a loja às 8 e trabalhava até às 14; o segundo entrava às 14 e fechava o estabelecimento às 20. Lopes pouco por lá aparecia – só em ocasiões cruciais. Costa, esse, entrava e saía quando necessário...
Marcelino era um homem com permanentes dificuldades – financeiras, conjugais; enfim, de toda a espécie, que os patrões iam ajudando a superar. Soares sempre pareceu a toda a gente um tipo certinho
Naquela Terça-feira, Costa preparava-se para uma viagem de três dias a Espanha, em trabalho, no dia seguinte. Esteve todo o dia na firma (sempre só, no escritório) e ausentou-se, apenas, por breves minutos, para ir buscar algo para o almoço (cerca das 13 horas), que comeu na loja. Mal chegou ao trabalho, Soares reparou que não tinha a chave com a qual deveria fechar o estabelecimento. E ele que tinha a certeza de que a metera no bolso do blusão, após almoçar! Avisou o patrão Costa, que ficou preocupado, pois havia, apenas, quatro chaves e nenhuma poderia ser substituída ou duplicada, mesmo na empresa fabricante, no estrangeiro. Jorge, por descargo de consciência, ligou para casa e disseram-lhe que a chave estava lá, no local onde sempre a guardava. Pediu ao patrão para ir buscá-la, para poder fechar a loja, mas ele deu-lhe a sua, pois dela não precisaria durante o resto da semana; do funcionário poderia precisar a qualquer momento.
Antes de sair, Costa tirou do cofre 17280,00€ (quase todo em notas muito "grandes"), que meteu num envelope e introduziu, à vista do empregado, numa vitrina com chave, sob um livro que ali estava. Disse a Soares que o entregasse a uma empresa fornecedora (contra recibo, claro), na tarde do dia seguinte; ou desse conhecimento a João, se o pagamento fosse transferido para a manhã de Quinta. A chave da vitrina ficou no local do costume. Jorge fechou a loja às 20 horas.
Costa tinha saído às 19,30, para matar o vício no Casino, depois de jantar. O jogo estava-lhe no sangue (salvo seja!!!) e, por isso, enquanto o sócio vivia dos rendimentos, ele tinha de trabalhar a dobrar (para ele e para o jogo). Era rara a semana que não metia um vale por conta do ordenado e da divisão anual de lucros. O vício era tal que tinha colocado no seu carro uma nota de 100€, em local de difícil acesso até para ele. Sempre dava para comer e para o combustível do regresso a casa.
Nessa noite, perdeu tudo o que levava na carteira e dirigiu-se à loja, tendo parado o carro na rua, cerca de cem metros acima. Regressou à viatura cinco minutos depois. Voltou ao Casino e recomeçou a jogar.
No dia seguinte, Marcelino abriu a porta, como habitualmente, e, ao entrar, diz ter reparado logo no vidro estilhaçado de uma vitrina, que estava fechada à chave. Afirmou que não mexeu em nada e tudo estava como quando passara o turno ao colega da tarde, no dia anterior. Aliás, o movimento da firma fazia-se muito mais no escritório (e nos armazéns, noutro local) do que ao balcão. Ligou ao Soares, que lhe falou da existência do envelope com o dinheiro, nesse local. Telefonou a Costa, que, mesmo em viagem, confirmou a colocação do envelope com dinheiro nessa vitrina e avisou o sócio da ocorrência. Lopes chamou a polícia e dirigiu-se à firma. Nem envelope nem dinheiro. Ficou o livro, para recordação...
A polícia recolheu impressões digitais e verificou que a porta não apresentava qualquer sinal de ter sido forçada; a montra estava intacta e não havia mais acessos.
A investigação começou, mas nós não precisamos de mais nada...
Um deles (e só um deles!) foi o responsável pelo desaparecimento do dinheiro:
A – José
B – Joaquim
C – João
D – Jorge
Convívio da Tertúlia Policiária da Liberdade
Dia 29 de Maio de 2011
A Tertúlia Policiária da Liberdade vai cumprir uma das suas mais sagradas tradições, organizando um convívio, para o qual convoca todos os confrades interessados.
Contando sempre com um programa de grande qualidade, o deste ano está ainda no maior secretismo, fechado a sete chaves!
É a própria Tertúlia que ainda não abre muito o jogo, como verificamos pelo teor da sua comunicação:
“O convívio da Tertúlia Policiária da Liberdade já tem data e local marcado. Convém assinalar, nas agendas, o próximo dia 29 de Maio, domingo. O local de concentração é o Museu do Azulejo, na Madre de Deus, em Lisboa, com almoço no respectivo restaurante.
Aos domingos o Museu tem visitas gratuitas da parte da manhã e vale a pena vê-lo. Oportunamente serão dadas mais pormenores do programa.
Anota-se, desde já, que será difícil encontrar melhor ocasião para preparar o voto para eleições de 5 de Junho do que participar neste convívio policiarista, onde os esquemas da malandragem serão todos postos a nu.”
COLUNA DO “C”
PRAZO ATÉ 31 DE MAIO
Com a publicação do problema de hoje, os “detectives” ficam com todos os elementos para poderem responder aos dois desafios que integram a prova n.º 5, o que poderão fazer, impreterivelmente até ao próximo dia 3I de Maio, usando um dos seguintes meios:
- Pelos Correios para PÚBLICO-Policiário, Rua Viriato, 13, 1069-315 LISBOA;
- Por e-mail para policiario@publico.pt;
- Por entrega em mão na redacção do PÚBLICO de Lisboa;
- Por entrega em mão ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.
Atenção para a necessidade de justificação de todas as conclusões a que chegarem na parte I, ou seja, no problema tradicional. Na solução da parte II, os confrades apenas terão de indicar explicitamente a alínea por que optam.
Boas deduções!
Foi uma semana deveras importante para um dos nossos mais carismáticos confrades, que se assina como Zé, simplesmente, mas que nestas páginas já foi o Zé – Viseu, por dois motivos:
O primeiro, foi o de ter sido distinguido com o prémio Lupa de Honra, instituído pela Tertúlia Policiária do Norte, que premeia os confrades que mais se distinguem no meio Policiário, quer pela sua postura perante a competição, o convívio, a camaradagem, etc., quer pela sua importância no desenvolvimento deste nosso passatempo.
O segundo é o de assinar hoje, pela primeira vez nesta nossa secção, um problema policiário, tornando-se, assim, também produtor, uma experiência que esperamos se venha a repetir.
Sendo o Zé uma das figuras mais destacadas do Policiário, desde há quase quatro décadas, possuidor de uma capacidade extraordinária para a decifração dos enigmas propostos, o que faz dele um dos mais temidos adversários, sempre nos lugares cimeiros de todas as classificações, alia essa sua vertente de procura de perfeição naquilo que faz, com uma extraordinária faceta de conviva alegre, divertido, cúmplice em todos os eventos em que marca presença, tornando-se uma figura incontornável em todos os nossos convívios.
Não é de estranhar, portanto, que a Tertúlia Policiária do Norte tivesse escolhido este nosso confrade para receber tão importante troféu, precisamente no decorrer do encontro de policiaristas que ocorreu na passada semana na cidade do Porto e onde foi lançado, igualmente, o segundo volume da iniciativa editorial do Clube de Detectives e do seu grande mentor, Daniel Falcão, com os problemas publicados na nossa secção, entre as épocas de 2005/2006 e o ano transacto, 2010.
Juntando a nossa voz àquelas que desde logo saudaram a atribuição da distinção ao confrade Zé, deixamos aos nossos “detectives” a sua primeira participação nas nossas páginas, como produtor, desejando que a saboreiem, como puderem e souberem e lhe dêem a adequada resposta.
CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL
PROVA N.º 5 – PARTE II
QUEM TIROU O DINHEIRO? – Original de ZÉ
(No 86º aniversário de M. Constantino e em sua homenagem)
Corria muito bem a vida na Empresa Lopes e Costa. Apesar da crise, a belíssima carteira de clientes da firma de representações e vendas a retalho dava para ir escapando às aflições globais.
José Lopes era o homem do capital (muito, por sinal) e Joaquim Costa o gerente. Tinha, apenas, dois funcionários – João Marcelino e Jorge Soares. O primeiro abria a loja às 8 e trabalhava até às 14; o segundo entrava às 14 e fechava o estabelecimento às 20. Lopes pouco por lá aparecia – só em ocasiões cruciais. Costa, esse, entrava e saía quando necessário...
Marcelino era um homem com permanentes dificuldades – financeiras, conjugais; enfim, de toda a espécie, que os patrões iam ajudando a superar. Soares sempre pareceu a toda a gente um tipo certinho
Naquela Terça-feira, Costa preparava-se para uma viagem de três dias a Espanha, em trabalho, no dia seguinte. Esteve todo o dia na firma (sempre só, no escritório) e ausentou-se, apenas, por breves minutos, para ir buscar algo para o almoço (cerca das 13 horas), que comeu na loja. Mal chegou ao trabalho, Soares reparou que não tinha a chave com a qual deveria fechar o estabelecimento. E ele que tinha a certeza de que a metera no bolso do blusão, após almoçar! Avisou o patrão Costa, que ficou preocupado, pois havia, apenas, quatro chaves e nenhuma poderia ser substituída ou duplicada, mesmo na empresa fabricante, no estrangeiro. Jorge, por descargo de consciência, ligou para casa e disseram-lhe que a chave estava lá, no local onde sempre a guardava. Pediu ao patrão para ir buscá-la, para poder fechar a loja, mas ele deu-lhe a sua, pois dela não precisaria durante o resto da semana; do funcionário poderia precisar a qualquer momento.
Antes de sair, Costa tirou do cofre 17280,00€ (quase todo em notas muito "grandes"), que meteu num envelope e introduziu, à vista do empregado, numa vitrina com chave, sob um livro que ali estava. Disse a Soares que o entregasse a uma empresa fornecedora (contra recibo, claro), na tarde do dia seguinte; ou desse conhecimento a João, se o pagamento fosse transferido para a manhã de Quinta. A chave da vitrina ficou no local do costume. Jorge fechou a loja às 20 horas.
Costa tinha saído às 19,30, para matar o vício no Casino, depois de jantar. O jogo estava-lhe no sangue (salvo seja!!!) e, por isso, enquanto o sócio vivia dos rendimentos, ele tinha de trabalhar a dobrar (para ele e para o jogo). Era rara a semana que não metia um vale por conta do ordenado e da divisão anual de lucros. O vício era tal que tinha colocado no seu carro uma nota de 100€, em local de difícil acesso até para ele. Sempre dava para comer e para o combustível do regresso a casa.
Nessa noite, perdeu tudo o que levava na carteira e dirigiu-se à loja, tendo parado o carro na rua, cerca de cem metros acima. Regressou à viatura cinco minutos depois. Voltou ao Casino e recomeçou a jogar.
No dia seguinte, Marcelino abriu a porta, como habitualmente, e, ao entrar, diz ter reparado logo no vidro estilhaçado de uma vitrina, que estava fechada à chave. Afirmou que não mexeu em nada e tudo estava como quando passara o turno ao colega da tarde, no dia anterior. Aliás, o movimento da firma fazia-se muito mais no escritório (e nos armazéns, noutro local) do que ao balcão. Ligou ao Soares, que lhe falou da existência do envelope com o dinheiro, nesse local. Telefonou a Costa, que, mesmo em viagem, confirmou a colocação do envelope com dinheiro nessa vitrina e avisou o sócio da ocorrência. Lopes chamou a polícia e dirigiu-se à firma. Nem envelope nem dinheiro. Ficou o livro, para recordação...
A polícia recolheu impressões digitais e verificou que a porta não apresentava qualquer sinal de ter sido forçada; a montra estava intacta e não havia mais acessos.
A investigação começou, mas nós não precisamos de mais nada...
Um deles (e só um deles!) foi o responsável pelo desaparecimento do dinheiro:
A – José
B – Joaquim
C – João
D – Jorge
Convívio da Tertúlia Policiária da Liberdade
Dia 29 de Maio de 2011
A Tertúlia Policiária da Liberdade vai cumprir uma das suas mais sagradas tradições, organizando um convívio, para o qual convoca todos os confrades interessados.
Contando sempre com um programa de grande qualidade, o deste ano está ainda no maior secretismo, fechado a sete chaves!
É a própria Tertúlia que ainda não abre muito o jogo, como verificamos pelo teor da sua comunicação:
“O convívio da Tertúlia Policiária da Liberdade já tem data e local marcado. Convém assinalar, nas agendas, o próximo dia 29 de Maio, domingo. O local de concentração é o Museu do Azulejo, na Madre de Deus, em Lisboa, com almoço no respectivo restaurante.
Aos domingos o Museu tem visitas gratuitas da parte da manhã e vale a pena vê-lo. Oportunamente serão dadas mais pormenores do programa.
Anota-se, desde já, que será difícil encontrar melhor ocasião para preparar o voto para eleições de 5 de Junho do que participar neste convívio policiarista, onde os esquemas da malandragem serão todos postos a nu.”
COLUNA DO “C”
PRAZO ATÉ 31 DE MAIO
Com a publicação do problema de hoje, os “detectives” ficam com todos os elementos para poderem responder aos dois desafios que integram a prova n.º 5, o que poderão fazer, impreterivelmente até ao próximo dia 3I de Maio, usando um dos seguintes meios:
- Pelos Correios para PÚBLICO-Policiário, Rua Viriato, 13, 1069-315 LISBOA;
- Por e-mail para policiario@publico.pt;
- Por entrega em mão na redacção do PÚBLICO de Lisboa;
- Por entrega em mão ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.
Atenção para a necessidade de justificação de todas as conclusões a que chegarem na parte I, ou seja, no problema tradicional. Na solução da parte II, os confrades apenas terão de indicar explicitamente a alínea por que optam.
Boas deduções!
sexta-feira, 6 de maio de 2011
LUPA DE HONRA: DANIEL FALCÃO ESCLARECE
Algumas dúvidas foram levantadas pelos nossos confrades sobre quem foram os premiados com este valoroso prémio, instituído pela Tertúlia Policiária do Norte.
Daniel Falcão, responde:
A Lupa de Honra é um troféu instituído pela Tertúlia Policiária do Norte, cujo patrono é o Jartur Mamede.
Eis os seis membros da família policiária que já receberam este troféu:
2004 – Sete de Espadas
2005 – M. Constantino
2008 – M. Lima
2010 – Carlos Neves (póstumo)
2010 – A. Raposo
2011 – Zé
Daniel Falcão
Daniel Falcão, responde:
A Lupa de Honra é um troféu instituído pela Tertúlia Policiária do Norte, cujo patrono é o Jartur Mamede.
Eis os seis membros da família policiária que já receberam este troféu:
2004 – Sete de Espadas
2005 – M. Constantino
2008 – M. Lima
2010 – Carlos Neves (póstumo)
2010 – A. Raposo
2011 – Zé
Daniel Falcão
O INSP. ARANHA ESCLARECE...
Pela importância de que se reveste, aqui fica o esclarecimento do confrade e Amigo Inspector Aranha a propósito de uma questão levantada sobre antiguidades das secções do Passatempo e do Cruzadex, dos anos 70 do século passado. Tem a palavra o Inspector Aranha, um dos "Mourinhos do Policiário" como foi baptizado pelo trio dos 6 Fs (Fáfá, Féfé e Fifi): A questão foi posta há vários dias pelo confrade "Jo.com" noutro local deste blogue e, porque só agora me é possível dar-lhe resposta,faço-o aqui (apenas para que não se perca, já que pode interessar a um mais vasto número de colegas)-- pedindo desde já desculpa ao Zé, uma vez que este espaço que vinha sendo exclusivamente dedicado: A Secção "Enigma Policiário", que a Revista "Passatempo" divulgou, iniciou a sua publicação em Abril de l976, sob a responsabilidade do "Inspector Aranha", primeiro, depois em dupla com o "Zé" a partir de Junho de 1979, tendo o seu ultimo número sido publicado em Junho de 1982. Por sua vez o "Cruzadex Policiário", do L. P. (Luis Pessoa, como creio que todos saberão) iniciou publicação na Revista "Cruzadex" em Fevereiro de 1977. E, que me seja perdoada a imodéstia pela parte que me toca, foram duas excelentes Secções que, entre os mais antigos, ainda hoje se recordam com saudade. Outros tempos, quando ainda era fácil arranjar espaço para publicar Secções Policiais... "Inspector Aranha" |
terça-feira, 3 de maio de 2011
LUPA DE HONRA PARA ZÉ
O CRIME PÚBLICO acrescenta a sua voz a todas as que se levantaram de imediato a congratular-se com a enorme justiça da atribuição, que só peca por tardia.
Ao confrade ZÉ, as nossas saudações e parabéns!
Aos promotores, Tertúlia Policiária do Norte e sobretudo ao confrade Jartur, o "Pai" do troféu, as nossas homenagens.
(Autor da foto: JARTUR)
(Autor da foto: JARTUR)
domingo, 1 de maio de 2011
POLICIÁRIO 1032
Publicamos hoje mais um desafio, de autoria de Onaírda, um dos nossos bons produtores, em boa hora regressado à produção.
CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL
PROVA N.º 5 – PARTE I
GATO FARRUSCO MORRE AO LUSCO-FUSCO – Original de ONAÍRDA
Na povoação, sem ruas interiores, praticamente reduzida ao perfil do longo da estrada, encostada a Lisboa, junto a um contentor de lixo, no lusco-fusco de um Domingo de Outubro, aparece morto no interior de um saco o gato “farrusco”. O felídeo ainda estava quente. A morte ocorreu cerca de meia hora antes, aí pelas 20h00. Levou uma paulada na espinha. Certeira e a propósito.
Samuel era dono do farrusco. No dia seguinte pelas 9h00, Eva, sua empregada doméstica, entra ao serviço, abre a porta da casa e vê o corpo do patrão no chão. Corpo e cadeira afastados da secretária cerca de um metro, no salão principal da sua moradia. Estava morto, bem morto. Levou fortes pauladas na cabeça. A autópsia determina que a morte ocorreu na véspera entre as 20h30 e as 21h30.
Eva pôs-se à disposição de Garçôa, o “Teórico” da PJ. Eva viu um vulto pôr um saco fora do contentor de lixo e isto chamou sua atenção. O vulto seguiu para norte. Eva abriu o saco e viu o gato morto. Os habitantes da terra conheciam o felídeo. Vadiava em todo a lado, entrava nas casas desde que estivesse uma porta ou janela aberta. Odiavam o farrusco. Fazia estragos onde entrava. Pediam que o gato tivesse um fim triste muito rápido. Eva sabe do sentimento geral e vai dar a noticia aos clientes do único café, ao lado da casa de Samuel. O café, de Diogo, estava cheio de freguesia àquela hora. Eram 20h30. Geral foi a alegria e todos quiserem confirmar a morte do gato. O café ficou vazio, as pessoas regressaram perto das 21h30. Eva pensou que Samuel saberia da morte no dia seguinte. Se estivesse vivo, claro, dizemos nós, o que não aconteceu
Garçôa tinha a noção dos acontecimentos. Ainda não sabia o culpado ou culpados e nem os motivos. Depois de descodificadas as perícias, saber-se-ia mais. Tinha de avançar. Serviu-se de Eva. Costume habitual. Eva citou nomes. Caíram na mente do “teórico”.
Diogo, dono do único café da povoação; Pedro, comerciante de moveis; Farias, negócios de lenhas para aquecimento e Jacques Bonet, trabalhava em madeiras. Garçôa achou que Eva tinha ânimo a mais, meteu-a nesta lista.
Relatório preliminar do “Teórico”:
Não temos suspeitos. Vamos indagar a relação havida entre a vítima (humana) e os citados:
Pedro: 40 anos, divorciado. Vendia móveis em feiras. Natural da Estremadura. Montijo (sul do Rio Tejo). Fervoroso fiel de São Pedro, patrono dos pescadores da cidade. Fervia em pouca água. Veio para a povoação aos 15 anos. Vivia em casa arrendada a Samuel, com bom mobiliário e caros cortinados. Pagava renda tida por exorbitante. Deixou-a de pagar há um ano. Tinha fornecido o recheio da moradia de Samuel, este nem metade do valor lhe tinha pago. Alegou moveis deficientes, as cadeiras eram excelentes, assentavam perfeitamente no chão, o resto uma porcaria. Tinha metido uma acção de despejo em Tribunal. Odiavam-se mutuamente. Pedro já tinha ameaçado de morte o seu senhorio e não se importou que o ouvissem. Era desconfiado. Ausente, usava deixar uma janela entreaberta para pensarem que ele estava em casa. Ao lado de sua casa, a sul, ficava a casa de Farias, com o contentor de lixo aqui colocado no meio, e a norte o café. No fim da povoação, a norte, ficava a casa de Samuel
Pedro declara: esteve nesse dia na Feira de Azeitão. Às 17 horas levantou a tenda e regressou uma hora depois. Passou pelo Montijo para depositar um donativo na Igreja Matriz, junto da imagem de São Pedro, veio pela Ponte Vasco da Gama, petiscou na área de serviço, fez um percurso de 50/60 kms, chegou a casa pelas 20h00. Disse que foi depois para o café. Confirmaram que chegou pelas 20h30. Garçôa, quando o interrogou na sua casa, notou que um cortinado estava rasgado e caído no chão, arrancado à força da parede.
Diogo, arrendatário do café de Samuel. Casado, sem mulher. Aparece na povoação 10 anos atrás. Esteve emigrado em França. Jactante, gaba-se de ter montado em Anglet, perto de Bayonne, uma “usine” de pastilhas elásticas. Muitos anos trabalhou e vendeu bem. Quis inovar o produto, não contou que as pastilhas, apesar de serem agradáveis, enrijavam na boca, muito aderentes quando lançadas para o chão. Ficavam em bolas e difíceis de se soltar onde colassem. Único remédio foi fechar a fábrica e regressar a Portugal. Trouxe com ele grandes quantidades das pastilhas “rijas”, o que o obrigava a mascá-las todo o santo dia para acabar com elas. Só não mascava enquanto dormia. Enjoou-se da mulher e deixou-a por lá. Cumpria pontualmente o pagamento da renda ao Samuel, mas este tinha uma conta calada no café, não a querendo saldar, porque, dizia que o Diogo o andava a roubar há muitos anos. E dizia isto a toda a gente, o que desesperava Diogo, que tinha um feitio violento.
Diogo declara: esteve no café todo o dia, nunca se ausentou até à hora do fecho, lá para a meia-noite, mais tarde do que o habitual, dada a alegria que havia nos fregueses pela morte do farrusco. Fez bom negócio.
Farias, solteiro. Natural da Estremadura. Montijo (sul do Rio Tejo). Negociava em lenhas para aquecimento. Não gostava de Samuel. Este emprestou-lhe dinheiro. Perdeu o dito e o amigo. Tinha boa moradia recheada de bons móveis e cortinados, adquiridos e pagos integralmente ao Pedro.
Farias declara: esteve nesse fim-de-semana perto do Montijo para comprar árvores e saiu de lá pelas 18h30. Só chegou a casa depois das 22h00. Curiosamente (para Garçôa, claro) disse que passou pela Igreja de São Pedro para deixar um donativo na imagem do santo. O “Teórico” soube que Farias gostava de imitar Pedro nos seus comportamentos
Garçôa perguntou-lhe se tinha vindo pela Ponte Vasco da Gama e se tinha ido petiscar na área de serviço, tal como tinha feito o Pedro. Ele disse que sim, mas na área de serviço, só meteu gasolina. Ironicamente perguntou se o carro dele era algum modelo de 1930 e que andava só a 20 Kms/hora. Farias disse que não, pois tinha um Mercedes Classe C 200 Kompressor de 2006. Garçôa assobiou desconfiado.
Jacques Bonet.40 anos. Solteiro. Torneiro de madeiras. A sua casa era no extremo sul da povoação ao lado da do Farias. Entre estas havia enorme pilha de troncos desbastados de árvores que eram o negócio do Farias. Amiúde o Bonet aviava-se de lenha para a lareira sem o dono saber. Pedro imitava-o. Tinha a alcunha do “Francês”, vá lá saber-se porquê. Viajou e chegou à povoação por volta das 23h00, mas ninguém o viu chegar. Tinha ido em viagem turística de uma semana a Bayonne.
Jaques Bonet declara: não engraçava com Samuel, detestava-o. Esta viagem era desejada à muito, praticamente desde criança. O regresso foi normal, veio num voo regular, aborrecido por ver tanta água. Entre o sair pelas 10 horas de Bayonne e os 8 quilómetros até à aerogare, entregar o carro alugado, fazer o check-in, tempo de voo, chegada a Lisboa e ida para a povoação durou 10 horas na totalidade. Garçôa começou a fazer contas: os voos regulares de Bayonne para Lisboa têm escala em Paris ou Geneve demorando 1h10 ambas as ligações. Juntava-se mais 3h10 de Paris ou Geneve para Lisboa, mais 30 minutos para recolher a bagagem, mais uma hora de diferença horária, e ida para casa, no máximo seriam umas seis horas de viagem. Algo não estava bem. Garçôa voltou a assobiar desconfiado.
Eva tem actualmente uma relação secreta com Diogo, e não quer que saibam. Trabalha para Samuel e receia ser despedida. Este sabia do facto. Não se importa, porque Eva é uma boa empregada e eximia nas limpezas. Eva foi casada com Pedro, mas divorciou-se dele em litígio. Teve uma relação fugaz com o “francês”, a qual terminou. Este prometia-lhe uma viagem a França e não cumpria a promessa. Farias cedia-lhe lenha gratuitamente. Nesse Domingo do crime, esperou que Diogo fechasse o café e passou a noite com ele.
Houve cuidado em não mexer em nada para não prejudicar as perícias. Depois do corpo retirado, fecharam a sala. Quando depois Garçôa entrou na dita, reparou que o chão estava impecável quanto a limpeza. Não abriu a luz para não tocar no interruptor e deixou a porta aberta para haver visibilidade. Tudo em ordem na secretária, papel ou objecto algum caíram para o chão. Abriu uma janela da frente da sala e produziu-se uma forte corrente de ar. Assustou-se devido a pancadas sonoras por detrás de si. A cadeira onde se sentava Samuel balançava de um lado para o outro ritmadamente
Quando o caso acabou Garçôa diria que bastou ter-se enganado numa letra no relatório para ter o trabalho mais complicado.
COLUNA DO “C”
Depois das leituras necessárias, com a precaução própria que um autor como o confrade Onaírda tem que despertar em todos os “detectives”, há que enviar as propostas de solução, impreterivelmente até ao próximo dia 31 de Maio, para o que poderão usar um dos seguintes meios:
- Pelos Correios para PÚBLICO-Policiário, Rua Viriato, 13, 1069-315 LISBOA;
- Por e-mail para policiario@publico.pt;
- Por entrega em mão na redacção do PÚBLICO de Lisboa;
- Por entrega em mão ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.
Boas deduções!
CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL
PROVA N.º 5 – PARTE I
GATO FARRUSCO MORRE AO LUSCO-FUSCO – Original de ONAÍRDA
Na povoação, sem ruas interiores, praticamente reduzida ao perfil do longo da estrada, encostada a Lisboa, junto a um contentor de lixo, no lusco-fusco de um Domingo de Outubro, aparece morto no interior de um saco o gato “farrusco”. O felídeo ainda estava quente. A morte ocorreu cerca de meia hora antes, aí pelas 20h00. Levou uma paulada na espinha. Certeira e a propósito.
Samuel era dono do farrusco. No dia seguinte pelas 9h00, Eva, sua empregada doméstica, entra ao serviço, abre a porta da casa e vê o corpo do patrão no chão. Corpo e cadeira afastados da secretária cerca de um metro, no salão principal da sua moradia. Estava morto, bem morto. Levou fortes pauladas na cabeça. A autópsia determina que a morte ocorreu na véspera entre as 20h30 e as 21h30.
Eva pôs-se à disposição de Garçôa, o “Teórico” da PJ. Eva viu um vulto pôr um saco fora do contentor de lixo e isto chamou sua atenção. O vulto seguiu para norte. Eva abriu o saco e viu o gato morto. Os habitantes da terra conheciam o felídeo. Vadiava em todo a lado, entrava nas casas desde que estivesse uma porta ou janela aberta. Odiavam o farrusco. Fazia estragos onde entrava. Pediam que o gato tivesse um fim triste muito rápido. Eva sabe do sentimento geral e vai dar a noticia aos clientes do único café, ao lado da casa de Samuel. O café, de Diogo, estava cheio de freguesia àquela hora. Eram 20h30. Geral foi a alegria e todos quiserem confirmar a morte do gato. O café ficou vazio, as pessoas regressaram perto das 21h30. Eva pensou que Samuel saberia da morte no dia seguinte. Se estivesse vivo, claro, dizemos nós, o que não aconteceu
Garçôa tinha a noção dos acontecimentos. Ainda não sabia o culpado ou culpados e nem os motivos. Depois de descodificadas as perícias, saber-se-ia mais. Tinha de avançar. Serviu-se de Eva. Costume habitual. Eva citou nomes. Caíram na mente do “teórico”.
Diogo, dono do único café da povoação; Pedro, comerciante de moveis; Farias, negócios de lenhas para aquecimento e Jacques Bonet, trabalhava em madeiras. Garçôa achou que Eva tinha ânimo a mais, meteu-a nesta lista.
Relatório preliminar do “Teórico”:
Não temos suspeitos. Vamos indagar a relação havida entre a vítima (humana) e os citados:
Pedro: 40 anos, divorciado. Vendia móveis em feiras. Natural da Estremadura. Montijo (sul do Rio Tejo). Fervoroso fiel de São Pedro, patrono dos pescadores da cidade. Fervia em pouca água. Veio para a povoação aos 15 anos. Vivia em casa arrendada a Samuel, com bom mobiliário e caros cortinados. Pagava renda tida por exorbitante. Deixou-a de pagar há um ano. Tinha fornecido o recheio da moradia de Samuel, este nem metade do valor lhe tinha pago. Alegou moveis deficientes, as cadeiras eram excelentes, assentavam perfeitamente no chão, o resto uma porcaria. Tinha metido uma acção de despejo em Tribunal. Odiavam-se mutuamente. Pedro já tinha ameaçado de morte o seu senhorio e não se importou que o ouvissem. Era desconfiado. Ausente, usava deixar uma janela entreaberta para pensarem que ele estava em casa. Ao lado de sua casa, a sul, ficava a casa de Farias, com o contentor de lixo aqui colocado no meio, e a norte o café. No fim da povoação, a norte, ficava a casa de Samuel
Pedro declara: esteve nesse dia na Feira de Azeitão. Às 17 horas levantou a tenda e regressou uma hora depois. Passou pelo Montijo para depositar um donativo na Igreja Matriz, junto da imagem de São Pedro, veio pela Ponte Vasco da Gama, petiscou na área de serviço, fez um percurso de 50/60 kms, chegou a casa pelas 20h00. Disse que foi depois para o café. Confirmaram que chegou pelas 20h30. Garçôa, quando o interrogou na sua casa, notou que um cortinado estava rasgado e caído no chão, arrancado à força da parede.
Diogo, arrendatário do café de Samuel. Casado, sem mulher. Aparece na povoação 10 anos atrás. Esteve emigrado em França. Jactante, gaba-se de ter montado em Anglet, perto de Bayonne, uma “usine” de pastilhas elásticas. Muitos anos trabalhou e vendeu bem. Quis inovar o produto, não contou que as pastilhas, apesar de serem agradáveis, enrijavam na boca, muito aderentes quando lançadas para o chão. Ficavam em bolas e difíceis de se soltar onde colassem. Único remédio foi fechar a fábrica e regressar a Portugal. Trouxe com ele grandes quantidades das pastilhas “rijas”, o que o obrigava a mascá-las todo o santo dia para acabar com elas. Só não mascava enquanto dormia. Enjoou-se da mulher e deixou-a por lá. Cumpria pontualmente o pagamento da renda ao Samuel, mas este tinha uma conta calada no café, não a querendo saldar, porque, dizia que o Diogo o andava a roubar há muitos anos. E dizia isto a toda a gente, o que desesperava Diogo, que tinha um feitio violento.
Diogo declara: esteve no café todo o dia, nunca se ausentou até à hora do fecho, lá para a meia-noite, mais tarde do que o habitual, dada a alegria que havia nos fregueses pela morte do farrusco. Fez bom negócio.
Farias, solteiro. Natural da Estremadura. Montijo (sul do Rio Tejo). Negociava em lenhas para aquecimento. Não gostava de Samuel. Este emprestou-lhe dinheiro. Perdeu o dito e o amigo. Tinha boa moradia recheada de bons móveis e cortinados, adquiridos e pagos integralmente ao Pedro.
Farias declara: esteve nesse fim-de-semana perto do Montijo para comprar árvores e saiu de lá pelas 18h30. Só chegou a casa depois das 22h00. Curiosamente (para Garçôa, claro) disse que passou pela Igreja de São Pedro para deixar um donativo na imagem do santo. O “Teórico” soube que Farias gostava de imitar Pedro nos seus comportamentos
Garçôa perguntou-lhe se tinha vindo pela Ponte Vasco da Gama e se tinha ido petiscar na área de serviço, tal como tinha feito o Pedro. Ele disse que sim, mas na área de serviço, só meteu gasolina. Ironicamente perguntou se o carro dele era algum modelo de 1930 e que andava só a 20 Kms/hora. Farias disse que não, pois tinha um Mercedes Classe C 200 Kompressor de 2006. Garçôa assobiou desconfiado.
Jacques Bonet.40 anos. Solteiro. Torneiro de madeiras. A sua casa era no extremo sul da povoação ao lado da do Farias. Entre estas havia enorme pilha de troncos desbastados de árvores que eram o negócio do Farias. Amiúde o Bonet aviava-se de lenha para a lareira sem o dono saber. Pedro imitava-o. Tinha a alcunha do “Francês”, vá lá saber-se porquê. Viajou e chegou à povoação por volta das 23h00, mas ninguém o viu chegar. Tinha ido em viagem turística de uma semana a Bayonne.
Jaques Bonet declara: não engraçava com Samuel, detestava-o. Esta viagem era desejada à muito, praticamente desde criança. O regresso foi normal, veio num voo regular, aborrecido por ver tanta água. Entre o sair pelas 10 horas de Bayonne e os 8 quilómetros até à aerogare, entregar o carro alugado, fazer o check-in, tempo de voo, chegada a Lisboa e ida para a povoação durou 10 horas na totalidade. Garçôa começou a fazer contas: os voos regulares de Bayonne para Lisboa têm escala em Paris ou Geneve demorando 1h10 ambas as ligações. Juntava-se mais 3h10 de Paris ou Geneve para Lisboa, mais 30 minutos para recolher a bagagem, mais uma hora de diferença horária, e ida para casa, no máximo seriam umas seis horas de viagem. Algo não estava bem. Garçôa voltou a assobiar desconfiado.
Eva tem actualmente uma relação secreta com Diogo, e não quer que saibam. Trabalha para Samuel e receia ser despedida. Este sabia do facto. Não se importa, porque Eva é uma boa empregada e eximia nas limpezas. Eva foi casada com Pedro, mas divorciou-se dele em litígio. Teve uma relação fugaz com o “francês”, a qual terminou. Este prometia-lhe uma viagem a França e não cumpria a promessa. Farias cedia-lhe lenha gratuitamente. Nesse Domingo do crime, esperou que Diogo fechasse o café e passou a noite com ele.
Houve cuidado em não mexer em nada para não prejudicar as perícias. Depois do corpo retirado, fecharam a sala. Quando depois Garçôa entrou na dita, reparou que o chão estava impecável quanto a limpeza. Não abriu a luz para não tocar no interruptor e deixou a porta aberta para haver visibilidade. Tudo em ordem na secretária, papel ou objecto algum caíram para o chão. Abriu uma janela da frente da sala e produziu-se uma forte corrente de ar. Assustou-se devido a pancadas sonoras por detrás de si. A cadeira onde se sentava Samuel balançava de um lado para o outro ritmadamente
Quando o caso acabou Garçôa diria que bastou ter-se enganado numa letra no relatório para ter o trabalho mais complicado.
COLUNA DO “C”
Depois das leituras necessárias, com a precaução própria que um autor como o confrade Onaírda tem que despertar em todos os “detectives”, há que enviar as propostas de solução, impreterivelmente até ao próximo dia 31 de Maio, para o que poderão usar um dos seguintes meios:
- Pelos Correios para PÚBLICO-Policiário, Rua Viriato, 13, 1069-315 LISBOA;
- Por e-mail para policiario@publico.pt;
- Por entrega em mão na redacção do PÚBLICO de Lisboa;
- Por entrega em mão ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.
Boas deduções!
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