quinta-feira, 17 de março de 2016

O CONFRADE AVLIS E SNITRAM ESTÁ DOENTE


A notícia chegou-nos pela mão da dupla A Raposo & Lena:

Caros amigos,
Há uns dias o nosso confrade fez um edema pulmonar e um AVC pelo que foi internado. Hoje o filho informou-nos que a situação tinha piorado e tinha apanhado uma bacteria hospitalar de forma que se encontra ligado à máquina.

Vamos acompanhando o caso com a família e manteremos a informação para vosso conhecimento. Lembramos que ele estava já "desactivado" dos campeonatos. Nos tempos do Clube de Literatura Policiaria ele foi tesoureiro e concorrente com o pseudónimo de Mister Kim.

Estamos a fazer "força" para que o nosso amigo recupere e regresse aos nossos almoços regulares.

Saudações
A Raposo & Lena

Associamo-nos aos votos e juntamos a força de todo o Policiário para que o confrade Avlis e Snitram vença mais este campeonato, como sempre venceu todos os campeonatos em que a camaradagem e a amizade pontificavam!

domingo, 13 de março de 2016

POLICIÁRIO 1284



A MORTE VIOLENTA DA DONA CIDÁLIA


Cumprimos mais uma etapa das nossas competições, com a publicação de mais um desafio de escolha múltipla, que nos vai colocar na decifração de um crime de sangue cometido numa casa de bairro e que nos é trazida pela “detective” Selma:

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2016
PROVA N.º 2 – PARTE II
“A MORTE DA DONA CIDÁLIA” – Original de SELMA

Quando os agentes arrombaram a porta já estavam mais ou menos a contar com o que iam encontrar e por isso não deixaram ninguém aproximar-se, mantendo a vizinhança no piso de baixo.
Tudo começou quando uma vizinha estranhou que a D. Cidália, uma velha inquilina de várias décadas, não desse sinal de vida, apesar de ela bater insistentemente à porta:
- Pensei que lhe tinha dado alguma coisa, nós ouvimos tantas histórias de pessoas que morrem sozinhas em casa com ataques do coração e outras coisas, que até ficamos logo a pensar…
Afinal, como a polícia verificou, não foi um ataque cardíaco, mas sim um ataque violento que vitimou a idosa, trespassada por golpe certeiro desferido com uma faca de lâmina bem afiada, cravada nas costas. Confirmaram que nada havia a fazer pela pobre senhora e aguardaram serenamente pela chegada do inspector da Judiciária e dos membros da equipa técnica que ia efectuar a recolha de provas.
Uma busca ao local revelou desde logo que a casa não tinha grandes condições de habitabilidade, as paredes estavam degradadas pela humidade e as duas únicas janelas, uma que dava para um pátio interior e outra que dava para a rua, estavam ambas trancadas por dentro, o que tornava a casa bastante bafienta, pela falta de circulação de ar.
Não havia sinais de luta. A senhora fora certamente apanhada de surpresa e trespassada com um único golpe, caindo de bruços. Não havia sinais de ter sido arrastada ou movida da posição em que caiu. A porta foi arrombada pelos polícias, já que estava fechada, não apenas no trinco, mas com duas voltas. A chave não estava metida na fechadura, mas sim depositada em cima de um aparador, perto da mala da vítima, onde estavam diversos objectos pessoais e uma carteira com algum dinheiro, já que recebera na véspera a sua pensão.
Rapidamente o inspector chegou a três pessoas que poderiam ter motivos ou que estiveram com a vítima nas horas anteriores ao desfecho, que foi ouvir, em separado, na casa da vizinha do rés-do-chão, a D. Eleutéria, que foi quem deu o alarme à polícia e que afirmou no seu depoimento:
- Senhor inspector, eu era amiga da Cidália e costumávamos ir as duas ao mercado, à mercearia, à missa, eramos amigas e como não temos mais ninguém, apoiávamo-nos uma à outra, sabe como é… Ontem à noite estivemos na casa dela a ver televisão, bebemos chá e comemos uns bolitos, mas quando vim embora já o senhor Castro, que mora aqui em cima estava a reclamar à porta que estávamos afazer muito barulho! Veja lá, o homem estava sempre a reclamar do barulho que a Cidália fazia, uma mulher que vivia sozinha que barulho podia fazer, diga-me cá? Barulho faz ele, que eu apanho cá em baixo, só a ressonar parece uma trovoada! A Cidália só fechava a porta à chave à noite e deixava a chave na fechadura, para poder abrir a porta e fugir se houvesse alguma coisa, um incêndio ou coisa assim. Na noite passada, ela ficou nas escadas à espera que eu chegasse à minha casa, como fazia sempre e quando eu cheguei disse-lhe que estava tudo bem e ouvi-a a fechar a porta. Só hoje de manhã estranhei não aparecer e foi então que chamei a polícia. Não entrei em casa, não me deixaram, só me disseram que estava morta, coitada. Deu-lhe alguma coisa… já não somos novos…
O vizinho Castro, não foi nada meigo no depoimento que fez:
- Coitada dela, mas era muito impossível no trato. Não se conseguia aturar e a mania de fazer barulho a qualquer hora deixava-me desesperado. Às vezes dava-me uma gana de ir lá acima e dizer-lhe das boas, mas enfim, já lá está, não é? A última vez que a vi foi ontem à tarde, mas ainda a ouvi à noite, quando veio despedir-se da amiga às escadas. Ouvi-as a trocarem despedidas e cada uma delas fechou a sua porta, isso, eu ouvi porque fizeram um barulhão dos diabos. O senhor inspector desculpe, mas não tenho pena nenhuma e pode ser que agora eu tenha descanso… Nunca entrei em casa dela, era só o que faltava, queixava-me do barulho quando ela passava à minha porta. Já não a podia aturar… Ela fechava sempre a porta à chave, eu ouvia-a a rodar na fechadura, disso tenho a certeza…
O senhorio, que morava no prédio ao lado, mostrou-se abalado com a notícia…
- Não esperava isto… Já muitas vezes tinha dito à D. Cidália que não devia ter aquelas facas na cozinha, mas pensava sempre que pudesse acontecer algum acidente e ela cortar-se ou coisa assim, porque já era uma pessoa de idade e a usar aquilo… Nunca pensei que pudesse acontecer uma coisa destas, nesta casa e neste bairro que é tão pacato. Agora é que vão ser elas para conseguir arrendar a casa outra vez, vão todos começar com a conversa do assassínio da D. Cidália… Não vai ser nada fácil… Sim, tenho uma chave de todas as casas, mas não sei se os inquilinos mudam as fechaduras ou os canhões. A D. Cidália ainda tinha a mesma, foi pena terem arrombado a porta, agora vou ter mais uma despesa…
O Inspector releu os seus apontamentos e já tinha a ideia de quem estava envolvido na morte da senhora…

  1-      D. Eleutéria;
  2-      Sr. Castro;
  3-      Senhorio;
  4-      Alguém vindo de fora.

E pronto.

Depois de lançados os dados, chegou o momento dos nossos “detectives” se pronunciarem, indicando qual é a hipótese que acham ser correcta, impreterivelmente até ao próximo dia 31 de Março, para o que poderá usar um dos seguintes meios:
- Pelo Correio: Luís Pessoa, Estrada Militar, 23, 2125-109 MARINHAIS;
- Por entrega em mão ao orientador, onde quer que o encontrem.

Relembramos que é obrigatório indicar com clareza qual o número correspondente à opção, sem o que será considerada errada a resposta dada. Se pretenderem, no entanto, dar mais explicações, podem fazê-lo, mas será sempre considerada a pontuação referente á hipótese escolhida.
Boas deduções!


quarta-feira, 9 de março de 2016

II TORNEIO NACIONAL - CLUBE LITERATURA POLICIAL - PROBLEMA 5

  
                                  
                                                                                                         
II TORNEIO NACIONAL DE PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA

Problema n.º 5                                
IMPOSTOR, OU TALVEZ NÃO                       Publicado na revista “FLAMA” # 525 
Original de: «MÁRVEL, 
o Misterioso Mascarado»                                         em 28 de Março de 1958


Nota preliminar:
Quando, como orientador da Secção “O Gosto do Mistério”, mandei de Aveiro para a redacção da revista o problema que hoje divulgo, anunciei-o com a seguinte prosa: 

ATENÇÃO «SHERLOCKS»
Publicamos hoje o 5.º problema do Torneio Nacional, uma produção do nosso colega Márvel, vencedor do Torneio Enigma e autor de muitos e bons problemas publicados nesta secção.
… E agora, senhores componentes da Equipa Mistério, vamos jogar aos detectives.




Seguia-se o problema, com essa gravura sugestiva, mas apenas decorativa, sem relação com o caso que dará muito que falar.

        


Em todos os gestos, Carlos Alexandre denotava a preocupação que o consumia. O olhar carrancudo que dirigia a um sobrescrito branco, certamente a causa de todos os seus aborrecimentos, era a prova evidente de que algo fora do vulgar estava a acontecer. Por fim, já impaciente, inquiri, movido pela curiosidade:
         - Mas que te aconteceu?
         Como resposta, Carlos dirigiu-se à secretária e, com gestos que denotavam a sua excitação, tomou o sobrescrito que, em seguida, me entregou, dizendo lacònicamente:
         - Lê.
         O rectângulo de papel branco nada tinha de especial, com excepção do seu conteúdo, verdadeiramente estranho:
         - «Para lhe dar a conhecer a última vontade do seu falecido pai, peço-lhe que me receba hoje, pelas 5 e 30. José Cabral.
         - Esquisito - comentei.
         - Mais do que isso. Muito estranho – redarguiu o meu interlocutor. E continuou:
         - Certamente desejas uma explicação e vou dar-ta. José Cabral era o secretário de meu pai que muito o estimava, no que era correspondido plenamente. Mas como, quando conheci esse homem, era muito pequeno, temo que me apareça um impostor, disposto a extorquir-me dinheiro. Deve estar a chegar.

                                                                                                                                                   

         Como em cumprimento das suas palavras, o mordomo anunciou o causador de todas as preocupações do meu amigo. Era um homem dos seus 40 anos, baixo e rechonchudo, cujo aspecto vulgar era o que mais sobressaía na sua figura. Adiantou-se timidamente, como sem saber que fazer. Notando isso, Carlos afirmou:
         - Chamo-me Carlos Alexandre Mendonça, e creio estar a falar com o Sr. Cabral, o antigo secretário de meu pai. Queira sentar-se e explicar o motivo da sua visita.
         Então o homenzinho entregou a Carlos um envelope lacrado, afirmando:
         - Eis a última vontade de seu pai.
         Carlos pegou no bilhete que o outro lhe estendia, e começou a percorrer com os olhos o conteúdo da página.
         Quando o bilhete passou para as minhas mãos li, cheio de curiosidade:



                                       «Meu filho
                                       Sinto que quando chegares já não terei vida para me despedir de ti. Por isso, o notário tem em seu poder uma carta, na qual te abençoo e peço que cumpras as minhas últimas vontades. Uma delas, a pedido do próprio beneficiado, não menciono no meu testamento, mas dou-ta a conhecer nestas minhas derradeiras palavras:
Como sabes, José Cabral, o meu secretário (que escreve estas linhas a que no fim firmarei meu nome) foi para mim mais do que um amigo. A dedicação e solicitude com que sempre velou pela minha comodidade e bem-estar tornaram-me suportáveis os meus últimos momentos de sofrimento. Agora que sinto a morte aproximar-se, quis recompensá-lo, legando-lhe uma certa quantia no meu testamento, o que ele recusou. Às minhas instâncias apenas consentiu que eu passasse este documento, e nele te peço, Alexandre meu filho, que se algum dia José Cabral se vir em dificuldades financeiras lhe entregues a importância de… que então o recompensará pelos seus grandes favores e amizade.
Adeus, querido filho. Parto deste mundo certo de que cumprirás os meus últimos desejos. Este é o último adeus de teu pai, que te abençoa
                                António Mendonça



                                                                                                                                                  


         Dobrei lentamente o papel e devolvi-o a Alexandre, que, fitando o nosso interlocutor parecia pedir uma explicação.
        
Compreendendo isso, Cabral, numa voz que parecia sincera começou:
         - Durante o tempo em que estive ao serviço do Sr. António Mendonça, consegui amealhar um pequeno pecúlio, que a grande generosidade do meu ex-patrão ia aumentando cada vez mais. Quando morreu, quis deixar-me um legado que eu recusei, visto que me considerava suficientemente recompensado e que com o dinheiro que juntara esperava montar um pequeno negócio que me auferiria para viver desafogadamente.
        
- Então porque vem reclamar os seus direitos? – interrompi eu.
         O homem baixou a cabeça envergonhado, e explicou:
         - Então eu não pensava constituir família. Mas houve quem me fizesse mudar de ideias, de modo que fui obrigado a lançar olhos para horizontes mais largos, com o fim de fazer face ao aumento de despesa que a mudança de estado provocou. Os negócios de início correram-me bem, consegui mesmo uma pequena fortuna que, dando ouvidos a maus conselhos, investi em acções na Alemanha e no Brasil. Se conseguisse obter êxito nessa especulação, tornar-me-ia senhor de sólida fortuna. Mas eis que estalou a guerra e eu em menos de dois anos perdi tudo o que amealhara com tanto sacrifício. Fiquei de tal maneira arruinado que nem sequer me resta agora dinheiro para fazer o meu filho tirar um simples curso comercial. Além disso a minha mulher, quando nasceu o nosso filho, contraiu uma doença que, para ser combatida, necessita de muito repouso e remédios caros, coisas que eu não posso oferecer à minha mulher de maneira alguma. É inútil continuar. Espero que compreendam agora o motivo da minha visita.
        
Quase insensivelmente, assentimos com a cabeça e não pudemos deixar de nos sentir comovidos com a infelicidade do homenzinho. Porém, estaríamos lidando com um refinado vigarista, um comediante sem escrúpulos? Não me parecia, mas no entanto…
         Entretanto Carlos, temendo tomar uma decisão precipitada, exclamou, virando-se para Cabral:
         - Queira passar amanhã por aqui, à mesma hora. Terei então a minha decisão tomada.
         Quando o homem se levantou e se despediu de nós notava-se perfeitamente nos seus gestos um certo alívio que nem Carlos deixou de notar.
         Quando o indivíduo saiu, virou-se para mim e inquiriu, ansioso:
         - Então?
         - Bem, eu acho que se lhe deres o dinheiro terás caído no conto do vigário…



         Concorda?
         Justifique a sua resposta 

                                                                              Jarturice II TNPP – 005
                                                                            Divulgada em 08.Março.2016

domingo, 6 de março de 2016

POLICIÁRIO 1283



A MORTE DO MAGNATA DOS PLÁSTICOS

Depois de todos os “detectives” se terem debruçado sobre os problemas da prova n.º 1, cujo prazo decorreu até ao último dia de Fevereiro, mal deixando recuperar o folego, é chegado o momento da segunda dose de policiário, que hoje tem o seu início.
Trata-se de um problema que requer um pouco mais de atenção, em que temos um cadáver e um local de crime que tem de nos fornecer os elementos que permitam retirar as conclusões correctas.
As nossas investigações têm de obedecer a todos os parâmetros de uma investigação real, ou seja, as provas recolhidas, os depoimentos, as regras de actuação dos investigadores têm de cumprir os requisitos exigidos. Em suma, cada caso tem de ser apresentado como se fosse real e plausível.
Atenção àquilo que se refere nos diversos pontos do problema, em que a descrição do narrador deverá ser tomada como correcta e os depoimentos recolhidos considerados como isso mesmo, apenas depoimentos, passíveis de contraditório.
Este problema não encerra especial dificuldade e pode ser entendido como um excelente exercício para melhoria do processo de decifração.

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2016
PROVA N.º 2 - PARTE I
“SUICÍDIO OU HOMICÍDIO?” – ORIGINAL DE JOHN DEATH

Humberto olhou pela janela, que dava para o quintal, bastante abandonado, com muitas ervas daninhas e mato alto. Via-se que há muito não passava por ali quem o tratasse. Debruçou-se da janela e reparou que junto à parede, cerca de três metros abaixo, havia estilhaços do vidro da janela onde estava. Apesar da chuva que caíra nas últimas horas, não havia poças de água, sinal que a terra a absorvera. Ao olhar para a direita, notou que um objecto brilhava com o reflexo que o sol causava, distando cerca de 2 metros da parede. Verificou depois que se tratava da cápsula da munição que provocou a morte do magnata dos plásticos, Jorge Maneiras.
A vítima estava deitada de costas, com a cabeça na direcção da porta de acesso ao escritório e os pés em direcção da única janela, por onde olhara o investigador Humberto. No peito, notava-se uma mancha de sangue, tendo-se comprovado mais tarde que era o local por onde entrara o projéctil que lhe causou a morte instantânea.
Quem descobriu o cadáver foi o irmão mais novo, Adalberto, que ao passar à porta do escritório estranhou vê-la fechada, o que não era usual, já que o irmão fazia questão de estar sempre atento aos movimentos do corredor. Primeiro pensou que ele não estivesse lá e não ligou, mas quando regressou, quase uma hora depois, as suspeitas avolumaram-se. Decidiu bater á porta e chamar pelo irmão e como não teve resposta, rodou a maçaneta da porta e deu com o triste cenário.
- O mano estava deitado de costas e com o peito ensanguentado. Junto da mão esquerda estava a pistola que ele tinha desde sempre, para sua defesa, como dizia, mas que nunca usou, pelo menos que me lembre, nem em treino. Era só para dizer que tinha. Ele andava muito estranho ultimamente, não sei bem porquê, acho que os negócios do plástico não iam lá muito bem, mas isso quem deve saber é o contabilista dele. Ele pouco falava comigo, aqui para nós, não eramos muito chegados, partilhamos este casarão de família, mas cada qual fazia a sua vida e raramente nos falávamos e quando o fazíamos eram conversas circunstanciais.
- A janela estava aberta ou fechada?
- Estava fechada, mas o vidro estava partido.
- Quem mais vive aqui?
- Ninguém. O mano não queria ninguém por cá. Todos os dias à tarde vem cá uma senhora fazer as limpezas, fazer camas, aspirar, lavar loiças quando há, coisas assim e vai-se embora.
- E as refeições?
- Eu vou almoçar e jantar fora todos os dias. Ele, não sei. Umas vezes acho que ia fora, outras, devia desenrascar-se por cá.
- Disse que o seu irmão andava diferente. Em quê?
- Desde que teve um acidente que o imobilizou e os negócios começaram a correr mal… Caiu e andou muito tempo com o braço esquerdo imobilizado e durante este tempo nem podia assinar e foi o contabilista dele que fez tudo, não sei como, mas acho que não correu muito bem e o meu irmão andava muito zangado e deprimido. Mas nunca pensei que fizesse isto! Cá para mim, ainda não acredito que o tenha feito…
- Feito o quê?
- Ora, isto, matar-se desta maneira, suicidar-se!
- Acha mesmo que se suicidou?
- Bem, só pode ter sido isso, não é?
- Hum… Então como explica o vidro da janela estilhaçado?
- Deve ter sido a saída da bala pelas costas, não?
- Hum… E a cápsula da munição no jardim?
- O quê? Quer dizer que… alguém o veio matar pelo jardim?
- Hum…

E pronto!
Resta aos nossos “detectives” completar este problema, que deixa múltiplas pistas, explicando muito bem cada uma das deduções que vão fazendo.
Recordamos que um problema policiário só ficará completamente decifrado quando forem retiradas todas as consequências do mesmo. Quer isto dizer que não basta apontar uma prova incriminatória, mesmo que essa fosse mais do que suficiente para provar o crime, mas antes é necessário apontar todas as provas!
As respostas devem ser dadas, impreterivelmente até ao próximo dia 31 de Março, para o que poderão usar um dos seguintes meios:

 - Pelo Correio: Luís Pessoa, Estrada Militar, 23, 2125-109 MARINHAIS;
- Por entrega em mão ao orientador, onde quer que o encontrem.
Boas deduções!



sexta-feira, 4 de março de 2016

II TORNEIO NACIONAL - CLUBE LITERATURA POLICIAL - SOLUÇÃO PROBLEMA 4

     
                                                                                                                                          
II TORNEIO NACIONAL DE PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA

Solução do problema n.º 4                           Publicado na revista “FLAMA” # 521 
                                                                      em 28 de Fevereiro de 1958
UM ESCONDERIJO À VISTA
Apresentada pelo autor: Mr. IGNOTUS

            No papel, afinal, estava a explicação.
-          3/6 era a chave da cifra. Do princípio para o fim da frase dá-nos duas palavras
 «CRISTAL» e «VISTA» em 3.º e 6.º lugar...
Raúl tinha o olhar extremamente parado e tinha necessidade de se virar para acompanhar
o meu movimento à roda dos suspeitos.
            Relacionando melhor os dois factos cheguei à conclusão de que «CRISTAL» e «VISTA» queriam dizer, muito simplesmente, «OLHO DE VIDRO» o que, associado ao olhar parado e dificuldade de visão, me levaram à certeza de que Raúl devia ter um «olho falso», em vidro, e que nele estaria oculto o «22».
            O papel devia-se destinar ao segundo personagem (ao que receberia o plano, no caso de qualquer «acidente» para que fàcilmente soubesse onde ir descobrir o esconderijo.
            Confirmada a hipótese, assim descobri o esconderijo do «22» que, afinal, estava bem à... vista. 
                                                                       MR. IGNOTUS




NOTA DE HOMENAGEM


Não só, mas também, para ocupar mais um pouco do espaço que aqui restava, deixem-me dedicar esta página 16 à Memória de meu saudoso PAI, José Joaquim Mamede. (Zé Jaquim de Vila-chã).
Também Ele tinha, (devido a um acidente de trabalho), um OLHO DE VIDRO. E gabava-se, com convicção e confirmação, que via mais com um olho, do que qualquer outro amigo com dois. E ganhava sempre as apostas:

- Vinte pauzitos, em como vejo mais com um olho do que tu com os dois!
         - Isso é que era bom - respondia o desafiado – vamos a isso!.
         - Ai é? Olha bem para mim! Quantos olhos, me vês? Um! Apenas um.
         - Pois passa para cá os 20 paus, que eu a ti vejo dois!...

E realmente era tanta a sua capacidade visual, que trabalhando numa Estação de Serviço, na Curia, eram muitos os condutores de camionetas de passageiros e até de carga, que lhe pediam quando ali iam para lavar ou lubrificar as viaturas: - Óh Zé, venha meter isto pra dentro, que tenho medo de estragar as paredes.

Bons tempos, das minhas primeiras “namoradelas”, passei na Curia, Aguim e Anadia.
                                                                                                                      Jarturice II TNPP – 004.2

      Divulgada em 03.Março.2016

quarta-feira, 2 de março de 2016

II TORNEIO NACIONAL - CLUBE LITERATURA POLICIAL - PROBLEMA 4

                          
                                                                                                                        
II TORNEIO NACIONAL DE PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA
Problema n.º 4
UM ESCONDERIJO À VISTA                     Publicado na revista “FLAMA” # 521 
Original de: Mr. IGNOTUS                                           em 28 de Fevereiro de 1958

            O caso não tem muito que contar.
            Chegara ao meu conhecimento que, numa praia do sul, iria ser entregue uma microfotografia do «PLANO 22» a um agente encarregado de a levar até às pessoas interessadas em a ver.
            Depois de árduo trabalho, consegui reunir os seguintes dados:
            - O suspeito (apenas me interessava o actual possuidor do plano) era um daqueles três homens que eu roubara ao prazer de um banho de mar e que agora tinha na minha frente.
            - O plano encontrava-se escondido algures, que não nos reduzidos calções que envergavam e que já tinham sido cuidadosamente observados pelos peritos.
            - Mais indícios -  apenas um papel que fora encontrado na barraca onde se tinham despido e que não sabia qual deles o tinha escrito. Pouco ajudava, pois fora cortado, apenas possuindo uma frase incompleta:

            «3/6 DO CRISTAL ESTÃO À VISTA DOS HOMENS QUE O PROCURAM»

            Uma certeza apenas: - um daqueles três homens tinha ali, na minha frente, a microfotografia. Mas qual deles?...
            O distinto Paulo, magro e marcial nas rugas dos seus 63, de pele levemente leitosa, cabelo à escovinha e olhar extremamente saltitante?...
           
O gorducho Mateus, de cabelos pretos e grande barriga com os olhos bugalhudos a rodarem nas órbitas como coelho amedrontado que espera a todos os instantes ser comido?...
            Ou o fleugmático Raul, de olhar parado, extremamente míope, que parecia fixar um objecto distante e que desde que fora chamado se mantivera firme, pronto a qualquer ataque, apenas respondendo por monossílabos às minhas perguntas?..

Nota: A gravura junta, que ilustrava a página da Flama, nada tem a ver com o problema.
Continuei o meu passeio à sua volta, observando-os…
            Mateus seguia-me torcendo a cabeça, nunca me perdendo de vista; Raul rodava nos calcanhares com os punhos cerrados como se esperasse que eu o agredisse e Paulo olhava-me, desconfiado, por cima do ombro.
            Afinal a resposta acabou por surgir no meu cérebro associada à lembrança dum caso que lera em tempos. A prova estava agora na minha mão.

            - Quem era o possuidor do «22» e onde o ocultava?
            - Prove-o.
           
(Nota: A gravura junta, que ilustrava a página da Flama, nada tem a ver com o problema.)

                                                               Jarturice II TNPP – 004             
                                                           Divulgada em 01.Março.2016


domingo, 28 de fevereiro de 2016

POLICIÁRIO 1282



OS 95 ANOS DO NASCIMENTO DE
SETE DE ESPADAS

Cumpriram-se no passado dia 1 de Fevereiro, 95 anos sobre o nascimento da figura mais importante do Policiário português. Sempre que falamos de Policiário, a referência ao Sete de Espadas aparece como uma inevitabilidade, tal a sua importância primeiro para a divulgação e depois para a consolidação deste passatempo exemplar, amplamente reconhecido como um veículo importante para estimular a leitura, a interpretação, a análise, o poder de síntese, o espírito observador e científico.
O Sete de Espadas nasceu no Ribatejo, na vila da Chamusca em 1 de Fevereiro de 1921 e desde muito jovem começou a interessar-se pelo policial, lendo tudo o que sobre esse tema lhe passava ao alcance. Nesses tempos, como é óbvio, não havia as facilidades de hoje no acesso à informação e aos livros.
Em 12 de Janeiro de 1947 iniciava a sua actividade como orientador de um espaço policiário, no Jornal de Sintra, com o título Mistério e Aventura, que ele mesmo definia, em subtítulo, como uma “secção policial orientada por Sete de Espadas”.
Depois foi um nunca mais acabar, na divulgação da literatura policial e, sobretudo, na vertente da competição policial.
Que me desculpem os confrades mais antigos, aqueles que viveram com ele as aventuras do Clube de Literatura Policial, das secções no Camarada, no Cavaleiro Andante e em tantos locais, mas nós apontamos um marco que nos parece decisivo em toda a História do Policiário: O dia 13 de Março de 1975.

Nesse dia, em todas as papelarias, quiosques, pontos de venda de jornais e revistas, apareceu, apenas, mais um número do “Mundo de Aventuras”, uma revista de histórias aos quadradinhos, editada pela Agência Portuguesa de Revistas, que já vinha dos anos 40 do século XX, mas que trazia algo de novo: As últimas páginas eram identificadas como “Mistério… Policiário” e assinadas por um não menos misterioso “Sete de Espadas”!
Foi, podemos dizê-lo com toda a propriedade, o virar de página de toda uma geração de jovens, muito jovens mesmo, na casa dos 13, 14 anos, que apareceram em enorme explosão, criando um movimento imparável que nos trouxe até aos dias de hoje.
Muitos dos actuais policiaristas são produtos dessa época, eram leitores de histórias aos quadradinhos e descobriram o policiário, tornando-se detectives!
O primeiro sinal de que algo se movia, foi a grande afluência à literatura policial, a corrida aos alfarrabistas, a ânsia de ler os clássicos do policial, antes da procura dos modernos escritores. Depois, foi a quantidade de malta nova a tratar-se por nomes escolhidos pelos próprios, que podiam ser de uma personagem dos quadradinhos, de um detective da literatura, de uma abreviatura do próprio nome, de uma invenção pura… Tudo servia para nos identificarmos perante os outros. Era o Detective Invisível, o Inspector Moisés, o Ubro Hmet ou o Satanás… Poucos sabiam o nome real do confrade que estava à sua frente, nem isso era importante! Poucos sabiam o que faziam os outros na vida profissional, mas também não era necessário! O importante era o facto de estarem todos irmanados no mesmo gosto pela dedução, pelo exercício das “células cinzentas”, estarem disponíveis para se reunirem em Tertúlias Policiárias e todos os meses percorrerem o país para os Convívios, na altura única forma de travarmos conhecimento para além das fronteiras próximas.
Recorda-se, ainda hoje, uma semana em que um dos números do Mundo de Aventuras não apresentou o já habitual espaço policiário, por motivos de paginação, ou semelhante e houve um coro de protestos de tal dimensão que a Agência Portuguesa de Revistas foi obrigada a vir a terreiro prometer que não se repetiria tal ausência!
No centro de tudo, a figura simpática de um homem de barbas brancas, cabelo ralo, sorriso aberto e simpático: O Sete de Espadas.
Nos dias dos Convívios, era digno de ser visto o número de pais que chegavam perto do Sete e lhe confiavam os miúdos de 11 ou 12 anos, como se confia a um avô e lhe diziam que eram os próprios miúdos que insistiam em ir e não aceitavam um não como resposta! E o Sete, com a calma e o espírito positivo que sempre teve, lá os tranquilizava, dizendo-lhes que na tribo policiária eles estavam no local certo para crescerem, num são convívio, numa camaradagem exemplar.
Ainda hoje sentimos isso. Mesmo nós, muitos já avós, ainda olhamos para o exemplo do Sete como um aspecto importantíssimo no nosso processo de desenvolvimento. Todos crescemos muito com ele e com o Policiário. Todos lhe devemos muito daquilo que conseguimos ser. O seu exemplo, de persistência na demonstração dos benefícios do exercício de uma actividade tão saudável para o desenvolvimento harmonioso de um espírito científico, como é o caso do Policiário, em contraposição com as opiniões veiculadas em sentido contrário, de que falar de crime é incitar à violência, merece ser sempre realçado.
Daí a justeza desta recordação, numa altura em que se aproxima a passos largos uma data que passará a ser parte integrante da nossa História Policiária, quando no dia 1 de Julho de 2017, daqui a pouco mais de um ano, completarmos – se pudermos e conseguirmos – 25 anos ininterruptos de Policiário do PÚBLICO, uma tarefa que parecia impossível quando iniciámos a caminhada! É que esta secção, se teve o seu nascimento formal no dia 1 de Julho de 1992, verdadeiramente nasceu muitos anos antes, algures pelo ano de 1975, quando o Inspector Fidalgo encontrou o Sete de Espadas e ficou fascinado com o Mundo que este lhe abriu!
Mais tarde foi o XYZ Magazine, uma revista ecléctica em que o Sete de Espadas cumpriu um dos seus sonhos maiores, por entre dificuldades extremas, relacionadas com a falta de financiamento e de aposta do movimento editorial da época, que o fez avançar completamente de peito feito, sem meios financeiros, sem qualquer rede, numa aposta que encerrou uma certa dose de loucura. Foi com base no Clube dos Amigos do XYZ que o Magazine foi sobrevivendo, enviado pelo correio aos assinantes, contando com a colaboração de alguns amigos que se reuniam em sua casa, junto dos Estúdios da Tóbis, no Lumiar, fazendo o endereçamento e envio pelos Correios, em maratonas que hoje, a esta distância temporal, aparecem como recordações deliciosas de um tempo em que fazíamos as coisas acontecer, sempre com a relevância da Amizade e da Camaradagem.
Foi no dia 10 de Dezembro de 2008 que a notícia do seu falecimento correu no seio da imensa família policiária, que assim viu partir o seu principal divulgador, deixando um rasto de pesar entre a imensa legião daqueles que com ele cresceram física e mentalmente.