domingo, 17 de setembro de 2017

POLICIÁRIO 1363




RESOLVIDA A MORTE DE EUSÉBIO

O confrade Verbatim apresenta-nos a decifração da morte de Eusébio, mais um passo nas competições desta época:

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2017
SOLUÇÃO DA PROVA N.º 7 – PARTE I
“MORTE NAS TRASEIRAS” – de VERBATIM

Para resolução deste problema convirá, primeiro do que tudo, fazer um esquema dos quintais e aí localizar os corpos de Eusébio Figueira e do seu cão bem como os projécteis disparados e o silenciador.
Num rectângulo de 3x2, temos da esquerda para a direita, numa primeira fila, os quintais dos Lopes, dos Figueira e dos Silva e, numa segunda fila, os quintais dos Simões, dos Ferreira e dos Costa. No terreno dos Figueira o corpo está estendido, paralelo à base do rectângulo, com a cabeça para o lado direito, encontrando-se o cão junto dos pés do dono. Os projécteis estão à esquerda, um junto do murete de separação com o quintal dos Lopes e o outro entre este muro e o cão. O silenciador está no terreno dos Lopes.
Constata-se, de imediato, que a posição do corpo de Eusébio Figueira não conjuga com o local onde foi cair a bala que lhe entrou pela face. Ou o projéctil ou o corpo foi retirado da sua posição inicial. Como a bala que atingiu a vítima ainda bateu no muro à esquerda, tendo aí caído, então o corpo terá sido rodado de 180 graus.
Havendo sangue do cão, que jazia aos pés de Eusébio Figueira, misturado com sangue do dono, que só tinha ferimentos na cabeça, sem qualquer indício de que o corpo do cão haja sido movido, então a cabeça de Eusébio Figueira esteve a sangrar no sítio onde o animal caiu ferido e terá sido daí retirada. Sai assim reforçada a tese da rotação de 180 graus aplicada ao cadáver humano.
Verificamos, pela localização dos projécteis, que eles terão sido disparados do lado direito e, considerando o percurso na cabeça da vítima, bem como a provável altura do cão e a pouca distância a que a bala que o atingiu se alojou, que os dois tiros fatais terão sido desferidos de um nível superior ao das vítimas.
A localização de um silenciador, com sinais de uso recente, num quintal à esquerda, não concorda com os disparos vindos da direita. Podemos, portanto, começar a presumir que a rotação do corpo e o aparecimento do silenciador no quintal dos Lopes terão constituído uma tentativa de inculpar alguém do lado dos Lopes.
É possível conjecturar, também, o modo como foi rodado o corpo de Eusébio Figueira atendendo às escassas pingas de sangue entre o corpo e a porta da casa para o quintal e ao pouco sangue existente sob a sua cabeça. Assim, a vítima, agarrada talvez pelas axilas, terá sido rodada com a cabeça a passar entre o sítio onde caíra e a vivenda, para depois ficar virada em sentido contrário. Como já sangrara bastante, as pingas foram escassas e o sangue que a seguir derramou para o chão já foi pouco.
Os intervenientes neste caso, nas suas declarações, não entraram em contradição quanto aos tempos em que ocorreram ou podiam ter ocorrido os acontecimentos a que se referiram. Mesmo António da Silva, ao dizer que perto do meio-dia e meia vira o vizinho Eusébio estendido no quintal, ter-se-á reportado ao período que mediou entre a saída dos jovens do quintal, para pedir ajuda, e a chegada dos agentes da autoridade. Note-se que os rapazes deverão ter demorado menos de meia hora a vir da praia e que naquela altura não havia telemóveis.
Chegados aqui, verificamos que António da Silva será o principal suspeito. Os álibis dos dois jovens e de outros vizinhos e as declarações que ele próprio produziu levam-nos a presumir que não só poderá ter morto Eusébio Figueira como terá procurado mostrar que o criminoso seria alguém do lado dos Lopes.
Com efeito, o que foi observado permite estabelecer, como muito provável, a conjectura que se descreve a seguir. António da Silva, cerca das 10:00, munido de uma arma com silenciador, em cima de um escadote onde fingiria encontrar-se a examinar os cachos da parreira, disparou sobre Eusébio Figueira e também sobre o cão, não fosse este produzir qualquer alarme. Isto era possível e, sobretudo, concorda com o trajecto das balas. De seguida, não havendo o empecilho do animal, António da Silva decidiu alterar a cena do crime para lançar as culpas sobre os Lopes. Então, com grande risco, saltou para o lado dos Figueira, rodou o corpo e atirou o silenciador para o quintal dos Lopes, depois de o soltar e limpar com a ajuda de um trapo. Isto também concorda com a cena observada e ganha um sentido especial pelo facto de António da Silva ter afirmado que, perto do meio-dia e meia, vira Eusébio estendido no quintal, como quem tivesse levado um balázio pela frente, denunciando, desse modo, o desejo de se entender que Eusébio Figueira fora atingido por um atirador colocado no lado contrário ao seu. A arma não terá sido arremessada para o quintal dos Lopes por, talvez, ser conhecida de alguns vizinhos como pertencente ao nosso suspeito.
António da Silva também entrou em contradição quando disse ter procurado avisar alguém da casa dos Figueira para socorrer o Eusébio, supostamente por não saber bem o que lhe teria acontecido e, logo a seguir, mostrar encontrar-se em condições de perceber, mal chegaram os dois militares da GNR, que, entretanto, alguém já concluíra que o vizinho tinha sido morto a tiro.
Finalmente, pode presumir-se que António da Silva terá saído de casa para se desembaraçar da arma que utilizou, pois teve muito tempo para isso, e que ao voltar, encontrando tudo ainda muito calmo, haja ficado atento a qualquer movimento no quintal dos Figueira para, a partir daí, representar a rábula de uma pessoa surpreendida e preocupada com o que pudesse ter acontecido ao seu vizinho Eusébio Figueira.
O móbil do crime não é claro. Contudo, verificando que Eusébio Figueira assim como os seus vizinhos Silva e Lopes se dedicavam a negócios pouco transparentes e gostavam de estar armados, não será de excluir a hipótese de um ajuste de contas gerado entre traições e malsãs cumplicidades. Também não será de descartar a possibilidade de estarmos perante um crime passional devido a alguma atenção desmesurada, em relação a Eusébio Figueira, evidenciada pela exuberante chefe do clã Silva.


domingo, 10 de setembro de 2017

POLICIÁRIO 1362



ENGENHEIRO BALEADO NO SEU GABINETE

O confrade Daniel Falcão causou surpresa no Mundo Policiário com o regresso, na passada semana, dos problemas criptográficos, uma prática frequente em tempos mais remotos, mas que acabou por cair em desuso, não só porque muitos dos seus mais acérrimos cultores foram desaparecendo, mas também porque a internet se assumiu como um aliado poderoso na resolução dos enigmas, quase dispensando as infindáveis buscas em bibliotecas, na procura da “chave milagrosa”!
Não satisfeito com esta “maldade”, como alguns confrades caracterizaram o problema da passada semana e logo nos reportaram os desabafos, o confrade bracarense resolveu prolongar a “agonia criptográfica” por mais uma semana e apresentar mais um desafio com a mesma temática, mas agora com as características de escolha múltipla, integrando a parte II da prova n.º 8.
Uma agradável incursão, que se saúda e certamente fará as delícias de alguns (muitos?) e o azedume de outros (poucos?).

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL 2017
PROVA N.º 8 – PARTE II
“QUATRO SUSPEITOS E UMA PISTA” – Original de DANIEL FALCÃO

Os acontecimentos que hoje vos narramos ocorreram há um bom quarto de século, num dos primeiros dias de Verão. Como tudo era diferente. Seriam muito poucos, caso fossem alguns, que imaginariam o modo como as redes sociais e os telemóveis iriam modificar a nossa forma de agir e relacionar com os outros. Mas, quem imaginaria que estávamos a poucos horas de um momento marcante na história do policiário em Portugal.
Mas este assunto não é o foco do texto que me proponho redigir. Em vez disso, quero falar-vos sobre um homicídio cometido nessa época, nunca até hoje desvendado. Afinal, parece que existem crimes perfeitos.
Um engenheiro de telecomunicações foi encontrado morto no seu gabinete de trabalho, situado na empresa de que era o único proprietário. Fora baleado no peito e tivera morte quase imediata.
A vítima foi encontrada sentada, com o peito e os dois braços sobre a secretária, estando o braço direito estendido na direção do telefone, tendo ficado com a mão parcialmente sobre o mesmo. Parecia que a sua derradeira intenção seria discar um número de telefone, pois a ponta do seu dedo indicador estava no espaço circular sobre o algarismo oito.
Depois de passarem o gabinete da vítima a pente fino, as autoridades apenas encontraram, sobre a secretária, uma folha de papel que lhes chamara a atenção, embora não soubessem entender o seu significado, caso tivesse algum. Nessa folha apareciam escritos quatro números, cada um com três algarismos. Um desses números, 374, tinha um círculo em torno dele.
Na época, ninguém conseguiu perceber o que aqueles números, e concretamente o que era destacado pelo círculo, representaria. Mas algo lhes dizia que poderia ser uma pista para a identidade do criminoso.
Até porque, no decurso da investigação, o número de suspeitos foi delimitado a apenas quatro, exatamente tantos quantos os números redigidos pela vítima. Claro que era possível que não existisse qualquer associação entre os números e os suspeitos.
Tal como já avançamos, as suspeitas recaíram sobre quatro homens que tinham tido em tempos ligações com a vítima e que, naquela tarde, como vários testemunhos puderam confirmar, tinham passado pelo seu escritório. Em todos os casos, quem naquela tarde passou defronte da porta do escritório, fechada, percebeu que estava a decorrer uma acalorada discussão.
Confirmou-se, mais tarde, que todos os suspeitos tinham uma desavença com a vítima e todos eles tinham referido como motivo do encontro naquela tarde terem decidido resolver, em definitivo, essa desavença.
Francisco Manuel Sousa, residente em Chaves, acusava a vítima de se ter envolvido com a sua mulher e fora-o avisar para, de uma vez por todas, se afastar dela. Já José Carlos Vieira, residente em Vila Real, acusava a vítima de lhe ter pedido emprestada uma grande soma de dinheiro, a qual tardava a ser devolvida. Por sua vez, Luís Jorge dos Santos, residente em Santo Tirso, recebera uma sugestão para se envolver num negócio, mas que afinal não passava de uma fraude. Por fim, Manuel da Costa Antunes, residente em Espinho, antigo sócio da vítima, tardava em receber o valor pelo qual vendera a sua quota na empresa.
Será que algum dos detetives que tem concorrido ao longo dos últimos 25 anos na secção Policiário é capaz de indicar quem teria sido o criminoso?

A – Francisco Manuel Sousa
B – José Carlos Vieira
C – Luís Jorge dos Santos
D – Manuel da Costa Antunes


E pronto.
Agora é chegada a vez dos “detectives” regressarem à Criptografia, que o confrade Daniel Falcão resolveu servir em dose dupla!
Como habitualmente, nestes problemas de escolha múltipla apenas há que indicar a alínea que cada “detective” entenda ser a acertada, sem necessidade de mais explicações, o que, no dizer de alguns, garante uma probabilidade de acerto de 25%!
Até ao próximo dia 30 de Setembro, impreterivelmente, aguardamos as propostas de solução de ambos os enigmas (partes I e II), para o que poderão usar um dos seguintes meios:
- Pelos Correios: Luís Pessoa, Estrada Militar, 23, 2125-109 MARINHAIS;
- Por entrega em mão ao orientador do espaço, onde quer que o encontrem.

Boas deduções!

domingo, 3 de setembro de 2017

POLICIÁRIO 1361



CRIPTOGRAFIA PARA TODOS

Pela mão do nosso confrade Daniel Falcão, vamos fazer uma incursão na decifração de enigmas criptografados, colmatando uma brecha que já havia sido assinalada por alguns confrades.

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL - 2017
PROVA N.º 8 – PARTE I
“CRIPTOGRAFIA PARA TODOS” – Original de DANIEL FALCÃO

Todos nós, policiaristas, mas também seres humanos em geral, somos criptanalistas proficientes, pelo simples facto de vivermos inseridos numa cultura imbuída de códigos, os quais determinam as nossas ações, nos fornecem informação e fornecem informação sobre nós a outros.
As crianças, mesmo antes de aprenderem a falar, começam a descodificar aquilo que as rodeia. Desde muito cedo, são capazes de ler instintivamente expressões e gestos e são sensíveis à entoação.
A aprendizagem de uma língua é um processo codificado altamente complexo, envolvendo não só um conjunto de sons, mas também as regras que os regem, lado a lado com todos os gestos, entoações e expressões faciais que lhes conferem um acréscimo de significados.
A descodificação prossegue durante toda a vida, enquanto avaliamos o que está à nossa volta e aqueles que nos rodeiam, inúmeras vezes de forma inconsciente. Chegamos mesmo a aprender a ouvir aquilo que não é dito, pois a linguagem também pode ser utilizada como forma de ocultação, tanto como forma de comunicação.
Compreende-se que a ocultação também seja endémica nas sociedades humanas, visto que as linguagens e os gestos secretos são característicos de muitos grupos de pessoas, podendo servir como meio de esconder mensagens dos não iniciados.
É provável que os códigos, no sentido de mensagens deliberadamente ocultas, sejam tão antigos como os sistemas de escrita que os tornaram possíveis. Daí que, desde os tempos mais antigos, tenha sido utilizada uma extraordinária variedade de formas de escrita secretas.
Os primeiros códigos conhecidos que se serviam da encriptação para ocultar o conteúdo de uma mensagem remontam há mais de dois milénios e podem dividir-se em dois estilos: cifras de transposição, em que as letras de uma mensagem são simplesmente reordenadas, e cifras de substituição, em que cada letra da mensagem é substituída por uma outra.
Uma das primeiras formas de cifra de transposição baseia-se num algoritmo relativamente simples, o qual basicamente é uma forma de criar um anagrama da mensagem original. O sistema Rail Fence, muito utilizado pelas crianças, proporciona um texto cifrado enigmático, embora o conhecimento do algoritmo signifique que se torna fácil de descodificar.
Exemplificando com a mensagem: 25 ANOS DE POLICIÁRIO; para aplicarmos o sistema Rail Fence basta eliminar o espaço entre palavras e depois reordenar as letras alternadas da mensagem em duas linhas separadas:
  

As letras de cada linha devem ser reordenadas como um texto cifrado único ficando:


Claro que é possível modificar este sistema de múltiplas formas, como por exemplo: reordenar iniciando pela segunda linha ou reordenar do fim para o início; tornando-o mesmo mais complicado, utilizando mais de duas linhas (fazendo com que as letras formem um retângulo ou um quadrado, por exemplo) e com diferentes opções de reordenação.
Bem, sem mais demora, até porque o espaço é relativamente escasso, obviamente que não podíamos perder a oportunidade de desafiar os nossos amigos policiaristas a demonstrar os respetivos dotes de criptanalistas.
Na realidade, aquilo que vos propormos é um duplo desafio. Em primeiro lugar, pretendemos que nos esclareçam sobre a mensagem que está escondida no seguinte texto cifrado:

A I G P R C T A R T I O P A O D A F O R S

Como estamos certos que não terão grandes dificuldades em encontrar a mensagem escondida, passamos então ao segundo desafio visto que achamos que não será difícil explicar qual foi o processo utilizado para obter o texto cifrado anterior. E, para terminar, porque não exemplificar esse processo, aplicando-o para cifrar a mensagem que intitula o post de Luís Pessoa publicado no passado dia 3 de Julho no blogue Crime Público:

UM INESPERADO QUARTO DE SÉCULO LP


E pronto!
O nosso confrade Daniel Falcão surpreende-nos com um desafio sobre um dos temas mais recorrentes e apaixonantes do mundo Policiário: A Criptografia.
Infelizmente descurada nos últimos tempos, certamente por culpa de uma visão mais “acelerada” da vida, que nos conduz produtos de fácil e rápida absorção, sem digestões prolongadas, a criptografia faz parte integrante das nossas memórias policiárias.
Recordamo-nos dos primórdios das nossas participações, já lá vão mais de 40 anos, em que cada problema criptográfico demorava dias a ser decifrado, quando o era, na ausência de “google” e afins, muitas vezes com consultas demoradas em bibliotecas públicas onde tentávamos encontrar, quantas vezes sem sucesso, o livro certo para alcançar a chave de decifração.
Com a ajuda que o confrade Daniel Falcão não regateou neste seu problema, os nossos “detectives” estão convidados a decifrar o enigma proposto e, impreterivelmente até ao próximo dia 30 de Setembro, fazerem-nos chegar as propostas de solução, para o que podem usar um dos seguintes meios:
Por Correio para: Luís Pessoa, Estrada Militar, 23, 2125-109 MARINHAIS;
Por entrega em mão ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.

Boas deduções e boas férias, para quem as tem!



domingo, 27 de agosto de 2017

POLICIÁRIO 1360



SORTEIO DA TAÇA EM DIA DE HOMENAGENS


Para além dos confrontos dos oitavos de final da Taça, vamos poder recordar dois “monstros sagrados” do nosso Policiário, ambos falecidos no mês de Agosto e que tanta falta nos fazem, ao Policiário e a nós, que tivemos o privilégio de com eles convivermos: Recordamos DIC ROLAND e KO.

 OITAVOS DE FINAL DA TAÇA DE PORTUGAL

Com a aproximação do final da nossa época competitiva, a selecção vai sendo feita e os “detectives” mais apetrechados ou mais sortudos, vão conseguindo impor-se e passar eliminatórias, rumo à desejada final.
Eis os resultado do sorteio dos oitavos de final da taça deste ano, com a preciosa ajuda da inevitável “D. Sorte” a que se referia o nosso saudoso Sete de Espadas:

Daniel Falcão – Karl Marques; Búfalos Associados – Mister H; Inspector Boavida – Detective Jeremias; Paulo – A Raposo & Lena; Zé - Ribeiro de Carvalho; Rigor Mortis – Ego; Inspector Aranha – Alex; Inspector Moscardo – Deco.
Destaque para o confronto entre a Detective Jeremias e o Inspector Boavida, que vai deixar pelo caminho um forte candidato à vitória. Grande equilíbrio vai estar certamente nos embates de Daniel Falcão com Karl Marques, bem como do “mano” deste, Mister H, com a dupla Búfalos Associados; emoção e dúvida até final, vai estar presente quando Paulo e a dupla A. Raposo & Lena medirem argumentos!
Em suma, oito belíssimos confrontos, que vão abrir as portas dos quartos de final da competição aos oito “detectives” que conseguirem suplantar os seus adversários directos.

 DIC ROLAND (n. 1921.04.11, f. 2006.08.09)

Este nosso confrade apareceu no Policiário com a nossa secção. Leitor do PÚBLICO desde o primeiro número, como fazia questão de frisar, cedo foi atraído pelos desafios policiais e desde logo neles se embrenhou.
Com uma vida riquíssima e cheia de episódios, de que se destacam os passados na Índia, onde chegou a ser comandante da polícia em Goa, até à sua fixação junto de Castelo Branco, onde era gerente de uma unidade hoteleira, nos primórdios da sua participação no Policiário, tendo depois passado pelo Fratel, até se fixar em Vila Nova de Santo André, Dic Roland era, podemos dizê-lo sem exagero, um “Cavaleiro Andante” do Policiário, percorrendo o país de lés-a-lés, para onde houvesse um acontecimento, fosse ele qual fosse: campeão dos convívios, presença certa nas reuniões da Tertúlia da Liberdade, sempre pronto para dois dedos de conversa ou para a discussão de qualquer caso mais intricado!
Dic Roland vivia o “seu” Policiário com uma intensidade única e eram inúmeros os telefonemas para nos dar a conhecer factos erradamente transmitidos, ou gralhas que alteravam o sentido das coisas, ou a confirmar o envio das soluções dos enigmas…
O seu apurado gosto pelo convívio ficou sempre amplamente documentado nas realizações em que se empenhou. Na estalagem junto à Barragem do Fratel, de que era gerente na altura, com almoço e passeio por Nisa, na companhia do Presidente da Câmara da vila alentejana e visita das termas da Fadagosa. Nos convívios do litoral alentejano, já a partir de Santo André, onde fundou uma tertúlia, com os confrades Vilnosa e Sinid Agiev e que tinham sempre uma componente cultural e lúdica a não desprezar. Houve safaris no parque temático Badoka Park; houve buscas nas praias do litoral alentejano, à procura da prova necessária para a decifração de mais um caso; houve visita às ruínas da cidade romana de Miróbriga, em Santiago do Cacém…
Dic Roland foi um “detective” completo: Foi campeão nacional, conquistou a taça de Portugal, foi policiarista do ano, comandou o ranking, esteve em todos os acontecimentos importantes da nossa história, foi um mestre na arte de saber conviver.

K.O. (n. 1939.01.06, f. 2007.08.24)


Conhecemos o K.O. logo no início deste nosso espaço, no ano de 1992. Era já um policiarista antigo, que andara por muitos dos acontecimentos mais marcantes da nossa actividade e que naquele momento regressava “a casa”, à sua casa Policiária.
Decifrador de elevada craveira, entusiasta do Policiário, desde logo se destacou pelas soluções elaboradas que produzia, ao ponto de serem muitas as vezes em que combinava connosco um encontro no parque de estacionamento de um hipermercado no Cacém, para entregar um “embrulho” que continha a sua proposta de solução, à tarde, quando ele regressava a casa em Mem Martins, vindo da “sua” escola, onde leccionava e fazia parte da direcção.
Vencedor por natureza, K.O. acumulou títulos e prémios, espalhou a sua simplicidade, simpatia e entusiasmo por todos os locais por onde o Policiário passou, deixando um rasto de admiração pelas suas qualidades, muito bem secundado pela sua inseparável mulher, a D. Isaurinda, sua verdadeira “alma gémea” em tudo, sendo difícil encontrar duas pessoas tão completas, tão Amigas dos seus Amigos, tão interessadas com o bem-estar de todos à sua volta!...


O K.O., presença assídua e constante em todos os acontecimentos policiários, com a sua “metade” Isaurinda, pertence ao restrito número dos nossos Maiores e será recordado pelo seu exemplo de luta, também contra a doença que o minou. Poucos dias antes de falecer, telefonou-nos para saber se passara uma eliminatória da Taça de Portugal! O “nosso” K.O. esteve connosco até encerrar este capítulo da sua vida, sempre na convicção de poder vencer a doença e regressar. Lutador, sempre, até ao fim! Em tudo na sua vida, onde o Policiário desempenhou um papel importante.



sexta-feira, 25 de agosto de 2017

CONFRONTOS DOS OITAVOS DE FINAL DA TAÇA DE PORTUGAL - 2017

 OITAVOS DE FINAL DA TAÇA DE PORTUGAL

Com a aproximação do final da nossa época competitiva, a selecção vai sendo feita e os “detectives” mais apetrechados ou mais sortudos, vão conseguindo impor-se e passar eliminatórias, rumo à desejada final.
Eis os resultado do sorteio dos oitavos de final da taça deste ano, com a preciosa ajuda da inevitável “D. Sorte” a que se referia o nosso saudoso Sete de Espadas:

Daniel Falcão – Karl Marques; Búfalos Associados – Mister H; Inspector Boavida – Detective Jeremias; Paulo – A Raposo & Lena; Zé - Ribeiro de Carvalho; Rigor Mortis – Ego; Inspector Aranha – Alex; Inspector Moscardo – Deco.

Destaque para o confronto entre a Detective Jeremias e o Inspector Boavida, que vai deixar pelo caminho um forte candidato à vitória. Grande equilíbrio vai estar certamente nos embates de Daniel Falcão com Karl Marques, bem como do “mano” deste, Mister H, com a dupla Búfalos Associados; emoção e dúvida até final, vai estar presente quando Paulo e a dupla A. Raposo & Lena medirem argumentos!

Em suma, oito belíssimos confrontos, que vão abrir as portas dos quartos de final da competição aos oito “detectives” que conseguirem suplantar os seus adversários directos.


TAÇA DE PORTUGAL - OITAVOS DE FINAL


CONFRONTOS 

AINDA HOJE, AQUI!


domingo, 20 de agosto de 2017

POLICIÁRIO 1359



AGOSTO COM MUITA QUÍMICA
E ASSALTO DESVENDADO

Entramos decididamente na segunda parte da nossa época competitiva com a publicação das soluções oficiais dos dois desafios que nos foram propostos pelo nosso confrade viseense, Paulo.
Depois de alguma confusão originada por erro na publicação do desafio de resposta múltipla, com a incorrecta troca de personagens, erro que prontamente corrigimos no blogue Crime Público e que, de resto, a generalidade dos “detectives” logo localizou, ou não estivéssemos na presença da elite dos decifradores de enigmas policiários, os desafios mereceram elogios, sobretudo o “Vinte Anos Depois”, que “obrigou” muitos confrades a um regresso ao tempo académico.
Ainda em tempo de férias para muitos, aqui ficam as soluções propostas pelo Paulo:

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2017
SOLUÇÕES DA PROVA N.º 6 – AUTOR: PAULO
PARTE I – “VINTE ANOS DEPOIS”

O texto de Ivo Diz encontra-se cheio de referências numéricas:
Sessenta e sete anos; cinquenta e duas letras; cinquenta e sete anos; setenta e sete barquitos; noventa e nove famílias; vinte e três fábricas; das cinquenta e três que laboraram; sessenta e três dias; trinta e três anos; um desejo; oito foram as que contámos; oitenta e oito anos; dezasseis anos.
67; 52; 57; 77; 99; 23; 53; 16; 63; 33; 1; 8; 88; 16.
Este conjunto de números, aparentemente aleatório, tinha para Ivo Diz significado, que lhe era dado pela sua formação académica, que ele partilhava com Gil Pio: a química.
A cada número corresponde um elemento da tabela periódica, com o seu símbolo químico.
Ho; Te; La; Ir; Es; V; I; S; Eu; As; H; O; Ra; S
Juntando as letras vê-se o surgimento de palavras
HoTeLaIrEsVISEuAsHORaS
Separando as sílabas de modo a fazer sentido lê-se:
HoTeL aIrEs VISEu As HORaS
Parece faltar a data e a hora. Consultando o texto e utilizando a mesma chave de desencriptação, encontramos o nome de dois elementos da tabela periódica; ferro e cloro, cujos números atómicos são 26 e 17.
Colocando estes números na sequência correta em que surgem no texto, relativamente aos símbolos químicos obtêm-se HoTeL aIrEs VISEu 26 As 17 HORaS, ou, de forma mais correta:
HoteL Aires Viseu 26 às 17 horas
O encontro estava marcado para o Hotel Aires, em Viseu, no dia 26 às 17 horas.
Como o texto foi publicado no jornal de 14 de fevereiro conclui-se que o encontro será a 26 desse mês. Caso a data falhasse, bastava tentar o dia 26 do mês seguinte.

PARTE II – “ASSALTO À LEILOEIRA”

Analisem-se as declarações de Cláudio.
O vigilante afirma ter estado amarrado junto a um relógio de pêndulo deitado e que apenas percebeu o passar do tempo pelo bater das horas do relógio. Esta situação não é possível. Este tipo de relógio funciona pelo efeito da força gravítica no pêndulo. Quando o relógio está deitado, o pêndulo não oscila e o relógio não funciona, não podendo bater as horas.
Cláudio não pode estar a contar a verdade, pelo que deverá ser detido para interrogatório.
Quanto às palavras ditas por Trajano, percebemos que ele abriu a porta do gabinete, mexeu no computador e abriu a porta do armazém, mas nestes locais não há impressões digitais. Como era uma noite quente, decerto Trajano não usaria luvas, e se as tivesse usado para proteger provas decerto que o referiria nas declarações.
As suas impressões teriam que obrigatoriamente surgir naqueles locais se ele fizesse o que declarou. Ou seja, as impressões só foram limpas no gabinete depois de ter comunicado o roubo e de ter ligado o computador, nunca antes de ele ter chegado. Só podiam ter sido limpas por ele.
Logo, Trajano não conta a verdade e deverá ser detido para novo interrogatório, como suspeito.
Os factos ter-se-ão passado da seguinte forma.
Trajano, Cláudio e provavelmente mais um ou dois cúmplices executaram o roubo. Às 22 horas e 17 minutos desligaram o computador e o sistema de vigilância. Transportaram o relógio para o veículo e Cláudio e os cúmplices partiram para largarem o produto do roubo em local seguro.
Trajano ficou nas instalações da leiloeira, aguardando que chegasse a sua hora de entrar ao serviço. Limpou as impressões digitais do armazém e esperou no gabinete até às 5 horas e 56 minutos, quando ligou o sistema informático e as câmaras de vigilância. Limpou todas as impressões no gabinete e na porta deste, tendo de seguida comunicado o roubo e ficado a aguardar as autoridades, não tendo tocado em nada depois de ter limpo as impressões digitais, contrariando as suas declarações quando diz ter tocado no puxador da porta, no computador, e provavelmente noutros locais do gabinete.
Quanto a Cláudio e os cúmplices, deixaram o relógio em sítio seguro, que até poderá ser longe da serra do Caldeirão, sendo este lugar usado apenas para despistar os investigadores. Cláudio simulou o seu abandono no local onde foi encontrado, embora, aparentemente, corresse o risco de ter que esperar muito tempo por auxílio. Provavelmente poderia desamarrar-se sozinho, caso não surgisse ninguém, e simular uma procura de auxílio numa qualquer localidade próxima.
Deste modo a hipótese C é a correta, devendo Cláudio e Trajano ser detidos por suspeita de participação no assalto.