quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

FALECEU M. LIMA, NOSSO HERÓI POLICIÁRIO!

O DESFECHO JÁ ESPERADO, 
OCORREU ESTA MANHÃ, 
PELAS 8 HORAS!
M. LIMA, NOSSO HERÓI POLICIÁRIO!

No dizer do confrade JARTUR, que deu a notícia, deixou-nos "calma e serenamente, como era seu timbre" e "partiu para junto da sua esposa".
As cerimónias fúnebres vão realizar-se no sábado, pelas 15 horas, na Igreja de Paranhos, de onde o seu corpo seguirá para o crematório do Prado do Repouso.

O confrade JARTUR dá-nos a informação de que "amanhã, o Jornal de Notícias dará conta do esperado mas não desejado desenlace".
M. LIMA NUM CONVÍVIO POLICIÁRIO,
JUNTO DA DUPLA BÚFALOS ASSOCIADOS
FALANDO COM A ESCRITORA  HÉLIA (de pé)

M. LIMA, nosso Herói Policiário, andarilho incansável, protagonista de epopeias policiárias incríveis, que o fizeram percorrer o país de lés a lés, ora de combóio, ora de autocarro, convívio a convívio, com a sua inseparável máquina fotográfica, deixando-nos um espólio extraordinário de documentos fotográficos da nossa riquíssima história, deixou-nos hoje muito mais pobres com a sua ausência, mas muito mais ricos com o seu exemplo.
M. LIMA (à esquerda) COM OUTROS HERÓIS:
 SETE DE ESPADAS; INSPECTOR ARANHA; INSPECTOR MOISÉS;
JARTUR; DETECTIVE MISTERIOSO; DR. ARANHA E BIG BEN.


M. LIMA FOI AGORA ABRAÇAR  SETE DE ESPADAS,  DETECTIVE MISTERIOSO

 E  DR. ARANHA, QUE PARTIRAM ANTES DELE!


M. LIMA, sempre PRESENTE!




domingo, 16 de Novembro de 2014

POLICIÁRIO 1215

[Transcrição da secção n.º 1215 publicada 
hoje no jornal PÚBLICO]


CAMPEONATO E TAÇA - PONTO DE SITUAÇÃO
E… MAGIA COM CAMELOS!

Com as nossas competições cada vez mais ao rubro, à medida que o grande final se aproxima, vamos hoje dar uma panorâmica sobre o modo como decorrem o Campeonato Nacional e a Taça de Portugal, com 8 provas percorridas e publicar a solução do enigma que o confrade Verbatim nos propôs como parte II da prova n.º 8. Como estarão recordados, a falta de espaço e a necessidade de cumprimento dos prazos para publicação dos desafios da prova n.º 10, sob pena de não conseguirmos encerrar as competições no ano civil de 2014, fizeram adiar a divulgação da resposta dada pelo nosso confrade de Alfragide ao seu desafio sobre camelos.
Chegou agora o momento:

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2014
SOLUÇÃO DA PROVA N.º 8 – PARTE II
“MAGIA COM CAMELOS” – Original de VERBATIM

            A alínea que se ajusta ao que aconteceu é a 2 - O que Omar recebeu como comissão resultou de algo de que os três filhos não podiam dispor.
            Primeiro do que tudo temos de nos interrogar sobre o aspecto mágico da divisão dos camelos entre os três irmãos. Como é que cada um deles pôde vir a receber um pouco mais do que lhe competia? O mais velho tinha direito a metade dos 11 camelos (11:2 = 5,5), o do meio a um quarto (11:4 = 2,75) e o mais novo a um sexto (11:6 = 1,83) e, no entanto, receberam, respectivamente, 6+3+2 = 11 camelos.
Pois é, o gato está no facto de Hassan não ter distribuído toda a sua herança pelos três filhos. Deixou uma pequena fracção por atribuir. Basta ver que a soma de um meio com um quarto e um sexto não chega a um, dando 11/12 = 0,92. Havia, portanto, uma parte da herança (1/12 dos 11 camelos = 0,92 de um camelo) que tinha de ser entregue à tribo, conforme o que por ali estava estipulado. Essa pequena fracção foi habilmente dividida por Omar entre os irmãos, para lhes dar a ilusão de que podiam dispor dela para a entregarem, sob a forma de dinheiro, como comissão do serviço que ele lhes prestara e que previamente com eles acordara.
Vê-se, portanto, que os três irmãos entregaram a Omar algo de que não podiam dispor, devido ao facto de os chamados excedentes sobre aquilo que esperavam (0.5+0,25+ 0,17 = 0,92 de um camelo) pertencer à tribo e não a eles.
A alínea 4 não pode ser considerada correcta porque Omar não arranjou maneira de ficar com uma parte da herança que Hassan destinara aos filhos. Ele arranjou maneira, isso sim, de ficar com a parte da herança que era devida à tribo, obtendo para o efeito a concordância dos três filhos que julgaram ter-lhe entregue algo que só a eles pertencia.
Consta que Omar, alguns anos depois, veio a ser banqueiro em Córdova, mas não é de crer que uma pessoa como ele possa alguma vez ter sido banqueiro.

CAMPEONATO E TAÇA
PONTO DA SITUAÇÃO APÓS 8 PROVAS

A Taça de Portugal está ao rubro, como convém!
Depois de muita luta pelos apuramentos nas sucessivas eliminatórias – recordamos que uma grande parte dos nossos “detectives” passaram no desempate com os seus opositores directos – as boas prestações de 4 confrades abriram-lhes as meias-finais da Taça: Daniel Falcão, Detective Jeremias, Mister H e Paulo vão decidir quem passa à final, podendo, então, conquistar o troféu.
A “D. Sorte”, como referia amiúde o saudoso “SETE DE ESPADAS” decidiu que os confrontos juntassem o confrade morador em Braga, Daniel Falcão e a Detective Jeremias, herdeira das tradições da Tertúlia Policiária Ribatejana. Um confronto entre o representante minhoto e a porta-voz de um Ribatejo cheio de tradições policiárias…
No outro confronto, o confrade de Torres Vedras, Mister H vai medir argumentos com Paulo, um viseense cheio de recursos, numa eliminatória que vai ser, quase de certeza, bem equilibrada e decidida em minudências!
Uma vez terminado o prazo para envio das propostas de solução aos enigmas policiários da prova n.º 9, aguarda-se com natural expectativa a notícia dos finalistas que irão medir forças nos problemas do confrade M. Constantino.
Como sempre acontece ao longo de todos os anos que já levamos de Policiário, não há favoritos! Um momento de maior lucidez ou inspiração pode dar o trunfo necessário para uma vitória.
Em breve saberemos!

Relativamente ao Campeonato Nacional, a emoção e a incerteza repetem-se, em doses maiores, porque são em maior número os confrades que ainda aspiram aos lugares mais cimeiros e ao título de campeão.
No topo da classificação estão três policiaristas, em igualdade pontual: Os dois “manos” de Torres Vedras, Karl Marques e Mister H, mais a dupla Búfalos Associados, membros e animadores da Tertúlia Policiária da Liberdade.
Após estas 8 provas, apenas estes três participantes conseguem reunir a totalidade dos pontos em disputa, o que atesta a dureza da competição, por um lado e a mestria e atenção dos confrades nos momentos de resposta, por outro.
Para já, o desempate é feito nos termos regulamentares, que colocam no primeiro lugar e mais forte candidato à vitória o confrade Mister H. Mas ainda há muita água por passar debaixo das pontes, como se costuma dizer!
Na perseguição, há confrades de muito “peso”; A dupla lisboeta A. Raposo & Lena; a escalabitana Detective Jeremias; o viseense Paulo e o confrade residente em Alfragide, Verbatim. Um ponto apenas os separa do trio da frente, uma diferença perfeitamente recuperável face às dificuldades que ainda restam.
Um ponto abaixo destes, ou seja, a dois do trio da frente, os portuenses Agente Guima e Inspector Boavida; o minhoto Daniel Falcão; o viseense Zé; o ribatejano Inspector Aranha e, finalmente, o lisboeta Ego. Chamamos a atenção para o facto de alguns dos confrades não serem naturais das cidades ou zonas que mencionamos, mas ali residentes.
Podemos inferir do que ficou dito, que a competição continua renhida, com prognósticos muito reservados, que só o futuro desvendará!
Resumindo, o Policiário continua igual a si mesmo!


sábado, 15 de Novembro de 2014

CONFRADE M. LIMA EM ESTADO MUITO GRAVE


Que Deus lhe dê, quando chegar a hora, um final de vida em Paz e Tranquilidade.
Como é meu dever de Amigo, dar-vos-ei as informações que me chegarem.
Grande abraço do 

JARTUR


A NOTÍCIA VEIO DO CONFRADE JARTUR, A QUEM AGRADECEMOS PENHORADAMENTE,  DIRIGIDA AO NOSSO MUNDO POLICIÁRIO.
 O M. LIMA, DE QUEM FALÁMOS MUITAS VEZES, COMO EXEMPLO DE AMIZADE E CAMARADAGEM, PARCEIRO IMPRESCINDÍVEL NOS NOSSOS INÚMEROS CONVÍVIOS, ONDE TIRAVA SEMPRE IMENSAS FOTOS QUE DEPOIS FAZIA CHEGAR AOS PRESENTES, ESTÁ INTERNADO EM "ESTADO MUITO GRAVE" E SEM GRANDES ESPERANÇAS DE RECUPERAÇÃO. 
NESTA HORA, ESTAMOS CERTOS QUE PODEMOS FALAR EM NOME DE TODO O POLICIÁRIO, DEIXANDO AQUI UMA HOMENAGEM SINCERA A MAIS ESTE NOSSO HERÓI POLICIÁRIO QUE FAZ PARTE INTEGRANTE DA NOSSA HISTÓRIA.
M. LIMA, SEMPRE PRESENTE!




M LIMA COM A TERTÚLIA DO NORTE,
EM SANTARÉM

EM MARÇO DE 1976 EM COIMBRA COM OUTROS
 "MONSTROS SAGRADOS" DO POLICIÁRIO

domingo, 9 de Novembro de 2014

POLICIÁRIO 1214


[Transcrição da secção n.º 1214 publicada 
hoje no jornal PÚBLICO]

O MESTRE M. CONSTANTINO FILOSOFANDO SOBRE MAÇÃS:
CULPADAS OU INOCENTES?

Termina hoje a época competitiva no que refere à publicação de desafios e termina da melhor maneira com um problema do Mestre, ou seja, com a “marca registada M. Constantino”, garantia de qualidade:

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE POORTUGAL
PROVA N.º 10 (ÚLTIMA) – PARTE II
“A CULPA É DA MAÇÔ – Original de M. CONSTANTINO

Eva, a bíblica mãe de todas as mulheres do planeta Terra, ao convencer o frouxo e imprevidente Adão a compartilhar consigo a maçã da árvore proibida, não só sepultou a inocência humana como originou a perda do único paraíso terreal. Daí, provado o deleitoso sabor da “fruta”, jamais parou… pais, seus filhos, filhos dos filhos… enquanto o gasto e “chifrudo” Adão, a braços com a falta de uma costela, mirrado pela artrite imposta pelos anos, esconde as exaustas vergonhas com uma parra, ela serpenteava, nua de corpo e de pudor…
Milénios sucedem-se a milénios. Ao longo de muitas vidas, gerações de gerações, Adões e Evas acusam a mesma demanda…
E a culpa é da maçã!
Entre o bem, o mau, o execrável, vive-se da “fruta”, mata-se e morre-se pela “fruta”. Um anelo tentante alicia milhões de Evas. Entretanto, aparece sempre um Adão com jeito especial para lidar com o ardil da serpente, o feitiço de engodo…
Muitas Evas, menos cuidadas, ovelhas tresmalhadas aos olhos do lobo mau – de preferência as mais abonadas – nutriam-lhe a voracidade.
Viera de longe, Nada o ligava à remota paisagem. Ao longo de muitas vidas criadas, correspondentes a outros horizontes, deixava um rol avantajado de Evas endinheiradas, adúlteras reduzidas à penúria pela chantagem, suicídios estranhos, desaparecimentos misteriosos sem explicação. Não receava os maridos, irmãos ou familiares, certo que estes temiam pela sua reputação, já que as investigações policiais raramente lhe passavam perto.
Dizia-se Alberto du Buiãs, de ascendência francesa, menos de quarenta anos de idade, esbelto e atraente, olhes azuis (no presente), moreno de dentes brancos e sorriso demolidor.
Frequentava o casino local, onde se fazia notar pela indiferença pelas perdas, ressarcidos os ganhos resultantes do conhecimento e companhia de belíssimas mulheres. Parece não ter tido dificuldades em se introduzir no clube desportivo da “alta-roda”, mercê da descontraída posição social – o título de barão – e a atraente audácia. Ali se tornou conhecido e companheiro assíduo de Glória e Dina, duas amigas de infância, frequentaram a mesma escola particular e moravam na mesma rua da zona elegante da cidade. As raparigas estavam encantadas, apaixonadas, todavia nunca discutiam entre si as suas intimidades e emoções.
Glória, de 26 anos, loura, delgada de cintura e seios proeminentes, ousados, divorciada recente, recebia uma grossa mesada e adquirira 4 milhões, de indemnização, para calar o escândalo de ter encontrado o ex-marido, político influente, na cama, com uma colegial de 14 anos.
Dina, mais alta que a amiga, igualmente esbelta, belíssima morena de 29 anos, viúva de um industrial vítima de uma competição automóvel, herdara um negócio orçado em quinze milhões, a par de acções, obrigações e títulos vários, valiosos.
Não tinham filhos ou outros familiares, excepto um vago irmão desta última, de paradeiro desconhecido.
Ambas desportivas; para além do treino de manutenção, Glória era uma excelente atiradora com qualquer arma, Dina destacava-se na luta e defesa pessoal.
Tudo isto era do conhecimento do “barão” que, racionalmente, cortejava ambas, sem se decidir. Inesperadamente, nos primeiros dias da semana, Glória não aparecera no seu clube, o seu veículo desportivo foi assinalado na cidade vizinha. Quando voltou deu-se o contrário, foi Dina que não apareceu. Ninguém, nem elas, comentaram o significado das ausências. Tudo voltou à normalidade.
Alberto comprou duas lindas salvas de prata iguais. Levou uma a Dina; deixou-a sobra a mesa da sala com uma pirâmide de maçãs, que ele próprio compôs. Procedeu de igual modo com Glória. Sabia que apreciavam. Nessa tarde, Dina visitou a amiga e, feliz, contou que ela e Alberto aguardavam um navio de cruzeiro para partirem numa volta ao mundo e casariam a bordo. Não esperava a reacção de Glória:
- Oh, não! Isso é impossível! Não pode ser… negociei… fiz um acordo… vou ficar sem nada… prefiro morrer!
Apanhou uma arma da estante. Dina viu o dedo puxar o cão e a trava de segurança; a arma dirigir-se para o peito, saltou levando a mão para o alto. A arma caiu no chão e disparou-se, atingindo Glória. Foi este o depoimento que telefonicamente prestou à judiciária e ficou gravado. Telefonou a Alberto.
Quando este ainda estava à porta tentando acalmá-la, chegaram os inspectores Mateus e Elias. Entraram na sala. Este começou por fotografar tudo, enquanto Mateus se debruçava sobre o corpo estendido no chão, meio de lado. Notou o buraco de entrada da bala um pouco acima do mamilo esquerdo e o de saída no lado oposto, onde caíra sobre um ligeiro charco de sangue. A arma, perto dos pés, foi levantada com um lápis delgado enfiado no cano, depois de desenhado o contorno no chão; viu que estava carregada e voltou a colocá-la no lugar. Foi junto à estante, perto onde se encontravam armas de todas as espécies, entre as de duelo e defesa pessoal, todas carregadas e com gatilhos muito sensíveis, próprios de um atirador experiente. Ouviu o depoimento de Dina, que coincidiu com o registado na Polícia, enquanto Alberto, parecendo mostrar forte emoção, sentou-se tapando os olhos com as mãos. Dina andava de um lado para o outro, como atordoada. Ao passar pela pirâmide de maçãs em cima da mesa, pegou na de cima e lamentou:
- Querida amiga, nem provou as maçãs de Alberto…
Mordeu a maçã e começou a comê-la… de repente soltou um grito estridente, levou a mão à garganta, a respiração tornou-se estertorosa, deu um passo e caiu com convulsões intensas. Alberto ouviu o grito, viu o pequeno pedaço de maçã na mão da moça e gritou:
- Engasgou-se… engasgou-se!
Correu para ajudar mas Mateus adiantou-se; conseguiu abrir a boca de Dina, mas não viu o pedaço de maçã e sentiu o cheiro de amêndoas amargas. O rosto da vítima tornou-se violáceo… deu um suspiro profundo… o último. Procurou sinais de vida, não os encontrou.
- Está morta! Anunciou.
- A culpa foi da maçã!... Fiquei sem uma boa amiga e agora, sem a minha noiva! Tenho que sair daqui, preciso de ar! Posso sair, inspector?
- Não, não pode. Precisamos do seu depoimento. E acrescentou, pegando no telemóvel: E a porra do médico legista que não chega! Deve estar a jogar às cartas com os do laboratório…

É a vez dos leitores. Face ao exposto, quais as conclusões a tirar?
1- Um homicida?
2- Dois homicidas?
3- Um suicídio?
4- Dois acidentes?



E pronto.
Resta aos nossos “detectives” dizerem-nos, impreterivelmente até ao próximo dia 5 de Dezembro, para o que poderão usar um dos seguintes meios:
- Pelos Correios para Luís Pessoa, Estrada Militar, 23, 2125-109 MARINHAIS;
- Por e-mail para um dos endereços:
- Por entrega em mão ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.
Boas deduções!


domingo, 2 de Novembro de 2014

POLICIÁRIO 1213

[Transcrição da secção n.º 1213 publicada 
hoje no jornal PÚBLICO]

QUEM MATOU A MAMÃ D. FLORIPES?

Encerramos a nossa época de competição com um desafio do nosso grande “mestre” da produção policiária e querido Amigo M. CONSTANTINO, que nos traz um problema do quotidiano, escrito com o entusiasmo que ele tão bem vai renovando, ano após ano.
Ainda aguardando a homenagem que o nosso Mundo Policiário lhe deve pelo imenso que tem feito por ele, aqui deixamos uma primeira e singela pedra.

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL - 2014
PROVA N.º 10 (ÚLTIMA)  - PARTE  I
“O ASSASSINATO DE MAMÃ D. FLORIPES” – Original de M. CONSTANTINO

Coube a R.R. (Rui Rapidinho), Inspector da Judiciária, em Lisboa, a investigação do assassinato no “Edifício Azul”, um prédio construído de raiz nos finais de 1970, como centro comercial, o vulgar “shopping” de hoje, que não resultou e foi posteriormente adaptado a apartamentos de habitação dimensionados, com meia dúzia de lojas no r/ch, sem acesso ao interior. Deslocou-se ao largo dos Milagres, situação do edifício; a mesma zona pouco movimentada de outrora, as mesmas árvores – o cenário da sua infância. Parou atrás do carro patrulha, identificou-se e entrou: à esquerda o cubículo do porteiro, à direita, ao fundo, uma janela-porta de vidro, gradeada, espalhava luz. Foi levado para a primeira habitação, em frente e à porta da qual esperavam duas mulheres e o polícia que a vedara com uma fita. Passou por debaixo enquanto registava a hora (15.40), para ter uma surpresa: a assassinada era a mamã D. Floripes, sua conhecida. Fora estrangulada com um lenço, talvez o caído no ombro. O cofre na parede, que se adivinhava oculto sob um quadro surrealista, estava aberto, sem qualquer jóia ou dinheiro. Uma velha carteira, sem uma única moeda, fora atirada para o chão. Assassinato e roubo – pensou. “A vítima que apresentava cerca de sessenta anos bem cuidados, recordou-lhe a esbelta viúva endinheirada. Conheceu um caixeiro-viajante, viúvo com um filho menor, que aceitou como se fosse seu. Este, Rod (Rodrigo Rodrigues) começou por lhe chamar D. Floripes, depois mamã D. Floripes; não era bom aluno, trazia sempre dinheiro e aproximou-se dele, R.R., porque lhe fazia os trabalhos de casa. Lembra que aguardava no largo enquanto o condiscípulo usava a sua técnica secreta para entrar no edifício e em casa assaltar o frigorífico e os pastéis de nata. Anos depois a senhora descobriu que o namorado tinha outra amante no Porto. Despachou-o em grande e Rod acompanhou o vingativo pai. O rapaz, ainda assim, quando precisava de dinheiro, conseguia chegar a Lisboa e levar algum da bondosa senhora. Cresceu sem interesse pelos estudos e trabalho, fascinado pela noite”. Sem mexer no corpo, sempre de luvas e sapatos protegidos, observou a fechadura da porta arrombada, cerrada com duas voltas de trinco e procurou uma chave, encontrando três exemplares na caixa do correio, que preparou para análise laboratorial. Entretanto chegou o parceiro de equipa com o legista e os homens do laboratório que fotografavam tudo, procuravam impressões digitais e indícios, examinando e discutindo. O telefone soou. R.R. hesitou e acabou por atender: - É da casa da D. Floripes? Pode passar-lhe o auscultador?
- De momento a senhora não pode atender. Quer deixar recado?
- Sim, diga à mamã que chegarei à noite. Tive uma avaria no carro e estou em Santarém, na zona industrial.
Desligou sem se identificar, contudo reconheceu a voz. Arrependeu-se de ocultar a morte da mamã, memorizou telefonar à polícia de Santarém para encontrar a oficina e dar a notícia. Depois de anotar o número de telefone, optou por ouvir as mulheres que aguardavam à porta.
Foi Marta, a vizinha e amiga da vítima, quem dera o alerta. Vira Flor, cerca das 9, à porta, a despedir-se do empregado dos telefones e combinaram a usual saída às 15 horas. Flor era de hábitos constantes. Levantava-se cedo, às 8 fazia uma refeição de cereais e fruta. Íamos ao Largo andar duas horas, ouvia o programa “Você na TV”, fechava a televisão e almoçava. Hoje fiquei admirada de continuar a ouvir o televisor, mas só me assustei quando bati à porta e não obtive resposta. Insisti e acabei por pedir auxílio à esposa do porteiro, que arrombou a porta com uma tranca. Não mexemos em nada, saímos logo que vimos a tragédia. Sim, acho que teria muito dinheiro em casa e jóias, o falecido foi empreiteiro das obras do edifício e comprou a sua casa e maia dúzia de outras habitações. Não conheço inimigos, a não ser, talvez, o Pedro do 1.º andar que namorava com ela e foi “corrido” recentemente, acusou-o de ser um “gigôlo” e tirou-lhe a chave da casa mesmo à minha frente. Desde então tem feito um cerco a bater-lhe à porta e a telefonar noite e dia… ala decidiu mudar o número do telefone. A esposa do porteiro fez o que lhe pareceu melhor, arrombar a porta, não se lembrou dos bombeiros mas chamou a polícia logo que descobriram o corpo. O porteiro, com as mãos entrapadas por se ter queimado no fogão, deu entrada a Pedro, vindo da noitada, no momento em que D. Floripes estava à porta a despedir-se do operador dos telefones e trocou breves palavras com a vizinha. Apenas saiu do seu posto (só o deixa depois de todos os habitantes estarem em casa) para atender duas chamadas na cabine do salão, sem que ninguém respondesse. Registou 11.10 e 11.30 horas. Não entrou ou saiu alguém estranho. Deu-lhe o número do apartamento de Pedro e R.R., antes de subir entrou na cabine, relíquia do passado, fixada a cerca de 15 metros da janela da vítima e da porta de Marta, no amplo salão de exposições, com a grande porta-janela idêntica à já descrita.
Claro que Pedro, tonto de sono, não tinha álibi e pouco adiantou.
De volta à sede da PJ, fez várias diligências e iniciou um relatório.
No afã, acabou por não telefonar a Rod depois que a polícia de Santarém localizou a oficina para onde foi rebocado o automóvel desde o “Pingo Doce”, pouco antes das 13 horas. Contudo, na manhã seguinte soube que ele falara com o porteiro e comunicara com a Judiciária para falar com o investigador, o que foi recusado. Pelo dia adiante foi informado pelo centro telefónico que do telefone no local do crime passaram 3 chamadas: 2 entre a telefónica e o operador, outra proveniente de um telemóvel detectado em Santarém. “As duas chamadas para o número da cabine são as únicas de um telemóvel sem identificação, segundo a operadora, com o n.º Y, não detectável por ter sido destruído o cartão SIM após o último contacto”.
A autópsia foi conclusiva: “sulco horizontal em volta do pescoço, língua entre as arcadas dentárias, lesões internas com fractura do aparelho laríngeo, confirmaram estrangulamento; a digestão dos alimentos parou sensivelmente 3 horas após a ingestão.”
“O laboratório encontrou partículas de unhas no lenço; impressões digitais em geral são da vítima; no telefone do operador telefónico; as chaves contém vestígios digitais dó da vítima, uma, outra daquela e de Pedro, a última foi limpa.”
Rapidinho pôs de parte os relatórios e entregou-se ao raciocínio: se não tinha dúvidas “quem”, ainda se interrogava “como”, se bem que já tivesse uma teoria.

Desafio ao leitor: O Rapidinho parece já saber quase tudo, mas não tudo!
Compete aos nossos “detectives” juntar todas as pontas e elaborarem os relatórios que ele pôs de parte.

E pronto.
Resta aos confrades enviarem a sua proposta de solução impreterivelmente até ao próximo dia 5 de Dezembro, para o que poderão usar um dos seguintes meios:
- Pelos Correios para Luís Pessoa, Estrada Militar, 23, 2125-109 MARINHAIS;
- Por e-mail para um dos endereços:
- Por entrega em mão ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.
Boas deduções!



   

quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

A PENSAR EM 2015: O FIM DO CAMINHO?


O FIM DO CAMINHO?



Esta missiva é dirigida aos confrades a quem poderemos chamar, sem qualquer espécie de dúvidas, o “112” do nosso Policiário.

Como é sabido, depois de muitas décadas de Policiário e mais de 22 anos nas páginas do PÚBLICO, o cansaço vai-se apoderando de nós, a inércia vai sendo mais penosa de vencer, enfim, ninguém caminha para novo e a idade (física e mental) acaba por adquirir um peso que não é imaginável no início da caminhada.

Chegámos ao limite!

Não é aceitável que havendo um espaço semanal num jornal diário de grande circulação, o mesmo acabe por ser “desperdiçado”, por incapacidades próprias.



Vem isto a propósito de PRODUÇÕES!



Caros Amigos:
NÃO HÁ PROBLEMAS POLICIÁRIOS!
NEM BONS, NEM MAUS!
PURA E SIMPLESMENTE, NÃO HÁ!

Perante o panorama presente, que já se vem a manifestar há algum tempo, mas agora atingiu um limite extremo, entendemos não haver grandes alternativas. Não podemos continuar a “segurar” um espaço onde publicamos problemas em que a vertente dedutiva anda por longe e as soluções não se adequam ao desenho dos casos, tornando insustentável a defesa dos aspectos competitivos, perante o Jornal.

Enfim, a crise agudizou-se de forma extrema e restam, a nosso ver, três alternativas:

- Encerrar o espaço de forma definitiva;

- Abandonar o esquema actual de competições, retirando a “carga” de Campeonato Nacional e Taça, etc., que acabam por estar a ser usados abusivamente, por não reunirem qualidade para tal;

- Promover mais uma derradeira tentativa, junto dos confrades mais entusiastas, pedindo produções de qualidade, eminentemente dedutivas, de molde a podermos fazer uma boa competição em 2015.


Se a primeira hipótese é a mais simples e prática, a segunda poderá conferir uma boa alternativa para manter um nome, uma “marca”, sem sobressaltos.

Com a terceira, criamos mais uma dose de incerteza, ou pelo menos prolongamo-la por mais algum tempo, dando-nos mais algum espaço para “sentirmos” o futuro.
Nesta terceira hipótese, não é necessário que as produções nos sejam enviadas já. O tempo é bom conselheiro e problemas elaborados com tempo e disposição ficam bem melhores; o que é necessário é que os nossos Amigos e confrades garantam este esforço que é pedido e que as produções vão aparecer, para que o ano de 2015 seja um ano de competição de qualidade, como deviam ser, de resto, todos os anos.

Sabemos que estamos em falta perante os confrades, que os prémios “desapareceram” e não se vislumbra hipótese, mesmo remota, de poderem regressar em breve, perante as dificuldades que a publicação vem demonstrando, mas aqui fica um novo pedido de sacrifício para que a nossa “marca” não se perca em definitivo.

Uma certeza queremos aqui deixar: Se não for possível garantir um lote de produções que ofereça garantias para toda a época 2015, a secção acaba mesmo, pelo menos nos moldes actuais!

Estamos perante “o fim do caminho”, onde nos conduzem as pegadas que durante anos foram a nossa imagem de marca? 


 




segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

TAÇA DE PORTUGAL - 2014 - MEIAS FINAIS

 CONFRONTOS DAS MEIAS FINAIS

DANIEL FALCÃO
DETECTIVE JEREMIAS



          x




_______________________________________

MISTER H

PAULO







                       x




AOS QUATRO, 
               BOAS DEDUÇÕES!