domingo, 21 de agosto de 2016

POLICIÁRIO 1307




SOLUÇÃO PARA TRAGÉDIA FAMILIAR


Mais um passo é dado na competição desta época com a publicação da solução oficial que os confrades Búfalos Associados deram ao seu desafio. A circunstância de estarmos perante um dos campeões nacionais de produção, que na época 2007/2008 dominou a competição, era sinal mais que evidente de que havia necessidade de cuidados redobrados para que não houvesse surpresas classificativas.

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2016
SOLUÇÃO DA PROVA N.º 6 – PARTE I
“UMA TRAGÉDIA FAMILIAR” – de BÚFALOS ASSOCIADOS


            "Ana pôs-se a caminhar ao longo do cais. (...) Num passo rápido e ligeiro, postou-se junto da via, e olhou a parte inferior do combóio que roçava por ela, as correntes, os eixos, as grandes rodas de ferro fundido, procurando medir com o olhar a distância que separava as rodas da frente das de trás. (...) Encolheu a cabeça entre os ombros e, com as mãos para a frente, atirou-se de joelhos para debaixo do vagão. Teve tempo de sentir medo. (...) Mas uma massa enorme, inflexível, bateu-lhe na cabeça e arrastou-a. "Senhor, perdoai-me!", murmurou ela, sentindo a inutilidade da luta. E a luz que para a infortunada iluminara o livro da vida, com os seus tormentos, as suas traições e as suas dores, brilhou de súbito com um esplendor mais vivo, depois crepitou, vacilou e extinguiu-se para sempre."
            Garrett voltava a ler as palavras da passagem do romance "Ana Karenina" de Leão Tolstoi em que a protagonista, num gesto desesperado, se atira para debaixo de um combóio e põe termo à vida. E pensava se teriam sido semelhantes os últimos segundos de sua trisavó Carolina quando desapareceu deste mundo. Na verdade nunca foram apresentadas em tribunal provas consistentes contra ninguém e a tese de suicídio foi a conclusão. O próprio Garrett, tantos anos depois não podia concluir outra coisa. A verdade é que a história da trisavó Carolina sempre o impressionara pelas semelhanças com o romance: uma mulher na força da vida que não resiste à indiferença de dois homens que amara, o marido e um jovem oficial de cavalaria, e desaparece inglória e tragicamente. "Até prova cabal em contrário, ninguém poderá afirmar que Carolina não se terá suicidado", concluiu.
            Alguém contestou: -"Mas as justificações que o Leopoldo terá apresentado para manifestar a sua inocência estavam recheadas de falsidades. Isso não pode ser suficiente para o incriminar? Na verdade, se os acontecimentos tiveram lugar em 1900, ano em que, de facto, morreram Eça de Queiroz e António Nobre, já a inauguração da Torre Eiffel não foi durante a Exposição Universal desse ano, mas sim durante a de 1889, acontecimento que celebrara o centenário da Revolução Francesa. E mais: o ano de 1900 não foi bissexto, razão pela qual o Leopoldo não podia ter embarcado no dia 29 de Fevereiro."
            E Garrett esclareceu: "Essas declarações não terão sido produzidas em tribunal, mas sim bastantes anos depois em conversas familiares. De resto nunca as ouvi, vieram até mim por relatos indirectos. E penso que talvez o meu perturbado trisavô, já numa idade avançada, tenha feito tais confusões na ânsia desesperada de se justificar. A mais perturbante confusão seria a de julgar bissexto o ano de 1900, uma vez que 1896 e 1904 o foram. O que acontece é que o calendário gregoriano alterou a regra dos anos bissextos serem de quatro em quatro anos para acertar a duração média dos anos, e deixou de ser bissexto o último ano de cada século cujo número de centenas não fosse múltiplo de quatro. Por isso 1900 não foi bissexto. Isso e a confusão com a Torre Eiffel, não creio que sejam factos suficientes para acusar o Leopoldo de homicídio. De falta de memória, talvez. E para ele talvez tenha sido castigo suficiente ter continuado a viver sem saber se a criança que nascera era seu filho ou do Adérito... Toda a descendência vive até hoje nessa dúvida, incluindo a tia Laurinda e eu. De qualquer modo recomendo sempre a leitura de "Ana Karenina", que é uma verdadeira lição de vida. Aí, sabe-se que o filho que nasce não é do marido..."
            Alguém disse: -"E já que se falou do Adérito. Será credível ele ter ido a Tomar comer lampreia?" -"Claro que é, (respondeu Garrett) o rio Nabão é rico em lampreia, um apreciado ciclóstomo que é uma das iguarias que se comem na cidade de Tomar, de Janeiro a Março, a época apropriada. Falo por experiência própria."

                                              
ESCLARECIMENTO

Uma parte dos nossos “detectives”, particularmente aqueles que mais militantemente seguem as nossas competições, já manifestaram a sua estranheza pelo modo como esta tem decorrido, nomeadamente no que diz respeito aos atrasos na divulgação das classificações, dos sorteios dos confrontos, etc.
Como já tivemos oportunidade de explicar no blogue Crime Público, estes atrasos ficam a dever-se ao transvio de uma “pen” onde o orientador deste espaço tinha todos os ficheiros relativos às diversas classificações, bem como problemas e respectivas soluções, textos diversos e muito material já adiantado com vista a publicação futura. O mesmo é dizer que acabámos por ficar “no escuro”, sem acesso sequer às pontuações da prova n.º 4 que já estavam lançadas directamente no ficheiro da “pen” desaparecida.
Como única hipótese tivemos de proceder à releitura e sequente reclassificação das mil e muitas propostas de solução, tarefa que se revelou bastante penosa, sobretudo porque procurámos seguir um critério que fosse em tudo semelhante ao da primeira avaliação.
Mas, também neste processo surgiram outras dificuldades, quando verificámos que não constavam as soluções de alguns dos nossos “detectives” mais assíduos, que nos recordávamos terem respondido! Entramos em contacto com todos os ausentes, mas o período de férias não ajudou e alguns não tinham meios para nos fazer chegar cópias e comprovativos de envio atempado…
Para agravar este cenário, alguns confrades remeteram cópias das suas soluções extemporaneamente, sem serem solicitadas, o que acabou por “engarrafar” ainda mais toda a situação!
De qualquer forma, tudo parece estar já debaixo de controlo e a caminho de resolução.
O orientador assume as suas culpas por inteiro e vem efectuando uma autêntica maratona para que os atrasos sejam suprimidos e a competição possa seguir o seu curso, com a normalidade possível.



            




sexta-feira, 19 de agosto de 2016

MAIS COMPLICAÇÕES...

MEUS CAROS:

Quando um problema surge, logo outros se lhe juntam!

Enquanto procuramos por todos os meios debelar todas as situações criadas pela nossa incúria relativamente à "pen" transviada, passou-nos o facto de já estar enviado para o PÚBLICO o texto relativo à próxima secção, a ser publicada no domingo, com a solução da prova n.º 6, de autoria de BÚFALOS ASSOCIADOS, quando ainda não temos conhecimento dos confrontos para a Taça de Portugal!

Em tempo de férias, com tudo a meio gás, não temos a mínima hipótese de substituir o texto, pelo que terá mesmo de sair!

A grande maioria, melhor dizendo, a quase totalidade dos confrades já procedeu ao envio da proposta de solução, mas em termos regulamentares, o mesmo apenas deverá ocorrer depois de conhecidos os confrontos...

Por se tratar de uma situação excepcional, apelamos aos confrades que ainda não enviaram a sua solução, que o façam com a máxima brevidade, antes da publicação da solução oficial, no sentido de podermos manter a nossa competição. A alternativa será a eliminação da prova, prejudicando gravemente a competitividade e o esforço de todos, principalmente da dupla autora do desafio, que veria, assim, todo o seu trabalho inutilizado.

Fica o nosso apelo, com a certeza de que os confrades e "detectives" compreenderão o estado de emergência em que estamos mergulhados...

Obrigado a todos!




domingo, 14 de agosto de 2016

POLICIÁRIO 1306



COISAS DA LUA E DO LUAR

Com votos de boas férias para quem as tem, a nossa secção de hoje é feita sob o signo da Lua e do luar, quer no desafio proposto, que na solução do enigma do confrade Rip Kirby que publicámos há duas semanas.


CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2016
PROVA N.º 7 – PARTE II
BRUXARIA EM FASE DA LUA – Original de TUGA INDOMÁVEL


A estrada estreitava muito e só dava passagem a uma viatura de cada vez. O automobilista meteu travões a fundo, colocou o carro em ponto morto e saiu apressadamente, correndo imediatamente pelos campos, deixando mesmo a porta aberta.
Os condutores que vinham atrás, foram parando e olhavam para o corredor que prosseguia a sua estranha prova… Os acompanhantes dos outros condutores debruçavam-se para cima deles, tentando seguir tão insólita situação. De repente, eram dezenas de pescoços virados para a direita, num ritual estranho.
Para onde ia ele tão apressado?
Ninguém conseguia dar uma resposta, para além da usual “pirou de vez!”
O desacato foi tal, com trânsito parado e engarrafamentos monstruosos, que a polícia teve de acorrer ao local. Como o carro estava a trabalhar, parecia ser uma operação fácil remover a viatura para um local menos conflituoso, mas a verdade era outra e a polícia não queria assumir a responsabilidade de entrar no carro e eventualmente destruir provas
Depois de muito tempo de paragem, lá veio a polícia especializada em recolher indícios e verificar que não havia nada no carro que pudesse ser perigoso, bombas ou outros engenhos.
Finalmente, tudo serenou e o condutor foi identificado como um emigrante português neste país, o que fez com que a polícia se pusesse em campo para o apanhar e tentar saber porque fizera tal coisa.
Alguns dias depois foi detido e no interrogatório contou uma história que parecia irreal. Uma bruxa tinha-lhe dito que nunca deveria conduzir em noites em que no céu brilhasse a lua em forma de “C” porque isso traria muito mal para ele e para a família. Foi por isso que ele, ao olhar para o céu e ver a lua daquela maneira, só pensou em largar o carro e fugir para o mais longe que conseguisse…
Agora, passados poucos dias, já com a lua a brilhar em todo o seu esplendor, a profecia da bruxa não se realizaria e por isso ali estava, para pedir desculpa pelos transtornos, mas a pedir que não fossem muito duros com ele, porque com bruxarias não se deve brincar.
O comandante nem sabia se devia rir de tão caricata explicação, tudo parecia tão estúpido que nem dava para acreditar, mas como tinha havido um grande pandemónio, não lhe restava outra alternativa que não passasse pelo juiz.
O que se passou no tribunal, nunca viremos a saber, mas o nosso emigrante já regressou em definitivo a Portugal e jura a pés juntos que jamais voltará a…

A-    Inglaterra;
B-    Moçambique;
C-    Brasil;
D-    Angola.

E pronto.
Resta aos nossos “detectives” lerem e relerem o problema e quando estiverem seguros da opção que pretendem tomar, devem proceder ao envio da letra que corresponde à opção, impreterivelmente até ao próximo dia 10 de Setembro, para o que poderão usar um dos seguintes meios:
- Por Correio para: Luís Pessoa, Estrada Militar, N.º 23, 2125-109 MARINHAIS;
- Por e-mail para qualquer dos seguintes endereços: pessoa_luis@hotmail.com; luispessoa@sapo.pt ou lumagopessoa@gmail.com.
- Por entrega em mão ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.
Boas deduções!

CLASSIFICAÇÕES

A informação já foi dada no blogue Crime Público, mas a certeza que temos de que ainda há uma parte dos nossos “detectives” que permanece ligado ao papel de jornal e não segue as novas tecnologias, aqui deixamos a nota de que um percalço de todo inesperado tem impedido a publicação atempada dos resultados. Referimo-nos ao facto do orientador ter perdido a sua mais preciosa “pen”, onde tinha praticamente tudo o que interessava: classificações, problemas e respectivas soluções, textos, estudos e outro material absolutamente irrecuperável.
Graças à colaboração de alguns confrades, houve coisas que foram sendo repostas, mas não foi o caso das pontuações da prova n.º 4 que já estavam lançadas directamente no ficheiro e agora tiveram de ser relidas e reclassificadas para serem publicadas.
Por todos estes factos, as classificações registam atrasos, bem como as eliminatórias da Taça de Portugal, que aguardam os confrontos, deixando, por sua vez em suspenso os prazos para as respostas dos nossos “detectives”.
Aproveitando um período de férias, o orientador vai tentar recolocar tudo nos respectivos eixos, para que o Policiário possa cumprir as metas a que se propôs.
Fica o pedido de desculpas pela incúria de não fazer cópias de segurança, mas como é sabido, estas coisas só acontecem aos outros…

MISTÉRIO EM NOITE DE LUAR
SOLUÇÃO DO AUTOR - RIP KIRBY

Damos hoje solução ao enigma que publicámos na edição 1304, em 31 de Julho, como homenagem ao nosso confrade recentemente falecido:
É a alínea ( C ) aquela que encerra a resposta certa para a solução deste problema.
Todas as declarações foram confirmadas pela gerência do Clube Noturno onde a vítima trabalhava. Neste caso ficámos a saber sem qualquer dúvida que três dos suspeitos, Amílcar Cardoso, Óscar Afonso e José Jeremias, saíram da casa de diversão já depois da hora a que ocorreu o crime pelo que nenhum deles o poderia ter cometido.
António Fonseca, o suspeito referente à alínea ( C ), saiu cerca de meia hora mais cedo do que a vítima. Poderia ter sido ele o assassino mas parece também não existir qualquer prova de que tivesse sido ele. Porém no seu depoimento ele cometeu uma gafe que o comprometeu irremediavelmente.
Afirma António Fonseca que quando saiu do Clube levou para casa uma garrafa de champanhe o que, como já vimos, foi confirmado pela gerência da casa noturna. No entanto o agente policial que deu uma vista de olhos pela casa não viu lá sinais de bebida alcoólica sendo muito provável que a garrafa que ele levou e aquela que foi encontrada na mesa em casa da vítima sejam a mesma.
Numa investigação mais aprimorada, que aqui não é possível levarmos a cabo, exames dactiloscópicos e outros, efectuados no local, é natural que confirmem esta nossa primeira impressão.

                                                     



domingo, 7 de agosto de 2016

POLICIÁRIO 1305



A ESTRANHA SENTENÇA DO VIGÁRIO CASTANHO

Na companhia do confrade Paulo, vamos percorrer uma aldeia do interior profundo do nosso país, no começo do século XX e conhecer as suas gentes.
Tratando-se de problema com a chancela de qualidade do viseense Paulo, chamamos a atenção dos nossos “detectives” para o modo como as situações são colocadas e desenvolvidas.
Apesar das condições climatéricas apelarem ao lazer, à praia ou ao campo, a mente agradece alguma actividade e empenho, para que nenhum “pontito” se perca…

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2016
PROVA N.º 7 – PARTE I
A MORTE DE BERNARDO DO SOUTINHO – Original de PAULO

1901, aldeia de Mouriscas do Carregoso, em pleno coração da Beira da Alta.
O vigário da paróquia, o regedor e mais dois habitantes da localidade, Joaquim Baldaia e Porfírio Clemente, proprietários de mais de metade dos terrenos cultivados e pinhais, estavam sentados em torno de uma mesa, onde quatro copos de vinho tinto e uma jarra de barro preto pousavam.
 – Faz hoje um ano que aconteceu a tragédia, dizia o vigário Castanho.
– É verdade! Parece que foi ontem! E até aparenta que nós estamos a festejar uma desgraça, retorquiu o Joaquim Baldaia.
– Realmente até se pode pensar isso, mas apenas estamos a beber com um dia de atraso ao meu aniversário. Ontem, no dia certo, a 28 de fevereiro, não conseguimos reunir o grupo, mas hoje cá estamos nós, referiu Porfírio, levando o copo aos lábios.
O Baldaia continuou.
– Lembro-me que foi logo depois do dia em que fazes anos. Tínhamos estado todos juntos na véspera, e no dia seguinte apareceu o Bernardo do Soutinho morto. Há momentos que ficam marcados pelas coincidências e esse foi um deles.
– Era bom homem, mas teimoso como uma mula. E tu, Joaquim, bem o podes confirmar.
Joaquim Baldaia olhou para Porfírio, que acabava de proferir estas palavras.
– Meteu-se-lhe na cabeça que eu andei a mudar os marcos no lameiro, a mexer nas estremas. Mas não passavam de invenções da cabeça dele. Aliás, Porfírio, também andou com a mesma cantilena para contigo.
– Sem dúvida, meus amigos, ele era um homem um pouco estranho. -acrescentou o vigário Castanho. – Desconfiado e avarento, mas justo.
– Concordo consigo, senhor vigário. E o corpo ter sido achado tão breve, foi obra divina, talvez em recompensa por ele ser justo. Se o senhor não tivesse vindo da Cumeeira pelo atalho do Conguedo, depois de dar a extrema-unção à velhota Marquitas, o Bernardo poderia ter ficado lá alguns dias a apodrecer até ser encontrado, interveio o regedor.
– É verdade! Vinha com o rapazito, o Zé, filho da Maria Albertina da Corujeira, quando no meio do pinhal dei com o Bernardo com a cabeça aberta e os miolos de fora. Mandei logo o rapaz ir dar o aviso do sucedido ao senhor regedor. Consegui que o miúdo nem visse aquela sangria toda.
– Mas encontrou-me a mim antes, disse o Porfírio, e acabei por ser eu a dar o recado aqui ao nosso regedor. Fui em busca dele depois do rapaz me ter dito onde estavam o Bernardo e o senhor vigário e de eu o ter mandado para casa. Encontrei o nosso regedor e fomos os dois ter com senhor vigário.
– Um sacerdote deve estar preparado para ver tudo, mas confesso que mirar os miolos do Bernardo do Soutinho ao ar, me deu a volta à barriga e vomitei enquanto estive à espera. Acabei por me afastar do corpo um bocado, para descansar os olhos daquele horror, e foi quando vi o calhau usado para lhe abrirem a cabeça.
Joaquim Baldaia que escutava com atenção acrescentou. 
– Eu só soube o que aconteceu um dia depois. Naquele dia a seguir ao aniversário do Porfírio estive todo o dia na vila. Fui de manhã e cheguei já de noite, que ainda são quase duas léguas para cada lado, para tratar de uns assuntos na Fazenda. Primeiro que nos resolvam por lá os problemas…., esperamos um dia. Abrem livros, fecham livros e um homem a esperar.
– Aquilo foi vingança de terras ou de mulheres, sentenciou o regedor.
– Ainda hoje tenho pesadelos com os miolos do Bernardo, acrescentou pesaroso o vigário Castanho. Enquanto esperava que o senhor regedor chegasse, fiquei junto da pedra ensanguentada a orar, de olhos fechados. Na altura fiquei muito perturbado. Nem percebi bem o que se estava a passar.
– Acredito, acredito, atirou o regedor. Por isso o senhor vigário estava umas dezenas de metros do corpo quando cheguei e nem o estava a ver a si nem via pedra nenhuma.
– Nem eu reparei na vossa chegada, disse o vigário. Fiquei mudo e quase cego. Só consegui voltar a falar quando me aproximei dos meus dois amigos.
Clemente sorriu e acrescentou:
– Pois fui eu que o vi e o chamei dizendo-lhe para trazer a pedra consigo.
O regedor tomou a palavra.
– O certo é que ele morreu e nunca se descobriu quem lhe abriu a cabeça.
O clérigo levou o copo à boca, enquanto os outros o imitavam silenciosamente. Depois disse:
– A justiça terrena não conseguiu até agora encontrar e castigar o matador, mas a divina não o deixará escapar. Porém, a partir de hoje, infelizmente, eu também sei que posso ajudar a que ele não escape à terrena.
E com esta sentença do vigário Castanho lança-se um repto aos leitores.
Conhecidos os factos, que poderão os nossos detetives acrescentar em relação ao crime? Há alguma pista que não foi explorada e que permitiria avançar na descoberta do criminoso? Elaborem os vossos relatórios.

E pronto.
Resta aos “detectives” apresentarem os seus relatórios, impreterivelmente até ao dia 10 do próximo mês de Setembro, para o que poderão usar um dos seguintes meios:
- Por Correio para: Luís Pessoa, Estrada Militar, N.º 23, 2125-109 MARINHAIS;
- Por e-mail para qualquer dos seguintes endereços: pessoa_luis@hotmail.com; luispessoa@sapo.pt ou lumagopessoa@gmail.com.
- Por entrega em mão ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.
Boas deduções!





domingo, 31 de julho de 2016

POLICIÁRIO 1304


  
  NO XXV ANO DE POLICIÁRIO

UMA FIGURA: RIP KIRBY - BARREIRO

O confrade Rip Kirby foi uma das grandes figuras do Policiário no PÚBLICO, como havia já sido no passado em outros espaços.
Natural de Olhão e residente no Barreiro, este confrade conseguiu tornar-se um dos produtores mais prolixos e celebrados, mercê de uma especial mestria para encontrar mistérios em situações aparentemente vulgares.
Quando deixou o nosso país e se fixou no Brasil, continuou sempre ligado a nós, participando nos torneios, obtendo mesmo o título máximo de Campeão Nacional na modalidade de decifração.
Membro e fundador da Tertúlia Policiária Valtejo e mais tarde da Tertúlia Policiária da Liberdade, este confrade, recentemente falecido, deixou marca de relevo ao longo das últimas décadas da nossa modalidade, merecendo o respeito e admiração de todo o nosso Mundo Policiário.
Ficaram célebres os convívios organizados no Barreiro, em conjunto com o Inspector Moka, que originavam autênticas romarias de “detectives” e que se prolongavam por horas e horas de acalorados debates.
Numa altura em que pretendemos deixar testemunho dos confrades que nos acompanharam ou acompanham nesta longa maratona de 25 anos, a referência a Rip Kirby torna-se inevitável e inteiramente merecida.
Recordamos hoje um dos seus problemas, que deixamos como um passatempo de férias para os nossos leitores testarem os dotes de investigador e “detective”.


“MISTÉRIO EM NOITE DE LUAR”
ORIGINAL DE RIP KIRBY – BARREIRO


Era uma formosa noite de Janeiro. Estava frio, é verdade, mas no céu não se via uma nuvem e lá no alto, embora já se aproximando do Ocaso, a Lua Cheia iluminava a Terra com a sua luz pálida.
Cerca das 05h00m da madrugada, mais minuto menos minuto, alguém, não identificado, telefonou para a esquadra de Polícia informando que em determinado andar de um prédio situado em certa rua tinha acontecido um crime. O informante disse que ouvira um tiro.
Chegado ao local o piquete da Polícia, depois de tocar a campainha e não obtendo resposta, resolveu arrombar a porta.
Efectivamente foi encontrada uma jovem estendida no chão, entre um sofá e uma mesa de centro, tendo no temporal direito o ferimento provocado por uma bala. A arma usada, uma pequena bareta havia sido atirada para debaixo de um móvel. Sobre a mesa, atrás referida, encontrava-se um balde com pedras de gelo já meio fundido e uma garrafa de champanhe aberta com o conteúdo intacto. Havia também dois copos próprios para o consumo da bebida referida.
O tiro fora disparado de muito perto pois o ferimento, além de outros sinais característicos dessa circunstância, tinha os bordos queimados e sinais de pólvora. O derramamento de sangue, devido à cauterização do ferimento, não tinha sido muito grande.
A vítima envergava roupas caras, mas bastante ousadas. Nas costas de um sofá repousava, como que atirado para ali ao acaso, um casaco de peles. Junto do casaco estava uma bolsa no interior da qual foram encontrados os documentos da vítima. Tratava-se de uma cidadã mexicana de nome Marga Romero que trabalhava como stripper num clube noturno da cidade.
Tão depressa quanto foi possível a Polícia iniciou as investigações. No clube, onde trabalhava a jovem, informaram que ela havia saído do estabelecimento pouco depois das 04h30m. Saíra sozinha, mas o porteiro informou que na rua alguém a esperava num carro. Ainda, por informações obtidas no clube, soube-se que a jovem naquela noite confraternizara com quatro clientes já bastante conhecidos cujos nomes foram fornecidos. Ainda não eram dez horas já a polícia havia interrogado os quatro indivíduos sinalizados.
Amílcar Cardoso, técnico de informática, declarou ter saído do clube com o seu vizinho e colega de trabalho cerca das seis horas da madrugada. Saíram tão tarde, ou cedo, porque era Sábado e não iriam trabalhar.
Óscar Afonso, técnico de informática tal como o seu vizinho, confirmou as declarações do seu colega.
António Fonseca, Inspetor aposentado da PJ, actualmente trabalhando como detective particular. Convidou os investigadores a entrarem. Disse que de facto estivera no clube naquela noite,  mas tinha saído cedo, cerca das 04h30m. Até tinha trazido de lá uma garrafa de champanhe pois pensava em telefonar a uma garota para lhe ir fazer companhia, mas não conseguira contactar com ela. Acabara por não beber o champanhe e ficar sozinho.
Enquanto um dos agentes recolhia as declarações o outro deu uma volta pela casa que até nem era muito grande, um quarto, uma cozinha e uma saleta de entrada. Este agente informou mais tarde o colega de que não tinha visto nada de anormal, nem sequer qualquer sinal de bebidas alcoólicas.
José Jeremias conhecido por “O Morcego”, não tinha profissão conhecida, mas nunca lhe faltava dinheiro. Irritado com o interrogatório afirmou desabridamente, que saíra do clube era já quase dia. Normalmente era sempre o primeiro cliente a entrar e o último a sair.
Todas estas declarações foram confirmadas pela gerência do Clube.
O médico legista que, contra o que é habitual, compareceu no local do crime pouco depois da chegada da polícia, depois de examinar a vítima, afirmou que a morte deveria ter ocorrido bastante perto da hora a que foi dado o alarme pois o corpo ainda não se encontrava frio.
Depois destas investigações a polícia depressa concluiu quem tinha sido o assassino. E os meus amigos quem acham que foi?


A) — José Jeremias
B) — Amílcar Cardoso
C) — António Fonseca
D) — Óscar Afonso

E pronto.
O confrade Rip deixou este desafio, curiosamente e em contraste passado em época de frio, que vamos aproveitar para, também nós, desafiarmos as “células cinzentas” dos “detectives”, em férias bem quentes, entre dois mergulhos refrescantes. E quem não tiver a sorte de estar em férias, pode aproveitar um intervalo, um momento de descompressão para desafiar as suas capacidades dedutivas.
Em breve revelaremos a solução.


Boas férias, para quem as tem!

quinta-feira, 28 de julho de 2016

O MISTÉRIO DA "PEN" PERDIDA

FOMOS ADIANDO A COMUNICAÇÃO, NA SECRETA ESPERANÇA DE QUE A "PEN" FOSSE RECUPERADA.

NUMA DAS VIAGENS DIÁRIAS DE LISBOA PARA MARINHAIS, COM 3 PARAGENS PELO MEIO NUM POSTO DE ABASTECIMENTO, NUM SUPERMERCADO E NUMA LOJA DE PRODUTOS AGRÍCOLAS, A "PEN" DESAPARECEU!

NÃO SABEMOS SE FUGIU POR MAUS TRATOS OU SE SIMPLESMENTE SE PERDEU. O QUE SABEMOS É QUE TODA A INFORMAÇÃO LÁ CONTIDA, CLASSIFICAÇÕES, PROBLEMAS E SOLUÇÕES, TEXTOS, TUDO PASSOU À HISTÓRIA!

COM A AJUDA DO CONFRADE DANIEL FALCÃO, AS CLASSIFICAÇÕES ATÉ À PROVA 3 FORAM RECUPERADAS E ESTAMOS AGORA A RELER AS SOLUÇÕES DO 4 PARA RECLASSIFICAR E PUBLICAR...

PEDIMOS A TODOS OS CONFRADES UM POUCO MAIS DE PACIÊNCIA E AOS AUTORES DOS PROBLEMAS JÁ PUBLICADOS E DE QUE AINDA NÃO SAÍRAM AS SOLUÇÕES, QUE NOS FAÇAM CHEGAR CÓPIA DOS FICHEIROS.
O MESMO PEDIMOS AOS AUTORES DOS PROBLEMAS E SOLUÇÕES AINDA NÃO PUBLICADOS.

LAMENTAMOS O OCORRIDO, FRUTO DE PENSARMOS QUE ESTAS COISAS NUNCA ACONTECEM E NÃO HAVERMOS FEITO CÓPIAS DE SEGURANÇA.

MAIS UMAS FÉRIAS ESTRAGADAS...

domingo, 24 de julho de 2016

POLICIÁRIO 1303





NO XXV ANO DE “POLICIÁRIO”

UMA FIGURA: JARTUR


O confrade Jartur não pode ser apenas conhecido e reconhecido pelo imenso trabalho que tem vindo a desenvolver na recolha e compilação de todos os documentos que se relacionem com o nosso passatempo, no Arquivo Histórico da Problemística Policiária Portuguesa (AHPPP), uma realidade já bem presente.

Tratando-se de um confrade com mais de cinco décadas de Policiário, de que se assumiu divulgador de excelência, quer na orientação de múltiplos espaços em jornais e revistas de expressão nacional, quer como decifrador de enigmas, com variados torneios e prémios conquistados, quer ainda como produtor de excelentes problemas policiais, torna-se difícil definir os pontos mais altos de uma vida dedicada ao nosso passatempo.

Talvez por isso mesmo, este nosso confrade nascido em Aveiro e residente na cidade do Porto, tem marcado sucessivas gerações de policiaristas, mercê do seu estilo desprovido de qualquer conflitualidade ou arrogância, apesar de possuir um currículo absolutamente impressionante.

Após muitas décadas de orientação de secções e de participação activa nos torneios que proliferavam, respondendo aos desafios e elaborando intricados problemas, que faziam as delícias dos “detectives”, Jartur abraçou um projecto notável quando, sem quaisquer meios adicionais, se lançou na recolha de todos os indícios da presença de policiário em Portugal, para organizar o AHPPP, não perdendo nunca de vista o que se vai fazendo em termos da problemística policiária, fazendo parte da Tertúlia Policiária do Norte e sendo o patrocinador do troféu “Lupa de Honra”, com que tem distinguido os mais ilustres vultos do nosso passatempo.

O Jartur é hoje uma das figuras maiores e mais respeitadas do nosso “pelotão” policiário, mercê de uma postura que sempre se manifestou equilibrada e simples. Nunca negou a sua ajuda quando solicitado para produzir um problema policiário e por isso vamos publicar hoje um dos seus desafios, que viu a luz do dia no semanário regional “O Almeirinense”, no dia 15 de Julho de 2007, na secção Mundo dos Passatempos, superiormente orientada pelos “Três Zés”, o Zé propriamente dito (o de Viseu), o Zé dos Anzóis (o Inspector Aranha, de Santarém) e o Zé da Vila (o M. Constantino, de Almeirim).


VAMPIROS DE PRATA
Um problema de JARTUR

 “Vampiros de Prata” era o nome da heróica esquadrilha que se exibia naquelas manobras militares, efectuadas numa extensa região montanhosa…
Durante a manhã, no decurso dos exercícios, os aparelhos supersónicos sulcaram o céu em todas as direcções, desenhando, a velocidades incríveis, as mais arriscadas acrobacias.
Incapazes de dar valor às suas próprias vidas, os pilotos lamentaram sinceramente a morte do sargento Barradas, cuja causa foi atribuída à temeridade dos jovens aviadores.
O corpo caíra da alta pedreira, quase verticalmente, parcialmente despedaçado, junto à base da elevação de onde se despenhara.
Como é costume fazer-se nestes casos, foi aberto um inquérito para tentar apurar as causas do sucedido. Com os depoimentos das testemunhas oculares, elaborou-se o respectivo processo, de modo a encontrar-se a quem (ou a que) atribuir as responsabilidades do acidente.
O cabo Félix, única pessoa que no momento do desastre se encontrava próximo do sargento Barradas, afirmara aos inquiridores:
– Nós estávamos a planear o itinerário para o exercício da tarde, quando ouvi o ruído dos jactos. Voltei-me imediatamente e, ao aperceber-me de que eles vinham na nossa direcção, no máximo da velocidade e a pequena altura, atirei-me ao solo, gritando ao sargento que fizesse o mesmo. Ele, porém, não deve ter ouvido a minha advertência e… foi projectado no abismo...
Por sua vez, o major J. Ramos, comandante da esquadrilha, declarara:
– Efectivamente, nós picámos várias vezes, na velocidade máxima, sobre o sítio da pedreira, mas retomávamos altura sempre no momento conveniente, de modo a não fazer perigar a nossa própria vida ou a de qualquer pessoa que se encontrasse no solo. É muito estranho, pois, que o militar possa ter sido projectado pelo sopro de algum dos nossos aparelhos…

Quinze dias depois, em Tribunal Militar, foi o caso dado por encerrado, tendo-se concluído que…


Pois é, o confrade Jartur interrompeu a sua narrativa neste ponto e lançou o desafio a todos os leitores. É também o que vamos fazer, neste tempo de férias para alguns confrades e prenúncio das mesmas para outros, convidando todos os nossos leitores a desafiarem-se a si próprios e darem uma solução a este problema.
Só depois devem conferir com a solução que Jartur lhe deu e que vamos passar a divulgar:

Os “Vampiros de Prata”, não tiveram quaisquer culpas na tragédia ocorrida, e só o Cabo Félix é responsável por aquilo que aconteceu.
Ele mentiu, nas suas declarações, pois se os aparelhos eram supersónicos, e vinham na velocidade máxima - por conseguinte superior à do som - o Cabo não poderia ter ouvido o ruído dos jactos a tempo de se atirar para o solo e avisar o Sargento, pois o som só chegaria depois dos aparelhos.
Além disso, se o avião tivesse tocado no militar, este não cairia quase verticalmente da alta pedreira, mas seria projectado a grande distância, não se imobilizando, portanto, junto à base da elevação. Além disso, se as coisas se tivessem passado assim, o Cabo também teria sofrido consequências.
E, como é óbvio, seria demasiado arriscado para os pilotos, voarem, ainda que momentaneamente, a tão curta distância do solo.
Assim, considere-se que não houve, realmente, culpabilidade da parte dos aviadores.
Em virtude das mentiras formuladas pelo depoente, o mais provável é ter o Cabo assassinado o seu superior, após a passagem dos jactos, lançando-o então para o abismo.