domingo, 19 de fevereiro de 2017

POLICIÁRIO 1333



O MÊS DE “SETE DE ESPADAS”



O mês de Fevereiro está sempre associado à figura cimeira do nosso passatempo e seu principal divulgador: Sete de Espadas.
Melhor dizendo, não é só no mês de Fevereiro, mas sempre que falamos de Policiário, que a referência ao Sete de Espadas aparece como uma inevitabilidade, tal a sua importância, primeiro para a divulgação e depois para a consolidação deste passatempo exemplar, amplamente reconhecido como um veículo importante para estimular a leitura, a interpretação, a análise, o poder de síntese, o espírito observador e científico.
O Sete de Espadas nasceu no Ribatejo, na vila da Chamusca há 96 anos, em 1 de Fevereiro de 1921 e em 12 de Janeiro de 1947 iniciava a sua actividade como orientador de um espaço policiário, no Jornal de Sintra, com o título Mistério e Aventura, que ele mesmo definia, em subtítulo, como uma “secção policial orientada por Sete de Espadas”.
Depois foi um nunca mais acabar, na divulgação da literatura policial e, sobretudo, na vertente da competição policial.
Que me desculpem os confrades mais antigos, aqueles que viveram com ele as aventuras do Clube de Literatura Policial, das secções no Camarada, no Cavaleiro Andante e em tantos locais, mas nós apontamos um marco que nos parece decisivo em toda a História do Policiário: O dia 13 de Março de 1975.
Nesse dia, em todas as papelarias, quiosques, pontos de venda de jornais e revistas, apareceu, apenas, mais um número do “Mundo de Aventuras”, uma revista de histórias aos quadradinhos, editada pela Agência Portuguesa de Revistas, que já vinha dos anos 40 do século XX, mas que trazia algo de novo: As últimas páginas eram identificadas como “Mistério… Policiário” e assinadas por um não menos misterioso “Sete de Espadas”!
Foi, podemos dizê-lo com toda a propriedade, o virar de página de toda uma geração de jovens, muito jovens mesmo, na casa dos 13, 14 anos, que apareceram em enorme explosão, criando um movimento imparável que nos trouxe até aos nossos dias.
Muitos dos actuais policiaristas são produtos dessa época, eram leitores de histórias aos quadradinhos e descobriram o policiário, tornando-se detectives!
O primeiro sinal de que algo se movia, foi a grande afluência à literatura policial, a corrida aos alfarrabistas, a ânsia de ler os clássicos do policial, antes da procura dos modernos escritores. Depois, foi a quantidade de malta nova a tratar-se por nomes escolhidos pelos próprios, que podiam ser de uma personagem dos quadradinhos, de um detective da literatura, de uma abreviatura do próprio nome, de uma invenção pura… Tudo servia para nos identificarmos perante os outros. Era o Detective Invisível, o Inspector Moisés, o Ubro Hmet ou o Satanás… Poucos sabiam o nome real do confrade que estava à sua frente, nem isso era importante! Poucos sabiam o que faziam os outros na vida profissional, mas também não era necessário! O importante era o facto de estarem todos irmanados no mesmo gosto pela dedução, pelo exercício das “células cinzentas”, estarem disponíveis para se reunirem em Tertúlias Policiárias e todos os meses percorrerem o país para os Convívios, na altura única forma de travarmos conhecimento para além das fronteiras próximas.
No centro de tudo, a figura simpática de um homem de barbas brancas, cabelo ralo, sorriso aberto e simpático: O Sete de Espadas.
Nos dias dos Convívios, era digno de ser visto o número de pais que chegavam perto do Sete e lhe confiavam os miúdos de 11 ou 12 anos, como se confia a um avô e lhe diziam que eram os próprios miúdos que insistiam em ir e não aceitavam um não como resposta! E o Sete, com a calma e o espírito positivo que sempre teve, lá os tranquilizava, dizendo-lhes que na tribo policiária eles estavam no local certo para crescerem, num são convívio, numa camaradagem exemplar.
Ainda hoje sentimos isso. Mesmo nós, muitos já avós, ainda olhamos para o exemplo do Sete como um aspecto importantíssimo no nosso processo de desenvolvimento. Todos crescemos muito com ele e com o Policiário. Todos lhe devemos muito daquilo que conseguimos ser. O seu exemplo, de persistência na demonstração dos benefícios do exercício de uma actividade tão saudável para o desenvolvimento harmonioso de um espírito científico, como é o caso do Policiário, merece ser sempre realçado.
Daí a justeza desta homenagem singela, numa altura em que se aproxima a passos largos uma data que passará a ser parte integrante da nossa História Policiária, por atingirmos os 25 anos deste nosso espaço. É que esta secção, se teve o seu nascimento formal no dia 1 de Julho de 1992, verdadeiramente nasceu muitos anos antes, algures pelo ano de 1975, quando o Inspector Fidalgo encontrou o Sete de Espadas e ficou fascinado com o Mundo que este lhe abriu!
Mais tarde foi o XYZ Magazine, o Clube dos Amigos do XYZ e muitas outras coisas, sempre com a relevância da Amizade e da Camaradagem, suas imagens de marca.
Foi no dia 10 de Dezembro de 2008, depois de cumprir mais um dos seus grandes objectivos que era assistir e participar na viragem do milénio, que a notícia do seu falecimento correu no seio da imensa família policiária, que assim viu partir o seu principal divulgador, deixando um rasto de pesar entre a imensa legião daqueles que com ele cresceram física e mentalmente.



Ao “velho” Amigo Sete de Espadas queremos dedicar mais esta data histórica, 1 de Julho de 2017, em que pela primeira vez uma secção do seu querido Policiário comemora 25 anos ininterruptos, num jornal de referência e grande divulgação, como é o PÚBLICO, porque nas comemorações desta efeméride há muito dele e daquilo que ele nos deixou…
                                                                                                 




domingo, 12 de fevereiro de 2017

POLICIÁRIO 1332




CONCLUSÃO DA PRIMEIRA PROVA DE 2017


Com a publicação do problema de hoje, concluímos a primeira prova das competições do ANO XXV do Policiário no PÚBLICO.

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2017
PROVA N.º 1 – PARTE II
“TEMPICOS E O TEMPLO DE DELFOS” – Original de
 A. RAPOSO & LENA

PROBLEMA DEDICADO AO “AVOZINHO” ZE DE VISEU

Tempicos espreguiçou-se longamente na rede debaixo da pérgula e continuou a ler a secção de astrologia do “ borda d´água “, leitura entediante para chamar o sono após o almoço no verão, na sua casa do Algarve, onde o peixinho é fresco “escalado” e grelhado no carvão de azinho e um vinho verde fresquinho ajudando a festa.
Rapidamente começou a viajar no tempo entre duas nuvens brancas e fofas e foi dar consigo na estrada que levava ao Templo de Delfos, de mão dada com uma moça roliça de fartos e apetitosos seios que segundo o informou viera da Bélgica, de bicicleta, danada para visitar o campo dos jogos Píticos, na antiga Grécia.

Tempicos sempre sensível aos pedidos feitos por lábios carnudos e gostosos, propôs o seguinte:

- Primeiro vamos ao Templo de Delfos para eu falar à pitonisa e perguntar-lhe:

“Se há alguém mais sábio, inteligente e ilustre detective que Tempicos?”

Depois duma resposta que considerasse favorável ao seu ego, aviava-lhe um programa…

Acontece que havia muita gente e a coisa demorou até ao por do sol.

Ainda demos dois dedos de conversa com Sócrates que estava a escrever em parceria com Platão e Xenofonte, seus amigos, cada um seu capítulo do livro "Vida atribulada de Sócrates” e o tema estava a dar discussão ao ponto da mulher de Sócrates aborrecida, fechar o zip das vestes e dar de “frosques” zangada.

Tempicos achou a resposta da pitonisa simpática e manifestou essa alegria á gorducha belga que com amizade ripostou:- Graças à virgem Maria!

Pelo relógio de pedra do templo verificaram que já tombava a noite e a fome apertava.

Deitaram-se na relva a comer um pedaço de pão e umas cervejolas de garrafa. E a iniciar umas brincadeiras de mãos. Que mais não lhes conte. A Belga já não queria ir visitar os jogos Píticos. Preferia os jogos modernos com o especialista ali à mão, Tempicos, homem que dominava o “savoir-faire” e a difícil arte de agradar a damas, solteiras, casadas, divorciadas e viúvas. Não era racista!

Entusiasmados resolveram ver se podiam entrar num bacanal ali da zona. Porém o Senado já os tinha entretanto proibido.

Na falta de melhor Tempicos conhecia uma tasca de um “portuga” e foram lá comer um divinal bacalhau com batatas a murro, Uma receita que só não conseguia bater a confecção do seu amigo Zé quando lá ia a casa abifar-lhe umas vitualhas e bater uns papos sobre as vitórias do Benfica…

Entretanto Tempicos acordou estremunhado e entrou na real.
E em jeito de filósofo afirmou em voz alta:- como são as coisas. Nos sonhos tudo existe, vivo ou morto, real ou fantasista, sem lógica, datas certas ou erradas, personagens, épocas. Acções.
Mas os meus amigos que são exímios observadores certamente contarão todas as incongruências que este lindo sonho de Tempicos encerra. Coisas que a verdade histórica desmentiria.

Pergunta-se o número das incongruências:


1-      Dez ou mais,
2-      Máximo nove.
3-      Máximo oito.
      4 – Menos de cinco.


E pronto.

Depois de na passada semana termos apresentado o problema inaugural das competições desta época especial, em que comemoramos os 25 anos de Policiário no PÚBLICO, também de autoria da dupla A. Raposo & Lena, publicamos hoje a segunda parte, um problema de escolha múltipla.
Chamamos a atenção dos nossos “detectives” para o seguinte:

- A proposta de solução ao problema da passada semana e a alínea escolhida no de hoje, sevem ser enviadas, impreterivelmente até ao próximo dia 28 de Fevereiro;

- Deve ser usado um dos meios seguintes para o seu envio: 1- Pelo Correio para Luís Pessoa, Estrada Militar, n.º 23, 2125-109 MARINHAIS; 2- Por e-mail para: pessoa_luis@hotmail.com; luispessoa@sapo.pt; lumagopessoa@gmail.com; 3- Por entrega em mão ao orientador, onde quer que o encontrem.

- Da qualidade das respostas vai depender o apuramento para a eliminatória seguinte da Taça de Portugal, uma vez que apenas serão apurados os detentores das melhores 512 propostas de solução. Só após esta eliminatória os apuramentos serão obtidos em confrontos de um para um, de acordo com os resultados dos sorteios que alinharão os opositores, obrigatoriamente publicitados antes do final do prazo de cada prova.

Boas deduções!


TORNEIO POLICIÁRIO – 2017

Já teve o seu início o torneio organizado pelo confrade Inspector Boavida, que publicitámos nestas páginas e de que publicámos o respectivo regulamento e que vai decorrer até ao mês de Setembro, com muitos motivos de interesse.
O primeiro problema já viu a luz do dia e pode ser encontrado pelos nossos “detectives” no blogue LOCAL DO CRIME, em localdocrime.blogspot.pt, que acompanha a secção policiária “O Desafio dos Enigmas”, no jornal Audiência Grande Porto, onde vai desenrolar-se o torneio. O endereço postal é Audiência GP/O Desafio dos Enigmas, Rua do Mourato, 70-A, 9600-224 Ribeira Seca RG – São Miguel – Açores.
A primeira prova tem o prazo a decorrer até ao dia 10 do próximo mês de Março e para ela convidamos todos os nossos “detectives” que queiram testar, uma vez mais, as suas capacidades.

Atenção, também, para a outra iniciativa em curso, desta feita virada para o conto policial, denominada Um Caso Policial em Gaia, que pode constituir um veículo excelente para os confrades que acumulam escritos nas gavetas por falta de local para publicar.







domingo, 5 de fevereiro de 2017

POLICIÁRIO 1331




 25 ANOS DE POLICIÁRIO
PRIMEIRA PROVA DO CAMPEONATO


Finalmente chegou a competição a sério!
No nosso XXV aniversário, o campeonato tem a ligeira alteração das produções serem de autores convidados pelo orientador, por haverem já obtido posições de relevo como produtores.
E o primeiro convidado é A. Raposo & Lena, uma dupla que responde sempre presente e que coloca um desafio que nos parece acessível, após alguma consulta.

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2017

PROVA N.º 1 – PARTE I

“TEMPICOS MELANCÓLICO” – Original de A. RAPOSO & LENA


Talvez não saibam mas Tempicos é um homem culto porém modesto.
Tem uma cultura abrangente, forte vontade de sempre mais saber, domina línguas.
Mas, não é esquisito. Gosta das boas coisas da vida.

É solteiro e está sempre recetivo a uma boa proposta, de preferência que junte duas virtudes: rica e bonitona e já agora, inteligente por acréscimo…

Descansando de um violento dia de trabalho, esparramado, estava no sofá – saboreando um trago – e a ver um programa da tv. Uma interessante reportagem em que artistas gráficos reproduziam enquanto o locutor ia explicando, as épocas, e os autores.

A certa altura ficou surpreendido por uma obra – uma gravura – de composição complexa da renascença.

A imagem tinha imensos adereços na sua composição: Uma figura de expressão pensativa, uma criança sentada numa mó de pedra. Balança, sineta, uma paisagem ao longe e muitas ferramentas. Ao canto um retângulo contendo diversos quadrados numerados em que os somatórios eram sempre os mesmos algarismos, quer na horizontal, vertical e oblíquo.

Tempicos acabou por passar pelas “brasas” e ao acordar lembrou-se dos factos e foi à sua velhinha biblioteca da Vampiro antiga – cuja coleção possui – e retirou o livro com a excelente capa do saudoso Cândido Costa Pinto, que correspondia ao somatório do quadro visto na tv, há pouco e que representava um animal na capa, que por coincidência, corresponde a um velho pseudónimo de um nosso amigo policiarista distinto. 

Pergunta-se: qual o nome da gravura e do autor. Qual o número do somatório que corresponde ao livro da Vampiro. Qual o pseudónimo do nosso confrade.

E pronto.
Neste começo de competição, resta aos “detectives” analisarem bem o problema e elaborarem a respectiva solução, que deverá ser enviada impreterivelmente até ao próximo dia 28 de Fevereiro, usando um dos seguintes meios:

 - Pelo Correio: Luís Pessoa, Estrada Militar, n.º 23, 2125-109 MARINHAIS;

- Por entrega em mão ao orientador, onde quer que o encontrem.
Boas deduções!

SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO PASSADO DOMINGO

O INSPECTOR FIDALGO E O MORTO NO RIBATEJO

Numa primeira análise, é necessário ler muito bem o texto, situar a cena, tendo em linha de conta os diversos factores, nomeadamente:
– Espaço temporal e condições climatéricas: É de dia ou de noite? Está a chover ou faz sol? Está enevoado, há nevoeiro? Há vento e de onde sopra? A que horas se passa a acção? etc.;
– Personagens e sua colocação na cena: Quantos intervenientes há? Onde estão e o que fazem? Que intervenção tem, cada um, na acção?
– Local e suas características: Onde se passa a acção? Em local de fácil acesso ou difícil? Há obstáculos a vencer em certas condições, por exemplo em caso de chuva, de neve, etc.
– Factores externos: Há animais que possam dar alarme? Há sistemas de segurança eléctricos ou electrónicos que apenas possam ser iludidos por quem os conheça?
– Testemunhas visuais, auditivas ou outras: Quem esteve no local que possa fornecer elementos? Quem estava suficientemente perto para ouvir sons que se possam relacionar com o que está na cena?
– Oportunidades: Quem teve oportunidade de praticar o acto, que encontros e desencontros teriam de haver para correr bem a acção a cada um deles?
No nosso caso, temos um crime cometido em zona não fechada, portanto sem dificuldades especiais de acesso.
Alarcão diz que estava nevoeiro cerrado; que o vento era gelado e quase cortava a cara; que foi tratar dos cães muito rapidamente; que não ouviu nem viu nada.
Os pais do jovem não deram por nada e encontraram o moço, por volta das 8 horas.
O padeiro afirma ter visto o Alarcão a regressar lá do fundo, ainda antes das 8 horas.
Os restantes moradores da casa de Alarcão não notaram nada.
Os vizinhos do outro lado do pinhal referem a algazarra dos cães depois das 7.30 horas, que só poderiam ouvir se o vento estivesse de feição.
A filha do padeiro está totalmente posta de lado.
Há evidentes contradições entre depoimentos, a saber:
Alarcão refere nevoeiro cerrado e o vento gelado. Vento e nevoeiro não combinam. Com vento, o nevoeiro não se forma ou, já existindo, dissipa-se rapidamente.
O padeiro afirma ter visto Alarcão a regressar de casa do caseiro para a sua. Com nevoeiro cerrado, isso não seria possível porque a distância era grande.
Os vizinhos declararam que os cães fizeram a algazarra própria de quando o seu dono regressava a casa, mas só era audível quando o vento soprava… Portanto, afastada a hipótese de haver um conluio entre Alarcão e os seus vizinhos, por ilógica e não razoável, para que estes ouvissem os cães era necessário que houvesse vento, portanto sem nevoeiro (que mais ninguém refere); logo, ao encontro do depoimento do padeiro, que também confere com o regresso de Alarcão a casa e a algazarra dos cães, que o padeiro não refere por estar longe (a estrada era distante) e por soprar vento que levaria o som para o outro lado do pinhal, portanto, não na sua direcção. Os cães fizeram algazarra por detectarem que o seu dono estava por ali.
 Ficamos, pois, com o culpado – o Alarcão. Em grande parte por mentir, mas também por ter a oportunidade, o tempo disponível e por a sua versão não encaixar nos depoimentos dos restantes intervenientes, cujas afirmações se complementam, sem erros.











sábado, 4 de fevereiro de 2017

M. CONSTANTINO VAI ESTAR PRESENTE EM 2017!

M. CONSTANTINO


O campeão nacional em título, M. Constantino vai comparecer na nossa competição de 2017 com um problema policial.

O "MESTRE" COM O INSPECTOR VARATOJO...



Apesar das dificuldades que o nosso Mestre e Amigo regista, por problemas vários de saúde, entre os quais o da visão, bastante incapacitante, o Policiário não seria o mesmo, num ano de grande comemoração pelos seus 25 anos nas páginas do PÚBLICO, sem a presença de um dos seus mais brilhantes participantes, a quem devemos desafios de enorme qualidade.
... E COM O INSPECTOR FIDALGO






Fica, assim, garantida mais uma presença entre os autores convidados, ficando apenas a faltar o confrade QUARESMA.DECIFRADOR, de quem aguardamos notícias.

domingo, 29 de janeiro de 2017

POLICIÁRIO 1330




INÍCIO DA COMPETIÇÃO NA PRÓXIMA SEMANA


É já na próxima semana que vamos dar início a mais uma época de competições policiárias, após uma pausa retemperadora, para os nossos “detectives” poderem regressar em plena forma.
Este ano, o modelo repetirá o seguido nos anos anteriores, porque os resultados continuaram excelentes e entusiasmaram os “detectives”, mercê de uma competição renhida e resolvida no “último suspiro”, como convém e tem sido imagem de marca do nosso passatempo ao longo dos quase 25 anos de existência nas páginas do nosso PÚBLICO.
E esse é mais um aliciante a acrescentar: os campeões desta época, não serão apenas os campeões de 2017, mas também os do ano 25 do Policiário!

Agora que estamos a uma semana do arranque dos torneios e embora correndo o risco de nos repetirmos, queremos transmitir aos nossos confrades que se vão iniciar nestas lides e, porque não, recordar aos já habituais, que um problema policiário é como um organismo vivo, que tem de ser compreendido e estudado, para depois lhe podermos dar o alimento necessário para a sua solução plena. Nunca uma resposta dada depois de uma leitura precipitada conduziu a bons resultados. Daí que se torne indispensável que o texto seja convenientemente lido, numa primeira fase, para entendimento da globalidade da história que está a ser apresentada. Depois, há que fazer uma nova leitura, desta feita mais pormenorizada e às parcelas, por exemplo, parágrafo a parágrafo, anotando numa folha de papel os aspectos que possam ser relevantes para a solução, incluindo as consultas a fazer, para esclarecimento das dúvidas.
Inicia-se, então, o trabalho de trazer ao problema a informação recolhida fora, na internet, em enciclopédias, em consultas pessoais, etc.
Uma vez de posse da estrutura geral dos dados fornecidos pelo próprio problema e daqueles que recolhemos nas nossas consultas, arquitectamos uma proposta de solução para o caso, com as justificações adequadas para todas as deduções.
Finalmente, há que fazer o teste, ou seja, partir da solução que encontrámos e testá-la em todos os passos, para termos a certeza que não há espaço para outras interpretações.

Para o aquecimento das “células cinzentas”, fiquem com a republicação de um pequeno desafio, certamente de solução fácil para a generalidade dos “detectives”, cuja solução publicaremos na próxima semana:


O INSPECTOR FIDALGO E O MORTO NO RIBATEJO


O Sebastião apareceu morto.
Naquele local ermo e calmo, algures no interior do Ribatejo, em zona onde muitas vezes os nevoeiros têm o seu reinado, um nome como o dele prestava-se a brincadeiras a propósito da lenda que mostraria um Sebastião a aparecer numa manhã de nevoeiro...
Diziam-lhe os amigos para ter o cuidado de nunca aparecer quando os nevoeiros tapassem a planície, pois poderia acabar em rei... sem trono!
Sebastião não era rei de coisa nenhuma.
Filho de um modesto caseiro de uma propriedade abastada, teve a sorte de vir ao mundo com dois palmos de cara e assim conquistar a filha do senhor das terras, algo que não era, como é óbvio, muito bem recebido por este.
Daí que estivesse proibido de aparecer na parte da casa dos senhores, o que não impedia, ao que se dizia, alguns encontros furtivos.

Naquela manhã, Alarcão, proprietário e pai de Carolina, levantou-se cedo, cerca das 7 horas e como declarou mais tarde à polícia, não viu nada porque o nevoeiro ali é mesmo cerrado e também não ouviu nada estranho, nem os cães deram sinal, pelo que foi logo fazer aquilo que mais gostava, ou seja, tratar dos seus cães, mas muito rapidamente porque era ainda muito cedo e o vento gelado quase cortava a cara.

O casarão ficava na parte da frente do terreno, ainda a considerável distância da estrada e era vedado em todo o seu perímetro por muros altos. Na parte de trás do terreno, fora dos muros, estava a casa do caseiro, onde vivia Sebastião.
Todo o terreno estava isolado de outros, uma vez que havia pinhais em toda a volta, excepto na frente, onde passava a estrada. Do lado direito, havia um caminho que dava acesso à casa do caseiro, ao longo do muro compacto, de mais de 100 metros, apenas interrompido quase no seu extremo, por um portão que era usado por todos os que da casa do caseiro iam ou vinham para a casa do Alarcão.
Foi por volta das 8 horas que a mãe do moço deu com ele sem vida, quando o foi chamar para o pequeno-almoço.
Os pais de Sebastião não deram por nada, segundo declararam, o mesmo acontecendo com os moradores da casa de Alarcão. Os vizinhos mais próximos, do outro lado do pinhal, disseram que apenas ouviram os cães em grande algazarra, por volta das 7 e meia, como sempre faziam quando o seu dono regressava a casa depois de alguma ausência e o vento estava de feição.

O padeiro da aldeia, que circulava por ali, como sempre fazia por volta daquela hora, na faina de levar o pão de porta em porta, declarou que não deu nota de nada e que só viu, ao olhar da estrada, o senhor Alarcão a caminhar em direcção a sua casa, vindo dos lados da casa do caseiro, ainda não eram 8 horas.
A polícia interrogou-o durante algum tempo, sabia-se que o Sebastião namorara com a filha dele durante muito tempo e que chegaram a ter data marcada para casamento, mas a chegada da filha de Alarcão fez cair por terra todos os planos, mas o interrogatório não revelou muito mais.

A filha do padeiro, por seu lado, declarou não saber nada sobre o assunto, já que nessa madrugada e manhã estivera com a mãe a fazer o pão que o pai levava a casa das pessoas, o que se confirmou.

Alarcão manteve a sua história e mostrou-se muito ofendido por alguém alimentar sequer a suspeita de que ele seria capaz de fazer tal atrocidade ao moço, mesmo querendo, como ele queria, que ele largasse a sua filha, de vez.

O Inspector Fidalgo não precisou de muito tempo para descobrir que alguém não dizia toda a verdade nesta história e que apesar do Sebastião jamais poder surgir do nevoeiro, esse alguém também não o poderia fazer durante muito, muito tempo...

Caro detective: Elabore um relatório sem se esquecer que não basta dizer quem mente. É preciso justificar, apresentando as provas.
Boas deduções!




quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

RIP KIRBY - PRODUTOR, DECIFRADOR E CONVIVA DE EXCELÊNCIA!

R  E  C  O  R  D  A  Ç  Ã  O
D  E    U  M
C O N F R A D E   D E   E L E I Ç Ã O

Barreiro

09 Março 2004


O confrade Rip Kirby organizou, com o Inspector Moka
uma aula na Universidade da 3.ª Idade, sobre Policiário.

Convívios no Barreiro
sempre excelentes



domingo, 22 de janeiro de 2017

POLICIÁRIO 1329





DÚVIDAS E ESCLARECIMENTOS
PARA A NOVA ÉPOCA

Em ano especial, porque completaremos no próximo dia 1 de Julho o histórico marco de 25 anos ininterruptos de policiário nas páginas do PÚBLICO, o início da época competitiva surge com naturalidade, com perguntas e dúvidas por parte dos nossos novos candidatos a “detectives”, que se vão tornando mais frequentes à medida que o prazo para resposta à primeira prova se aproxima.
De uma forma geral, as dúvidas são recorrentes e daí que hoje recordemos algumas das questões mais frequentes e as respostas para elas, a que vamos regressando todos os anos, porque a nossa secção está aberta a novos aderentes, muitos dos quais nunca concorreram a qualquer desafio policiário, pelo menos com caracter regular. Daí pedirmos aos mais experientes e que já leram quase tudo o que hoje publicamos, a sua especial indulgência.

DÚVIDAS MAIS FREQUENTES

- O que é preciso para começar a concorrer?
- A resposta é simples: Nada, para além de vontade! Tudo o que há a fazer é ler os desafios piblicados, interpretá-los e elaborar a solução que pareça de acordo com o problema ou identificar a alínea que entende resolver o problema, no caso dos desafios de escolha múltipla.

- É obrigatório inventar um nome para concorrer?
- Não é obrigatório, mas é usual nas relações entre “detectives”. Sempre que nos encontramos e nas nossas trocas de correspondência, tratamo-nos pelo pseudónimo e raramente sabemos, sequer, o nome real dos confrades. Isso é uma das coisas que mais espanta quem está por fora do nosso Policiário ao ouvir-nos chamar por nomes “esquisitos”, mas que, por outro lado, nos torna muito especiais!

- É preciso fazer uma pré-inscrição para a primeira eliminatória da Taça de Portugal?
- Não. Todos os concorrentes que respondam à primeira prova da época (aos dois desafios, tradicional e escolha múltipla), estão desde logo seleccionados para a Taça de Portugal. Os 512 “detectives” que sejam totalistas (12 pontos) e elaborem as melhores propostas de solução no desafio tradicional, são apurados para a 2.ª eliminatória, desta vez já a eliminar no um contra um, depois do sorteio dos pares.

- É obrigatório um endereço de e-mail?
- Não. Por uma questão de facilidade, a maioria dos nossos confrades já usa as novas tecnologias para enviar as suas soluções, mas ainda há uma parte que se mantém fiel ao suporte papel, quer enviando pelos Correios, quer entregando em mão. Qualquer dos meios é possível.

- Se verificarmos que nos enganámos, podemos rectificar a solução?
- Dentro do prazo concedido para cada prova é sempre possível proceder ao envio das soluções rectificativas que pretenderem, mas a última chegada é a que conta para efeitos de classificação. É obrigatório, no entanto, que em cada nova versão enviada se faça referência ao facto de já ter enviado outra anteriormente, para evitar duplicação no trabalho de leitura e classificação das soluções.

- Quando se refere que o prazo vai até ao dia “x”, a partir de quando deixam as soluções de serem aceites?
- A data indicada, por exemplo 31 de Março, significa que à meia-noite desse dia encerra o controlo para aceitação das soluções enviadas por suporte electrónico e as entregues em mão. Quanto às enviadas pelos Correios serão aceites se a sua data estiver no prazo, independentemente do dia a que cheguem por atrasos não imputáveis aos “detectives”.

- Existe algum júri para apreciar e seleccionar os problemas a publicar?
- Não. Por norma. Os problemas enviados pelos seus autores são objecto de uma leitura atenta do orientador, que os selecciona para publicação, se entende que merecem, ou propõe ao autor alterações para o seu eventual melhoramento.
Este ano, no entanto e com caracter excepcional, não haverá uma competição de produções, ainda que possamos, no final, solicitar aos “detectives” que escolham os desafios da sua preferência. Isto acontece porque nas comemorações dos 25 anos do nosso espaço, entendemos endereçar “convites especiais” aos produtores que já foram campeões nacionais ou obtiveram lugares no pódio nesta modalidade.

- Como são escolhidas as soluções melhores e as mais originais?
- As melhores soluções e as mais originais são escolhidas pelo orientador da secção, segundo o seu critério pessoal. As melhores terão sempre que ver com a qualidade da exposição dos factos efectuada pelo concorrente, abordando todas as questões que o texto suscite e fazendo as opções correctas. Quer isto dizer que as melhores estarão sempre relacionadas com a qualidade do relatório apresentado, respondendo adequadamente a todos os pormenores, numa linha coerente de investigação, a que o concorrente acrescenta algo de valor. Responder às questões suscitadas poderá valer os 10 pontos, mas se o concorrente acrescentar aspectos distintivos, por exemplo, excluir as outras hipóteses, demonstrando a sua impossibilidade, exibir novos elementos de prova, etc., isso poderá levá-lo à obtenção dos pontos especiais das melhores; No que se refere aos pontos por originalidade, tal como a designação sugere, pretendem premiar as formas mais informais como as soluções são apresentadas, sendo dada primazia às formas demonstrativas de bom gosto e humor. A atribuição dos pontos originais não dependerá, como é óbvio, de a solução ser totalista, porque a originalidade nada tem que ver com a qualidade técnica da decifração, que será determinante, isso sim, para encontrar as melhores.