domingo, 30 de setembro de 2018

POLICIÁRIO 1417





NOVO PRAZO PARA A PROVA 8

A pedido de vários confrades, principalmente devido ao início do ano lectivo e da necessidade de dispersar a atenção por variados assuntos, resolvemos prolongar o prazo para envio das propostas de solução da prova n.º 8 até ao próximo dia 10 de Outubro.

Como sempre acontece, quem já respondeu pode enviar novas soluções, desde que indiquem que anulam e substituem as anteriormente enviadas.


O FERNANDO PESSOA POLICIÁRIO


Poucos meses antes de falecer em Lisboa, Fernando Pessoa escreveu uma célebre carta ao seu amigo Adolfo Casais Monteiro, datada de 13 de Fevereiro de 1935, manifestando-lhe que estava a trabalhar numa novela policiária.
Hoje é mais ou menos consensual que se tratava de “O Roubo na Quinta das Vinhas” e ficamos a saber que Fernando Pessoa se debruçou sobre a temática policial e a desenvolveu, embora de forma algo anárquica, uma vez que nunca terá chegado ao final de qualquer dos seus trabalhos, ou seja, ao momento em que apenas faltaria a sua publicação.
Devemos a Fernando Luso Soares, um dos estudiosos mais brilhantes da obra policiária de Pessoa, a recolha de um imenso espólio de manuscritos e peças isoladas que ele, com muita dedicação e empenho, compilou e a que deu alguma coerência.


O DR. ABÍLIO QUARESMA


O Dr. Quaresma é o personagem policiário por excelência, de Fernando Pessoa. Sobre ele, escreve:
“É curioso como certos assuntos nos talham a mente conforme a sua natureza. Fui verdadeiramente amigo de Quaresma; verdadeiramente me dói a saudade dele; mas ao escrever a seu respeito, assumo, sem querer nem sentir, como aliás sempre faço, a frieza de quem é o meu tema, e não consigo ter uma lágrima em prosa. A personalidade de Quaresma insinua-se no que escrevo; meu estilo recusa-se a não ser frio. O mais curioso é que essa individualidade apagada e mortiça, vivendo toda uma vida subjectiva de problemas objectivos, ganhava uma nova e milagrosa energia quando resolvia um problema difícil. O Dr. Quaresma, normal, era um apenso débil à humanidade; o Dr. Quaresma, depois de decifrar, erguia-se num pedestal íntimo, hauria forças incógnitas, já não era a fraqueza de um homem; era a força de uma conclusão. Não se transformava – não direi tanto - mas transfigurava-se sem se transformar…”.


A INTELIGÊNCIA NO POLICIÁRIO


Uma das marcas mais significativas da obra policiária de Fernando Pessoa vem, curiosamente, de uma personagem que aparece no conto esboçado “Janela Estreita” e que, à primeira vista, parece ser um novo investigador, em contraponto com o Dr. Quaresma e o Chefe Guedes. Trata-se do Tio Porco, um ser fascinante que diz a certo ponto:
“A inteligência humana pertence a uma de três categorias. A primeira categoria é a inteligência científica. É a sua, sr. Chefe Guedes. A inteligência científica examina os factos, e tira deles as suas conclusões. Direi melhor: a inteligência científica observa, e determina, pela comparação das coisas observadas, o que vêm a ser os factos. A inteligência filosófica – esta é a tua, Abílio – aceita, da inteligência científica, os factos já determinados e tira deles as conclusões finais. Direi melhor: a inteligência filosófica extrai dos factos, o facto. (…) Ora, além destes dois tipos de inteligência, há outro, a meu ver superior, que é a inteligência crítica. Eu tenho a inteligência crítica… (…) A inteligência crítica é de dois tipos – instintivo e intelectual. A inteligência crítica e instintiva vê, sente, aponta as falhas das outras duas, mas não vai mais longe; indica o que está errado, como se o cheirasse, mas não passa disso. A inteligência crítica propriamente intelectual faz mais que isso: determina as falhas das outras duas inteligências, e depois de as determinar constrói, reelabora o argumento delas, restitui-o à verdade onde ela nunca esteve.”



UM CASO PARA ESTUDO: “O ROUBO NA QUINTA DAS VINHAS”


Em “O Roubo na Quinta das Vinhas”, Pessoa coloca em cena dois narradores, cada qual com a sua visão e o seu processo, em que cada um escuta o outro e assume (ou não) o conhecimento por ele transmitido. Há uma permanente desconfiança mútua e um analisar constante dos factos e das conclusões.
O diálogo fascinante entre o Dr. Quaresma e o Sr. Claro é, sem qualquer dúvida, um dos pontos altos da obra policiária de Pessoa e conduziu mesmo a um ensaio apresentado no Encontro Internacional do Centenário de Fernando Pessoa – Um Século de Pessoa, de autoria de Gersey Bergo Yahn, professora das Faculdades Metropolitanas de São Paulo, Brasil, sob o título “Um exercício sobre o dualismo: razão/fantasia em O Roubo na Quinta das Vinhas”.
A “luta” entre ambos vai recrudescendo de nível, até um ponto quase ensurdecedor, mesmo quando ambos estão em silêncio. É um ambiente em crescendo que termina de forma bombástica com a decifração do crime.
“Como uma bola de sabão, estoirou-me a alma, sem ruído, dentro de mim. Fiquei suspenso no vácuo interior (…) No longo espaço de curtos segundos tentei desesperadamente formar uma atitude, uma palavra, um gesto, qualquer coisa… não pude… e então compreendi violentamente quanto pode em nós, se sabem excitá-la, a consciência da culpabilidade”.
O final é devastador e deixa no ar a força que nos impede de fechar o livro, de mudar de assunto, quando o Dr. Quaresma olha para o Tejo em vez de olhar o seu opositor, o que faz com que este refira que “com cada fracção de segundo do meu silêncio a minha culpabilidade enchia o espaço”.
A autora do ensaio acima referido conclui: “Nada mais há a fazer. O essencial foi a decifração do enigma para um e, para o outro, é o avassalador sentimento de culpa e a enorme obrigação do homem para consigo mesmo”.

Fernando Pessoa, ele mesmo, policiarista por excelência!


sábado, 29 de setembro de 2018

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

NOVO PRAZO DA PROVA N.º 8


A pedido de vários confrades, principalmente devido ao início do ano lectivo e da necessidade de dispersar a atenção por variados assuntos, resolvemos prolongar o prazo para envio das propostas de solução da prova n.º 8 até ao próximo dia 10 de Outubro.

Como sempre acontece, todos os confrades poderão reformular as suas soluções, mesmo se já as tiverem enviado, bastando para tal que nos remetam as novas soluções, com a indicação de que anulam e substituem as anteriormente enviadas.


domingo, 23 de setembro de 2018

POLICIÁRIO 1416




ESCLARECIDO O MISTÉRIO DO RUBI DESAPARECIDO

Com a aproximação do fim do verão e à medida que se aproxima o fim das nossas competições, os confrades vão fazendo as suas contas, procurando a sua posição.
Hoje é dia de decifrarmos o problema que nos foi proposto pelo confrade Rigor Mortis, relacionado com o rubi que desapareceu misteriosamente.
Recordamos que as pontuações obtidas nas diversas provas são sempre publicadas em primeira mão no nosso blogue Crime Público, que pode ser acedido em http://blogs.publico.pt/policiario.

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL - 2018
SOLUÇÃO DA PROVA N.º 7 – PARTE II
“O RUBI” – Original de RIGOR MORTIS

C – O Marco.
O agente Rogério Viriato, ao terminar o interrogatório e enquanto os actores davam início à representação dessa noite, procurou sistematizar os dados de que dispunha:
A – A própria Marlene.
Motivos: Não são perceptíveis razões para a Marlene ter roubado – ou escondido – a sua própria jóia, ainda por cima sabendo que era falsa.
Meios: Tinha as chaves do seu camarim e da caixa de jóias.
Oportunidade: Teve a oportunidade, claro, tendo sido ela a guardar a jóia na caixa, no fim do segundo acto, e a fechar o camarim ao fim da noite.
Comportamento: A reacção irónica à revelação do director de cena de que o rubi era falso mostra que a Marlene sempre o tinha sabido.
B – A Ruby.
Motivos: A inveja que tinha da Marlene seria uma boa razão para a ferir e prejudicar, roubando a sua jóia preciosa favorita.
Meios: Sem as chaves do camarim da Marlene e da caixa de jóias, teria que lá ter entrado antes do fim do espectáculo, isto é, durante o terceiro acto.
Oportunidade: Teve-a no terceiro acto, depois de ter saído de cena e antes de o Marco também ter saído de cena.
Comportamento: A exclamação da Ruby, perante a revelação de que o rubi era falso, não denotou surpresa nem decepção, antes satisfação e sarcasmo.
C – O Marco.
Motivos: Vender ou empenhar a jóia, se fosse autêntica, dar-lhe-ia meios financeiros para uma vida bem mais folgada.
Meios: Sem as chaves do camarim da Marlene e da caixa de jóias, teria que lá ter entrado antes do fim do espectáculo, isto é, durante o terceiro acto.
Oportunidade: Teve-a no terceiro acto, depois de ter saído de cena.
Comportamento: Marco também não mostrou surpresa. A sua reacção perante a revelação do director de cena foi “fechar ainda mais a cara”, como se já o soubesse.
D - O Contra-Regra.
Motivos: Apesar de ter dito que “não o desprezaria”, não se vislumbram razões para roubar o rubi.
Meios: Sem as chaves do camarim da Marlene e da caixa de jóias, teria que lá ter entrado antes do fim do espectáculo, isto é, durante o terceiro acto.
Oportunidade: Nunca teve oportunidade, tendo tido que estar sempre ao lado do palco, como compete a um contra-regra.
Comportamento:  A surpresa do contra-regra ao saber que o rubi era falso foi genuína.
Racionalmente, portanto, só Ruby ou Marco poderiam ter roubado a pedra, já que a Marlene não tinha motivos para o fazer e o contra-regra nunca teve a oportunidade para tal.
Se Ruby o tivesse feito, era normal que a sua reacção, perante a revelação do director de cena de que a pedra era falsa, fosse de surpresa e decepção – o roubo que teria feito, afinal, nem teria tido grande impacto na Marlene, não lhe provocando a tristeza, ou raiva, que a teriam satisfeito.
A reacção do Marco, pelo contrário, foi de alguém que até já sabia que a jóia era falsa. Não sendo plausível que a Marlene ou o director de cena lho tivessem dito antes, a explicação poderia perfeitamente ser porque o Marco, tendo roubado o rubi na véspera, depois de ter saído de cena no terceiro acto e antes do fim da peça, o tivesse levado na manhã seguinte a uma loja de penhores, onde imediatamente terá sido informado que a pedra era falsa.
Face à conclusão a que chegou, o agente Jorge Viriato deteve o Marco no final da peça, para novos interrogatórios, e mandou investigar as joalharias e lojas de penhores da vizinhança…

ASSIM NÃO!
NÃO HÁ PRODUÇÕES!

À entrada para a oitava prova do campeonato nacional desta época, deparamo-nos com a ausência de produções para podermos completar o leque de desafios que nos propusemos.
Chegamos, assim, ao fim de uma linha que há muito ameaçava ocorrer, sobretudo nos últimos anos em que escrever passou a ser um martírio para muito boa gente.
Sabemos que fazer desafios policiários não é fácil, exige muita atenção e cuidado, porque um problema policiário só pode admitir uma solução, tem de ser completamente lógico e risível, mas tem de haver um sentido de missão, neste momento, que evite termos de encerrar este espaço por falta de matéria-prima, daquilo que é, afinal, a razão de ser deste nosso passatempo: decifrar enigmas policiários!
Num mundo em que o crime enxameia tudo quanto é jornal e televisão, em que a realidade ofusca a melhor trama “sherlockiana”, só a preguiça em escrever pode justificar esta já crónica falta de problemas para propor aos nossos “detectives”!
Somos muitos, milhares de confrades a debruçarmo-nos sobre tramas policiais, procurando soluções e decifrações lógicas, mas isso exige que também elaboremos desafios que os outros confrades possam decifrar, tal como nós deciframos os desafios deles!
Esperamos, com natural ansiedade, a resposta deste nosso Mundo Policiário!



sexta-feira, 21 de setembro de 2018

domingo, 16 de setembro de 2018

POLICIÁRIO 1415




ESTÁ DECIFRADO O CRIME IMPOSSÍVEL

Vamos hoje ficar a conhecer como o Inspector João Velhote decifrou um crime que parecia impossível e que o confrade Rigor Mortis, autor do desafio, nos apresenta, numa altura em que a competição entra na sua fase mais decisiva, no que toca à definição dos lugares mais cimeiros do campeonato.

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2018
SOLUÇÃO DA PROVA N.º 7 – PARTE I
“CRIME IMPOSSÍVEL” – ORIGINAL DE RIGOR MORTIS

O inspector João Velhote já tinha de facto uma ideia bastante pormenorizada do que acontecera na véspera, precisamente por causa das contradições entre os factos apurados:
·         Tiro ouvido às 20h, numa altura em que apenas o António poderia estar ao pé do José Rodrigues…
·         Hora da morte, segundo a estimativa do médico-legista, entre as 14 e as 18h, período em que os 5 habitantes da casa estavam manifestamente juntos, conversando no jardim da casa senhorial…
·         Pistola com sinais de ter disparado recentemente, mas guardada na sua caixa… Silenciador, no entanto, cuidadosamente limpo…
“Estes ambientes rurais…”, pensou João Velhote. “Filho ilegítimo catrapiscando a meia-irmã, sem disso saber… Um empregado apaixonado pela patroa… Patroa não correspondendo a esse amor, mas mantendo o empregado… Um noivo a andar atrás de garotas, mas ameaçando o homem que lhe disputava a noiva… Pistolas do tempo da guerra colonial usadas em tiro ao alvo…”
Dos dois suspeitos que tinha – o Rafael e o António – apenas um reunia as condições necessárias para ter cometido o crime, o Rafael.
Se o António o tivesse feito, porquê revelar tão abertamente que tinha ido visitar a vítima, e porquê contribuir para “definir” o momento da morte, às 20h? E se a morte ocorrera de facto a essa hora, ter-se-ia o médico-legista enganado grosseiramente, ao estimar a hora da morte entre as 14 e as 18h? O António não devia saber onde estava guardada a caixa da pistola que era do marido da D. Amélia, mas mesmo que o soubesse, porquê recolocá-la no sítio onde era normalmente guardada? Porquê não usar o silenciador? Porquê não limpar todos os sinais de que a arma tinha sido usada? E decerto que não conhecia a verdadeira paternidade do José Rodrigues, ou teria usado esse argumento para o afastar da Rebeca.
Mas se o assassino tivesse sido o Rafael, que mostrava ser um homem inteligente e sensível, apesar da sua baixa posição na hierarquia daquela casa senhorial, as peças do puzzle podiam encaixar-se perfeitamente, com a imaginação adequada…
Rafael sabia dos “avanços” do José em relação à sua meia-irmã, reprovando-os por razões óbvias. Mas também não gostava especialmente do António, e sabia que D. Amélia partilhava dessa desconfiança. No seu entender, Rebeca merecia algo melhor… A lealdade para a família e o amor que tinha pela D. Amélia tê-lo-ão levado a conceber um plano para eliminar o José, incriminando o António. De uma cacetada, dois coelhos…
Aproveitando a ausência do António, quando foi buscar o café minutos antes das 20h, pôs as luvas de cozinha e saiu rapidamente pela porta de trás, levando a pistola consigo. À entrada do bosque disparou um tiro para o ar e voltou rapidamente para servir o café – no total não terá levado mais do que dois ou três minutos. Quando todos se tinham deitado, pegou novamente na pistola com as luvas de cozinha, pôs-lhe o silenciador e foi a casa do José Rodrigues, matando-o com um tiro na cabeça. Fazendo uso da sua força física trouxe o corpo consigo até à casa senhorial, depositando-o na casota de sauna. Depois limpou cuidadosamente o silenciador, mas não a pistola, e arrumou tudo na caixa, que guardou no lugar habitual. Algumas horas depois, talvez pelas 5h da manhã, pegou novamente no corpo e levou-o até ao ribeiro, onde o depositou meio dentro de água, procurando deixá-lo na mesma posição em que o tinha colocado na casota de sauna.
As seis ou sete horas que o cadáver esteve na casota de sauna, a uma temperatura bem mais alta do que a do corpo humano, atrasaram substancialmente a descida de temperatura do corpo mas aceleraram o estabelecimento da rigidez cadavérica. Ao colocá-lo no ribeiro, de água bem fria, ocorreu o oposto – aceleração da descida da temperatura do cadáver e abrandamento do desaparecimento da rigidez cadavérica. Com alguma sorte, a hora da morte acabaria por ser estimada à volta das 20h… Mas mesmo que assim não fosse, as acções opostas a que o cadáver tinha sido submetido baralhariam os dados, tornando-os menos precisos e fiáveis. Um ano de estudos de medicina terão sido bem úteis…
Para consolidar as suas ideias, o inspector João Velhote iria:
·         Fazer um teste de balística, para se certificar de que a velha pistola tinha de facto sido utilizada para matar o José Rodrigues.
·         Proceder à análise de impressões digitais na pistola, onde esperava encontrar as do António e as do Rafael, aí colocadas na sessão de tiro ao alvo alguns dias antes, mas também algumas manchas provenientes do seu manuseamento pelo Rafael com as luvas de cozinha.
·         Mandar analisar cuidadosamente a casota de sauna, onde esperava encontrar vestígios da presença do cadáver na noite anterior.
·         Da mesma forma, iria mandar analisar as roupas do Rafael, procurando vestígios idênticos.
Se tudo corresse como esperava, o inspector poderia fechar o dossier em poucos dias, resolvendo mais um complexo caso de homicídio…


terça-feira, 11 de setembro de 2018

EM MEMÓRIA DO CONFRADE VERBATIM - POR JARTUR

Prezados confrades:
Foi com imenso pesar que, ao ler o "POLICIÁRIO 1414", no passado domingo, (9 do corrente), encontrei a notícia do falecimento do nosso ilustre Amigo Pedro Paulo Faria. 
E nas margens da página noticiosa, rascunhei essas sentidas quadras com as quais expresso os meus sentidos pêsames aos seus Familiares e Amigos, em especial a sua esposa MIMI, seu filho Paulo Faria, e aos seus "irmãos" da Tertúlia Policiária da Liberdade.
(A foto utilizada, foi por mim obtida à mesa, no convívio promovido por essa "TPL", em 2014)
Saudações fraternais e sentidas 
do Jartur

EM MEMÓRIA            por Jartur
                                                                 9.Setembro.2018


        
            Está o ”Policiário” enlutado,
            Chorando pelo seu irmão,
            Que partiu abençoado,
            Nas Asas da Salvação!

           Que Deus o tenha consigo,
           Por toda a Eternidade,
           São os votos de um Amigo,
           E de toda a Irmandade.

O “Policiário” é assim,
Todos por um… um por todos.
Onde tu estás,  “Verbatim”.
Um dia estaremos todos.

Haverá por certo um talhão,
Lá no Céu, já destinado,
Aos Homens de coração,
Tal como tu… Bom e Honrado!

Descansa em Paz
Pedro Paulo de Faria

Com as saudades do teu Amigo
Jartur

domingo, 9 de setembro de 2018

POLICIÁRIO 1414




A ÚLTIMA VIAGEM DO CONFRADE VERBATIM

No passado dia 31 de Agosto, recebemos a notícia do falecimento do nosso confrade NOVE, actualmente VERBATIM, depois de uma luta inglória contra uma teimosa doença.
Pedro Paulo Faria, residia em Alfragide e desde a primeira hora deste nosso espaço foi um dos “detectives” que demonstrou enormes capacidades dedutivas e uma escrita escorreita, deixando adivinhar que estávamos perante uma revelação que iria dar frutos num futuro próximo. Excelente decifrador e produtor, era um activo membro da extinta Tertúlia Policiária da Linha de Sintra, que na época detinha uma página no jornal Notícias da Amadora, de que era um dos principais municiadores de material para publicação, sobretudo de índole matemática, em que era exímio. Também na Tertúlia Policiária da Liberdade, que ainda organiza e promove o tradicional Convívio Policiário anual, fazia parte do que designamos o “núcleo duro”, em conjunto com a sua mulher Mimi e outras duas duplas, A. Raposo & Lena e Búfalos Associados.
ZÉFREY, que tem vindo a homenagear os nossos confrades já desaparecidos, em problemas que perseguem esse mesmo objectivo, muito mais do que constituírem marcos competitivos, decidiu efectuar mais esta justa homenagem, acompanhando a grande viagem de Verbatim e a sua chegada ao cais onde o esperam grandes amigos e companheiros de Policiário.
Vamos, também nós, associarmo-nos a esta homenagem a mais um dos nossos heróis policiários:

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL
PROVA N.º 8 – PARTE II
“A VIAGEM DE VERBATIM” – Original de ZÉFREY

Em plena Estação Central viviam-se os momentos de grande animação que precediam a chegada de cada composição.
No cais, apinhado de gente de todas as origens, sentia-se a ansiedade de reencontros, alguns passados muitos anos, décadas até.
Num dos cantos, destacava-se um grupo de alegres convivas, que repetiam os rituais que eram usuais na recepção a cada novo membro. Tinha sido assim com cada um deles, no momento da respectiva chegada e faziam questão de o fazerem para cada novo companheiro que se juntava ao grupo.
O mais expansivo era, como sempre, um indivíduo de barba branca, relativamente bem cuidada, cabelo ralo e igualmente branco, usando óculos que não escondiam uns olhos vivos e brilhantes. Era o Sete de Espadas, aquele que foi o mentor e impulsionador de todo o movimento que culminou na criação e manutenção de todo um grupo de companheiros irmanados no espírito de decifração de enigmas policiários. Junto dele, o Detective Misterioso, que dizia sempre ser de Cacilhas City, trocava impressões com o Dic Roland e KO, sempre sob observação atenta da Medvet, que não deixava escapar nenhum pormenor e ia comentando com o Avlis & Snitram, o M. Lima, o Rip Kirby e o Detective Said. A eles se juntou, logo depois, o Dr Aranha, muito esbaforido por só ter sido avisado em cima da hora:
- Não há direito, Sete, não tenho direito a saber as coisas a tempo e horas?
- Ó Dr. Aranha, estás cá, é o que importa! Além disso não conheceste o companheiro que vamos receber, pois não? Ele ainda não estava connosco quando tu partiste, pá!
- Eu também não o conheci. – reforçou o Detective Misterioso e por isso é que estava a questionar o Sete, mas ele é casmurro…
- Ora, ora, deixem-se disso! – deitou água na fervura a Medvet, com a assertividade que se lhe reconhecia – Estamos cá para dar as boas-vindas ao nosso confrade e não temos de estar com estas coisas!
- Olha, olha, a Medvet no seu melhor! Agora já a estou a reconhecer! Dava-me sempre cabo dos prémios de originalidade! Andava eu horas a fazer soluções todas abonecadas e a Medvet… - lamentava-se o KO, a “picar”.
- Lá vem o comboio! Tantos quilómetros que eu fiz, de convívio em convívio, lembras-te Sete? Naquela altura era uma aventura, mas não falhava! – comentou o M. Lima.
- Até que enfim que vou deixar de ser o “maçarico”. Foi uma maneira bem deselegante de me chamarem, só porque fui o último a chegar. Quero ver se agora vão chamar o novo confrade da mesma forma. – rabujou o Rip Kirby, meio a rir, meio a sério.
- Ó Avlis, diga alguma coisa, homem, você aparece e vai embora sem se dar por si. Lembra-se dos convívios onde íamos? Bons tempos! – desafiou o Detective Said.
- Sempre gostei de conviver, sabe bem, mesmo quando estava a trabalhar no banco, trocava a hora de almoço para ir à Tertúlia do Internacional, lembra-se, Sete? Mas nunca fui de grandes conflitos – defendeu-se o Avlis.
Entretanto, o comboio imobilizou-se e o movimento da gare transformou-se numa espécie de formigueiro, enquanto se abriam as portas da composição. Todos os olhos se movimentaram em busca do rosto conhecido do novo confrade, que finalmente assomou, procurando, também ele, rostos conhecidos…
- Olhem além, lá vem o Pedro Faria! – quase gritou o Dic Roland, sobrepondo-se ao alarido geral.
- É o Paulo Faria! – comentou o M. Lima, praticamente em simultâneo…
- Oh! É o Nove/Verbatim – desabafou o Avlis e Snitram.
- Afinal em que ficamos? – perguntou o Detective Misterioso – quem é que está a chegar?
- Calma que já vamos esclarecer! – sentenciou o Sete de Espadas, com um sorriso malandro…

A- Pedro Faria
B- Paulo Faria
C- Nove/Verbatim
D- Todas estão certas.

E pronto.
Resta responder a esta homenagem ao confrade desaparecido, indicando, impreterivelmente até ao próximo dia 30 de Setembro, qual a alínea correcta, podendo usar um dos seguintes meios:
  - Pelo Correio para Luís Pessoa, Estrada Militar, 23, 2125-109 MARINHAIS;
- Por entrega em mão ao coordenador da secção, onde quer que o encontrem.
Boas deduções!


sexta-feira, 7 de setembro de 2018

terça-feira, 4 de setembro de 2018

MISSA DO SÉTIMO DIA PELO CONFRADE NOVE/VERBATIM


O Filho do confrade Nove/Verbatim fez-nos chegar uma missiva com dados úteis para quem pretender e puder estar presente:

Boa noite
A missa de sétimo dia do meu pai realizar-se-á dia 7 setembro (6.ª feira) às 18h30m na igreja da divina misericórdia em Alfragide (junto ao estado-maior da Força área)
Paulo Faria (filho de Nove/Verbatim)



TAÇA DE PORTUGAL 2018 - OITAVOS DE FINAL

CONFRONTOS PARA OS OITAVOS DE FINAL

INSP. SONNTAG - ZÉ
MISTER H - INSP. ARANHA
X BOAVISTA - ABRÓTEA
EGO - DET. JEREMIAS
RIBEIRO DE CARVALHO - INSP. BOAVIDA
BÚFALOS ASSOCIADOS - RIGOR MORTIS
DANIEL FALCÃO - ARIAM SEMOG
FANTASMA - PAULO


domingo, 2 de setembro de 2018

POLICIÁRIO 1413




DOCE REGRESSO ÀS ROTINAS POLICIÁRIAS

Depois do chamado período oficial de férias, que no nosso país decorre quase sempre em Julho e Agosto, com a já tradicional debandada para outras paragens, escancarando os nossos espaços à invasão turística vinda de longe, em movimentações que agora são entendidas como muito “in”, retomamos as nossas rotinas, não sem sentirmos alívio e agrado por ainda ser possível o regresso a casa, esse espaço que o negócio do turismo pretende demonstrar não dever existir!
Também por isso, pelo regresso “à normalidade”, chamamos a atenção para o prazo de envio das propostas de solução, novamente o último dia do mês, de molde a evitarmos dissabores.

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2018
PROVA N.º 8 – PARTE I
“O ANTICRISTO” – Original de X. BOAVISTA

Arrombaram com estrondo a porta de entrada! Entraram cautelosamente! De armas na mão! Estavam finalmente dentro da casa de um dos principais suspeitos dos terríveis homicídios que tinham acontecido recentemente em Portugal, todos com a mesma marca, deixada em sangue no corpo das vítimas – O ANTICRISTO!
Por toda a casa havia sinais indeléveis de que o suspeito era realmente o assassino em série que há tanto perseguiam, cruzes de ferro retorcidas, desenhos e pinturas imperfeitas com representações do demónio, do céu, do sacrifício de Jesus, reproduções toscas do Juízo Final de Michelangelo e do Inferno de um Mestre português desconhecido do século XVI. Era realmente um cérebro afetado por distorções psicológicas de dogmas religiosos.  
De repente o estagiário Félix grita do sótão: - Depressa! Subam! Subam! Vejam isto!
Quando lá chegaram depararam-se com imensas fotografias, desenhos, mapas, plantas de edifícios e quintas, espalhados em cima de mesas, pelo chão, pregados e colados nas paredes, e todos eles apontavam para todos os assassinatos que tinham sido perpetrados até então pelo auto assinado O ANTICRISTO.
Lá estavam as fotografias e plantas detalhadas das quintas onde tinham sido mortas as quatro primeiras vítimas.
A coudelaria de Portel onde tinha sido encontrado morto um cavalo branco e junto dele o respetivo dono com uma coroa enfiada na cabeça e um arco no chão perto do corpo.    
A de Ourique onde se tinham deparado com um cavalo vermelho de sangue esfaqueado várias vezes no pescoço e abdómen e o proprietário jazendo perto com uma espada na mão.
A da Quinta dos Montes onde um cavalo preto tinha sido abatido e o seu tratador esfaqueado até à morte e uma balança perto da mão direita.
Também estava a fotografia do estábulo onde tinham enfrentado a horrível situação de um cavalo pálido morto, amarelado ou esverdeado, e ao seu lado um homem todo nu que, além de ter como todas as outras vítimas a palavra ANTICRISTO escrita a sangue no peito, tinha também PESTE escrita na testa com uma navalha afiada.
Claro que nessa altura já toda a Polícia Judiciária, e o Inspetor Sousa Pinto, em particular, tinham associado aqueles homicídios a um assassino em série que queria matar e deixar a sua marca em homicídios que apontavam para Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Era óbvio!
No entanto as mortes tinham continuado, com a mesma assinatura macabra das anteriores, e no sótão onde estavam, lá se encontravam também as fotografias e plantas dos locais onde foram cometidos os outros dois assassinatos que tinham sido cometidos depois dos que tinham visto anteriormente. O mosteiro de Amarante onde tinham encontrado morto um religioso que também estava nu por baixo, apenas vestido com uma comprida bata branca por cima do corpo. Pregadas na parede do fundo fotografias do Museu de Arte Antiga em Lisboa onde recentemente, em abril de 2018, tinha sido assassinada a última vítima com “assinatura” ANTICRISTO junto à tela de João Glama, conhecida pelo nome “O Terramoto de 1755”.
Entretanto, o Inspetor Sousa Pinto reparou que num canto escuro do sótão estavam fotografias que lhe pareceram ser de uma mata ou parque.
Chamou os outros inspetores e perguntou: Sabem que parque é este, aqui, desta fotografia?
E logo Félix gritou: Mas esse é o Parque dos Olivais, perto de onde eu moro, também conhecido como Mata do Silêncio!
E logo o Inspetor Sousa Pinto gritou:
-Todos para o Parque dos Olivais! Félix! Telefona para a sede para enviarem reforços para o Parque, pede-lhes para montarem um esquema de defesa muito discreto. Não podem dar nas vistas, pois vamos apanhar o nosso homem em flagrante delito … e se não o conseguirmos apanhar no Parque, eu já compreendi todo o “fio da meada” e o que se poderá seguir…
Qual era o “fio da meada” a que Sousa Pinto se estava a referir? Como encaixam os homicídios cometidos nesse “fio da meada”? E o que é que se poderá seguir, segundo o Inspetor Sousa Pinto?

E pronto.
Após as leituras que forem necessárias, é altura dos nossos “detectives” começarem a elaborar os relatórios que conduzirão à decifração deste enigma que nos é proposto pelo confrade X. Boavista.

Uma vez concluído, deve ser enviado, impreterivelmente até ao próximo dia 30 deste mês de Setembro, usando um dos seguintes meios:

- Pelo Correio para Luís Pessoa, Estrada Militar, 23, 2125-109 MARINHAIS;
- Por entrega em mão ao coordenador da secção, onde quer que o encontrem.

Boas deduções!




sábado, 1 de setembro de 2018