domingo, 31 de maio de 2015

POLICIÁRIO 1243


A HOMENAGEM A MANUEL BOTAS CONSTANTINO

Decorreu de forma excelente o Convívio Policiário de Almeirim, uma iniciativa da Tertúlia Policiária da Liberdade (TPL), que desta vez resolveu prestar uma justa homenagem ao confrade e “mestre” Manuel Botas Constantino, a propósito da passagem do seu 90.º aniversário e mais de 70 de policiarismo.
O evento, que reuniu dezenas de familiares, admiradores da obra policiária e amigos, constituiu mais uma prova, se necessária fosse, de que a uma vida imensamente cheia, com muito empenho posto em cada tarefa desempenhada, em cada estádio da sua vida profissional, sempre exigente e de elevada responsabilidade, corresponde o reconhecimento de todos aqueles que com ele percorreram caminhos comuns.
O momento foi especial para o responsável por este espaço, que conheceu Manuel Constantino de uma outra forma, por o seu pai, já falecido, ser seu colega de trabalho no Tribunal Fiscal e, como agora mesmo foi reconhecido pelo homenageado, desenvolverem uma amizade sem qualquer mácula ou atrito, como duas pessoas que, para além de colegas de trabalho, eram essencialmente pessoas cultas!
Foi, para nós, profundamente emotivo o momento em que recebemos das mãos do mestre o troféu atribuído ao vencedor do concurso de contos que tinha o seu nome. Ali, naquele momento, ao lado de Manuel Constantino estava, certamente, mais alguém, partilhando o momento.

A TPL viu assim a jornada de confraternização e amizade:
 
XI Convívio da Tertúlia Policiária da Liberdade, em Almeirim

Memória do Convívio

            Decorreu com grande alegria o Convívio da Tertúlia Policiária da Liberdade realizado em Almeirim, no passado domingo, 17 de Maio. Os participantes começaram a concentrar-se às onze e meia para, depois, se juntarem num agradável almoço, no qual as honras da mesa iam para Manuel Constantino, o homenageado deste encontro, que acabara de fazer noventa anos e já vai com setenta de dedicação ao policiarismo.
            Acabada a refeição, a TPL deu a conhecer o Júri do Concurso de Contos Manuel Constantino, constituído por Domingos Cabral, Cloriano de Carvalho e Joel Lima. Este último, como presidente do Júri, leu a acta e divulgou o nome dos trabalhos e autores galardoados. Receberam Menções Honrosas os contos “A Primeira Vez”, de Detective Jeremias, “Jantar de Família”, de Rigor Mortis, e “Que Tremenda Mariscada”, de Jartur, tendo sido declarado o conto “2”, da autoria de Luís Pessoa, como o grande vencedor do Concurso.
Luís Pessoa com Rui Mendes (um dos Búfalos Associados),
 em representação da TPL  e o Presidente do Júri do
 Concurso de Contos, Joel Lima
            Ainda decorriam os joviais cumprimentos aos premiados, quando Domingos Cabral iniciou um breve discurso de homenagem a Manuel Constantino, que emocionou os presentes bem como o homenageado. Ao mestre foi entregue pela TPL uma placa comemorativa e uma lembrança.
Manuel Constantino não quis deixar de agradecer as palavras que lhe foram dirigidas, fazendo-o da maneira sábia que lhe é reconhecida e que também está patente nas duas últimas obras que preparou, apresentadas precisamente neste Convívio.
Os dois novos livros de Manuel Constantino são “Um Cofre Escancarado”, constituído essencialmente por memórias, e “150 Anos de Mistérios e Crimes Impossíveis na Ficção Policiária” que nos remete para o aliciante tema dos crimes de “quarto fechado”.

PALAVRAS EMOCIONADAS DE MANUEL CONSTANTINO
 AOS PRESENTES

Manuel Constantino e LS, no Convívio
Estimadas amigas e estimados amigos, bem-vindos à urbe que me viu nascer e crescer.
Fundada por um rei de boa memória, foi palco de relevantes decisões políticas para a elevação de uma pequena nação que se projectava no mundo.
Aqui se instalaram, muito tempo, os reis da 2.ª dinastia, que fizeram da vila a famosa “Sintra de Inverno”, em plena Rota dos Descobrimentos e domínio dos mares.
Cenário de lutas empolgantes pela independência da nação portuguesa, a “Vila Real de Almeirim” de então, é hoje uma cidade de vastos recursos naturais e humanos, em plena lezíria e coração do Ribatejo.
Obrigado por terem vindo.
Sois uma Família que junto à do meu sangue, aqui representada pela minha filha Marília e neta Teresa.
Já afirmei em tempos, que uma homenagem não se pede, nem se recusa: agradece-se…
Não serei mal-agradecido, no entanto sempre vos digo, sou tão digno desta homenagem como a maioria dos presentes. Todos lutamos por ficar entre os melhores, por vezes conseguimo-lo. Essas pequenas vitórias não nos tornam o melhor, certamente. Fazer parte do grupo dos melhores, é bastante!
De resto, o troféu maior, o apetecido, está nas amizades conquistadas: Essas sim, engrandecem-nos, sois o exemplo.
Cumpre-me, porque o sinto, agradecer aos oradores precedentes e aos que sobre mim escreveram. É a prova provada da simpatia aludida.
Saliento, sem ofuscamento dos restantes, o nome de Luís Pessoa, como um homem e uma obra salientes: é precisa muita coragem, muito amor à arte policiária, para dirigir e manter uma secção semanal num jornal como o PÚBLICO, há mais de 22 anos!  Nessa secção de têm conquistado novos adeptos e reunido os veteranos.
Louvo, igualmente, a Tertúlia Policiária da Liberdade: um grupo de Amigos que em cada convívio – e já conheço XI – conquista amigos.
Que bela prenda de anos é a vossa presença. Mas, se ser velho dá lugar ao pódio, aceito-o, mas, Amigos, ser velho é um triunfo triste, acreditem.
Sobre os livros publicados, honra-me o empenho da apresentadora, a Detective Jeremias, a quem agradeço: o livro “Um Cofre Escancarado”, não chega a ser uma biografia, foi escrito ao correr da pena, em pouco mais de um mês.
No ensaio sobre o crime impossível, “150 Anos de Mistérios de Crimes Impossíveis na Ficção Policiária”, tive de lhe retirar a parte antológica, a mais saborosa, para evitar os direitos de autor.
Não vou alongar-me, corro o risco de a emoção estragar a oração.
Curvo-me perante vós, com um abraço de infinita gratidão!

Manuel Botas Constantino, Almeirim, 17 de Maio de 2015.

JARTURICE 150

Prezados "Detectives do Imaginário":
Realimentada e fortalecida, a camaradagem com algumas dezenas de mancebos de 80 anos,
que foram o terror das alfarrobas/algarvias durante aquele cursar de 1956/57, lá vai "Jarturice."
E desta vez, não li os habituais versos que componho para a ocasião. Desta vez, antes do almoço,
pus toda a gente a cantar, com a melhor das desafinações possível:

Figueira,                                Figueira,
Figueira da foz,                     nós vamos ficar
aqui estamos nós,                aqui um bocado
a erguer a voz,                     a fazer o gosto,
com muita alegria.                ao teu cozinhado.

É dia,                                    E o vinho,
de encontro anual,               com moderação.
de amor fraternal,                vai dar um jeitinho,
em paz e harmonia.             à nossa digestão

Lembram-se da bonita canção cantada pela Maria Clara?
Então cantem. Começando com alegria, terão um Bom Dia.

Abraços do Jartur


           PROBLEMAS POLICIAIS – 153 - # 150
    (Diário Popular # 5179 – 09.03.1957)

- Então, tenha calma, eu compreendo quanto deve sentir-se perturbado e confuso – disse o professor Fordney, olhando para a terra ensopada de sangue, perto do caminho.
- Obrigado professor - articulou Carl Dixon. - Cometi um acto extremamente estúpido. Compreendo-o agora. Mas eu estava em tal estado de pânico depois de ter acidentalmente disparado contra Bernice, que nem sabia o que estava a fazer.
Fordney aquiesceu com a cabeça.
- Quando disparei a arma e a atingi nas costas, a uma milha de distância daqui, naquela mata, ela morreu quase instantaneamente. O meu primeiro pensamento, após a inicial sensação de horror e de pesar, foi de que não me acreditariam e que me acusariam de a ter assassinado. Tenho lido referências a casos em que pessoas inocentes foram acusadas de crimes que não cometeram, simplesmente porque as circunstâncias eram de molde a inculpá-las.


- É bem verdade – comentou o professor Fordney.
- Assim – continuou Dixon – meia hora depois de ela ter morrido, levantei-a (é por isso que tenho o meu casaco de caça manchado de sangue) e transportei-a para aqui, um sítio onde toda a gente sabe que já três pessoas foram acidentalmente atingidas por caçadores, nesta temporada. Depois voltei para o pavilhão de caça. Quando me acalmei o suficiente para reflectir, considerei que afinal o melhor era contar a verdade.
- Foi uma decisão muito sensata. Por que não agiu logo de acordo com ela?
- O quê? Então, afinal o senhor não acredita em mim?
- Pois não.
- Mas é verdade, juro-lhe.
- Ainda não compreendeu como a sua história é uma mentira estúpida: não vê onde caiu num deslize, pois não, Dixon?  

Por que é que Fordney não acreditou na versão da morte acidental?

         (Divulgaremos amanhã, a solução oficial deste caso)



  *     *     *     *     *










Solução do problema # 149
(Diário Popular # 5173 – 02.03.1957)

Como sabemos, o vendedor de estupefacientes fora sócio de Devore (1) e este havia sido denunciado à Polícia por um rival do vendedor de estupefacientes, e tanto Famenti como Burger o sabiam (2). É evidente que só o sócio de Devore podia ter suspeitado de quem teria denunciado Devore. Logo, Joe Famenti era o vendedor de estupefacientes.

 Jarturice-150 (Divulgada em 31.Maio.2015)






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jarturmamede@aeiou.pt


sábado, 30 de maio de 2015

JARTURICE 149

                                                                      
                         PROBLEMAS POLICIAIS – 152 - # 149

                   (Diário Popular # 5173 – 02.03.1957)
Professor Fordney, não poderá fazer alguma coisa por ela? – implorou a atraente Janet Biodle, acrescentando:
- Eu sei que Mona Fontaine recebeu o estupefaciente do edifício Forest, mas não sei em que andar e porta. Ela acaba de matar-se e é uma rapariga tão simpática…
- Certamente que farei, minha amiga. – respondeu o professor Fordney – Alegro-me pelo facto de me ter procurado.
                                               *
Mona Fontaine bateu à porta do número 302 do edifício Forest. Não obteve resposta. Tornou a bater, com mais força. O terror começou a apoderar-se dela. Bateu na porta com os punhos. Da sombra surgiu o professsor Fordney.

                                                           *
Foi uma história trágica, a que Mona contou a Fordney. Tendo ficado viciada após uma doença, consumia agora mais do que seis grãos de morfina por dia. – E roubara o dinheiro para pagá-la! Era verdade que comprara o estupefaciente no 303, mas não sabia o nome do vendedor.
Da descrição de Mona e outras informações, o criminologista inferiu que o homem que operava no 302 era um Joe Famenti ou Louis Burjer; e também o seguinte:
1 – O vendedor de estupefaciente tinha sido sócio do conhecido distribuidor de droga Duke Devore.
2 – Tanto Burger como Famenti sabiam que Devore tinha fugido para a América do Sul quando um rival, enraivecido por ter sido traído, o denunciara à Polícia.
3 – Durante várias semanas Famenti vigiara cuidadosamente Louis Burger, pois suspeitava que ele tivesse denunciado Devore à Polícia.
Embora fossem estes os únicos dados com os quais Fordney tinha de investigar, o vendedor de estupefacientes foi rapidamente identificado, preso e condenado.

Quem era o vendedor de estupefacientes?

      (Divulgaremos amanhã, a solução oficial deste caso)


  *     *     *     *     *







Solução do problema # 148
(Diário Popular # 5166 – 23.02.1957)

O assassino, cujos óculos se tinham quebrado durante a luta com Clarence, foi forçado a roubar o par sobresselente de Bradford. O professor Fordney sabia que ele fora obrigado a isso, porque andar sem óculos levantaria imediatamente suspeitas.
Como, porém, os três irmãos usavam óculos de aros idênticos o assassino sentia-se em segurança porque tinha o par sobresselente de Bradford. Quando Bradford partiu o seu outro par de óculos, precisamente depois de Kelley ter ordenado que escrevessem, o assassino sentiu que os deuses o protegiam. Agora, haveria, duas caligrafias irregulares – a dele e a de Bradford. Mas foi exactamente este facto que denunciou Russel como assassino ao professor. Era natural que a caligrafia de Bradford fosse irregular e saísse das linhas – porque ele não usava óculos – mas quando a caligrafia de Russel se apresentava nas mesmas condições, isso era a prova de que ele não usava os seus próprios óculos, mas sim os que roubara a Bradford. Russel confessou o seu crime.


Jarturice-149 (Divulgada em 30.Maio.2015)






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sexta-feira, 29 de maio de 2015

JARTURICE 148

                                                                          
                   PROBLEMAS POLICIAIS – 151 - # 148
              (Diário Popular # 5166 – 23.02.1957)                           
                                                                                   
«Parece que o velho andou a lutar», observou o inspector Kelley, ao contemplar o corpo de Clarence Bender, de 72 anos de idade, que jazia morto num leito enorme e de estilo antiquado. Tinha sido apunhalado com um estilete de partir gelo.
«Estes óculos devem ser do assassino», continuou Kelley, apanhando do chão, um par de óculos de aros de tartaruga quase completamente esmagados. «Porque há outro par em cima da cómoda», disse ainda.
O professor Fordney fez um sinal de assentimento com a cabeça. Saíram do quarto.
Bradford Bender, um dos quatro irmãos solteirões que viviam juntos, explicou, em estado de grande excitação: «Roubaram o meu par de óculos sobresselente!».
«E que é que isso tem?», interrogou, com dureza, o inspector Kelley. «De quantos pares precisa o senhor?».
O inspector Kelley tivera uma inspiração súbita e comunicou-a ao professor Fordney: «Aquele que quebrou os óculos no quarto de Clarence é o assassino… Sabemos que os quatro irmãos usam óculos de aros idênticos. Ora bem, um velho sem óculos não é capaz de escrever duas linhas a direito. Por isso…
Kelley entregou umas folhas de papel pautado a Russel, Leslie e Bradford, os quais usavam todos óculos de aros idênticos. Disse-lhes para escreverem esta frase: «Não matei Clarence, mas foi um de nós quem o matou».
Quando Bradford deixou cair os óculos, que imediatamente se quebraram, Kelley explodiu, ordenando de novo, ao velho: «Escreva!».
Embora queixando-se de que não podia ver sem os óculos, Bradford obedeceu.
A sua caligrafia e a de Russell, miudinhas e vacilantes, eram irregulares e saíam fora das linhas. A caligrafia ainda vigorosa de Leslie era direita e legível.
Com que então roubaram-lhe os óculos sobresselentes, Bradford?», perguntou Kelley, com ar de poucos amigos.
O inspector, enraivecido, sentia-se logrado, mas o professor tinha agora a certeza absoluta de quem era o assassino.

De quem suspeitou Fordney e porquê?    

       (Divulgaremos amanhã, a solução oficial deste caso)



  *     *     *     *     *
                                                                                                             



Solução do problema # 147
 (Diário Popular # 5159 – 16.02.1957)

John Ardmore disse que o seu sobrinho saíra para o lago logo depois do almoço. O cofre não fora roubado antes do almoço, mas quando Fordney perguntou a Ted onde se encontrava à hora de o cofre ter sido roubado, ele respondeu que se achava a cinco milhas de distância, a pescar. Se estivesse inocente, Ted não podia saber «quando» o cofre tinha sido roubado. Foi por isso que Fordney suspeitou dele.


 Jarturice-148 (Divulgada em 29.Maio.2015)









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quinta-feira, 28 de maio de 2015

JARTURICE 147

                                                     
                       PROBLEMAS POLICIAIS – 150 - # 147
                (Diário Popular # 5159 – 16.02.1957)                                       
«Foi preciso ter audácia para abrir e roubar este cofre a meio da tarde», observou o professor Fordney – Estava fechado à chave, é claro?».
«Para falar com franqueza, não». Respondeu John Ardmore.
«Saí daqui tencionando demorar-me apenas alguns minutos, mas o meu assistente, Elmer Judd, chamou-me ao laboratório. Só sei porque tinha passado lá uma hora quando voltei e encontrei o cofre aberto e roubado. Graças a Deus o ladrão só levou o dinheiro e não fez caso das minhas fórmulas. O meu sobrinho Ted, que tinha ido dar um passeio pelo lago, logo depois do almoço, já me dissera que eu não devia ser tão descuidado. Felizmente que o senhor, professor Fordney, estava a passar o fim-de-semana aqui perto».
Fordney olhou, através da janela, o laboratório, que estava para lá do belo relvado da residência de Verão de Ardmore.
«Judd esteve sempre consigo, durante o tempo em que permaneceu no laboratório?».
«Não. Foi buscar umas coisas ao barracão dos apetrechos de pesca. Demorou-se cerca de quinze minutos».
                                               *
Às 16 e 40, Fordney observou que o jardineiro tapava um buraco no canteiro das flores. Da janela do escritório também Judd observava o jardineiro.
Meia hora depois, Fordney e Judd encontravam-se no barracão, precisamente no momento em que Tedd saltava do seu gasolina.
«O cofre do seu tio foi roubado» - disse Judd.
«Roubado?»
Fordney confirmou. «Onde estava você a essa hora?».
«Estava a pescar a cinco milhas daqui» - respondeu Tedd, acrescentando: «Olhe estes cinco peixes!».
O professor voltou-se. A 50 jardas o jardineiro pegou numa enxada e começou a cavar. Judd tossiu.
«Muito bem» - comentou, a sorrir, o criminologista, que tinha já uma opinião formada sobre o caso.

De quem suspeitou Fordney? Porquê?
  
     (Divulgaremos amanhã, a solução oficial deste caso)



  *     *     *     *     *







Solução do problema # 146
(Diário Popular # 5152 – 09.02.1957)

Ao justificar a existência de sangue no estofo do automóvel, Disse Neely que ao virar o carro rapidamente para a direita, o seu cotovelo batera no nariz de Lulu, que começara a sangrar. Mas se Neely tivesse virado o carro para a direita (como Fordney, pois não havia outra alternativa ao pé de Elk Mound Hill) não poderia ter batido no nariz de Lulu, nem com um cotovelo nem com o outro!
Embora fosse esta a mentira que revelou a sua culpabilidade a Fordney, Neely também se traiu ao explicar a razão porque havia sangue na pá. O inspector encontrara-a absolutamente limpa, o que não teria acontecido se Neely, segundo afirmou, tivesse simplesmente raspado a lama depois de transplantar as árvores.   
Neely deu essa explicação dominado pelo terror de que, apesar dos seus esforços em tirar o sangue da pá com que matara Lulu, tivesse deixado alguns vestígios. 

Jarturice-147 (Divulgada em 28.Maio.2015)






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quarta-feira, 27 de maio de 2015

JARTURICE 146

                                                                    
                   PROBLEMAS POLICIAIS – 149 - # 146
  (Diário Popular # 5152 – 09.02.1957)
                       
Ia o pequeno Billy Cassidy a passear pelos campos quando tropeçou no corpo de Lulu Ladell. O cadáver tinha a cabeça esmagada.
Ao ser informado da morte da sua namorada Lulu Ladell, finalista universitária, Tom Neely mostrou emoção profunda e aparentemente sincera, sem que desse mostras de qualquer4 receio.
- E aquelas mar4cas de sangue no estofo do automóvel?
- Há uns dias - explicou Tom – fui sair com Lulu. Ia aproximadamente a 50 à hora quando, ao pé de Elk Mound Hill, fui obrigado a virar rapidamente, a fim de evitar o choque com um camião que vinha no sentido contrário. O cotovelo escapou-se-me para cima e bateu no nariz da Lulu, que começou a sangrar abundantemente.
- E a pá de ferro que foi encontrada no carro? – inquiriu o professor Fordney.
-Ah, a Lulu e eu andámos a transplantar umas árvores nesse dia: depois pu-la ali e esqueci-me dela.

Sem grande necessidade de evitar o choque, Fordney desviou o carro violentamente para a direita ao pé de Elk Mound Hill e deu a curva da ampla estrada.

No laboratório da universidade, o professor Fordney tornou a examinar a pá. O resultado era negativo: a pá estava completamente limpa.
Nelly abriu a porta e disse:
- Ainda acerca daquelas manchas de sangue, professor, como lhe disse, a Lulu começou a deitar sangue pelo nariz e serviu-se da pá para proteger o vestido.
O criminologista pegou no vestido da desventurada rapariga, que estava em cima da almofada do automóvel. Apresentava uma grande mancha de sangue.
- Então ela sangrou do nariz antes de transplantarem as árvores?
- Sim. Tínhamos a pá à nossa frente. Depois de termos acabado o trabalho, raspei-lhe a lama.
O professor Fordney abanou a cabeça e disse:
- Você seria apanhado de qualquer maneira, mas o que me surpreende é que, tratando-se de pessoa instruída, minta tão estupidamente.

Qual foi a mentira que determinou a prisão de Neely?

 (Divulgaremos amanhã, a solução oficial deste caso)


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Solução do problema # 145
(Diário Popular # 5145 – 02.02.1957)

Fordney prendeu Kinkaid. Dissera ele que não conhecia Markley pessoalmente e, não obstante, dirigiu-se imediatamente ao armário de licores!
Sabendo que Markley tinha como criado um ex-presidiário, Kinkaid projectara apoderar-se de várias moedas de alto valor que Markley não queria vender, embora, para isso, tivesse de o assassinar. O seu plano de implicar Briggs no caso fora muito bem pensado, mas o regresso inesperado do ex-presidiário e o pormenor do brandy levaram Kinkaid à forca. O vinho – já Plauto o dizia – é um ardiloso adversário…

Jarturice-146 (Divulgada em 27.Maio.2015)






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