sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
domingo, 2 de dezembro de 2018
FALECEU JORGE MAGALHÃES
O nome não dirá muito à generalidade dos nossos confrades, porque nunca foi decifrador ou produtor de problemas policiários, tanto quanto sabemos, mas era uma figura importante para nós, principalmente porque era o responsável da Agência Portuguesa de Revistas pelos conteúdos do Mundo de Aventuras e, como tal, o "chefe" do nosso SETE DE ESPADAS na secção que trouxe a maioria de nós para o Policiário, a partir de Março de 1975.
Para além disso, era um conviva excelente, que nos acompanhava nos convívios policiários que nessa época percorriam TODO o país.
Foi o confrade Jartur que nos deu a notícia, assim:
Prezados Amigos:
Esta manhã domingueira, por telefone, o nosso Amigo Luis Beira, estudioso da Banda Desenhada cujos trabalhos assina com o pseudónimo de Alfa Zulu, informou-me da morte de Jorge Magalhães, que a maioria de vós conhece por frequentar alguns dos nossos convívios,
e porque foi durante muitos anos argumentista de BD e Director de uma das fases do Mundo de Aventuras.
Após essa triste e surpreendente informação, liguei o "Gmail", onde já uma mensagem do Carlos Gonçalves, sempre Amigo e atento, escrevia:
"É com sentido pesar que divulgamos esta triste notícia de um ícone no nosso meio, também ele de uma grande dedicação à Banda Desenhada e um homem conhecedor e privilegiado de ter no seu currículo muitos anos profissionais em paralelo com a sua carreira de estudioso".
À família enlutada, em especial a sua mulher Catherine Labey, e a sua filha Maria José Pereira,
endereço os mais sentidos pêsames. DESCANSA EM PAZ, JORGE MAGALHÃES.
Jartur Mamede
POLICIÁRIO 1426
HOMENAGEM A “PROCURADOR INCÓGNITO”
Enquanto aguardamos
o fim do prazo para solução dos problemas da prova n.º 10, que vão decidir tudo
sobre esta época, vamos prestar homenagem a um confrade que já nos deixou:
Procurador Incógnito.
Conhecemo-nos em
2005, no verão, em plena Praia do Pedrógão, local em que também costumava ir
buscar as energias para mais um ano de trabalho.
Longas foram as
conversas naquele mês de Agosto, quase sempre com o Policiário em pano de
fundo, como é óbvio.
Prometeu um
problema, que já andava preparar e o desafio surgiu, sendo publicado em 13 de
Novembro desse mesmo ano e que hoje republicamos.
As voltas que o
mundo dá levaram-no até Faro, onde passou os últimos anos.
MENTIRAS
Autor:
Procurador Incógnito
Já não via o pai
há muitos anos e este nunca demonstrara grande interesse no que se passava por
aqueles lados. Invariavelmente, vinha a argumentação do pai: “Não me importava
muito porque sabia que estavas em boas mãos com a tua mãe…” Não acreditava, mas
o que é que podia fazer? Crescera sem pai e sem o desejo muito evidente de o
vir a ter por perto. Podia dizer, mesmo, que lhe era indiferente. Só que,
depois de tantos anos, eis que ele aparecia na sua vida e, sinceramente, não
sabia como lidar com a situação. Ignorá-lo? Hostilizá-lo?
A mãe lançara o
aviso para que não acreditasse em tudo o que ele dissesse, porque mentia com
uma facilidade impressionante e com a convicção própria de quem estava seguro
do que dizia…
“Não chega olhá-lo nos olhos porque
até assim é capaz de mentir e jurar…”
“Sabes, filho, a vida nem sempre é
como a queremos viver… Há momentos em que temos de tomar decisões e abrir mão
de muitas convicções… Também eu gostava de ter estado contigo e acompanhar o
teu crescimento, mas tive de ir para a América do Sul, por onde andei anos a
fio, em expedições, mas sempre contigo nos meus pensamentos…
“Lembro-me de estar numa véspera de
Natal, algures pelo Chile a contemplar a Lua e, ao ver nela a tua inicial,
recordar os momentos que passei contigo, eras tu ainda um bebé… Dias depois, em
plena passagem de ano, naquela bola enorme, luminosa, revia a tua cara
bolachuda, redonda e sorridente… É mesmo isso, nunca te esqueci, só não tinha
muito tempo nem oportunidade para te escrever, entendes? Andei por sítios nunca
visitados por brancos, bem no centro da Amazónia, visitei tribos desconhecidas
até então e recordo em particular uma aldeia praticamente inacessível, em que
comi com o chefe da tribo, falei-lhe de muitas das coisas que eles nunca viram
e ouvi da sua boca muitas histórias sobre a sua vida, família e tribo…
Experiência única, ser o primeiro ser exterior a falar com eles, já imaginaste?
E outra vez em que me despedi da vida porque me perdi e andei dias e dias
sozinho por montes e vales nos Andes, sem encontrar vivalma, caminhando de
noite para me poder proteger do sol e me orientar pela estrela polar, uma
estrela que me parecia ter seis pontas e que logo me recordava o teu nome, que
era a minha única referência e me serviu para encontrar uma aldeia mais a norte
e ali encontrar assistência e apoio… Também nessa altura me lembrei de ti e
foste a razão da força que me tirou de lá… Ainda estive à porta de uma estação
de correios, na Bolívia, no dia de um dos teus aniversários, decidido a
enviar-te uma mensagem, um telegrama, que telefone era coisa que por lá não
havia, mas não pude mandar-te nada porque estava fechada por ser feriado… É o
que dá nascer no dia da implantação da República. Eu bem tinha dito à tua mãe
que era melhor registar-te a 4 ou a 6, mas ela disse que se nasceste a 5 de
Outubro, era a 5 de Outubro que eras registado… Ainda havemos de partir à
aventura para aquele mundo espectacular, vais ver…”
Francamente,
ficara com a certeza de que a mãe o alertara para o perigo das suas mentiras
apenas por despeito, mas agora mudara de opinião e achava que o pai era, de
facto, um grande mentiroso, ainda que trapalhão…
SOLUÇÃO
Refere que andou dias e dias sozinho pelas montanhas
dos Andes, como se isso fosse assim tão fácil, com temperaturas baixíssimas,
sobretudo de noite, temporais e as dificuldades de acesso, jamais lhe
permitiriam andar como diz e muito menos sem um guia especializado e
competente.
Os Andes ficam na América do Sul, abaixo da linha do
Equador. Por isso, nunca ele poderia orientar-se pela Estrela Polar que indica
o norte e apenas é visível no hemisfério norte.
Na passagem do ano, refere que a Lua era uma grande
bola, pelo que estava em fase de lua cheia e fazia-lhe recordar a cara
bolachuda do filho, pelo que por alturas do Natal estaria a crescer, logo, em
fase de quarto crescente, o que ele associa ao nome do filho. Tudo estaria bem
se ele não falasse da Estrela de David, a estrela de seis pontas, revelando que
o miúdo se chamava David; a Lua não lhe podia recordar o nome do filho, porque
no hemisfério sul a Lua não é “mentirosa”: em quarto crescente aparece mesmo como
um “C”.
Andou por florestas nunca visitadas por brancos na
Amazónia, onde conheceu tribos que nunca viram ninguém exterior a eles. Mas a
verdade é que lhes contou e ouviu histórias. Em que língua, ninguém sabe e ele
não diz. Nunca poderia ter essa familiaridade e entender-se assim tão fácil e
amigavelmente.
Diz que bem tentou telefonar ao filho no dia dos anos,
mas teve azar porque não havia telefone na estação dos correios – como se isso
fosse possível, e ainda por cima por ser dia 5 de Outubro, feriado em Portugal
por se comemorar a implantação da República. Só que a história passava-se na
Bolívia e não em Portugal e lá não se comemora nada nessa data.
sábado, 1 de dezembro de 2018
domingo, 25 de novembro de 2018
POLICIÁRIO 1425
DECIFRADOS
ENIGMAS DE TRADIÇÃO E CRIME
Mais
um capítulo das nossas competições é hoje cumprido, com a publicação das
soluções dos enigmas que fizeram a prova n.º 9, dois problemas com um grau de
reduzida dificuldade, que entram nas nossas memórias, enquanto membros desta
comunidade, no primeiro caso e numa questão recorrente no nosso passatempo, que
é a culpabilização indevida da mentira, no segundo caso.
Esta
questão, de resto, tem sido usada nos dois sentidos, ou seja, em alguns
problemas o mentiroso é imediatamente o culpado, apenas porque mente, o que não
é aceitável. Uma mentira que despoleta uma contradição é sempre um motivo
acrescido para uma investigação mais aprofundada, mas não mais do que isso. No
problema de escolha múltipla, temos dois suspeitos que mentem, mas em momentos
diferentes e com resultados diversos. Um, mente deliberadamente, para se exibir
ou de forma compulsiva, mas as suas mentiras são contraditadas pelos documentos
e provas produzidas. Ele não poderia ter feito ou agido como afirma porque o
investigador provou que ele estava noutro local e não ali; o outro, mente para
reportar uma situação que não podia ser do seu conhecimento. Ao reivindicar a
descoberta do cadáver, não poderia referenciar uma ferida na face, quando o
cadáver foi encontrado de costas para cima e com a cara metida na areia. Neste
caso, a mentira de afirmar que descobriu o cadáver acidentalmente com a ferida
na cara é incompatível com o conhecimento dessa situação e isso é indicador de culpabilidade
objectiva.
CAMPEONATO
NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2018
SOLUÇÕES
DA PROVA N.º 9
PARTE
I – “UMA NOITE DE NATAL EM SOLAR MINHOTO” – de EMIL
A
véspera de Natal, designada Consoada, tem tradições muito antigas no nosso país
e principalmente no norte e centro, onde as tradições continuam, apesar de
tudo, a subsistir.
No
caso do Minho, mas não só, também em todas as zonas do país, a Consoada era
marcada pelo polvo, que era rei e senhor.
A
maioria do polvo vinha da Galiza, cuja costa recortada e rochosa tinha as
aptidões completas para o seu desenvolvimento, o que originava capturas de
grande dimensão. Nesta altura do ano, havia grandes deslocações de pessoas do
Minho e Trás-os-Montes para aquisição do molusco.
No
tempo do salazarismo, a entrega das pescas a entidades que as controlavam em
regime monopolista, fez com que as apostas se dirigissem para os bancos de
pesca da Gronelândia, onde reinava o bacalhau, que era um peixe pouco procurado
devido às imensas dificuldades na sua captura, em missões de vários meses.
Daí
que o governo de então resolvesse criar uma autêntica caça aos
comercializadores de polvo, no sentido de impedir a sua chegada ao prato dos
portugueses e a sua substituição pelo bacalhau. Nesse sentido, houve reforço de
fiscalização das fronteiras, a cargo da guarda-fiscal, com ordens explícitas de
queimar e destruir completamente todo o polvo detectado.
Com
o tempo e a crescente dificuldade em aceder ao molusco marinho e a facilidade
de aquisição do bacalhau salgado, na época considerado prato dos pobres, a
tradição foi sendo subvertida e hoje é comumente aceite que o bacalhau
devidamente cozido depois de demolhado, não pode faltar à mesa da Consoada.
As
refeições estão correctas. O jantar era pela hora a que agora se considera o
almoço e havia a merenda a meio da tarde e finalmente a ceia, que anunciava a
hora de deitar e dormir.
O
historiador desta nossa cena, teria de apontar o “fiel amigo” como o intruso
deste enredo.
PARTE
II - “CADÁVER NA PRAIA” – de BIMBA
Alínea
B – O Paulo.
O
Carlos e o Luís não prestam depoimentos que permitam duvidar das suas versões,
pelo que ficam quase de imediato fora das suspeitas.
O
José dá pormenores que não podem ser verdadeiros, como por exemplo ter ficado
muito afectado pelo olhar penetrante do cadáver a fixar-se em si, mas ser
mentiroso não é a mesma coisa que ser criminoso. Mentiu, igualmente, sobre ter
sido ele a avisar a Polícia Marítima. Mas como esteve no hospital durante toda
a noite, sendo confirmado pelo papel que exibiu. Embora pudesse ter-se
ausentado para cometer o crime, regressando depois ao hospital, em tese, essa
hipótese é eliminada com a afirmação do inspector de que confirmou a versão
apresentada da estadia no hospital. Mentiroso em excesso, mas ilibado.
Resta-nos
o Paulo que acaba por se denunciar ao referir uma ferida no rosto da vítima,
quando esta foi encontrada de cara para baixo, assente na areia daquele espaço
limitado onde acabou por ficar ao sabor das marés. Não poderia ter visto o
ferimento e foi ele que comunicou o facto às autoridades.
REFLEXÃO
PARA UMA NOVA ÉPOCA
Os
nossos confrades são convocados para uma reflexão sobre o que pretendemos para
este nosso espaço, no futuro próximo. Não é possível a manutenção de uma época
competitiva longa e difícil com a ausência de desafios capazes de a alimentar.
Tratando-se de um assunto recorrente, o desaparecimento de produtores que nos
habituaram a estar presentes, não foi colmatado com o surgimento de novas
apostas, o que coloca o orientador em dificuldades para ter desafios em qualidade
e número suficientes.
Agora
que se aproxima a passos largos o momento de todas as decisões, é obrigatório
que todos os confrades de capacitem de que apenas iremos ter competição nos
moldes que têm sido definidos nos últimos anos, se e quando o orientador tiver
garantias de poder assegurar as produções necessárias, com qualidade e em
número suficiente.
Talvez
neste Natal o sapatinho do Policiário possa ser brindado com vários desafios,
como presentes!
Assim
esperamos!
sábado, 24 de novembro de 2018
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