domingo, 16 de fevereiro de 2014

POLICIÁRIO 1176

[Transcrição da secção n.º 1176 publicada hoje no jornal PÚBLICO]

ALERTA AOS COMPETIDORES
E
93.º ANIVERSÁRIO DE SETE DE ESPADAS

Enquanto decorre o prazo para envio das respostas aos dois desafios já publicados nas duas semanas anteriores, que integram a prova n.º 1 das nossas competições deste ano, queremos relembrar algumas indicações que poderão ser muito úteis, sobretudo aos novos aderentes ao nosso passatempo e que já aqui deixámos por diversas ocasiões, principalmente quando está no início mais uma época de competições.
No Policiário, a pressa é, normalmente, inimiga de uma boa prestação. Na realidade, após uma primeira leitura, mesmo efectuada de modo ligeiro, há ideias que ficam de imediato, há rumos que se apontam, mas nenhum “detective” pode deixar de pesar a circunstância de no outro lado, entenda-se no lado do produtor do problema, haver, quase sempre, uma clara intenção de “desviar” as atenções para factores laterais à própria solução.
Mesmo quem não for um leitor atento dos bons romances policiais, certamente se apercebe que todos os mestres da literatura policial conduzem os seus casos para decifrações completamente imprevistas, mas lógicas. Ao longo de toda a narrativa vão “incriminando” um dos intervenientes, levando o leitor nessa via, mas no final há sempre uma conclusão “bombástica”, em que o personagem menos óbvio aparece, por norma, como responsável pelos crimes.
Assim, sem qualquer intuito paternalista, recomendamos aos novos participantes que releiam os problemas, reavaliem as suas conclusões e, se assim entenderem, refaçam as soluções.
Durante o período de resposta, até ao dia 28 de Fevereiro, poderão substituí-las, fazendo apenas menção que a resposta que enviam anula e substitui a já enviada. Será sempre considerada a última recepcionada dentro do prazo.

EVOCANDO SETE DE ESPADAS
(93.º aniversário do seu nascimento)

O Sete de Espadas nasceu no Ribatejo, na vila da Chamusca em 1 de Fevereiro de 1921 e em 12 de Janeiro de 1947 iniciava a sua actividade como orientador de um espaço policiário, no Jornal de Sintra, com o título Mistério e Aventura, que ele mesmo definia, em subtítulo, como uma “secção policial orientada por Sete de Espadas”.
Depois foi um nunca mais acabar, na divulgação da literatura policial e, sobretudo, na vertente da competição policial.
Que nos desculpem os confrades mais antigos, aqueles que viveram com ele as aventuras do Clube de Literatura Policial, das secções no Camarada, no Cavaleiro Andante e em tantos locais, mas nós apontamos um marco que nos parece decisivo em toda a História do Policiário: O dia 13 de Março de 1975.
Nesse dia, em todas as papelarias, quiosques, pontos de venda de jornais e revistas, apareceu, apenas, mais um número do “Mundo de Aventuras”, uma revista de histórias aos quadradinhos, editada pela Agência Portuguesa de Revistas, que já vinha dos anos 40 do século XX, mas que trazia algo de novo: As últimas páginas eram identificadas como “Mistério… Policiário” e assinadas por um não menos misterioso “Sete de Espadas”!
Foi, podemos dizê-lo com toda a propriedade, o virar de página de toda uma geração de jovens, muito jovens mesmo, na casa dos 13, 14 anos, que apareceram em enorme explosão, criando um movimento imparável que nos trouxe até aos nossos dias.
Muitos dos actuais policiaristas são produtos dessa época, eram leitores de histórias aos quadradinhos e descobriram o policiário, tornando-se detectives!
O primeiro sinal de que algo se movia, foi a grande afluência à literatura policial, a corrida aos alfarrabistas, a ânsia de ler os clássicos do policial, antes da procura dos modernos escritores. Depois, foi a quantidade de malta nova a tratar-se por nomes escolhidos pelos próprios, que podiam ser de uma personagem dos quadradinhos, de um detective da literatura, de uma abreviatura do próprio nome, de uma invenção pura… Tudo servia para nos identificarmos perante os outros. Era o Detective Invisível, o Inspector Moisés, o Ubro Hmet ou o Satanás… Poucos sabiam o nome real do confrade que estava à sua frente, nem isso era importante! Poucos sabiam o que faziam os outros na vida profissional, mas também não era necessário! O importante era o facto de estarem todos irmanados no mesmo gosto pela dedução, pelo exercício das “células cinzentas”, estarem disponíveis para se reunirem em Tertúlias Policiárias e todos os meses percorrerem o país para os Convívios, na altura única forma de travarmos conhecimento para além das fronteiras próximas.
No centro de tudo, a figura simpática de um homem de barbas brancas, cabelo ralo, sorriso aberto e simpático: O Sete de Espadas.
Nos dias dos Convívios, era digno de ser visto o número de pais que chegavam perto do Sete e lhe confiavam os miúdos de 11 ou 12 anos, como se confia a um avô e lhe diziam que eram os próprios miúdos que insistiam em ir e não aceitavam um não como resposta! E o Sete, com a calma e o espírito positivo que sempre teve, lá os tranquilizava, dizendo-lhes que na tribo policiária eles estavam no local certo para crescerem, num são convívio, numa camaradagem exemplar.
Ainda hoje sentimos isso. Mesmo nós, muitos já avós, ainda olhamos para o exemplo do Sete como um aspecto importantíssimo no nosso processo de desenvolvimento. Todos crescemos muito com ele e com o Policiário. Todos lhe devemos muito daquilo que conseguimos ser. O seu exemplo, de persistência na demonstração dos benefícios do exercício de uma actividade tão saudável para o desenvolvimento harmonioso de um espírito científico, como é o caso do Policiário, merece ser sempre realçado.
Daí a justeza desta homenagem singela. Esta nossa secção, se teve o seu nascimento formal no dia 1 de Julho de 1992, verdadeiramente nasceu muitos anos antes, algures pelo ano de 1975, quando o Inspector Fidalgo encontrou o Sete de Espadas e ficou fascinado com o Mundo que este lhe abriu!
Mais tarde foi o XYZ Magazine, o Clube dos Amigos do XYZ e muitas outras coisas, sempre com a relevância da Amizade e da Camaradagem, suas imagens de marca.
Foi no dia 10 de Dezembro de 2008 que a notícia do seu falecimento correu no seio da imensa família policiária, que assim viu partir o seu principal divulgador, deixando um rasto de pesar entre a imensa legião daqueles que com ele cresceram física e mentalmente.


1 comentário:

Daniel Falcão disse...

Aqui fica o meu testemunho...

Quinta-feira, 13 de Março de 1975, eu fui um desses jovens de 11 anos que teve o grato prazer de adquirir o Mundo de Aventuras, ler o Mistério Policiário e ter tido o privilégio de conhecer o Sete de Espadas.

Um momento único na minha vida.

Daniel Falcão