domingo, 30 de dezembro de 2018

TEXTO INTEGRAL DA SECÇÃO 1430



POLICIÁRIO INTERROMPE POR DECISÃO DA DIRECÇÃO DO PÚBLICO


Quando iniciámos esta caminhada, no remoto dia 1 de Julho de 1992, no suplemento “Férias”, que se iria publicar diariamente até 31 de Agosto, a ideia base era aumentar a oferta de produtos diferenciadores, que fizessem do PÚBLICO um jornal único, como aconteceu, capaz de preencher e atrair nichos já existentes e organizados de diversas actividades. Este critério assentava como uma luva no Policiário, um passatempo que existia há décadas e que sempre aglutinou uma imensa legião de seguidores, amantes da literatura policial, uma das mais lidas em todo o mundo.

Não causou surpresa, pois, que após o suplemento “Férias” surgisse o convite da direcção para continuarmos, na edição nobre dos domingos e no corpo do jornal, tal era o êxito alcançado, numa época em que a correspondência postal era a única existente. Milhares de cartas e postais davam a medida exacta da aposta inteiramente ganha. Quando chegávamos à redacção, na rua Amílcar Cabral, para deixar textos e recolher correspondência, eram os próprios funcionários e jornalistas que nos perguntavam a solução deste ou daquele problema policial do Inspector Fidalgo! Era a “fidalgomania”, como muito bem apelidava uma das secretárias da direcção!

Ao longo destes 26 anos e meio de permanência nas páginas do PÚBLICO, sempre com audiência em crescendo – neste último ano batemos o nosso record de participantes nos torneios! – passámos por diversas vicissitudes: no início tinhamos uma página inteira; mais tarde, uma partilhada; a seguir fomos reduzidos a duas colunas, ao mesmo tempo que o jornal o era, também; deixámos de poder contar com os prémios pagos pelo jornal aos vencedores, etc.
Mas o Policiário continuou sempre, teimosamente com cada vez mais concorrentes e mais aguerridos na disputa dos torneios, mesmo sem haver prémios físicos!

O grande prémio surgiu agora: um telefonema de breves minutos de alguém que se identificou como editor passou a certidão de óbito a um espaço que foi companhia dos leitores durante mais de um quarto de século. Em nome de uma remodelação do P2 - que aceitamos com naturalidade, porque tudo muda e as ideias e conceitos de quem manda também - disseram-nos que deixou de haver espaço para nós.

O que deixa um profundo sentimento de mágoa é não termos direito a uma palavra de respeito pelo trabalho desenvolvido, após tantos anos com a camisola do PÚBLICO vestida, em todos os acontecimentos Policiários por este país, em colóquios, conferências, encontros com núcleos de amantes do policial. Uma atenção que sempre houve no passado, em cada alteração, em cada momento em que foi necessário modificar a estrutura ou o modo de nos apresentarmos.

São assim os sinais dos tempos novos, dirão alguns, mas nós, já com muitas décadas em cima, não culpamos os tempos novos, porque a falta de respeito por quem deu tudo por uma causa, é coisa de educação e de princípios e não admite meio-termo: ou há, ou não há!

Fecha-se, desta forma, um ciclo.

O Policiário continuará o caminho de muitas décadas, que foi trilhado pelos seus vultos mais importantes, com o Sete de Espadas à cabeça e sobreviverá, como sempre aconteceu no passado, porque por aqui há e sempre houve, frontalidade, mente aberta e muito respeito.

Votos de um Bom Ano Novo e que 2019 traga a todos os “detectives” e leitores que nos acompanharam aquilo que mais desejam.

Luís Pessoa

4 comentários:

Anónimo disse...

Bom texto. Educado, simples, direto e final.
Deco

Inspector Gigas disse...

Nem mais!
Parabéns ao Policiário e ao Luís Pessoa que sempre soube, com dedicação e persistência, ultrapassar todas as contrariedades.
Inspector Gigas

Ricardo Azevedo disse...

estimado e ilustre amigo, força, e decerto outra página vais encontrar, e isso contraria depois que te deitou fora depois de meio século....
aquele abraço

disse...

Aguardamos melhores notícias
Um GRANDE abraço
Se este ano acabou muito mal para o policiário, que o próximo seja bem melhor...