domingo, 23 de dezembro de 2018

TEXTO AO DIRECTOR DO PÚBLICO


Boa noite.

Confesso que hesitei em enviar-lhe estas palavras. Não é meu princípio educacional entrar em contacto quando não sou chamado ou convocado para tal.
No entanto, como colaborador do PÚBLICO há 26 anos e 6 meses, resolvi vir ao seu contacto, um tanto em defesa da honra, mas também para o colocar a par de coisas que certamente desconhecerá.
Em 1 de Julho de 1992 iniciei o Policiário, uma secção de enigmas policiais para serem decifrados pelos leitores, no suplemento FÉRIAS. O êxito foi tal que fui convidado pelo José Manuel Fernandes para continuar, semanalmente. O que aconteceu durante mais de 26 anos.
O Policiário tem uma legião de seguidores há muitas décadas e os desafios propostos são resolvidos por quase 3 mil participantes, que competem por títulos e troféus que até certa altura foram pagos pelo PÚBLICO mas que depois, devido à chamada crise, deixaram de o ser. No entanto, os quase 3 mil concorrentes estiveram e estão sempre presentes.
Há dias, cerca das 18 horas, recebi uma chamada do editor dizendo-me que o P2 ia ser reestruturado e o Policiário era extinto no final do ano.  Assim, em dois ou três minutos de conversa telefónica, passou a certidão de óbito a um espaço de tradição no PÚBLICO de mais de um quarto de século.
Não contesto nem nunca contestei critérios: ao longo destes anos tive uma página inteira, com audiências enormes e comprováveis. Depois, o espaço foi encolhendo, como o jornal, e fomos acomodando-nos, sempre com o nosso público muito fiel e aguerrido. Nunca houve polémica nem problemas. Sempre tive magníficos interlocutores, desde logo JMF, mas igualmente Jorge Wemens e Nuno Pacheco, com quem tive algumas reuniões para ajustamentos.
O que nunca me passou pela cabeça foi que pudesse ser “dispensado” em dois minutos de uma comunicação telefónica, numa demonstração de total e cabal falta de respeito por mais de um quarto de século a vestir a camisola do PÚBLICO! Esse acto, que espero não ser uma imagem de marca da actual direcção, mas apenas uma manifestação de falta de educação de quem o praticou, é o que me move para a escrita desta carta.
Não creio que seja possível demovê-lo do erro que é praticado contra o Policiário e os quase 3 milhares de participantes nas nossas provas, extinguindo a secção, porque penso que uma decisão dessas já deverá ter sido maduramente ponderada e dificilmente seria revertida, mas não ficaria de bem com a minha consciência se não viesse perante si manifestar o meu profundo desagrado pelo modo como fui tratado.

Com os melhores cumprimentos
Luís Pessoa

  
Enviada na noite de 22/12/2018 para o endereço do director do PÚBLICO, manuel.carvalho@publico.pt e ainda sem qualquer resposta.
 Apenas para conhecimento dos confrades.


4 comentários:

Ricardo Azevedo disse...

estamos todos contigo, sabes que as minhas capas das revistas são sempre dedicadas a setubalk, 2019 sera a tua

Anónimo disse...

Muito bem. Estamos todos pelo Policiário. Vou enviar carta para este e-mail do diretor
Deco

Anónimo disse...

Subscrevo... Também tentei
Abraços

Inspector Gigas disse...

Muito bom o texto, frontal e acertivo, a pôr os pontos nos is.
Será que o novo director do jornal faz a mais pequena ideia do alcance da medida que tomou?
Quero acreditar que a continuidade da nossa dedicação permitirá provar o quanto é errada tal decisão!
Claro que não vamos atirar a toalha ao chão...!
Inspector Gigas