domingo, 14 de fevereiro de 2016

POLICIÁRIO 1280



ESTÁ COMPLETA A PRIMEIRA PROVA DE 2016

Concluímos a publicação da prova n.º 1 das competições desta época, com um problema de escolha múltipla. De acordo com o regulamento, será obrigatório que cada confrade indique de forma clara a hipótese que escolhe para resolução do enigma. Quem pretender aprofundar a solução ou dar qualquer esclarecimento adicional, pode fazê-lo, mas se o fizer sem indicar claramente qual é a hipótese escolhida, poderá ser penalizado, sendo a resposta considerada errada.
Chamamos ainda a atenção para o facto de esta primeira prova, partes I e II, se revestir de uma importância adicional, sobretudo a parte I, uma vez que a selecção dos 512 confrades apurados para a 2.ª eliminatória da Taça de Portugal é feita com base na qualidade das propostas de solução apresentadas. Os apurados serão os confrades que tenham as 512 melhores pontuações. Em princípio, não havendo grandes surpresas, somando os 10 pontos da parte I e os 2 da parte II. E é nessa fase de desempate que prevalecerão as melhores abordagens ao problema tradicional.
 Daí que se justifique plenamente alguma atenção mais na execução da resposta.

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2016
PROVA N.º 1 – PARTE II
O MISTÉRIO DO CARRO DESAPARECIDO – Original de FERRA HARY

Alécia olhou pela janela e procurou com os olhos o carro que devia estar estacionado à sua porta, mas não o encontrou. Resignada, recolheu-se e regressou à sala onde três rostos ansiosos a aguardavam.
- Vamos lá voltar ao mesmo assunto: Qual de vocês levou o meu carro esta noite e onde o deixou, antes que ligue para a polícia? Quero uma resposta rápida… Joca?
- Não faço ideia, não fui eu que o levei. Já disse que saí ainda não era meia-noite, mas fui a pé até à esquina da avenida onde apanhei um táxi para o bar do Alex, para onde vou muitas vezes curtir com amigos. Eu não mexi no carro, nem lugar há por lá para estacionar, é sempre uma confusão…
- Isso é uma linda música, mas de outras vezes levaste o carro e até já me obrigaste a ir busca-lo à polícia por ter sido rebocado do passeio ao pé do bar! Deves estar a brincar para fazeres esse ar de quem jamais faria uma coisa dessas… Juca?
- Eu… eu não fui. Há meses que não entro sequer no carro… desde que fui contigo ao dentista, acho eu. Sabes bem que não gosto muito de andar num carro que não é meu, pode acontecer alguma coisa e depois é uma chatice. Ontem à noite estive a ver um filme no meu quarto e depois fui até lá abaixo, à rua, fumar um cigarro… Não mexi no carro!
- Pois, pois, tão bonzinho que o menino é! Era lá capaz de pegar no carro de alguém para ir para a borga! É um espanto como se esquece das vezes em que levou o carro e me obrigou a procurar outros transportes porque ia passear com a namoradinha e esquecia-se de regressar a horas… E já agora, diga lá se ao sair para fumar o cigarro, como diz, não se cruzou por alguém e lhe falou? Diga lá!
- É verdade, sim. Cruzei-me pelo Alex que ia a sair. Mas como não sou denunciante, não ia acusar o meu irmão, não é? Não foi isso que nos andaste a ensinar estes anos todos? Não? E falámos, é certo.
- Muito bem, mas o carro continua desaparecido… Alex?
- Ó mãe, eu não quero saber disso, eu não fui, ponto final.
- Ponto final? Ponto final? Então sai de casa quando o seu irmão, vindo de fumar um cigarro, está a entrar… troca com ele umas palavras… que palavras?
- Ora, nada de importante, acho que ele pensou que eu ia sair no teu carro e disse-me que tivesse cuidado porque a polícia estava a fazer stop na avenida e o teu carro tem uma luz fundida. Foi isso, mais nada. Satisfeita?
- Satisfeita? Achas que fico satisfeita por ter três filhos que só me dão ralações e chatices? Afinal, levaste o carro ou não? Se levaste, diz onde o deixaste e o que aconteceu, é pedir muito?
- Já disse que não levei o carro. Por acaso pensei levá-lo para não ter de ficar à espera do metro, de noite circula-se bem e era muito mais rápido, mas depois do mano me ter dito que havia polícia e a luz estava fundida, pensei melhor. Vim cá acima deixar a chave no sítio dela e fui-me embora. Não faço a mínima ideia o que aconteceu, mas se calhar roubaram-no!
- Menino Juca? Afinal em que ficamos?
- Ora, mãe, ficamos em nada! Já disse que não levei o carro, o que queres mais? Avisei-o para não haver problemas, porque de dia a falha da luz não é problema, ninguém sabe nem repara, mas à noite, ia dar chatice pela certa! Quer dizer, por bem fazer, mal haver!
- Coitadinho do menino, que pena que tenho… Ficam a saber que vou chamar a polícia e denunciar o roubo e se foi algum de vocês, já sabe o que o espera, porque não vou mexer uma pena para safar quem quer que seja! Estou farta! Já não vos consigo aturar…
Pergunta-se, para ajudar esta mãe, que bem precisada está, com os filhos que tem:
Quem terá levado o carro naquela noite?
A-    Joca?
B-    Juca?
C-    Alex?
D-    Um ladrão exterior à família?

E pronto.
Resta aos nossos “detectives” lerem e relerem o problema que é proposto e, de acordo com o regulamento, identificarem a letra correspondente à hipótese que escolhem como solução, impreterivelmente até ao próximo dia 29 de Fevereiro, podendo usar um dos seguintes meios:
- Pelo Correio: Luís Pessoa, Estrada Militar, 23, 2125-109 MARINHAIS;
- Por entrega em mão ao orientador, onde quer que o encontrem.
Boas deduções!

           
  


II TORNEIO NACIONAL - CLUBE LITERATURA POLICIAL . PROBLEMA 2


                                                                                                                                                 

Solução do problema n.º 1,

UM CASO FÁCIL
Apresentada pelo autor: «INSPECTOR MAIGRET»

            O Inspector X… ouve os suspeitos e, bom conhecedor daquela espécie de gente, depressa conclui que não foi qualquer dos dois gatunos o autor do crime porque, nesse caso, teriam tido o cuidado de inventar um «álibi» e nunca reagiriam daquela forma atabalhoada; o Inspector mandou detê-los apenas para averiguar, posteriormente, em que roubalheira, se ocupariam por volta das 17 horas, do dia anterior.

            Joaquim, o impressor, sente crescer em si a esperança, pois supõe incriminados os outros dois. E então vem a pergunta sacramental: onde estava ele à hora em que, mais ou menos, o delito havia ocorrido? Para essa tem ele uma boa resposta, - praticado o ataque correra ao jornal, onde penetrara sem ser visto, para sair momentos depois pela porta principal, forjando assim um «alibi».

            O Inspector suspira: as suas suspeitas recaem todas sobre o Afonso; e faz mais uma pergunta, como que por descargo de consciência, satisfação da rotina. Então o Joaquim é apanhado de surpresa: como não premeditara o ataque não havia preparado «alibi» e, assim, obrigado a forjar um qualquer, esquecera aquele pormenor; um pouco à toa atira a primeira desculpa que lhe ocorre – a limpeza dos rolos, mas sem se recordar (estava no serviço há pouco tempo) de que nos grandes matutinos, a limpeza das máquinas de imprimir ou é feita automaticamente ou é entregue a serventes e nunca aos impressores.

            X… franze a testa: apanhara o culpado que, afinal, não era o Afonso… Olha para este com o pensamento fixo no outro; e a sua pergunta não encerra já qualquer significado. O Afonso, contudo, descontrola-se um pouco - sendo parente da vítima e o último a ser interrogado, receara o pior  -  mas isso não tem importância porque o caso estava já resolvido…


                                                                                  «Inspector MAIGRET»



NOTA DE MEMORIAL:

A divulgação deste trabalho que preserva os problemas e soluções que participaram no II TORNEIO NACIONAL DE PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA, é um preito de Homenagem Póstuma à memória da concorrente “Lília Sol”, Maria Josefa Carapinha D’Almeida, da Vidigueira, falecida em 21 de Janeiro de 2016. 
                                                                                     “Mr. Jartur”








2.º Problema
UM CASO SIMPLES
Original de: SHERLOCK  AMADOR

Publicado na revista “FLAMA” # 517 / em 31 de Janeiro de 1958

            Chamado à pressa por via telefónica para investigar certo caso, o representante da autoridade saiu para a rua. Embuçado no seu coçado sobretudo, gola levantada, mãos nos bolsos, com o chapéu descaído para a frente - a fim de se resguardar da aragem fria da manhã o Inspector Arsil penetrou - em passo estugado - na área que dava acesso à Vivenda Florbela, situada na Avenida do Aeroporto. Sem se dignar sequer a olhar para o que o rodeava, o apressado Inspector premiu o botão da campainha da porta onde - como qualquer ermitão - vivia o professor Idalécio.
            Aberta a porta e conduzido ao gabinete do locatário, pelo indivíduo que lhe franqueou a entrada, o Inspector constatou, após exame superficial, que o professor falecera devido a um ferimento produzido por uma bala de pistola que o atingira, à queima-roupa, em pleno coração. A confirmá-lo, lá estavam, na camisa, os resíduos negros provocados pela deflagração da arma.
            A vítima, que se encontrava ajoelhada e debruçada sobre uma pequena mesa, colocada debaixo de uma espécie de oratório, apresentava-se sob um aspecto verdadeiramente trágico. Pela aparência, Arsil atribuiu ao morto, uma idade entre os 65 e os 70 anos. De figura franzina, não devia possuir mais corpo que uma criança de catorze a quinze anos.
            Do vestuário que envergava com óptima apresentação, sobressaía o lustro esmerado dos sapatos, quebrado apenas por algumas manchas de sangue. A camisa, que estava completamente à vista, continha, no local por onde penetrara a bala, uma mancha negra rodeada por um halo vermelho que, por sua vez, tingia o tampo da pequena mesa. Sobre esta, uma automática Browning, calibre 6,35, jazia sob a espalmada e inerte mão direita do morto.
            Terminado todo este exame, Arsil inspeccionou detalhadamente as restantes dependências. Apenas no quarto de dormir a sua atenção foi despertada por umas manchas um tanto viscosas, existentes sobre o tapete, mas, que ao fim, pouco interesse ligou.
                                                   Como nada mais encontrasse que lhe chamasse a atenção, fez algumas perguntas ao sujeito que, desde o início das investigações, lhe fazia companhia.
            Soube, assim, que o indivíduo em questão, era um amigo íntimo do falecido, o qual ia ali várias vezes, para lhe atenuar o isolamento a que se devotara ultimamente o professor Idalécio. Por isso, naquela manhã, ao renovar essas visitas, deparou com aquela triste cena.
            A princípio pensou chamar o médico, mas como verificasse que o seu amigo já estava morto, achou melhor telefonar para a polícia.
            Interrogado em referência à arma, confirmou pertencer à vítima, pois que, mais de uma vez, vira o professor limpá-la e carregar o tambor com seis balas de aço. Segundo a sua opinião, a ideia do suicídio devia ter sido provocada pela nostalgia que o professor sentia, desde que ficara viúvo, havia alguns meses.
            Aconchegando melhor o sobretudo, o Inspector Arsil caminhou para uma das janelas, e quedou-se contemplando o exterior.
            Atrás de si, a voz grave do seu companheiro, interpelou-o:
            - Parece-me que o senhor Inspector está demasiado obcecado com um caso tão simples…
            Arsil virou-se lentamente e retorquiu:
            - Ah… sim! Um caso simples! Demasiado simples para ser verdadeiro!

            Porquê esta afirmação do Inspector?
                                                                                                          Jarturice II TNPP – 002

Divulgada em 14.Fevereiro.2016

II TORNEIO NACIONAL - CLUBE LITERATURA POLICIAL - PROBLEMA 1

II TORNEIO NACIONAL DE PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA

    R E L A Ç Ã O     D O S     P R O B L E M A S     A P U R A D O S
  N.º
Título
Autor
Secção
  1
UM CASO FÁCIL
Inspector Maigret
O Sherlock (O Setubalense)
  2
UM CASO SIMPLES
Sherlock Amador
Cantinho do Sherlock (Voz Portaleg
  3
O MISTÉRIO DO TRIDENTE FATAL
Mr. Jartur
O Gosto do Mistério  (Flama)
  4
UM ESCONDERIJO À VISTA
Mr. Ignotus
Individual
  5
VIGARISTA…OU TALVEZ NÃO
Márvel, Misterioso Mascarado
Quem Foi?  (Mundo de Aventuras)
  6
ELE… O TERROR NEGRO
M. B. Constantino
Individual
  7
LÚCIFER INTERVEIO NA HISTÓRIA
Sete de Espadas
Individual
  8
EU VI UMCRIME
Oliver Quinn
Enigma Policial (Jornal de Sintra)
  9
RAPTO
Inspector Lavadinho
Cantinho do Sherlock (Voz Portaleg
10
DRAMA NO CIRCO
Rei Artur
O Sherlock (O Setubalense)




Problema n.º 1                              Publicado na revista “FLAMA” # 514 / em 10 de Janeiro de 1958
UM CASO FÁCIL
Original de: «INSPECTOR MAIGRET»

         Trata-se de mais um caso, um caso vulgar, sem aspectos complicativos: o morto, um vadio qualquer, «cosido» a golpes de lâmina aguda num beco escuro dum bairro mal-afamado, onde as rixas eram o«pão nosso de cada dia»; aquela devia ter ocorrido cerca das 17 horas duma escura tarde de Inverno.
         E, à semelhança de muitos outros casos não complicados, aquele fora também para o Inspector X…
         Os suspeitos alinhavam frente à secretária do Inspector, que acabara de ler as primeiras notas; lá estavam todos: o Manuel e o «Vaquinhas», companheiros habituais e sócios da vítima nos seus escuros negócios, Afonso, um parente afastado daquele, com quem, havia muito, andava desavindo, e Joaquim, impressor num grande matutino, vizinho do morto.
         O Inspector X… olhou-os demoradamente e depois começou, guardando um, deliberadamente, para o fim:
         - Bem! Vocês dois! Onde estavam às 17 horas de ontem?
         Manuel e Augusto, o «Vaquinhas», entreolharam-se assustadamente; o primeiro tentou, depois, balbuciar qualquer coisa, mas já o inspector tocara a campainha, chamando um guarda:
         - Leve estes dois e conserve-os sob prisão!...
         Em seguida, e bocejando, virou-se para um dos que ainda permaneciam na sala:
         - E você? Onde estava àquela hora?
         - Eu cá tinha ido ao jornal; podem perguntar ao porteiro, que me viu sair…
         - Sim, já nos certificámos disso… - O Inspector suspirou (sempre a rotina) – Mas o que é que foi lá fazer?
         - Bem… como estou lá há pouco tempo… aproveitei para ir limpar os rolos da impressora…
         A inquirição estava a terminar; X… de testa franzida, olhou o Afonso:
         - E nós? Que temos a dizer?
         O outro gaguejou atabalhoadamente:
         - É mentira… Não fui eu que o matei!... Não fui…
         O Inspector sorrindo, quedou-se a meditar: o caso estava já resolvido. E afinal não fora mesmo nada complicado - com certeza que o culpado não premeditara o seu delito…

         Pergunta-se: O que é que deu ao Inspector a solução?
Jarturice II TNPP – 001

 Divulgada em 12.Fevereiro.2016

II TORNEIO NACIONAL - CLUBE LITERATURA POLICIAL

 NOTA PRÉVIA: Só hoje tivemos possibilidade de nos debruçarmos sobre estes apontamentos que o confrade JARTUR nos vai enviando. As dificuldades pessoais que temos registado, impedem-nos de fazer o "arranjo" para blogue dos escritos enviados, pelo que pedimos desculpa de qualquer "coisita" que seja menos compreensível. Tentaremos melhorar, mas avançamos assim mesmo, para não privarmos os nossos leitores deste magnífico trabalho que o confrade JARTUR nos vai enviando.
LP




HISTÓRIA DO

I I  TORNEIO  NACIONAL  DE PROBLEMÍSTICA  POLICIÁRIA


ORGANIZADO
EM 1958
PELO

CLUBE DE LITERATURA POLICIÁRIA

COM A COLABORAÇÃO
 DE TODAS AS
 SECÇÕES POLICIÁRIAS
 DA ÉPOCA


        Produção de: “Jartur”
       João Artur Mamede
10 de Fevereiro de 2016


II TORNEIO NACIONAL DE PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA

COMUNICADO DO CLP

            O CLP (Clube de Literatura Policiária), vai realizar o I I TORNEIO NACIONAL DE PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA, que tem por objectivo a difusão da problemística dedutiva e uma maior aproximação dos entusiastas da modalidade espalhados pelo País.
            Dado o êxito que o empreendimento obteve no ano transacto o Clube decidiu encarregar a mesma Comissão Organizadora, formada pelo Dr. Joel Lima, Jaime Machado e Álvaro Trigo, das diligências preliminares indispensáveis para a sua realização.
            Estudadas as bases em que este grandioso torneio será disputado, a C. O. deliberou fazer prevalecer o regulamento anterior, introduzidas as alterações julgadas necessárias.
Para a classificação de problemas e soluções foi nomeado um Júri constituído pelo Dr. João da Costa Salgueiro (que orientará os debates), António Alves Lourenço e Fernando Santos de Andrade.


REGULAMENTO

            Art.º 1.º -  O CLUBE DE LITERATURA POLICIÁRIA promove, com a colaboração dos orientadores de secções que aderirem ao seu propósito, um torneio de problemística policial denominado  "I I  TORNEIO DE PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA".
            Art.º 2.º - Este torneio dividir-se-á em dois campos: PRODUÇÃO e DECIFRAÇÃO.
INSCRIÇÃO
            Art.º 3.º - As inscrições estão abertas na sede do C.L.P., Rua dos Fanqueiros, 286 - 1.º,  em Lisboa, até ao dia 15 de Dezembro, devendo ser feitas por escrito.
            Art.º 4.º - No acto da inscrição o concorrente satisfará uma taxa única de 5$00.
Art.º 5.º - Os sócios do C .L. P. beneficiarão duma redução de 50% sobre esta taxa.
PRODUÇÃO
            Art.º 6.º - O envio de produções, facultado a todos os que desejem concorrer, está condicionado pelos seguintes requisitos:
            a )  As produções serem originais e escritas em português;
            b )  Todas as produções devem ser dactilografadas a dois espaços ou escritas em letra bem legível dum só lado do papel;
c )  Os problemas devem vir acompanhados da respectiva solução não sendo aceites aqueles que impliquem a publicação de esquemas, mapas ou desenhos.
            d )  Os produtores devem indicar o nome completo, morada, secção que representam e o pseudónimo, se o quiserem usar.
Parágrafo único -  Os concorrentes que não respeitarem os requisitos das alíneas a), c) e d) deste artigo serão eliminados.
            Art.º 7.º-Todas as produções devem ser remetidas para a sede do CLP até 15 de Dezembro.
            Art.º 8.º - Decorrido este prazo, as produções enviadas serão submetidas ao exame do Júri, que as classificará em mérito relativo.
            Art.º 9.º - Os dez originais que obtenham melhor classificação servirão de base ao " I  I  TORNEIO NACIONAL DE PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA".
            Art.º 10.º - Os problemas não classificados poderão ser reavidos mediante o pagamento das despezas de devolução.
            Art.º 11.º - Os originais escolhidos ficarão a constituir propriedade do C.L.P.


     AHPPP – I I TNPP - 2
DECIFRAÇÃO

            Art.º 12.º - Poderão concorrer como decifradores todos os que se inscrevam como tais, devendo a inscrição ser acompanhada do nome completo, morada, secção que representam e pseudónimo (se quiserem usá-lo) que terão de manter até final do torneio.
            Art.º 13.º - As decifrações deverão ser enviadas para a sede do CLP até ao último dia do mês seguinte àquele em que foram publicados os problemas.
                Parágrafo único - O concorrente que não apresentar a solução de quatro problemas consecutivos ou alternados, será eliminado.
            Art.º 14.º -A classificação será feita pelo Júri, segundo uma tabela de 5 a 20 pontos.
            Art.º 15.º - Haverá duas classificações: INDIVIDUAL e por SECÇÕES.
            Art.º 16.º-Classificação individual será organizada por ordem decrescente do total de pontos obtidos.
Parágrafo único - Em caso de empate terão preferência os concorrentes que tenham obtido maior número de classificações máximas. Se ainda subsistir a igualdade recorrer-se-á a problemas-extras de desempate.
           
Art.º 17.º -  Para a classificação por secções contam os cinco representantes de cada secção com melhor total de pontos obtido.

PRÉMIOS
PRODUÇÃO

Art.º 18.º - Ao concorrente classificado em 1.º lugar : Uma medalha, três livros e um
diploma com o titulo de "Campeão Nacional de Problemística Policiária (PRODUÇÃO)" - 1958.
            Art.º 19.º - Aos concorrentes classificados em 2.º e 3.º lugares serão atribuídas medalhas.
            Art.º 20.º - Aos autores dos dez problemas escolhidos serão oferecidos diplomas de participação.
       B )   DECIFRAÇÃO       
            Art.º 21.º - Ao primeiro classificado individualmente: uma medalha , três livros e um diploma com o título: "Campeão Nacional de Problemística Policiária (DECIFRAÇÃO) - 1958".
            a) - Ao segundo classificado: uma medalha e dois livros.
            b) - Ao terceiro classificado: uma medalha e um livro.
            c) - Aos do 4.º ao 10.º lugar: um livro para cada.
            Art.º 22.º -A todos os concorrentes totalistas: um diploma de participação.
            Art.º 23.º - Será sorteado um livro entre os solucionistas que obtiverem a classificação máxima em cada problema.
            Art.º 24.º - À secção melhor classificada será atribuída uma taça para o seu orientador e livros aos 5 representantes que lhe tenham dado a vitória.
            Parágrafo único - A todas as outras secções: diplomas de adesão.
                       
DISPOSIÇÕES COMPLEMENTARES    

Art.º 25.º - As secções que aderirem, devem publicar os problemas escolhidos e FAZER A MELHOR PROPAGANDA DO TORNEIO.
            Art.º 26.º - Os problemas serão publicados de 15 em 15 dias e simultâneamente em todas as secções concorrentes. As secções mensais incluirão em cada número os dois problemas relativos aos 30 dias subsequentes; antecipar-se-ão, por força das circunstâncias às secções semanais e quinzenais. Para efeito de prazos, gozam os mesmos privilégios.
            Art.º 27.º - Os orientadores poderão concorrer como produtores e decifradores.
            Art.º 28.º - Das resoluções do Júri, não é admitido recurso.
            Art.º 29.º - Todos os casos omissos serão apreciados e resolvidos definitivamente pela Comissão Organizadora.

A COMISSÃO ORGANIZADORA
Dr. Joel Lima
Jaime Machado
Álvaro Trigo
    AHPPP – I I TNPP - 3

NOTA MUITO IMPORTANTE:

         Caros Amigos:
Este trabalho de “reconstituição” do II TNPP, que desde há muito tempo estava concluído, aguardava oportunidade para ser divulgado.
Porém, em virtude do pouco interesse demonstrado pela maioria dos “sherlocks”, a quem os ficheiros do I TNPP, foram enviados inteiramente, sem restrições, levaram-me a ponderar a forma de divulgar este, apenas para a meia dúzia de Amigos que sempre me incentivaram a prosseguir com a história… e a tarefa.
Triste notícia recente, que me foi enviada pelo Especial Amigo “Figaleira”, “Big-Ben”, Manuel Barata Dinis, levou-me a não protelar por mais tempo esta “expedição”, que iniciei hoje, como Homenagem Póstuma à excelente decifradora e produtora que foi a “Lília Sol”, Maria Josefa, da Vidigueira.
Há já alguns anos me disseram, e eu li, em alguma parte, que essa Amiga já havia falecido… mas nunca tal me foi confirmado, apesar das diligências. E agora, o “Big-Ben”, que tal como eu e a Maria Josefa disputámos esse certame de que nos vamos ocupar, enviou-me, no passado dia 1 de Fevereiro, a mensagem que a seguir transcrevo:


PREZADO AMIGO JARTUR:
Por mero acaso, há minutos, na secção de necrologia do jornal “Correio da Manhã”,, de 23/01/16, deparei com o anúncio do falecimento de Maria Josefa Carapinha de Almeida Patrocínio  (este último proveniente do marido, certamente), enfermeira-chefe do serviço 3 – sala 2 do hospital de S. José.
Obviamente, o nome despertou-me a atenção, dado ser o de “Lília Sol”, circunstancia que presumo confirmada, porquanto o corpo foi sepultado no cemitério da Vidigueira.
Como decerto te recordarás dessa confrade (inclusive parece-me que foi concorrente de “Gosto do Místério” da “Flama) julguei que terias interesse em saber. Forte braço
Manuel Barata Dinis (“Big-Ben” / Figaleira”)

         Gostaria que algum dos Amigos me pudesse confirmar que a notícia não se refere à nossa querida Amiga “Lília Sol”, e que ela continua ainda entre nós.
Mas, se efectivamente a notícia verdadeira é aquela que não desejávamos, que a Maria Josefa descanse em Paz, que sempre viverá na memória daqueles que a admiraram, e apresentam à família enlutada os sinceros e dolorosos pêsames.
Posso desde já adiantar que neste II TNPP, a Maria Josefa, com o pseudónimo de “Lília Sol” se classificou em 7.º lugar, com os mesmos pontos do vencedor, Mr. Moto e do 2.º classificado Mr. Jartur.
Maria Josefa “Lília Sol” tem o seu nome inscrito, desde os anos cinquenta, na História da Problemística Policiária Portuguesa.
                           

                                                                         Jarturice II TNPP – 000

      10 de Fevereiro de 2016

domingo, 7 de fevereiro de 2016

POLICIÁRIO 1279



TIRO DE PARTIDA PARA A ÉPOCA 2016

Damos hoje início a mais uma época de competições, que vai culminar em pleno mês de Dezembro com a divulgação dos grandes vencedores das diversas classificações. Tratando-se de uma época muito longa, a exigência requerida aos confrades e “detectives” é, igualmente, muito grande.
Não há grandes recomendações a fazer, para além de chamarmos a atenção para que haja sempre o máximo de atenção com a leitura dos textos e sua interpretação, antes da passagem para a elaboração dos relatórios. Cada “detective” deve procurar responder àquilo que o autor do problema pede, apresentando argumentos e provas.
Chamamos ainda a atenção para o facto de as soluções a este problema serem determinantes para o apuramento dos 512 confrades que passarão à segunda eliminatória da Taça de Portugal, ao contrário do que acontecerá a partir daqui, em que as eliminatórias serão sempre decididas em confrontos de um contra um.

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2016
PROVA N.º 1 – PARTE I
O ASSALTO – ORIGINAL DE INSPECTOR JAGODES

De mãos nos bolsos das calças, andar gingão, assobiando as melodias da moda, o João ia percorrendo as centenas de metros que mediavam entre o Café Estrela e casa onde morava a sua tia Eulália e a prima Catarina, debaixo da chuva diluviana que se abateu no seguimento de trovoada que andava no ar.
Já se aproximava da casa quando ouviu um estrondo, semelhante ao do bater de uma pesada porta, logo seguido do ruído insistente de um tropel pelas escadas abaixo. Logo depois, um vulto dobrou a esquina da porta da rua, na sua direcção, mas logo inverteu o sentido da marcha, correndo rua acima. Pareceu-lhe reconhecer o Toneca, um tipo que achava ser fixe e que andava embeiçado pela sua prima Catarina, de quem se considerava namorado.
- Olha, olha, mais uma zanga. Este gajo ainda não percebeu que a prima é uma fera…
Deteve-se um pouco a vê-lo desaparecer no cimo da rua, numa correria louca, para ele, sem qualquer sentido. Mas enfim, cada qual foge do que quer, mas o mais certo era no dia seguinte lá estar com falinhas mansas e melosas para a priminha. Arrufos…
Subiu as escadas, continuando a treinar as melodias com o assobio, quando se apercebeu de gemidos que vinham de um recanto do corredor do primeiro andar. Subiu mais apressadamente, a dois e dois, os restantes degraus e deparou com a prima deitada no chão, sangrando do nariz ou dos lábios, respirando ofegantemente…
- A tia… A tia…
Correu para dentro de casa e viu a senhora idosa deitada no chão, a carteira aberta a seu lado, revolvida, armários com gavetas abertas. Tinha passado por ali um autêntico tufão, obra de quem andava à procura de bens.
A senhora já não respirava, embora não houvesse sinais de violência física. Certamente o coração não resistiu a tamanha confusão, como veio a ser provado mais tarde na autópsia.
O João perguntou à prima se estava bem e perante o seu sinal positivo, disse-lhe para chamar o 112, não mexer em nada, nem deixar ninguém mexer e logo se pôs a caminho, descendo as escadas e seguindo o rumo que o vulto tomara, até ao salão de jogos do Pelintra, onde quase tinha a certeza de encontrar o Toneca. O sol já brilhava e o calor fazia-se sentir.
Lá estava ele, como sempre a jogar a dinheiro, quase sempre com paradas bem altas, muito superiores ao que seria a sua disponibilidade monetária, sem que houvesse uma explicação plausível. Para ele, eram sempre uns “dinheiritos que ganhou”, não revelava era onde.
João acercou-se do balcão e perguntou dissimuladamente ao Pixote há quanto tempo durava aquele jogo.
- Há cerca de dez minutos. O Toneca só chegou nessa altura, mas o jogo já vinha de trás e foi retomado. O gajo disse que teve de ir lá acima porque estava mal disposto…
- Lá acima, onde?
- Aqui ao primeiro andar onde tem um quarto alugado...
O João aproximou-se do Toneca e disse-lhe que o acompanhasse de imediato porque a Catarina fora assaltada.
De um salto, Toneca largou tudo e, pegando no casaco, correu para a porta, descendo a rua em grande velocidade. Da porta dos bilhares, João seguiu-o com o olhar, até o ver entrar no prédio onde morava a sua namorada.
A polícia já tinha chegado e o Toneca foi detido para interrogatório, ao qual respondeu dizendo que não tinha conhecimento de nada, até o João lhe ter dito que Catarina fora assaltada.
Por sugestão de João, a polícia vistoriou a impecável e cara roupa de Toneca, procurando nos bolsos do casaco qualquer indício comprometedor e foi ao quarto dele, por cima da casa dos bilhares, mas nada encontrou de significativo.
 O João, com os seus dotes detectivescos, começava a perceber que talvez as suas suspeitas iniciais não fossem correctas, ou havia mais alguma coisa que lhe escapava.

Pergunta-se: Terá sido o Toneca a cometer os crimes?
Em caso afirmativo ou negativo, justifique todas as suas conclusões.

E pronto!
Resta aos “detectives” lerem correctamente o problema, analisando todos os detalhes e depois de retirarem as suas conclusões, elaborarem os respectivos relatórios para serem enviados, impreterivelmente até ao dia 29 de Fevereiro, para o que poderão usar um dos seguintes meios:

- Pelos Correios: Luis Pessoa, Estrada Militar, 23, 2125-109 MARINHAIS;
- Por entrega em mão ao orientador, onde quer que o encontrem.


Boas deduções!


COMPETIÇÕES 2016 COMEÇAM HOJE!

HOJE É O DIA EM QUE SE ABRE MAIS UMA ÉPOCA COMPETITIVA!

MAIS LOGO, AQUI, O PRIMEIRO DESAFIO DE 2016!

BEM VINDOS AO POLICIÁRIO!