sexta-feira, 3 de julho de 2015

JARTURICE 183

                          PROBLEMAS POLICIAIS 186 - # 183                 
 (Diário Popular # 5435 – 23.11.1957)
    
O magnífico iate onde os convidados do barão Werner se tinham reunido para um cruzeiro no Mediterrâneo, lutava corajosamente contra uma violenta tempestade que se fazia sentir há já três dias.
         O inspector Fauvel tentara mergulhar na leitura de um livro. Mas o balanço havia-o desencorajado. Dirigia-se para a ponte de comando, para falar com o capitão, quando ouviu o som de uma detonação. Voltou sobre os seus passos e entrou no pequeno salão para o qual davam as portas de vários camarotes. Descobriu aí um criado debruçado sobre o corpo de um homem que acabava de morrer.
         Nesse mesmo momento um fortíssimo balanço atirou o inspector de encontro à porta que acabava de fechar e Fauvel teve a maior dificuldade em equilibrar-se e aproximar-se da vítima. Esta apresentava um buraco na testa. As queimaduras existentes à volta da ferida mostravam que a bala fora disparada à queima-roupa.
         Sem esperar mesmo que acalmasse a tempestade, o inspector Fauvel pediu ao barão Werner que o ajudasse no seu inquérito. Começou por interrogar as pessoas que se encontravam mais perto do salão onde aparecera o corpo.

         O criado que primeiro acorrera ao salão, declarou não ter encontrado ali ninguém. Georges Mureaux, o célebre banqueiro foi interrogado a seguir. Fora uma das primeiras pessoas a acorrer ao salão.
         «Estava no meu camarote a escrever uma carta.» - disse ele ao inspector.
         «Posso ver essa carta?» - perguntou Fauvel.
         Georges Mureaux voltou alguns instantes mais tarde e o inspector Fauvel leu, então, uma carta aparentemente dirigida a uma mulher, escrita com letra firme e elegante e que não estava ainda terminada.
         Veio depois a vez de Marjorie Daine, a jovem e cativante artista que confessou: aterrada pela tempestade refugiara-se no camarote de seu noivo, Jean-Louis Bravard. Esse camarote era fronteiro ao de Marjorie.
         Jean-Louis confirmou o que a noiva dissera, e acrescentou que se não saíra mais rapidamente para o corredor fora para não comprometer Marjorie. No entanto, o inspector Fauvel notou uma nódoa de sangue no casaco de Jean-Louis Bravard.
          «Feri-me esta manhã» - disse o rapaz, com ar embaraçado.
         Mas Fauvel não prosseguiu no interrogatório e disse para o barão:
         «Já formei a minha opinião».

         No seu lugar, de quem suspeitaria o leitor?  

             (Divulgaremos amanhã, a solução oficial deste caso)



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Solução do problema # 182
(Diário Popular # 5428 – 16.11.1957)

Ao esquadrinhar o quarto e a bagagem do morto, o inspector Fauvel tinha descoberto uma ampola, mas não encontrou qualquer seringa. Ora, a morte sobreviera após uma injecção.

Jarturice-183 (Divulgada em 03.Julho.2015)






APRESENTAÇÃO
DIVULGAÇÃO
DE: JARTUR
jarturmamede@aeiou.pt

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